
segunda-feira, agosto 03, 2009
Mal passado

Gulodice tropical

domingo, agosto 02, 2009
Muitas bolinhas

Nesta vertigem meio aparvalhada sou levado a perguntar onde anda o H5N1, o terrível vírus da gripe das aves que deixou o mundo de pantanas ainda não há assim tanto tempo quanto isso? E o velho vírus da "influenza"?
Tanta barulheira parece trazer um oceano no bico. A quem aproveitam estas situações de alarme paranóico? À populaçãozinha que anda para aí a bater mal da carola não aproveita nem um bocadinho. Alguém está a esfregar as mãos de contente e nem sequer se dá ao trabalho de as lavar como deve ser. Não precisa.
Nota: a propósito desta salsada aqui fica um link que poderá ajudar a espantar as aves de mau agoiro. Tem alguns dados interessantes e elucidativos sobre a questão.
quinta-feira, julho 30, 2009
Um texto e um pretexto

Como funciona a hibridização anárquica
Começando pelo princípio.
Um cartãozinho tamanho A3 (as costas de um bloco). Um tubo de cola UHU (tenho sempre vários espalhados pelo ateliê) e jornais e revistas e outros restos. Um CD a tocar na aparelhagem (Beatles, Sargent Peppers Lonely Heart Club Band, neste caso) e uma cerveja fresca. Está bastante calor e estou com pressa de acabar pois quero ir ver um jogo de futebol na TV a menos de uma hora de distância. A camara fotográfica tem as pilhas a darem o berro. Como se pode ver nao há muita luz. Colo um rasgão da capa do ùltimo Ypsílon, com as mãos da Agnés Varda, um CD (oferecido com o Público) com 3 temas execráveis dos Taxi e um recorte que sobrou de outra colagem de uma coroa de uma virgem de um ícone ortodoxo de um artista ucraniano que teve uma exposição no Fórum Romeu Correia aqui há uns meses atrás. Tudo isto e tubos de tintas, uma garrafinha de tinta-da-Índia uma lata com tinta de pintar paredes bastante sêca... enfim, os materiais habituais. Colo as coisas (podiam ser outras). Lucy in the sky with diamonds (o som podia ser diferente), sei lá que mais. É tudo, aparentemente aleatório.
A dsiposição das formas sobre o fundo configura, de imediato, uma espécie de corpo. Os meus trabalhos representam sempre seres humanos ou, pelo menos, coisas parecidas. Começo por desenhar algo parecido com um anjo. Tem asas e o CD ganha a posição de um astro no céu. Os dedos enrugados da realizadora francesa já são pernas.
O canto inferior esquerdo parece-me desoladoramente vazio. Três ou quatro toques de pincel generosamente mergulhado em tinta-da-Índia (podia e devia ser da China mas o rótulo é que manda)fazem surgir ali uma nova personagem. Tem o aspecto de um animal embora eu pensasse que seria uma criança. Apercebo-me que criança é a outra personagem. Deixo de a imaginar como uma santa ou uma Virgem e passo a olhá-la como uma princesinha. As asas fazem, agora, pouco sentido. Colo, na esquerda alta, o resto de um outro desenho que andava para aí esquecido.
A princesinha está demasiado semelhante ao bicharoco. Isso desagrada-me. No jornal aberto no chão está a cara de uma cantora qualquer em pose de artista. Olhos semicerrados, queixo empinado. Rasgo-a e colo-a. Não é por nada em especial que escolho esta cara. Apenas porque estava ali, disponível. Mais umas pinceladas e ganha uma expressão de algum alheamento. O que se passa nesta cena? Começo a pensar nisso com maior intensidade.A tinta branca está muito espessa. Isso agrada-me. Tenho a possibilidade de cobrir a superfície com uma tinta satisfatóriamente opaca. Auilo que eram asas afinal é uma corda de saltar. A princesinha está a divertir-se saltando à corda. Isso é bom. É bonito. Tem leveza.
Até aqui, não sei porquê, tenho insistido numas orelhas enormes. Estarei a pensar numa Princesa com Orelhas-de-Burro? Não me lembro bem da história e resolvo tirar-lhe as orelhas. Há um buraco no peito da menina. Folheio uma revista da CAIS (costumo comprá-la todos s meses) e encontro uma foto de uma senhora operária numa fábrica (imagino) de conservas. Rasgo um pedaço com um amontoado de peixes. tem a cor e o tom certos para a composição.
O bicho (que bicho é aquele?) continua com uma cara inexpressiva. Rasgo a imagem de um gajo qualquer a coçar a orelha. É um gesto que fica bem a um animal doméstico. Colo.
Os Beatles já estão numa desbunda complicada (aquele álbum é estranheco!). Passaram aí uns 25-30 minutos desde que comecei a juntar formas e significados sobre o cartão. O jogo vai começar não tarda. Vou acabar. O animal está a cagar. A princesinha levou o bicho à rua para defecar. Deve ser isso. Pronto. Está pronto. Acabado. Falta um título e falta perceber o significado daquilo.Isto é hibridização anárquica, é canibalismo cósmico. Amanhã explico melhor. Se for capaz.
quarta-feira, julho 29, 2009
O círculo enquadrado

The Burning Heads, técnica mista, exemplo de uma criação resultante do processo de "hibridização anárquica" por mim realizada há uns anos atrás. Quando partimos para o processo de criação de um objecto não fazemos ideia do lugar a que iremos chegar.terça-feira, julho 28, 2009
Nada (como no mar)

segunda-feira, julho 27, 2009
Cabeça cheia de vazio

sexta-feira, julho 24, 2009
Post coelhinho

quinta-feira, julho 23, 2009
Post macaco

quarta-feira, julho 22, 2009
A merda e arte (ou a arte e a merda)

segunda-feira, julho 20, 2009
Parece que me lembro de qualquer coisa

domingo, julho 19, 2009
De Nova Iorque a Lisboa com um estranho Deus por companhia

Lisboa em cima, Nova Iorque em baixo (e poderia colocar as imagens vice-versa) quarta-feira, julho 15, 2009
Não me apetece falar mais de Nova Iorque (tertúlia final)
Não me apetece e no entanto é, ainda, de Nova Iorque que falo neste post. Que raio de contradição! Ou talvez nem por isso. Se calhar até faz sentido, embora me pareça que estou a abusar da falta de conteúdo, escrevendo uma sequência de frases que não fazem sentido nenhum. Imagino que seja a isto que certos escritores se referem quando utilizam a expressão "caminhar sobre o vazio"... uma pessoa desiquilibra-se e cai, infinitamente, até ao esquecimento. A Tertúlia Virtual, ao que parece, chega ao fim. Pronto. Caiu no vazio. Vamos recordá-la enquanto lhe dizemos adeus. Amanhã será uma grata recordação. Como Nova Iorque. Como a bela sanduiche de presunto que comi há umas horas. Como outras coisa de que já não me lembro. Adeus Tertúlia. Olá Coisa Nova (sejas lá tu o que fores). Agora estou confuso. Já não sei se Nova Iorque foi, de facto, o tema deste post. Se calhar não foi. Então talvez a conversa não seja tão parva como parece. Eventualmente até que é completamente estúpida. A conversa, quero dizer...sexta-feira, julho 10, 2009
Nova Iorque - Parte 4.1 (As festas)



Quis o destino que a viagem que a minha família fez a Nova Iorque coincidisse com as duas maiores festas lá do sítio. Primeiro foi a Parada do Orgulho Gay, no dia 28 de Junho, se não estou em erro. Depois o 4 de Julho, no dia 4 de Julho.quinta-feira, julho 09, 2009
Nova Iorque - parte 4 (Uma provocação)
Até que ponto a arte e os artistas contemporâneos são meros produtos de consumo para as massas? E os velhos mestres? Começo a pensar que a forma como os grandes museus estão "equipados" se baseia em amontoar nomes, independentemente da qualidade das obras.
Em Nova Iorque é até um pouco ridículo verificar que todos se esforçam por terem expostos um Pollock, um Rothko, um Franz Kline, um Jasper Jones e um De Kooniguezinho, como se isso fosse, por si só, garantia de publicidade positiva. Mas, o Turista Cultural atento e menos avisado, poderá até pensar que está a ver as mesmas obras em espaços diferentes.
No museu Guggenheim (um hino de espectacular e estranha harmonia à arte arquitectónica) havia um amontoado de pessoas defronte a uma tela de Van Gogh. Mas tratava-se de um fraco Van Gogh. Os espectadores estavam muito próximos uns dos outros, em poses mais ou menos bizarras, fixados na imagem como se dela esperassem retirar alguma magia.
Fiquei a pensar que todos eles (aqui eu já estava de fora, a olhar as pessoas) esperavam ansiosamente sentir alguma coisa. Estavam assim, hirtos como uma Vénus de Milo, na expectativa de que o contacto com uma obra de um dos maiores pintores da História da Arte lhes proporcionasse uma sensação extraordinária. Olhando as suas expressões pareceu-me ver apenas estupefacção, talvez, por não sentirem nada de especial. Seria isso possível? Penso que sim. Um nome não representa nada. O que poderá representar alguma coisa é a obra em si e aquela tela de Van Gogh é, apenas, um exercício de pintura, uma experiência entre duas obras-primas.
Para o consumidor de arte as telas são todas mais ou menos a mesma coisa. O que importa, acima de tudo, é o nome na assinatura. O nome vale pelo resto. Vale pela nossa falta de conhecimento, pela ausência de sensibilidade e, acima de tudo, é o nome que nos impede de classificar adequadamente tantas e tantas obras expostas nos grandes museus por esse mundo fora. No Guggenheim há um conjunto de telas de Cézanne simplesmente assustadoras de tão cruas no trato pictórico. Mas, tal como perante o Van Gogh atrás citado, os espectadores consomem-se tentando explicar a si próprios no silêncio interior que os apoquenta porque razão aquilo lhes parece pouco mais que uma valente merda, apesar do nome no canto inferior direito. E ali ficam(os), especados, como árvores tristes numa floresta queimada.
Nova Iorque-Parte 3 (O Turista Cultural)


quarta-feira, julho 08, 2009
Nova Iorque-Parte 2.2 (Pollock)


terça-feira, julho 07, 2009
Nova Iorque - Parte 2.1

sexta-feira, julho 03, 2009
Nova Iorque (parte 1)

quarta-feira, junho 24, 2009
Inquietação

domingo, junho 21, 2009
Oxalá

quarta-feira, junho 17, 2009
Começar de novo

segunda-feira, junho 15, 2009
Que lugar te faz sentir em casa? (Tertúlia Virtual)

Banksy no Museu (parte2)
Em complemento da post anterior por indicação do Caçador.
De notar que Banksy manteve o anonimato. Misturado no grupo de encapuzados que montaram a exposição, consegue manter a dúvida sobre a sua identidade. Dizem que nasceu em Bristol, daí esta exposição, mas também isso pode ser uma ilusão ou apenas algo para pôr os ingleses a pensar na vida.
domingo, junho 14, 2009
Banksy no Museu

sábado, junho 13, 2009
Onde está a Democracia?

Pobre Democracia. Onde anda ela? Começo a pensar que não passa de um fantasma. Um Dom Sabastião velho e perdido para sempre numa tempestade de areia.
quinta-feira, junho 11, 2009
93 milhões de pontapés na crise?

quarta-feira, junho 10, 2009
Portugal discursado
Hoje é Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas. Ok, fixe! É dia de comemorações e medalhas espetadas em fatinhos perfumados. Muito giro. Normalmente não se passa nada de assinalável. Desfilam as forças armadas perante os governantes e botam-se discursos mais chatos que piolho agarrado na virilha. Tudo com uma cara-de-pau que mete medo e convidados com ar de quem comeu mosca tsé-tsé ao pequeno-almoço.
Desta vez, porém, houve um discurso que me prendeu a atenção quando zarpava na TV, de canal em canal, à procura de coisa nenhuma. Foi o discurso de António Barreto que este ano presidiu às ditas comemorações (ver notícia aqui). Pela primeira vez ouvi um discurso objectivo, desassombrado e interventivo, sem medo de chamar as coisas pelos nomes que merecem ser chamadas, mesmo que sejam nomes feios ou pouco bonitos. Já tinha Barreto em alta consideração, a partir de hoje tenho-o na mais alta consideração (esta coisa das escalas de consideração é engraçada), não só porque o homem gosta de jacarandás ou escreve crónicas interessantes no jornal de Domingo.
António Barreto terminou o seu excelente discurso e sentou-se, dando a vez a Cavaco Silva, Presidente da República. Cavaco disse três frases e o encanto do discurso anterior já se tinha transformado na mais banal das pimpineiras. Mudei de canal. Desliguei a TV. Fui pintar.
O discurso está acessível na sua totalidade. Clicar aqui.
segunda-feira, junho 08, 2009
Quem raptou Europa?
sábado, junho 06, 2009
Votemos

quinta-feira, junho 04, 2009
O deus do rock



terça-feira, junho 02, 2009
Adultescência





