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sábado, março 31, 2012

Simplicidade

Afinal o nosso cérebro tem uma estrutura bem mais simples do que era imaginado. Um artigo científico recente mostra que as ligações nervosas dos nossos cérebros se organizam em estruturas reticulares e não como um confuso ninho de cobras, como muita gente poderia pensar e estaria bem mais de acordo com a nossa natureza.

Ainda iremos descobrir um dia que somos apenas máquinas, concebidas e desenhadas por outras máquinas, que as nossas vidas pouco mais são que jogos para divertimento dos nossos criadores, assim à maneira do jogo dos SIMS.

Ou talvez sejamos apenas personagens (nem máquinas chegaremos a ser?), projecções incorpóreas dotadas da capacidade de sonhar que possuem um corpo. Talvez não sejamos nada disso nem aquilo que imaginamos ser.

Sinceramente não sei bem se gostava mais de ser uma máquina ou uma personagem de um jogo de computador. Não sei bem se gostava mais de ser um animal que pensa que pensa ou uma coisa fabricada nalguma instalação industrial extra-terrestre, uma espécie de monstro horrendo aos olhos dos mais sensíveis de entre a espécie dos meus criadores.

Tudo isto porque, afinal, o nosso cérebro é parecido com uma pintura de Mondrian só que muito, mas mesmo muito, complicada. Mondrian disse um dia que a sua pintura pretendia revelar a verdade do universo, a essência das coisas para lá do véu que as cobre e oculta, o véu a que chamamos realidade.

Talvez a percepção plástica do velho pintor estivesse mais próxima dos seus objectivos do que ele jamais possa ter imaginado.

quarta-feira, novembro 03, 2010

O cérebro exposto


Os olhos são a parte exposta do teu cérebro, a forma que ele encontrou para contactar o mundo que o rodeia. Os olhos são como excrescências cerebrais atraídas para a luz, pedaços de tecido que rastejaram para fora da caixa craniana protectora. Os olhos são instrumentos de inteligência altamente sofisticados.
Não escondas os teus olhos pois desse modo cegas o teu cérebro que deverias alimentar com visões e outras coisas dignas, reveladoras, magníficas! Abre bem os olhos e vê.

sexta-feira, maio 11, 2007

Homem-Macaco-Homem


Tal como nós, também o chimpanzé começa a ser (é agora) reconhecido por muitos como um patamar evolutivo em direcção a uma espécie mais desenvolvida. A nossa espécie não pode ser o "fim do caminho" da inteligência animal. Isso seria demasiado cruel.

Os chimpanzés estão aí para nos permitirem sonhar com algo melhor do que nós próprios. «Os chimpanzés têm vocalizações para assinalar estados emocionais, identificar frutas, situações de ameaça ou para se referirem a outros chimpanzés, como se os chamassem pelo nome próprio. "até têm vocalizações para saudarem um indivíduo que não viam há muito tempo", conta a primatóloga Catarina Casanova. "Está-se a descobrir que eles têm uma linguagem."»
Na minha desavisada opinião basta acreditar que isto é possível para que não levemos muito tempo a incluir os chimpanzés na grande família humana. E há opiniões bem mais avisadas a afirmá-lo sem vacilar. As provas da sua inteligência são mais que muitas e só o velho preconceito que nos coloca no Éden com um Deus barbudo, vestido com uma combinação cor-de-rosa, como o do tecto da Capela Sistina, a dizer-nos que criou aquilo tudo para nós curtirmos pode evitar que olhemos os nossos irmãos chimpanzés com olhos de familiares simpáticos, ainda que desconfiados. Se os chimpanzés são humanos talvez tenhamos que recriar o estereótipo da imagem divina... mas isso já é conversa de outra aventura.

«O que se julgava ser característico dos Homo Sapiens foi-se descobrindo nos chimpanzés(percebeu-se, por exemplo, que fabricam ferramentas e organizam guerras genocidas!) , ao ponto de a comunidade científica começar a considerá-los humanos.» Lindo. Utilizam plantas como medicamentos e passam esse conhecimento de geração em geração. «Em más condições de cativeiro, desenvolvem patologias do foro psíquico como os condenados a prisão perpétua(...) Sofrem da mesma maneira que nós e têm percepção da dor.»

Etc., etc., as semelhanças são tantas que até se observa que «Os chimpanzés têm danças rituais da chuva, só feitas em alturas de grandes trovoadas. Talvez estejam a agradecer a chuva por trazer mais frutos.» É bonito, mostra gratidão! «É uma proto-religião. Provavelmente foi assim que surgiu a religião entre os nossos antepassados humanos.» Alguém duvida que tenha sido qualquer coisa deste género que trouxe até nós Deus e os restantes deuses?

Basta olhar as divindades egípcias para perceber como os fenómenos naturais e os animais selvagens, representativos das forças bestiais da natureza, estão na base da crença humana em seres fantásticos que lhes são superiores e organizam o andamento das coisas do Universo inteiro. E o cristianismo é bem um clone das antigas religiões da beira do Nilo em alguns aspectos dos quais a crença na vida para lá da morte não será o menos evidente. Oferecer uma forma humana a estas forças misteriosas não é mais que uma cortesia de civilizações mais requintadas e narcisistas, como a nossa.

Este post é baseado no artigo "Eles já são humanos" de Teresa Firmino, saído na edição do P2, o suplemento diário do jornal Público de 10 de Maio que termina explicando que [os chimpanzés são, pelo menos, humanos como nós?]«Humanos, no sentido em que devem pertencer ao género Homo, mas de uma espécie diferente da nossa» diz Catarina Casanova.
Estou tentado a acreditar que há por aqui um fundo de verdade. Tu não?