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domingo, julho 01, 2018

Desenhos Negros

 Vou bater à tua porta (desenho negro nº 240)
 6 capas com 40 desenhos dentro cada uma

Hoje acabei o sexto bloco de 40 folhas negras. Iniciei este trabalho em Janeiro de 2015, quando a minha filha me ofereceu o primeiro desses blocos de tamanho A3 por ocasião do meu aniversário. São 240 desenhos realizados com recurso a técnicas variadas, sempre com colagem e acrílico, pastéis de óleo, marcadores, tintas em spray, etc.

Fazer estes desenhos tornou-se um ritual; de cada vez que acabo um retiro-o da prancha e agrafo nova folha. Depois colo algo (tenho uma espécie de lixeira de pedaços de papel: jornais, revistas, papéis variados que vou acumulando) e olho, volto a olhar, risco, pinto, o tema surge com a execução do trabalho.

Estes desenhos servem-me como base para outros trabalhos. Fotografo-os e depois projecto-os sobre papéis de diferentes dimensões e desenho com esferográfica, canetas de gel ou pastéis de óleo. É como praticar uma religião. Estou convertido.

segunda-feira, julho 03, 2017

Beleza?

 Anjo da Covilhã (Junho 2017)


Por vezes questiono-me: por que razão pareço possuído por um espírito obscuro e melancólico sempre que avanço de encontro a uma folha de papel com a intenção de desenhar? Não há espaço na minha arte para um passarinho, uma flor bonita, uma criança a sorrir?

Nem sempre me apetece responder a mim próprio, ainda menos em questões deste teor.

Tenho a impressão consciente de que desenho para interpretar o mundo que me rodeia e que este mundo se transmuta dentro de mim naquilo que sou e, por extensão, naquilo que penso e sinto. Será que não tenho esperança na possibilidade de existência da beleza? Será que tenho da beleza uma imagem pouco consistente com o senso comum? Que raio!?

Acho que vou experimentar mais um desenho.

terça-feira, julho 19, 2016

Suores frios

Criar imagens é uma actividade fantástica.

A colagem em Adobe Phtoshop gerou o desenho a tinta da China. Fiz a colagem aqui há uns anos e dei-lhe o título de Night Rider, uma brincadeirazita com a designação de uma célebre série de televisão.

Ontem, dia 18 de Julho de 2016, realizei a versão desenhada. Enquanto ia desenhando o sentido da imagem foi-se alterando. Vieram-me à memória uns quantos atentados terroristas, centenas de pessoas desfeitas em bocadinhos, o medo a ganhar forma física. Desespero e violência.

Então, o título do desenho terá de ser outro.

Por agora o título é "Suores Frios" mas penso que venha ser ainda outro.


sábado, abril 28, 2012

A mula e o unicórnio

 Paul Cadden a dar ao lápis

Um belo dia (não tão belo quanto isso), era eu um novíssimo estudante nas Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tive um dos meus primeiros baldes de água fria.

Mostrava um desenho da minha autoria a um professor, já não recordo qual professor, um desenho que me parecia algo digno de elogios, quando o mestre me atirou uma frase que ainda agora recordo. Disse-me ele "Isto não é um circo, não estou interessado nas suas habilidades".

Devo ter ficado com cara de parvo daqui até à lua. Então, se não eram as minhas habilidades que ele queria ver, o que devia eu fazer?

Percebi mais tarde que era suposto executar com mais objectividade o exercício proposto, exercício esse que não pedia tamanho virtuosismo nem tanta soberba da minha parte. Era algo mais modesto na habilidade mas bem mais exigente em termos expressivos. Eu exibia beleza quando me era pedido que mostrasse alma. Naquele tempo eu não compreendia uma coisa assim.

Agora compreendo.

Vem isto a propósito de uma notícia que li no Público online que faz eco do espanto que causam por aí os desenhos de um artista escocês, Paul Cadden. Uma rápida pesquisa mostra mais uns quantos jornais, um pouco por esse mundo, a publicar, mais coisa menos coisa, a mesma notícia.

O espanto dos desenhos de Cadden é a extrema dificuldade que o observador tem em distingui-los de fotografias. Ele desenha magnificamente! Os seus desenhos são verdadeiras fotografias.

A partir daqui este post poderá parecer pretensioso ou mostrar alguma inveja da minha parte por não ser capaz de desenhar de forma tão semelhante a uma máquina fotográfica. A verdade é que não pretendo comparar as minhas capacidades no campo do desenho com as de Cadden. Seria como comparar uma mula a um unicórnio.

Queria, apenas, deixar uma pergunta sem estar, na verdade, à espera de resposta, até porque é uma pergunta meio parva.

Pergunto: ficaríamos assim tão espantados se um fotógrafo fizesse fotografias que não pudéssemos distinguir de um desenho? Um ser humano capaz de imitar uma máquina tem mais valor que uma máquina capaz de imitar um ser humano?

Eu sei, isto soa a provocação barata.


terça-feira, outubro 06, 2009

3 atributos


Transparência. Densidade. Narrativa. Leveza, humor e um soco no estômago. Suspensão. Do gesto. Do gosto. Do tempo. O tempo suspenso do espaço em volta. O objecto. Dinamismo. Oposição. Complementaridade. A obra completa. A obra complexa. Rasga o espaço. Divide, une, representa. A mão suspensa na fronteira. Paira no vazio. Aguarda. E foge. Regressa. Dança. Transparência, densidade e narrativa.

domingo, fevereiro 25, 2007

Anunciação

Tinta-da-China sobre papel, formato A4
clicar na imagem para "ouvir" a conversa...