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segunda-feira, maio 07, 2018

Esbracejar

Trabalhar é o melhor antídoto contra a fantasmagoria. Ter que fazer ou, quando não tenho que fazer, inventar o que fazer, só assim consigo manter o nariz à tona do lamaçal. É como se estivesse sempre a esbracejar. Sim porque, para mim, trabalhar é desenhar ou pintar ou escrever ou falar para uma pequena plateia, sempre a dar aos braços, na verdade.

É como se nadasse na realidade. A realidade como piscina, como mar, como tanque; a realidade líquida, impossível de prender, de meter numa gaiola, impossível evitar que nos escape e fuja e se estenda infinito adiante.

Mesmo que naufrague salvo-me agarrado a um pedaço do mastro, a um patinho amarelo, agarrado a uma lasca de madeira. Não me afogarei pois aprendi a esbracejar. Não me afogo tão depressa. Enquanto esbracejar (pintar, desenhar, escrever, discursar) não me verão desaparecer entre este lugar e a linha do horizonte.

Enquanto esbracejar eu permaneço. Enquanto permaneço eu sobrevivo.

Quando acabei de escrever a palavra "sobrevivo" recebi um SMS de alguém que me dava a notícia da morte de um seu familiar. Este mar é estranho, esta piscina que não tem escadas, este tanque sem fundo que mais se assemelha a um poço. A realidade é demasiado mesquinha, tem curvas demasiado apertadas, coincidências tão exactamente coincidentes que parecem ser coisas inventadas à pressa.

quinta-feira, junho 15, 2017

Metáfora

Cada vez menos sou capaz de acreditar que haja, de facto, uma separação de poderes na forma como interpretamos o sistema democrático no nosso país.

Os responsáveis pela elaboração das leis parecem estar profundamente comprometidos com as forças obscuras do vampirismo que tem a dentuça ferrada na jugular do Estado. É como ter raposas a guardar o galinheiro e um bando de furões como encarregados dos serviços de limpeza da gaiola onde pomos os nossos ovos. Anda a galinhada num virote, a levar dentadas, a perder penas, a sofrer de desorientação e com inveja da vizinha a quem apenas foi levada uma pernoca na última investida das bestas que zelam pelo nosso bem-estar.

Quando olho, por exemplo, para o que se passa no Brasil ou em Angola, não sinto qualquer tipo de alívio por estar enfiado neste galinheiro lusitano. Sinto uma espécie de solidariedade melancólica por perceber que eles têm leões no lugar das raposas e jacarés no lugar dos furões.

Vivemos um tempo em que as máscaras das bestas que nos devoram caem com facilidade. Vemos com nitidez a deformação hedionda dos seus focinhos, aspiramos o hálito fedorento que exalam enquanto cirandam ao redor das nossas vidinhas. E, no entanto, parecemos hipnotizados, imobilizados perante o poder encantatório das ilusões que nos oferecem para nos amolecer as carnes antes de lhes ferrarem o dente.

No meio desta merda toda Portugal não passa de metáfora, coisa pequenina. Mas, para mim, para os que vivem neste galinheiro, é coisa enorme por ser o lugar das nossas vidas.

quinta-feira, abril 27, 2017

Visão mística?

Ó Deus glorioso, eu Te agradeço esta cagadela tão boa.

Grato estou, eternamente grato, por me teres oferecido um aparelho intestinal deste gabarito, por me possibilitares estes sublimes vislumbres do mundo quando, em pleno esforço de expulsar a coisa, no tremelique do "já lá vem", a quase-dor é transformada em alívio total, calmaria absoluta; é como se subitamente olhasse o gracioso frol a enfeitar-me os dedinhos dos pés após o ribombar monstruoso de uma onda de 10 metros que viesse assustar a areia da praia.

Tenho, por vezes, a ímpia sensação de Te ver encostado à parede, sorrindo na minha direcção, quando a coisa lá vai, sanita abaixo e o tremelique cessa de me confundir os olhos.

Será isto uma visão mística?

terça-feira, novembro 22, 2016

Confissão

Eu gostava de ser bom como o Papa Francisco, gostava de ter aquela compaixão couraçada que ele mostra quando aconchega os fracos e os oprimidos e estica as orelhas aos exploradores e aos filhos da puta.

Eu gostava de ter a missão de espalhar a fé na justiça e na amizade entre os povos como vai fazendo António Guterres com aquele aspecto de suportar às costas um peso imenso sem nunca perder a coragem.

Oh, como gostava de sentir a inspiração das grandes causas, a força da esperança que outros depositassem em mim!

Mas não, sou um gajo com maus fígados. Dou por mim a desprezar certas pessoas que, se calhar, até nem merecem desprezo, a desejar que certos figurões se fodam forte e feio, não tenho a auréola de santo que gostaria de ter.

Enfim, sou obrigado a viver dentro de mim próprio, a suportar os pensamentos desviantes que me sopram aos ouvidos canções bandidas. É assim que sou. E, verdade, verdadinha, até que nem desgosto.

segunda-feira, abril 11, 2016

Tempo morto

Acabo de chegar do aeroporto de Lisboa onde fui deixar a minha filha. São seis horas e onze minutos da manhã. Ela vai voar, eu estou sentado. Tenho duas horas até começar o meu dia de trabalho, duas horas entaladas entre ainda agora e mais daqui a nada.

A quebra das rotinas cria estes espaços indefinidos durante os quais podemos fazer o que quisermos e, na verdade, a vontade de fazer seja o que for não é lá muito grande. Sinto-me um pouco fora de mim, algo desorientado. A quebra das rotinas transforma-me em algo indefinido.

O dia vai ser longo. Além das aulas tenho duas exposições para montar. Serão longas horas de algum esforço físico e concentração em níveis máximos. Longas horas em que muitas coisas vão depender da minha capacidade de mobilizar e canalizar energias. No entanto... tenho este espaço de tempo vago, sereno; é a isto que se chama um tempo morto?

sexta-feira, maio 15, 2015

Zumbido matinal

Pessoas sussurram, espalhadas pela sala, sussurram. Sussurram por serem poucas e a sala pequena pois quando há muita gente as pessoas falam alto. Quando está muita gente nesta sala as pessoas todas parecem berrar, embora apenas falem mais alto do que seria de esperar.

As pessoas fazem-se ouvir.

Mas, por agora, sussurram. Serão segredos aquilo que levam as palavrinhas que lhes saem da boca? Serão mexericos, pequenos insultos, pequenas verdades, grandes mentirinhas? Se fossem coisas de ouvir as pessoas haveriam de falar mais alto. Sussurram como se falassem com Deus, como se estivessem escuras numa igreja sombria e fria.

As pessoas sussurram. As pessoas zumbem. Como laboriosas abelhas, recolhem pólen das ideias para produzir sabe-se lá que merda de mel!

quarta-feira, março 04, 2015

Fazer

Fazer. Fazer algo que não constitui obrigação. Fazer algo que resulte de uma vontade que pode até nem ser muito forte. Fazer algo que vem de algum lado, calmamente, a espreitar o mundo, algo que vem de algum lado dentro de nós, a querer mundo. Fazer. Apenas. Fazer.

segunda-feira, julho 07, 2014

Crescimento

Quando ouço a palavra "califa" a primeira coisa que me vem à cabeça é a imagem de Iznogoud aos pulos, furioso, gritando que quer ser califa no lugar do califa. Quero dizer: "ERA" esta a primeira coisa que me vinha à cabeça, reminiscências da infância e da Banda Desenhada (ainda tenho um ou dois livros de Iznogoud na prateleira).

De há um ou dois dias para cá, quando ouço a palavra "califa" a primeira coisa que me vem à cabeça é a guerra no Iraque e na Síria, a confusão com o Curdistão, a questão turca e os receios do Irão e da Arábia Saudita relativamente ao poder do ISIS e a forma angustiada como os ocidentais olham para tudo isto sem saber nem ter grande coisa para fazer.

Como é que uma coisa tão simples (a imagem de Iznogoud) pode ser substituída por outra tão complicada (aquela baralhação sobre a situação política e militar no Próximo e Médio Oriente)? A resposta é simples: cresci como o caraças!

Como agora sou crescido e tenho uma perspectiva muito mais ampla do mundo que me rodeia consigo compreender as coisas com outra profundidade, não me deixo impressionar com a primeira tolice que me sopra o espírito. Não, agora sou capaz de pensar pela minha cabeça e não me deixo enganar com facilidade.

"Califa" é muito mais do que um bonequito de Banda Desenhada que me fazia rir e proporcionava momentos de puro prazer quando me levava para fora deste planeta. "Califa" agora é Abu Bakr al-Baghdadi o autoproclamado sucessor de Maomé, aquele que vem impor a sharia a todo o mundo, para glória de Alá.

Para quem não tinha compreendido, crescer é sinónimo de complicar.

quinta-feira, junho 19, 2014

Curva cega

Há sensações que brotam do nosso corpo, que rebentam, que vêm, que se revelam através das mais variadas manifestações. Saem disparadas como gritos, poemas, borbulhas, erupções cutâneas, desenhos, canções, palavras doces, palavras tôlas, azedas e nem por isso. Palavras redondas ou cortantes como lâminas que reverberam na escuridão, produzindo uma lúgubre canção de embalar.

Falamos, gritamos, cantamos desalmadamente; tentamos explicar este aperto, esta secura, a tontura, a falta de ar, o súbito calor que de tão forte desorienta e provoca vertigem, logo um frio de rachar vem ocupar o seu lugar. Rilhamos os dentes e desejamos fazer mal, infligir dor. Estamos desorientados, perdidos nos nossos próprios sentimentos que já não nos pertencem, que agora são esta ansiedade, esta coisa que se mexe e nos aperta o peito do lado de dentro, este bicho que nos quer consumir à força de lambidelas.

Ok, ok, chega. Mas que raio de coisa estou para aqui a tentar escrever?

A verdade é que isto não significa nada, é escrita vazia, curva apertada e cega que não sei para onde vai nem quer ir para lado nenhum. A verdade, verdadinha, é que estou a ficar impaciente pois a minha filha regressa amanhã após seis meses em Bratislava onde esteve no âmbito do programa Erasmus. Neste estado não escrevo, não desenho, pouco penso... mas aquela cena do aperto no peito ali mais atrás, olha, se calhar até nem é totalmente vazia de sentido.

segunda-feira, junho 02, 2014

Cauda de lagartixa

A nossa necessidade de atenção e compreensão é uma coisa de dimensão cósmica.

Ao terminar a frase registada acima reparei como poderia ter escrito "cómica" no lugar de "cósmica" e o discurso seguiria por caminhos bem distintos... ou não?

Bom, este é um bom exemplo daquilo que os meus professores classificavam como um "espírito disperso". A facilidade com que mudo de direcção deveria preocupar-me caso fosse um profissional de ciência exacta. A verdade é que, na maior parte das actividades que desenvolvo, este pensamento errático serve bem enquanto ferramenta de trabalho.

Repare, caríssimo leitor, como estou já longe da ideia inicial. É isso um problema? Diga-me você.

Voltando atrás: necessidade cósmica? Sim, isto porque imaginamos um Deus omnipresente e omnipotente que, no entanto, hesita nos sinais que envia para nos ir informando dos seus objectivos, orientações e reprovações. Na verdade, quem acredita em Deus, vive para tentar compreendê-Lo e, desse modo, justificar os próprios actos. Não há Livre Arbítrio para esta facção da Humanidade.

Ora, para um gajo como eu, cuja capacidade de concentração é como um pássaro que se esqueceu do lugar onde fez o ninho, Deus é uma presença ocasional; posso estar a tentar contactar com Ele através da oração e, por exemplo, distrair-me com o "agora e na hora da nossa morte", do Pai Nosso. Sim, a frase poderá sugerir que, quando eu morrer e os restantes pecadores baterem a bota, Ele morre também.

Ok, estou a forçar a coisa para poder continuar a derivar e a contorcer o discurso, justificando o título deste post provando a minha capacidade de perder o fio sem perder a meada e vice-versa. Isto serve-me às mil maravilhas para dar uma aula ou fazer um desenho (nunca, ou muito raramente, faço um esboço) mas, imagine o leitor, as dificuldades que se colocam quando tenho de cumprir os deveres burocráticos que infernizam a existência dos professores mais capazes de organizar o pensamento.

Voltando atrás: dimensão cómica? Sim, quando era criança achava tanta graça às contorções de uma cauda de lagartixa que estropiava alegremente os animaizinhos. Sabia bem que o irrequieto apêndice haveria de crescer outra vez, milagre de regeneração de tecidos. Tal como as ideias, tal como os pensamentos...

domingo, janeiro 26, 2014

Momento literário

Aos poucos fomos assentando as nossas ideias, revendo-as de trás para a frente durante umas semanas até chegarmos a um projecto final. "Forma e coerência - disse o mestre. - Estrutura, ritmo e surpresa."

Paul Auster in Mr. Vertigo

Forma e coerência. Estrutura, ritmo e surpresa... uma receita promissora para todo o aspirante a criador. Se Deus tivesse lido Mr. Vertigo talvez o mundo não fosse tão merdoso.

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Boas festas

Esta época do ano é feita de viagens. O Pai Natal dá a volta às chaminés e eu dou umas voltas por aqui e por ali. Nas minhas voltas deixo o computador para trás e pouco tempo lhe dispenso.

Talvez por isso não tenho o costume de deixar mensagens de boas festas nem desejos de paz no mundo ou felicidades para o ano que aí vem. Hoje estou em casa mas esta madrugada abalo de novo e o computador para aqui vai ficar um pouco só, bastante abandonado.

Eu sei que há mil e uma maneiras de me manter ligado à Net mas não faço isso. Deve ser mania.

Desta vez deu-me uma coisa e decidi fazer isto:

Bom Natal e Próspero Ano Novo para todos os que lerem isto (e também para os que não lerem).

Até breve.

Soa estranho...

terça-feira, setembro 24, 2013

Tempos livres

Uma música suave (como que vomitada por anjos que tenham abusado na ingestão de pétalas de rosa) vai entediando o espaço. Pessoas com muitos cabelos brancos vão chegando, devagar, vão-se sentando, calmamente, tudo se passa a 5 à hora. Percebe-se que são pessoas que têm muito tempo livre.

Como se consegue tanto tempo livre? Passo a tentar explicar o que me pareceu ver naquele lugar onde o aborrecimento é feito de veludo.

As pessoas sentam-se por ali, fingindo que não têm nada que fazer. Passeiam os olhos por jornais, livros e revistas (se não tivessem tantos cabelos brancos decerto olhariam para écrãs de computador, de iPhone, de iPad, etc.), não se passa nada.

Na verdade aquelas pessoas estão a fingir distracção. Elas estão ali para caçar tempo livre! O isco são elas próprias, a sua alma a armadilha que haverá de capturar algum tempo mais descuidado que se abeire dos seus corpos estáticos. O tempo chega-se e... zás, é apanhado na armadilha. É tempo livre capturado. Parece um contrassenso (de facto é) mas as coisas são mesmo assim.

As pessoas gostam de exibir o tempo livre que capturaram. Exibem-no como são exibidos os animais selvagens, em jaulas mais ou menos espaçosas. Depende da qualidade do tempo e da qualidade do indivíduo. "Olhem bem este meu tempo livre, vejam como sou poderoso e feliz por ter semelhante exemplar no circo da minha existência."

E sorri, mostrando na sua jaula reforçada um imponente tempo livre capturado em Roma ou em Vladivostoque, olhando de soslaio para um tempito livre capturado ali, naquela sala onde a música não chateia mas também não anima, um tempo livre tão inofensivo que o guarda no bolso ou numa gaiola de plástico, daquelas onde se guardam os grilos.

Entretanto as pessoas vão-se substituindo umas às outras, muito semelhantes no aspecto e na atitude, o tempo livre a correr riscos de ser aprisionado. Tempo livre prisioneiro, é a suprema aspiração na vida de muitos de nós. Principalmente daqueles que não se incomodam com vómito de anjinho, desde que cheire a rosas. Como é o meu caso.

quinta-feira, julho 04, 2013

Calor

Deve ser do calor. O mundo parece estar a arder mas deve ser impressão minha causada pelas temperaturas mefistofélicas que vão cozinhando o país e o resto, em volta.

Hoje estive toda a tarde sentado defronte a esta coisa. A enviar e-mails, a receber e-mails, a ler documentos chatos, a preencher tabelas com númerozinhos que representam coisas que nunca pensei poderem ser representadas por números. Suei a camisa a trabalhar sentado, que é uma coisa digna de ser notada.

As notícias vão gotejando a um ritmo preguiçoso. Há homenzinhos enfatuados que rodopiam de uma cadeira almofadada para outra em busca de coisas estranhas, coisas que talvez sejam mágicas, não compreendo bem. Na verdade não compreendo nada. As coisas mágicas parecem-me estúpidas, mesquinhas, talvez sejam mágicas por isso mesmo: por serem estupidamente mesquinhas.

Os homenzinhos enfatuados são aprendizes de feiticeiros que experimentam soluções estranhas para problemas enormes que não parecem compreender. Mas tudo isto deve ser por causa do calor. O mundo transpira notícias. O calor que está a cozer o mundo em lume brando com Portugal lá dentro.


domingo, junho 30, 2013

Momento subterrâneo

Aquele olhar profundamente azul era tudo o que tinha para oferecer. A consciência da sua extrema beleza retirava-lhe humanidade. A forma como se movia, suave, um estilo exótico... embrulho adorável para um conteúdo de merda.

terça-feira, junho 18, 2013

terça-feira, março 19, 2013

Pai babado

Como hoje é Dia do Pai deixo aqui o link para uma página do Facebook onde a minha Filha vai colocando alguns desenhos da sua autoria.
Sou um pai babado!
:-)

domingo, março 17, 2013

Pensamento matinal

Um triângulo é uma circunferência que foi virada do avesso e ficou com os ossos à mostra.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Reunião

Imagino uma reunião magna num aprazível castelo em ruínas, algures na Transilvânia. Os participantes têm séculos de existência (não de vida) e possuem uma sabedoria milenar que escapa à compreensão dos comuns mortais. Em cada compartimento um caixão forrado a veludo vermelho.

Estes senadores do Planeta Terra mostram visíveis sinais de cansaço; já viram tudo, viveram tudo, sabem tudo. Toda esta sapiência lhes confere uma autoridade especial, eles têm o know how da sobrevivência, sabem perfeitamente o que devem fazer para controlar o andamento do mundo que nos rodeia. E controlam-no de acordo com os seus interesses.

O pormenor aborrecido é que, para garantir a sua sobrevivência, estes Senhores do Tempo, estes Mestres da Vida, necessitam de beber sangue; sangue fresco. Humano, de preferência. Muito sangue.

Imagino uma reunião magna da elite económica do nosso planeta.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Ano novo

A tentação para a auto-comiseração é grande mas, sendo tentação, é possível que seja pecado. Andar para aí, a chorar pelos cantos, até que pode dar jeito. Sempre esvaziamos a merda dos sacos lacrimais e ficamos com o olhar mais límpido, lavadinho.

Após termos chorado tudo o que havia para chorar e lamentado o que havia para lamentar, das duas uma: ou repetimos a coisa ou cagamos nisso.

Repetir o choradinho em loop não atrasa nem adianta. Estando feito, é meter no saco e atirar ao rio com duas pedras a ajudar que descubra o fundo.

Cagando nisso (assoado o nariz e esfregados os olhos) é tempo de pensar uns segundos no que se segue. O que vem aí? Aí vimos nós, aos saltos, com botas e pés pesados! Acautelem-se os que não são dos nossos!