Depois de muito reflectir sobre a possibilidade de existir uma metáfora visual da felicidade, uma coisa que se veja e possa transmitir toda a força desse sentimento fugidio, chego à conclusão de que existe, de facto, tal metáfora. É o smiley clássico, uma circunferência amarela com duas bolitas negras e um arco curvado a imitar um sorriso. Simplicidade absoluta, máxima eficácia comunicacional.
Vejo um grupo de rapazes adolescentes subindo para um autocarro que os levará à praia. Irradiam felicidade. Já anteriormente me tinha ocorrido que é muito mais fácil perceber visualmente a felicidade alheia do que a nossa própria felicidade. Olhando estes rapazes vejo-lhes a felicidade nos gestos, nos sorrisos, na forma meio atolambada como falam uns com os outros, a felicidade a baralhar-lhes o coração com a boca.
Resolvo deste modo um problema que me vinha ocupando a mente nos tempos recentes. É a felicidade coisa que se veja? Sim, vê-se.
