O calendário tem uma série de datas festivas, a cada dia corresponde sempre qualquer coisa mais ou menos transcendente. Hoje comemora-se a invenção do chouriço, amanhã a descoberta das Ilhas Mijonas, a seguir o nascimento do borrego papalvo. A coisa não pára.
A Páscoa é uma daquelas festas que me levam sempre a viajar para Norte, em direcção ao lugar onde nasci. Uma vez lá chegado há uma série de tarefas a cumprir, rituais a observar. Ano após ano a coisa repete-se. Repete!?
As pessoas estão todas um ano mais velhas, a santa no altar também mas, no caso dela (por ser santa?) não se nota tanto como nos seres de carne e osso. Nos últimos anos o padre que faz a visita é sempre diferente. Pode ser novo ou velho, não há uma lógica aparente na dança do padre que vem benzer a casa.
As coisas mudam todos os anos com a finalidade de se manterem sempre iguais. E funciona quase na perfeição. Imagino que seja assim que se constrói a eternidade ou lá como se chama essa merda.
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terça-feira, abril 07, 2015
quarta-feira, abril 24, 2013
39 anos
Passam amanhã 39 anos sobre a Revolução de 25 de Abril. Todos os anos este dia é recordado com saudade, por uns, com desprezo, por outros e mais uns quantos sentimentos e sensações desencontradas.
O povo vai saindo à rua com fulgor decrescente. Dos que fizeram a Revolução muitos já morreram, outros quantos estão cansados, restam muito poucos entusiastas. É um dia bom para vender cravos vermelhos embora já tenha sido melhor para esse negócio.
Logo mais à noite cumpre-se a tradição almadense (Almada ainda é uma cidade vermelha!) e a Praça de São João Baptista vai confundir-se com a Praça da Liberdade numa festa com discursos e espectáculos musicais (este ano serão Boss AC e Sérgio Godinho a fazer as honras) rematada pelo tradicional fogo-de-artifício.
O povo vai beber umas cervejolas, cantar a Grândola Vila Morena, muitos erguerão punhos cerrados e gritarão palavras de ordem de pendor revolucionário... 39 anos.
39 anos, em tempo histórico, são quase nada e, no entanto, estes 39 anos são uma parte considerável das nossas vidas, são quase toda a nossa vida.
Logo mais à noite estarei lá, no meio da multidão. Uma coisa sei que vou dizer, isso é quase certo: VIVA! Vou eu dizer, quando alguém gritar ao microfone: VIVA O 25 DE ABRIL! Sempre.
O povo vai saindo à rua com fulgor decrescente. Dos que fizeram a Revolução muitos já morreram, outros quantos estão cansados, restam muito poucos entusiastas. É um dia bom para vender cravos vermelhos embora já tenha sido melhor para esse negócio.
Logo mais à noite cumpre-se a tradição almadense (Almada ainda é uma cidade vermelha!) e a Praça de São João Baptista vai confundir-se com a Praça da Liberdade numa festa com discursos e espectáculos musicais (este ano serão Boss AC e Sérgio Godinho a fazer as honras) rematada pelo tradicional fogo-de-artifício.
O povo vai beber umas cervejolas, cantar a Grândola Vila Morena, muitos erguerão punhos cerrados e gritarão palavras de ordem de pendor revolucionário... 39 anos.
39 anos, em tempo histórico, são quase nada e, no entanto, estes 39 anos são uma parte considerável das nossas vidas, são quase toda a nossa vida.
Logo mais à noite estarei lá, no meio da multidão. Uma coisa sei que vou dizer, isso é quase certo: VIVA! Vou eu dizer, quando alguém gritar ao microfone: VIVA O 25 DE ABRIL! Sempre.
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terça-feira, julho 13, 2010
Celebrações

Nós somos uns coraçõezinhos felpudos. Uns ursinhos de peluche sentimentais, ansiosos por uma boa celebração que nos aqueça a alma colectiva. Como a nossa selecção veio recambiada nos oitavos-de-final, aviada pela selecção espanhola, ficámos logo a rezar para que fossem "nuestros hermanos" a trazer a taça. Assim sempre poderíamos dizer que só perdemos com os campeões do mundo (o que é verdade), mitigando a decepção do adeus à boa maneira portuguesa.
Não é nada de mais, como português que sou compreendo isto perfeitamente. Ainda melhor compreendo que a beijoca que Casillas prespegou na namorada em directo, na entrevista após o jogo da final, seja considerada unânimemente a mais bela jogada de todo o campeonato do mundo da África do Sul. Foi, de facto, um momento memorável e inédito no mundo do pontapé-na-bola.
Conhecendo como conheço o nosso coração colectivo, não estranhei as emissões em directo nos telejornais cá da terra das celebrações populares em Madrid, na recepção à equipa campeã do mundo. Olhei o écrã da televisão e vi aquele agitado mar de gente eufórica como se fosse gente da minha gente. Afinal de contas a Península Ibérica já antes dividiu o globo terrestre em duas partes. Uma parte para ti, Espanha, outra para mim, Portugal. Não restava nada para mais ninguém, o mundo já foi todo nosso. José Saramago afirmou várias vezes que via com bons olhos um único país a cobrir toda a Península, como um cobertor gigantesco a aconchegar uma grande família ibérica. Posso mesmo dizer que compreendo muito mais que razoávelmente um livro escrito em espanhol. Isso conta.
Tretas!
Lá no fundo a transmissão televisiva das celebrações espanholas são apenas um reflexo de inveja. Mesmo que fôssemos um país apenas não haveríamos de prescindir nunca da nossa portugalidade que é uma espécie de espanholice, mas com menos salero e muito mais tristeza alapada aos costados. Olhei os espanhóis aos pinotes, todos bêbados e tresloucados, pensando como gostaria de estar no lugar deles. Mas o que me doeu mais fundo foi o facto de Cristiano Ronaldo, o nosso ídolo nacional, ter de pagar a uma rapariga para ter um filho dele e dar aquelas imagens de mau perdedor e rufião de quinta categoria, quando o capitão espanhol tem aquele momento fora do mundo ao beijar apaixonadamente a namorada perante o olhar embevecido do universo inteiro. Será aqui que se encontra a dura fronteira entre Portugal e Espanha? Entre ser português e ser espanhol? A manifestação da paixão?
Ai, isto dói muito mais que ter perdido o jogo com a selecção espanhola. Isto é muito melhor que ser campeão do mundo. Já nem sei que digo!
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sexta-feira, julho 10, 2009
Nova Iorque - Parte 4.1 (As festas)



Quis o destino que a viagem que a minha família fez a Nova Iorque coincidisse com as duas maiores festas lá do sítio. Primeiro foi a Parada do Orgulho Gay, no dia 28 de Junho, se não estou em erro. Depois o 4 de Julho, no dia 4 de Julho.A Parada nunca mais acabava. Foram umas 4 ou 5 horas de desfile dos mais variados grupos e organizações. Desde os que pedem que o casamento homossexual seja legal (why not?) aos que pedem votos para serem eleitos. Ele eram candidatos a mayor, candidatos a senador e candidatos a mais não sei o quê, que nao sou de lá e não percebo tudo como se fosse.
Foi um espectáculo do caraças. Figuras bizarras e coloridas davam largas à sua alegria por lhes ser permitido manifestarem-se livremente, mostrando a diferença (que começa a ser semelhança, tantos são os gays e as lésbicas). O povão que assistia sob um sol inclemente aplaudia, ria, uivava, participando da festa. Para mim, que sou um homem da Beira Alta, tudo aquilo me pareceu uma mascarada bem disposta, a lembrar, por vezes, os corsos de carnaval trapalhão que por aí se fazem quando não tentamos imitar o carnaval do Rio em pleno Inverno. A normalmente arrumadinha 5ª Avenida parecia um rio de maluquice, umas vezes histérica, outras vezes apenas extraordináriamente bem disposta.
No fim parecia um rio de detritos. Tudo e todos haviam distribuído panfletos, rebuçados, preservativos (femininos e masculinos... para que servirão os preservativos femininos numa relação lésbica? Ha, já me esquecia, há também os "gilletes", aqueles que dão para os dois lados!) saquinhos de plástico, papelinhos, eu sei lá que mais. Uma confusão tremenda. Após o último carro alegórico perfilavam-se os carros da limpeza municipal.
Já o 4th of July foi outra história. Conto amanhã.
Quis-me parecer que aquela infinita parada de personagens espampanantes revelava bem o espírito de NYC. A cidade é uma espécie de portal entre dimensões da realidade. Aquilo não existe. Não pode existir. É demasiado grande, demasiado excessiva mas, ao mesmo tempo, demasiado organizada e lógica. A lógica de Nova Iorque não demora nada a ser apreendida pelo mais distraído dos visitantes; é fácil de perceber. Como diz a canção do Jorge Palma, "na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal, na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual"... mais ou menos.
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