Ao que tudo indica a China será, num futuro não tão distante quanto isso, o novo farol da Humanidade em substituição do já gasto e confuso farol norte-americano. É, mais ou menos, a ordem natural das coisas. O império americano estafou-se. Goodbye Maria Ivone.
Esta aparente inevitabilidade deixa muitos de nós, ocidentais, a torcer as mãozinhas e o nariz em simultâneo (eu, por exemplo, torço mais o nariz e menos as mãozinhas): então o que vai ser dos Direitos Humanos? Onde vai parar o Estado Social? O que vai acontecer à Liberdade de Expressão? Talvez estas questões sejam mais inquietantes para os europeus do que para os americanos ou, bem vistas as coisas, dentro de algum tempo talvez a maioria dos cidadãos nem se preocupe muito com tais direitos...
Vamos por partes. Quanto aos Direitos Humanos tanto os américas como os europeus preocupam-se sobretudo com os seus próprios, quero dizer, os Direitos Humanos dos outros são normalmente questões relativas. Veja-se, por exemplo, a preocupação com a situação dos migrantes que vão alimentando os cardumes do Mediterrâneo ou com os outros que batem de chofre no muro da fronteira mexicana. Batemos muito no peito mas não é por isso que deixamos de beber a nossa cervejola enquanto comentamos o último naufrágio com um prato de caracóis. Liberdade de Expressão? Talvez este seja o último anel que resta do tesouro que nos foi prometido com o regime democrático. Já o Estado Social é coisa que nos EUA não se percebe o que seja e é visto como uma perigosa manigância de regimes comunistas.
Mas, pensemos um nadinha, tanto os europeus como os américas têm manifestado vontades políticas muito pouco higiénicas sempre que têm sido chamados a votar. De Trump a Meloni, de Meloni a Le Pen, de Le Pen a todos aqueles políticos obscuros dos quais não sei o nome mas que se vão chegando ao poder um pouco por todo o continente europeu, a ascensão fascista parece uma pandemia descontrolada. Então qual o problema de um mundo dominado pela China? Pois é. Vou pensar nisso. Agora calo-me que o post já vai comprido.
