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sexta-feira, julho 19, 2013

Um cadáver esquisito

A polémica em torno do Acordo Ortográfico não morreu, antes pelo contrário. As vozes discordantes têm-se feito ouvir continuamente, nunca desistindo de apontar as incontáveis incongruências do Acordo.


Fazendo valer o ditado que diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura, uma petição,“Pela desvinculação de Portugal ao ‘Acordo Ortográfico da LínguaPortuguesa’ de 1990”, vai se discutida na Assembleia da República.

Durante algum tempo não tive uma opinião muito concreta acerca desta coisa. Tentei adaptar-me mas, na verdade, nunca cheguei a escrever segundo as normas do Acordo.  Há demasiados pormenores que não compreendo, regras que me escapam. 


O Acordo gerou polémica em todo o lado e não me consta que tenha sido adoptado por nenhum outro país além do nosso. Portugal orgulhosamente só, mais uma vez. Que triste.


Uniformizar a ortografia não me parece de grande utilidade. Os povos de língua portuguesa continuarão sempre a utilizar os seus vocabulários específicos; telemóvel é celular, autocarro é ônibus e um fato completo continuará a ser terno por terras brasileiras.


Nos dias que correm estou, decididamente, do lado dos que dizem que se lixe o Acordo Ortográfico. Concluo com outro ditado popular "o que torto nasce tarde ou nunca se endireita".  O Acordo que se lixe.

terça-feira, junho 15, 2010

Ainda a propósito


Corria o ano de 1974 (ou seria 1975?) quando começaram a chegar a Portugal e a Viseu, onde eu vivia, dezenas, centenas, milhares de pessoas fugidas às guerras civis nas ex-províncias ultramarinas. Chamaram-lhes "retornados" mas, em boa verdade, muitos nunca tinham sequer posto um pé em Portugal. Não retornavam, vinham, mais ou menos corridos, de Angola, de Moçambique, da Guiné... entre eles vários familiares meus que nunca conhecera. De súbito, a população cresceu imenso e o quotidiano cinzentão do interior pátrio ganhou uma coloração nova e muito mais garrida.

Entre as coisas inesperadas que então vieram agitar a modorra viseense, chegou um linguajar estranho e apelativo, uma forma diferente de falar português. Quero dizer, era um português com muitas palavras novas que rapidamente foram adoptadas pelos jovens lá da santa terrinha. A língua sofria, também ela, uma revolução e permitia-nos expressar os pensamentos de uma forma diferente. Como que nos africanizámos. África entrava na Beira Alta e misturava-se nela com um sabor ajindungado.

Recordo com prazer as sessões de conversa em que aprendíamos a utilizar novos vocábulos e, com eles, éramos capazes de falar coisas que antes não saberíamos dizer. O calão viseense, repleto de palavrões e expressões pouco recomendáveis, via-se enriquecido e expandido, uma festa!

Algumas expressões entraram definitivamente no linguajar das ruas: "iá", "meu", "bué", "ganza" (e outras que agora não estou a ver) são das mais utilizadas nos tempos que correm. "Pancos", "mauanas", "chuinga", "cubar" e sei lá que mais, caíram no esquecimento. Nunca ninguém se queixou nem foi preciso criar qualquer tipo de acordo linguístico. A língua, quando anda nas ruas, não pede licença para entrar nas nossas vidas pela simples razão que ela É a nossa vida.

Falem e escrevam como deve ser, meus irmãos, com liberdade criativa! Assim é que é bonito.

segunda-feira, junho 14, 2010

Liberdade é felicidade



Espanta-me que haja quem faça desta questão um cavalo de batalha tão furioso e continue a insistir numa espécie de cruzada purificadora contra o acordo ortográfico.

Os inimigos do acordo agitam as mais descabeladas razões e despertam fantasmas hediondos; que havemos de ficar todos a falar uma língua de trapos que ninguém entende nem ninguém saberá como escrever, que a coisa vai custar dinheiro (o que é de graça nos tempos que correm?), que estamos a abrir mão da nossa maior riqueza que é a língua portuguesa, enfim, quando um gajo quer dizer mal de alguma coisa não lhe custa nada encontrar motivos de horror.

Pesoalmente, tudo isto me soa como sendo uma falsa questão. Não me parece que venha a alterar significativamente a minha forma de escrever. Talvez esteja disposto a abdicar de uma ou outra consoante muda (se me lembrar disso) mas quanto aos acentos a coisa já pia mais fino. Sei que haverá alterações da escrita nos livros e nos jornais, mas não é isso que me vai incomodar. O português do Brasil sempre foi muito diferente do português que se gasta por estas bandas mas isso não impede que o compreenda bem. Quando lemos Eça de Queirós também por lá encontramos muita coisa estranha ao português contemporâneo. Onde está o problema?

Os 3 manifestantes da notícia que cito lá mais atrás devem estar furiosos. Não tanto por perceberem que o acordo vai mesmo para a frente, imagino que os irrite mais o facto de tão poucos estarem dispostos a manifestar desagrado perante coisa tão insignificante.

A língua portuguesa é uma coisa viva e, como tudo o que vive, adapta-se às circunstâncias. Deixemos o português viver. Quanto mais livre, mais feliz!