Mostrar mensagens com a etiqueta políticos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta políticos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, abril 04, 2018

Fatalidade

Ouvir um debate na ARTV (sobre a preparação da próxima época de incêndios) torna-se um penoso exercício. Os deputados da anterior maioria desatam à traulitada no actual governo a pretexto das medidas que este propõe em tão sensível matéria. É natural, dir-me-ás tu, civilizado leitor, é assim que se faz política.

Será, admito, mas é uma forma doentia de entrançar verdade, mentira, realidade e delírio.

Também a propósito da questão dos concursos ao apoio do Estado nas áreas da criação artística tem havido discussão, crítica e algum regabofe. As coisas não correm bem, longe disso, mas a actual oposição levanta a voz para defender posições que anteriormente ignorou ou contestou sem que caia um dente ou o nariz a quem tece tais afirmações. Deus dorme e não castiga a mentira.

Feitas as contas permanece a sensação de que, para os cidadãos deputados, importa mais o partido respectivo que o conjunto da nossa sociedade. Desunham-se a esgadanhar-se uns aos outros enquanto os seus concidadãos tentam resolver os problemas.

Eu sei que é assim mas não devia ser.

domingo, março 06, 2016

Adeus Cavaco

Aproxima-se o dia em que Cavaco Silva regressará ao nevoeiro de onde nunca chegou realmente a sair. Após tantos anos a ver a vulgaridade e a estreiteza de espírito ocupando a governação do país, como um vírus ocupa o corpo enfermo, chega, finalmente, a hora do adeus. Adeus Cavaco.

Eu nunca gostei de Cavaco. Posso mesmo dizer que sempre o detestei. Nos dias que correm vejo nele, apenas, um velhote meio senil, Já não sinto mais do que desprezo pela personagem.

Leio alguns artigos sobre o tema deste adeus português, as opiniões de certas figuras mais ou menos públicas, de jornalistas... parece haver uma cautela generalizada em classificar a longa penumbra cavaquista que obscureceu Portugal durante todos os anos em que Cavaco foi 1.º ministro e, depois, presidente da república. Todos dizem que é prudente deixar a História julgar o legado que este ser vivo deixa à nação portuguesa.

Fico a matutar no assunto. Irá a História colocar Cavaco numa prateleira mais ou menos dourada? Será a sua mediocridade transformada em virtude com o passar do tempo? É bem possível que tal aconteça e que, daqui a muitos anos, quando Cavaco for apenas mais um nome numa longa lista de personagens históricas, seja visto como um estadista cauteloso e frugal, um homem interessado em fazer de Portugal aquilo que o nosso país é.

A História enverniza, limpa e enaltece tanta gente que Cavaco não será, certamente, excepção. Por agora basta. Adeus, ó Cavaco.


quarta-feira, dezembro 23, 2015

Carta de agradecimento

“A realidade acaba sempre por derrotar a governação ideológica”; finalmente Cavaco conseguiu produzir uma ideia com alguma substância. Como é costume, vou tentar perceber o que quer ele dizer com isto.

Parece-me evidente que Cavaco Silva pretende dizer-nos que a realidade é constituída em partes iguais por economia e finança, sistema bancário e sistema monetário. Esta fórmula da realidade esmaga qualquer tentativa de fazer com que a ideologia, seja ela qual for, possa sair da sua Caixa de Pandora e venha desorientar as opções de vida das pessoas. Cavaco explica-nos algo que ele já interiorizou há muito, muito tempo: a realidade materializa-se em números e tabelas, fórmulas de cálculo e gráficos com setinhas. Tudo o mais são contos infantis, como disse um dia Pedro Passos Coelho.

Cavaco e Passos conhecem bem a realidade. Graças a eles a economia e a finança, o sistema bancário e o orçamento de estado têm sido, no nosso país, protegidos dos ataques descabelados da ideologia, mantendo-se ancorados na firmeza do mundo verdadeiro. Graças a eles a realidade é o que todos, agora, sabemos.

“A realidade acaba sempre por derrotar a governação ideológica” pode muito bem constituir um precioso legado que Cavaco nos deixa antes de se retirar da vida política; ele que sempre desprezou os políticos e amou, apenas, os economistas, os empresários corajosos e os gestores bancários; acima destes apenas Deus, Nosso Senhor. Não esqueçamos este ensinamento luminoso vindo de um homem presciente que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava, um homem que não se importa de ser o Sr. Silva, este estadista visionário, modesto e imbuído de um abnegado espírito de missão que o levou a oferecer os melhores anos da sua vida à causa pública.

Termino esta carta agradecendo a Cavaco tudo que ele fez por nós: a boa governação, a honestidade acima de tudo, a sua extraordinária capacidade para entender a realidade, que tantos dissabores poupou ao bom povo português, que, com um fervor quase religioso, repetidamente lhe pôs nas mãos a bússola e o leme da Nação.


Obrigado Cavaco. Bom Natal. Depois podes ir-te embora de vez. Não precisas de voltar.

terça-feira, setembro 01, 2015

O Arco da Governação

Em Portugal existe uma coisa terrível chamada “arco da governação” que é um artefacto transformador de políticos. O “arco da governação” funciona como uma espécie de portal entre o mundo das boas intenções e o universo da política pura e dura. Ao atravessar este arco, pessoas honestas são, quase sempre, transformadas em aleijões morais. Outros (Miguel Relvas ou José Sócrates, por exemplo) não sofrem a mínima alteração.

Quando um político atravessa o “arco da governação” e dá por si naquele instável universo, onde Não Há Alternativas (NHA), faz coisas extraordinárias tal como Kal- El debaixo de um sol amarelo se transforma no Super-Homem. Lembremos quando “Telmo Correia assinou cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o novo executivo, liderado por José Sócrates, foi empossado (…) (Público,3/2/2008). Já refeito deste assomo de actividade frenética, Telmo é hoje um homem ponderado e recuperado para a boa governação. Podemos vê-lo com frequência a perorar sobre os mais variados assuntos num canal de TV noticioso. 

Tal como Bagão Félix que teve um momento de vertigem que levou “(…) Souto Moura [a encarregar o procurador-geral adjunto Azevedo Maia] de esclarecer os contornos do negócio (a adjudicação do Siresp) que os ex-ministros da Administração Interna e das Finanças, Daniel Sanches e Bagão Félix, respectivamente, assinaram três dias após as eleições legislativas de 2005. (Público, 14 /11/2006). 

Quem vê, nos dias que passam, Bagão Félix a emitir as suas pias opiniões no tal canal de TV ou aqui no Público, tem dificuldade em compreender que raio de coisa lhe terá passado pela cabeça naquela época conturbada para ter adjudicado o negócio, em Fevereiro de 2005, por 538 milhões de euros. É certo que por lá andavam metidos Dias Loureiro e Oliveira e Costa, à época “pessoas de bem”, conforme nos assegurava Cavaco e Silva, mas… valeu-nos o então novel ministro da Administração Interna, António Costa, que, recorrendo aos poderes adquiridos ao transpor o “arco da governação”, acabou por adjudicar o “Siresp ao único consórcio candidato, retirando algumas funcionalidades ao sistema, que desta vez custou 485,5 milhões de euros (Público, 14 /11/2006); ah, valente! Ainda assim, o Estado português acabou com um ruinoso negócio em mãos Investindo “(…) cinco vezes mais do que poderia ter gasto se tivesse optado por outro modelo técnico e financeiro.” (Público,2/6/2008) negócio que ainda hoje andamos a pagar com língua de palmo.

Há tantos outros casos que poderíamos recordar (oh, o clássico das 61 mil fotocópias, o aeroporto no deserto “jamais”, a Lusoponte…) mas penso que fica provado que o “arco da governação” é uma armadilha mortal para a honestidade dos animais políticos. 

terça-feira, junho 02, 2015

Portas

Paulo Portas a pretender passar uma imagem de estadista: homem grave, ponderado e circunspecto, que coloca os superiores interesses da nação à frente das suas ambições, é uma das anedotas mais grosseiras a que assisti.

Portas está para o espectáculo da política como Paulocas, o palhaço, que tenta assumir a profundidade dramática de Hamlet segurando na mão direita o crânio de um bacalhau a escorrer azeite,

Portas alertando o povo para os perigos que os seus adversários políticos representam quando está em causa o futuro da nação, é um número de tal modo grotesco que, um atirador de facas que falhe o balão e perfure o peito da partenaire presa na roda, arrancará não mais que um ténue sorriso amarelo ao espectador aterrado.

Paulo Portas não é mais que um embaraço, o troca-tintas que escrevinha SMS e já ninguém leva a sério. Portas é um cadáver político, irrevogável suicida, um Lázaro regressado à vida da coisa pública pela mão de Passos Coelho que escolheu ser o que é: um autêntico Cristo oferecido em sacrifício para redimir os pecados de um povo inteiro que vive acima das suas possibilidades.

Passos ressuscitou Portas quando lhe ofereceu o lugar de vice-primeiro ministro. Mas, tal como Lázaro, quem regressa dos mortos exala um fedor insuportável e os vivos tapam o nariz à sua passagem.

sábado, dezembro 20, 2014

Meninos, é hora da barrela!

As recentes notícias sobre o chamado “processo dos submarinos” confirmam que o principal problema do nosso país é a falta de qualidades daqueles que compõem as “elites” com poder de decisão sobre a coisa pública.

O caso de Paulo Portas é bem revelador da opacidade com que as coisas se processam. Das duas, uma: ou Portas agiu de boa-fé e revelou ser um idiota, ou agiu de má-fé, comportando-se como um vigarista vulgar.

O modo como as suas estranhas decisões foram caucionadas por Santana Lopes talvez comece a levantar uma pontinha do véu sobre as razões que levaram Jorge Sampaio a dissolver a Assembleia, mandando o governo destes senhores direitinho às urtigas, o seu lugar natural.

Idiota ou vigarista, Portas não tem condições para se manter no governo nem mais um dia. Suportando uma personagem deste calibre, Passos Coelho, outro figurante de 2ª categoria na farsa do poder que nos é servida diariamente, mostra, também, as suas qualidades extraordinárias para o exercício do cargo que ocupa. De Cavaco, o Magnânimo, nem vale a pena falar, coitado.

Sim, porque os figurantes de 1ª categoria como Ricardo Salgado, também se afirmam ignorantes da verdade e, sem querer, enchem a bocarra de mentiras. Neste país não há verdade que não seja mentira e vice-versa. Está na hora da barrela. 

quarta-feira, novembro 26, 2014

A doninha e a galinha

É complicado aceitar que não haja ninguém capaz de governar um país sem meter as mãos na merda. A rectidão e a honestidade são, cada vez mais, assuntos de fábula, coisas próprias de um tempo em que os animais falavam.

Como pode um homem honesto resistir às forças e tentações que lhe caem no colo mal senta o rabo na cadeira do poder? Como pode ele ignorar o canto insidioso das criaturas que pairam, sobrevoando nos ares, em volta da cabeça dos poderosos? Será necessária uma força de carácter apenas ao alcance de alguns heróis mitológicos.

Precisamos de um Ulisses ou de um Hércules para nos governar. Como podemos confiar numa doninha como Passos Coelho ou uma galinha como Paulo Portas?

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Ai, Miró!


Há 40 anos era muito pior. Há 40 anos uma percentagem assustadora dos nossos não sabia ler nem escrever embora fosse capaz de fazer contas. Uns contavam pelos dedos outros faziam contas de cabeça. 

Há 40 anos poucos (mas mesmo muito poucos) dos nossos sabiam quem era Miró que ainda por aí andava a fazer coisas daquelas. Há 40 anos o nosso Secretário de Estado da Cultura actual já sabia ler e, decerto, já saberia escrever.

Muitos de nós passavam uma fome de cão e tinham de se meter no comboio para “as franças” de garrafão em punho e chouriço no bolso. 

Há 40 anos éramos um povo de pobres labregos, um país sem estradas nem comércio e, apesar de termos já muitos ladrões de fato e gravata, estávamos longe de atingir os níveis de corrupção de que hoje nos orgulhamos nas reuniões da Internacional Capitalista. 

Há 40 anos Portugal era a preto e branco, hoje já vai havendo uns arco-íris a espreitar detrás da porta do armário. Há 40 anos éramos governados por um bando de velhacos hoje… bom, hoje somos governados por um grupo de senhoras e senhores que me abstenho de classificar.

Há 40 anos foi-nos permitido sonhar que a Educação haveria de pôr muita coisa no lugar que nos parecia devido mas não fomos capazes de imaginar que, 40 anos e 26 ministros mais tarde, a Educação haveria de ser considerada novamente um empecilho.

Hoje, como há 40 anos, poucos dos nossos (mas ainda assim muitos mais do que há 40 anos) têm consciência de quem foi Miró e o que fez enquanto por aí andou. Hoje o Secretário de Estado sabe ler, escrever e assinar despachos (deve ser lixado representar a Cultura num governo como este!). 

O pessoal já emigra de avião, com uma revista científica debaixo do braço. Hoje temos muitas autoestradas e o Presidente da República, embora pouco mais faça que descerrar placas comemorativas, é eleito, efectivamente, por nós. Continuamos a ter muitos tubarões aldrabões mas isso é fado de um país que vive junto ao mar. 

Miró faz-me pensar no resto, no que era realmente importante e ficou por cumprir. As 85 telas do mestre apenas servem para mostrar quão surreal é o mundo em vivemos. O “caso” Miró lembra a quem pode a urgência de uma verdadeira revolução, uma revolução Dadaísta, que faça dos urinóis deste mundo peças de arte nas quais possamos mijar à vontade, aliviando a bexiga à boleia do alívio da alma. 

A sensação com que fico é que, 40 anos depois de termos imaginado um país decente e de alguns de nós, que ainda por aí andam, terem sonhado com isso, falhámos completamente o nosso objectivo. 

Somos um povo que habita um país falhado. Precisamos de recomeçar tudo de novo mas agora os meninos maus ficam de castigo e os mais estúpidos não podem ser chefes de nada.

sábado, janeiro 25, 2014

Partidos

O recente episódio da disciplina de voto dos representantes do PSD no Parlamento causou algum estrondo na opinião pública mas é bom notar que, longe de ser um caso isolado, é apenas mais um capítulo na longa telenovela da história da nossa Assembleia da República. Uma telenovela com argumento de faca e alguidar e um casting cada vez mais miserável.

Ao longo dos anos os grupos parlamentares têm oferecido espectáculos deste nível a todos nós sem que ninguém mexa uma palha para fazer cumprir a lei que os próprios deputados desrespeitam. A disciplina de voto no Parlamento é uma aberração democrática e uma alarvidade partidária. Os deputados que a ela se sujeitam deixam de merecer a confiança de quem os elegeu e mostram que o número de cadeiras no Parlamento à disposição dos aparelhos partidários é, pelo menos, exagerado.

Pessoalmente, o que me preocupa é que se estes tipos se comportam assim à vista de toda a gente como serão na intimidade e aconchego das respectivas sedes partidárias? Se perante o país os deputados mostram que a sua liberdade de opinião não vale um chavo tenho dificuldades em imaginar o que será uma reunião para decidir os representantes do partido nas listas seja para que eleição for. Será como escolher cabeças de gado manso para o redil parlamentar?


O sistema partidário, tal como funciona, é um entrave à Democracia. A opacidade das decisões políticas, as negociatas feitas à descarada, o evidente aproveitamento da coisa pública por aqueles que dela deviam zelar sem que isso lhes traga o mínimo amargo de boca, a sensação que o Zé Povo tem de estar a ser constantemente roubado e enganado, deveriam fazer pensar os responsáveis pelos partidos e levá-los a tentar inventar alguma coisa que inverta a actual situação. Caso contrário, talvez a próxima Revolução seja contra eles. 

quinta-feira, novembro 07, 2013

Anjos

Até ao dia de ontem não me recordo de ter alguma vez ouvido falar de Rob Ford, o agora mundialmente célebre mayor de Toronto. Repare-se bem nos motivos desta súbita celebridade a nível planetário (ver aqui, por exemplo).

Pessoalmente estou-me nas tintas para o facto de ele ter fumado crack ou ter tentado desculpar-se desse facto dizendo que, provavelmente, o tinha feito durante uma bebedeira, daí não se lembrar com clareza do que acontecera. Pior a emenda que o soneto.

O que me faz reflectir sobre o sucedido é tentar perceber se um governante, uma pessoa com responsabilidades na gestão da coisa pública, não pode ter momentos em que se passe daqui para lá de Marraquexe? O que pergunto é: exigimos aos que nos governam um comportamento irrepreensível, mesmo quando estão longe dos nossos olhares, no remanso dos seus lares? Queremos ser governados por anjos?

Quanto a Rob Ford... parece-me demasiado gordo. Mas pode ser apenas impressão minha. Chiça, é mesmo complicado resistir à tentação de julgar os outros...

domingo, outubro 06, 2013

Os infelizes

Segundo Passos Coelho Rui Machete foi “infeliz” nas afirmações que produziu quando andou a lamber botas na Rádio Nacional de Angola. Quer-me parecer que, mais do que infeliz, foi espertalhão, daquele jeito que o são todos os “chico-espertos” com cartão de militante dos partidos do “arco do poder”. Na verdade, todos os espertalhões que nos governam são infelizes. São uns tristes porque não têm escrúpulos nem cultura suficiente para compreender a grandeza dos valores éticos que deveriam orientar as suas acções enquanto responsáveis pela coisa pública. Ignorância?

Foi infeliz Paulo Portas, foi infeliz Miguel Relvas, foi infeliz Miguel Macedo, infeliz foi Aguiar Branco e é infeliz Maria Luís Albuquerque. Muito infeliz é Nuno Crato. Infelicíssimo foi Miguel Gaspar. No meio de todos estes infelizes escapa Assunção Cristas graças aos deslumbramentos da maternidade. Infeliz se mostrou Cavaco Silva quando confundiu Thomas Mann com Thomas More ou quando comeu bolo-rei de boca aberta perante uma nação estupefacta com tal falta de educação. Infeliz é o povo que elege esta gente para o representar e governar. Assim se compreende que nem Machete se demita nem Passos veja razões para o demitir.

Somos nós os responsáveis por tanta infelicidade. A nossa infelicidade é colectiva como o revelam certos estudos internacionais que tentam compreender o sentir das nações do mundo. Há mesmo quem nos designe por “latinos tristes”. Pois é, somos uns tristes. E Machete é ministro dos negócios estrangeiros mas quer-me parecer que os negócios pelos quais ele vela serão de natureza a rondar o inconfessável, natureza idêntica aos de Miguel Relvas ou de Dias Loureiro, para citar apenas dois homens de bem (como nos assegurava Cavaco em relação ao seu fiel conselheiro) que entretanto se diluíram na imensidão da sua infelicidade, desaparecendo dos radares da opinião pública e se aconchegam agora nos lençóis de seda do mais doce esquecimento. 

Isto é uma gente que não lembraria ao diabo mas que anda por aí e o povo, a querer dormir descansado, não compreende porque tem tantos pesadelos a assombrar-lhe o quotidiano. Portugal, apesar de tanto fato e gravata, é um país com muito mau aspecto.


terça-feira, julho 02, 2013

Rataria

O que se está a passar com o governo de Portugal? Os ministros ensandeceram definitivamente? Deu-lhes a maluca? de um dia para o outro é vê-los a saltar borda fora como ratazanas a abandonar um navio que mete água por todos os lados.

Umas ratazanas vão assustadas, outras convictas de que regressarão ao barco quando os buracos forem remendados. Outras talvez estejam a mergulhar apenas para ver se lavam a merda que teima em lhes estar agarrada ao pêlo. Que espectáculo grotesco.

Oxalá se afoguem.

terça-feira, maio 29, 2007

O Sr. Matsuoka

O ministro da Agricultura japonês, Toshikatsu Matsuoka,(62) morreu hoje (28) depois de se enforcar no seu apartamento em Tóquio, informou a Agência Kyodo.

A notícia é estranha. O Sr. Matsuoka ter-se-á enforcado de pijama vestido com a trela de passear o cão no apartamento onde vivia. Envolvido em questões menos claras relacionadas com contabilidades duvidosas, Matsuoka não quis continuar a contribuir para a degradação da imagem do governo que integrava e resolveu pôr fim à vida. É uma coisa cruel e parece demasiado brutal, vista deste lado do planeta.
O sentido de honra dos japoneses está a anos-luz do sentido de honra dos portugueses. Basta ver a forma angustiante como, entre nós, certos detentores de cargos públicos se agarram aos lugares que ocupam, berrando aos sete ventos a sua inocência mesmo depois de estar à vista de todos que foram, no mínimo, habilidosos na forma como retorceram a lei e as regras em proveito próprio. Claro que não esperava que, por exemplo, Fátima Felgueiras se pendurasse pelo pescoço mas dói ver a forma como agora tenta iludir a Justiça com truques de prestigiditação em pleno Tribunal. Temos de continuar a aturar a gritaria do Major sempre que lhe colocam uma questão menos pacífica etc., etc., uma colecção extensa de cromos pouco recomendáveis que terão atropelado a Lei em nome dos superiores da população que dizem servir. A Lei é, entre nós, demasiadas vezes encarada como um empecilho que urge contornar. E contorna-se.
Matsuoka merece respeito? Assim, à primeira vista, sou tentado a dizer que sim. Afinal prescindiu do seu bem mais precioso em nome de um sentido de honra que talvez tenha chegado tarde, após ter cometido as alegadas irregularidades, mas quando chegou foi com tal força que o ministro japonês nem sequer teve tempo de vestir fato e gravata para se pendurar pelo pescoço e ir ao encontro dos seus antepassados. Com a cabeça baixa de vergonha, está bom de ver.

sexta-feira, maio 04, 2007

Doutores e Presidentes

Carmona Rodrigues mostrando os seus dotes de equilibrista em situação de risco numa BTT. Doutor ciclista?

Portugal é um país de Doutores e Presidentes. Muitos acumulam, a ordem é arbitrária. Um Doutor Presidente ou um Presidente Doutor são mais ou menos a mesma coisa e o seu inverso.
Carmona Rodrigues, o Presidente de quem mais se tem falado nos últimos dias, concluiu a licenciatura em Engenharia Civil em 1978, como aluno civil, com a média final de 15 valores nos bancos da Academia Militar.
Teríamos um Presidente Engenheiro não fosse dar-se o caso de ter obtido o grau de Doutor em Engenharia do Ambiente, pela Universidade Nova de Lisboa, em 1992, tendo apresentado a dissertação Modelação Matemática da Qualidade da Água em Albufeiras.
Ora temos então um Presidente Doutor Engenheiro a manobrar os destinos da Câmara Municipal de Lisboa. Este somatório de qualificações tem permitido a Carmona ser mais Engenheiro Presidente Doutor do que propriamente Presidente, só e apenas, sem mais nada.
Isto porque as habilidades que tem mostrado são fruto de autêntica engenharia presidencial apenas ao alcance dos melhores doutores dos que vão sendo produzidos nas mais diversas faculdades da Lusa pátria.
Poucos se recordarão que desempenhou funções no XV Governo Constitucional como Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação, ao longo de 15 meses nos idos de 2003. Isto para dizer que Carmona já foi outrora Ministro Doutor Engenheiro o que só lhe valoriza o currículo.
O nosso actual 1º Ministro, por exemplo, já não se pode gabar de tão dourado título pelas razões que se conhecem. Carmona é, sem sombra para qualquer dúvida, figura de proa num país como este, onde os rótulos têm valor acrescentado e, quando a peça vem embrulhada em fato e gravata, abrem portas atrás de portas nos corredores do poder político, independentemente da qualidade do produto dentro do embrulho.
As trapalhadas resultantes do sai-não-sai-fica-já-ficou-e-talvez-não-fique dos últimos dias vêm manchar a Presidência do nosso Doutor Engenheiro.
A forma como Marques Mendes garante que Carmona havia concordado com o seu afastamento do poleiro que ocupa e este vem desconcordar não tem ponta de elegância, bem antes pelo contrário. Em que é que ficamos? Conversaram os dois. É um facto. Mas, pelos vistos, não devem ter falado da mesma coisa uma vez que o Presidente do PSD se engasgou bastante na entrevista televisiva de ontem na RTP 1 para explicar esta trapalhada inexplicável.
Isto são coisas entre Doutores Presidentes e, como tal, não se pode dizer que um deles (ou mesmo ambos) esteja(m) a mentir. Entre seres desta espécie podem, quando muito, faltar à verdade ou então dizerem inverdades (este termo é extraordinário!), mas mentir não. Isso nunca! São Presidentes Doutores!

quinta-feira, abril 05, 2007

Os legionários

Como serão seleccionados os gestores de empresas públicas? Os da EPUL parece que já se sabe. Têm de ser militantes do partido que estiver à frente da Câmara Municipal de Lisboa. Ora do PS ora do PSD, não consta que tenham de possuir currículo particular na área do mercado imobiliário porque isso não é preciso para nada. A coisa é escandalosa.

Já para não falar naquele gajo que foi professor de José Sócrates na Universidade Internacional, um tal de António Morais. Alguém sabe quem ele é? A opinião pública começa agora a ver-lhe melhor o perfil. José António Cerejo traça-lhe um retrato nas páginas do Público de hoje.

É impressionante a sucessão de incoerências em que se vê envolvido este engenheiro (para ter sido director do curso de Engenharia da Universidade Independente presumo que seja engenheiro!). Ao ler o texto de Cerejo fica a sensação que Morais dá o dito por não dito com uma facilidade desarmante e atropela as regras mais básicas com semelhante desenvoltura. Com dois processos em cima por absentismo em universidades por onde passou e uma série de acontecimentos extraordinários a dourarem-lhe o quotidiano, este senhor ainda conseguiu ser nomeado por José Sócrates presidente do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça no ano de 2005. Mas também fora director do Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações (GEPI) do Ministério da Administração Interna, etc. e tal.

Não interessa estar para aqui a desfiar as contas deste rosário, para isso temos o texto do Público, o ponto que quero evidenciar é o facto de haver para aí uma legião de mercenários que vai saltitando de empresa em empresa, ocupando lugares de gestão com sérias responsabilidades, sem aquecer o lugar. Ou porque o partido que lhe pôs o tacho debaixo dos queixos perdeu as eleições ou porque afinal não é tão honesto como tinha parecido ao Ministro no jantar do clube, corre-se com a personagem mas ela logo volta a surgir, mais lá à frente, noutro poiso bem quentinho como se nada se tivesse passado.
Mas quem são estes gajos e como conseguem eles estar sempre onde não devem mas querem estar?
No caso deste Morais a coisa pia mais fininho. Posto sob os holofotes mediáticos por via da embrulhada do diploma do primeiro ministro, António Morais mete os pés pelas mãos num número de contorcionismo que começa a ganhar um aspecto verdadeiramente patético. E é assim que somos confrontados com um homem que ou é pouco honesto ou então é muito distraído e que, apesar disso, tem um curriculum vitae recheado de cargos de responsabilidade e com resultados vulgarmente desastrosos. Como chega ele aos cadeirões? Mistério. Mistério? Talvez não. Eles são tantos que os que são honestos e trabalham bem nem parecem existir.

Dá a sensação que, uma vez metidos nos seus fatos escuros só com a cabecinha de fora, enfeitada com colarinho e gravata, qualquer um tem imagem de gestor público ou doutor da mula russa. A partir daí, é fartar vilanagem!
Nota: As personagens da foto estão ali só para ilustrar o gajo do fatinho uniforme. Não têm nada a ver com isto, são de outro campeonato.

quinta-feira, março 22, 2007

Um caso gurdoroso


Sócrates, afinal, não é Engenheiro!!!
As confusões relacionadas com a creditação do Primeiro Ministro vieram mostrar, à luz do dia, que Sócrates é "licenciado" em Engenharia Civil e que a Ordem dos Engenheiros não lhe reconhece tal título (Engenheiro Civil) por ter concluído os "estudos" na Universidade Independente, instituição académica de fracos pergaminhos e muita sombra nos recantos da Secretaria.
Diz que disse e que não disse, a investigação levada a cabo pelo Público e editada hoje põe a descoberto um processo pouco claro, cheio de dúvidas, esquecimentos e algumas omissões que, ao que parece, muito irritam um indignado 1º ministro que viu alterado o seu historial de vida no portal do governo no passado dia 15 do corrente. Deixou de ser "engenheiro" passando à categoria de "licenciado" em Engenharia Civil. Bonito.
Essa alteração não diminui em nada o alcance das medidas governativas do actual Sócrates, 1º ministro. A investigação do caso vem mostrar mais uma vez que no ensino superior privado os processos de creditação dos estudantes nem sempre primam pela limpidez. Basta ver a confusão entre notas nas pautas e no processo individual de Sócrates que não coincidem e outras cabriolas dignas de registo e atenção.
Resumindo e concluindo, a partir de agora o Engenheiro José Sócrates deixa de o ser para passar a Licenciado José Sócrates, o que não significa o mesmo que licencioso, embora muitos assim o considerem.
Já se sabe que a verdade é como o azeite, acabando sempre por vir ao cimo e é igualmente gurdorosa.

segunda-feira, março 19, 2007

Fraco verniz

Segundo rezam as crónicas o Conselho Nacional do CDS/PP acabou em peixeirada. Nada que surpreenda por aí além já que, por exemplo, Paulo Portas é conhecido pela sua atracção fatal por feiras e mercados onde terá aprendido algumas das tácticas de diálogo que agora aplica com convicção.
As comadres andam desavindas desde que o homenzinho (na foto) resolveu regressar ao lugar que havia abandonado quando o povo português lhe mostrou que não morre de amores por ele aplicando-lhe tremenda derrota eleitoral nas últimas legislativas. Portas parecia ter compreendido o recado e foi à sua vida. Mas este homenzinho irritante não consegue manter-se longe do poder ou, pelo menos, do perfume nauseabundo que dele exala e mais uma vez se chegou à frente, convencido que a sua simples silhueta faria tremer de alegria e prazer os militantes do "seu" partido que estariam já fartos do actual líder.
Afinal, nem 8 nem 80! Nem o seu regresso era assim tão aguardado como lhe terá dito o seu espelho, nem o líder actual será tão mal-amado como Portas imaginou. A coisa complica-se.
Ontem, em dia de meia-maratona para o 1º ministro, a reunião do Conselho Nacional do CDS foi uma maratona completa e complexa, que deixou os participantes com os nervos em franja.
Seria de esperar que um partido com gente de tão boas famílias conseguisse manter um certo low profile, afinal estará ali la créme de la créme do Portugal nacionalista, gente educada nos colégios particulares e habituada a lingerie da mais fina sêda! Está bem abelha! Quando a coisa pia fino estala e o verniz e ameaça rebentar tudo à estalada. Ainda não se sabe bem o que terá acontecido lá dentro, mas a reunião terminou com trocas de mimos nada civilizadas e acusações de insultos para trás e para diante.
Diz o povo que em "Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". Aqui o "pão" é o poder, o quentinho dos assentos ministeriais e dos lugares dos secretários de estado e por aí fora, onde não há actualmente nenhum rabiosque do CDS nem se vislumbra que venha a haver nos tempos mais próximos. Com o rabinho frio os militantes sentem-se irritados, traídos mesmo. Se esta direcção não lhes dá garantias de que venham a aconchegar os selectos cúzinhos nos tempos mais próximos, os ditos cujos esperneiam e querem outros ao leme da sua barcaça.
Seja como for não se entendem e mostram à nação a verdadeira face, não passam de cidadãos ansiosos e sedentos das benesses do poder. Absolutamente legítimo! Mas é preciso que alguém os queira, a começar lá pela sua própria casota.

domingo, março 11, 2007

Falar por nojo


O país tem donos. São uma espécie de casta superior e têm o direito de fazer todo o tipo de merdas e tropelias sem que lhes seja aplicado qualquer tipo de correctivo. É como se fossem inimputáveis e, olhando bem para as atitudes que tomam, na verdade custa a crer que se saíssem bem no mais simples dos exames psiquiátricos.
Quando já cometeram um número razoável de malfeitorias acabam numa reforma dourada por maus serviços prestados à causa pública. Celeste Cardona é um exemplo despudorado da forma como se premeia a mediocridade. A historieta da Cidade Judiciária mostra bem o que é esta pandilha que se governa à conta do trabalho dos outros. Não há regra nem justiça que atinja estes gestores da pacotilha. Esta senhora não deve ser mais que figura decorativa de mau gosto na hierarquia responsável pela Caixa Geral de Depóstos, porque se tomasse decisões com um mínimo de impacto na gestão dessa instituição bancária decerto que os lucros não seriam aqueles que se conhecem.
Fica a pergunta que todos fazemos: que qualidades terá Celeste para ocupar os cargos que ocupa? Terá algo mais que o cartão de militante do CDS? Se tem será coisa que não se nota e mal se sente.
Não falo por inveja (nunca aspirei a ser medíocre embora nem sempre tenha escapado a tal classificação), falo por nojo. Um gajo não quer acreditar mas há mesmo quem não preste para nada e acabe a fazer de tudo.

quinta-feira, março 01, 2007

Carneiro mal morto


Próximo de ver expirar o seu prazo de validade enquanto líder do CDS, José Ribeiro e Castro sentir-se-à aliviado? Aquela sua expressão característica, com as sobrancelhas arqueadas, deixa o observador sempre na dúvida: o homem está enfastiado ou imagina-se um galã de Hollywood num filme dos anos 50? Ou poderá apenas significar que está entristecido por saber que não há nada a fazer quando na sombra do partido se move um ser vivo de instintos reptilianos, permanentemente pronto a lançar um golpe mortal com a sua terrível língua bífida?
Ribeiro e Castro foi sempre um líder a prazo, um daqueles militantes que constituem a reserva moral dos partidos políticos com aspirações ao arco do poder, uma personagem pronta a oferecer-se em sacrifício em nome dos superiores interesses da clientela. Como um carneiro em lento passo quádruplo no trajecto para o altar onde vai ser imolado, Ribeiro e Castro já está a ver a sua liderança a dar o berro não tarda. Vem aí o Sebastião do Largo do Caldas, não há quem lhe resista.
A conferência de imprensa de Portas no CCB foi um exemplo modelar daquilo que aí vem, ou seja, mais do mesmo. Foi um Portas insuportavelmente vaidoso e cheio de si, como um sapo inchado fumando um cigarro, que apareceu a anunciar que é um homem corajoso e abenegado, que é bestial, um monstro de generosidade e capacidade governativa. Etc., etc, e blá-blá-blá e coiso e tal. Confesso que não aguentei e mudei de canal. O Daily Show, na SIC Radical reconfortou-me um pouco.
Adeus José. Vem aí o Paulinho. Já foste! Não passas de um carneiro mal morto.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Santa paciência!

Ele vai regressar. Na próxima manhã de nevoeiro estará pronto a anunciar definitivamente a sua disponibilidade para voltar a chatear-nos de morte por tudo e por nada.
Cansado de andar a falar para o boneco no inenarrável "Estado da Arte", o programa que imaginou ser suficiente para lhe alimentar o egozinho faminto, Paulo Portas não aguenta mais estar longe dos telejornais e das capas das revistas e vai voltar.
Pessoalmente não estou a ver que falta nos faz semelhante sacripanta mas alguém deve ter saudades dele para se arriscar a pegar outra vez naquela coisa mole e sem coluna vertebral que dá pelo nome de CDS (PP para os amigos).
Com a condecoração que Rumsfeltd lhe impôs num gesto de eterno reconhecimento pela sua capacidade de acreditar naquilo que nunca existiu, Portas aí vem, aliado à Virgem de Fátima e outras divindades menores, com a promessa de salvar a Nação e nos iluminar com a alvura da sua dentadura sorridente.
Não sei se me alegre pelo regresso do palhaço, se me lamente pela falta de talentos cómicos nas fileiras da direita portuguesa. Ribeiro e Castro tem sido uma desilusão. Incapaz de arrancar um sorriso que seja ao mais alegre dos portugas, o actual líder daquela Coisita Deplorável e Sorumbática já vai gemendo na dor de saber-se passado para trás a troco de nada mais que não seja o rapaz predilecto dos feirantes nativos.
Paulo, o Portas, vem convencido de que ainda cumprirá o destino que um dia sonhou ser o seu. Se Santana foi 1º Ministro, se Durão é Presidente da Comissão Europeia, porque carga de água haveria Portas de se contentar em ser animador televisivo de 3ª categoria? Ele aí vem convicto de que alcançará os mais altos degraus da vida pública. Hoje pequeno líder, amanhã grande, depois de amanhã... quem sabe?
Santa paciência!