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quinta-feira, setembro 03, 2026

Merda até ao pescoço

     Haverá alguma coisa que eu possa fazer? Tenho a impressão de que lá na ONU os small bosses andam a atapetar os corredores com as toalhas que atiram ao chão. Enquanto isso, os big bosses esfodaçam esta merda toda sem qualquer tipo de problema nem peso na consciência. O futuro não é deles, portanto estão-se bem a cagar. Venha o clima enlouquecido, vamos fazer uma festa!

    Nas escolas ensinamos as crianças a respeitar o planeta, a amar os bichinhos, a reciclar o lixo e a regar as plantas com peso conta e medida, a água é um bem precioso. Mas, se olharmos a realidade com os nossos olhos de adultos, as coisas não estão nada bonitas. Estão mais feias do que alguma vez estiveram e a tendência é para que piorem. Toda a gente vê o problema mas poucos de nós estão dispostos a abdicar do que quer que seja de modo a mitigar a merduncha em que nos enterramos a cada dia que passa. Ateamos a fogueira que nos grelha com entusiasmo e boa disposição.

    Se é para rebentar, que rebente em grande estilo! 

    Apesar de me sentir impotente, apesar de saber que sou incapaz de inverter o curso dos acontecimentos, apesar de compreender que os meus gestos são invisíveis mesmo que analisados ao microscópio, apesar de tudo, estou disposto a fazer umas coisitas que me permitam continuar a dormir descansado. 

sexta-feira, setembro 17, 2021

No future

No future. A velha palavra de ordem que tanto me fez saltar e espernear quando era ainda um teenager sem juízo que pudesse ignorar parece estar de regresso. O contexto é outro, a envolvência muito diferente mas, imagino eu, a sensação de vazio que ora te põe em pulgas ora te deixa prostrado é decerto semelhante.

Nos anos 70 o problema era a Guerra Fria e a iminência de uma guerra nuclear que arrasasse o planeta de um momento para o outro. Esta pressão constante fazia com que fosse urgente viver tudo, "a vida num só dia", aproveitar cada minuto para rebentar a cabeça e explodir em delírio permanente. A música punk é uma boa metáfora de como nos sentíamos.

Neste final do primeiro quartel do século XXI o problema é a certeza da degradação das condições de vida sobre o planeta devido à poluição e às alterações climáticas. Embora saibamos qual o final anunciado devido aos constantes spoilers produzidos pelos cientistas sobre a História da Humanidade, não somos capazes de evitar o desastre. A nossa sociedade global já não consegue travar a tempo de evitar o mergulho no precipício.

Antes o temor da morte súbita, agora a certeza da morte lenta. Isto não são invenções ou delírios juvenis, são coisas que acontecem. O Ser Humano não tem hipóteses de ser outra coisa a não ser predador de si próprio. Somos como o tal escorpião que atravessa o rio no lombo do sapo.

terça-feira, novembro 26, 2019

Dilúvio de bolso

Chove que Deus a dá! Lá fora cai um pequeno dilúvio, muito apropriado tendo em conta a dimensão do país. Um dilúvio a sério afogava-nos a todos. Quando cai uma chuvinha assim há logo uma trupe de gajos que vêm afirmar: Estão a ver!? Qual desertificação qual carapuça!!!

Tenho a sensação de que estes caramelos estão todos borrados de medo e que a possibilidade de estarmos de facto a passar por uma fase de alteração climática severa lhes tira o sono. Isso explica a forma entusiástica como celebram cada gota de chuva, como se fosse a prova do erro dos arautos do desastre climático.

Lá fora a chuva continua a cair. No entanto há zonas do país que continuam em situação de seca extrema.