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domingo, agosto 21, 2016

Olímpico

Aos atletas portugueses que competiram nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro quero agradecer terem-me feito acreditar com eles que é possível ir até ao fim.

Mesmo que não tenham vencido as suas provas, ainda que tenham fracassado completamente ou quase alcançado a glória, estive com todos e cada um deles, como se tivesse viajado até ao estádio, como se me tivesse materializado no pavilhão, como se tivesse sulcado as águas numa velocidade alucinante.

Agora que os Jogos chegam ao fim apercebo-me que, mais do que nunca, os atletas portugueses puderam sonhar e seria injusto que não tivéssemos sonhado com eles.

A vitória não é mais do que um pormenor.

sábado, outubro 17, 2009

Proxenetismo hípico


A comparação deixou-me a pensar no assunto. Aqui há dias, numa daquelas páginas de jornal que tratam as frivolidades quotidianas como notícias, lá vinha estampado "Salário de Ronaldo será ultrapassado". A ilustrar o apontamento uma foto de Cristiano Ronaldo a olhar o infinito. O pequeno texto comparava os ganhos monetários do jogador de futebol com os ganhos dos donos de um... cavalo!

Trata-se de um jovem potro fenomenal que responde ao nome de Sea The Stars (até tem entrada na Wikipédia mas, o que não tem?) que venceu as mais importantes corridas em que participou este ano. O bicho é de tal modo extraordinário que vai ser retirado da competição nas pistas para se dedicar em exclusivo à procriação. No final do texto lá vinha o sumo da notícia "(...) o Guardian noticiou que isso poderá render aos donos do cavalo 700.000 euros por semana, entre Fevereiro e Julho. Ronaldo ganha 237.000 euros por semana."

Fiquei indignado. Os donos do pobre Sea The Stars estão, positivamente, a aproveitar-se dos atributos físicos do bicho numa atitude que só pode ser classificada como proxenetismo.

Numa época em que os direitos dos animais são levados ao extremo, penso que está aqui uma óptima causa para lançar um abaixo-assinado na INTERNET. Não haverá ninguém suficientemente humano para defender o pudor deste pobre cavalo? Não terá o campeão das corridas o direito a escolher a égua dos seus sonhos?

Fica o alerta. Vivemos num mundo perigoso.

quinta-feira, agosto 20, 2009

A 800 metros do sexo feminino



Ontem à noite estava eu a fazer zapping entre os milhentos canais da televisão, quando passei pelo Eurosport e fiquei a ver um resumo das provas do dia dos campeonatos mundiais de atletismo que estão a decorrer em Berlim. As imagens eram da corrida dos 800 metros femininos e uma das atletas, com um equipamento algo diferente dos restantes, comandava com aparente facilidade. Tudo bem, já se sabe que nestas corridas rápidas há sempre quem se lance na frente durante uma volta ou volta e meia e, no final, ao sprint, veja passar em alta velocidade as adversárias que guardaram forças.

Mas, desta vez, a comandante do pelotão não fraquejava nem um pouco. Antes pelo contrário. Com um estilo de corrida pouco usual, parecendo mais dar grandes passadas, como se caminhasse muito depressa, quase sem saltar entre um passo e outro, Caster Semenya, uma jovem sul-africana de 18 anos de idade, ia cavando a distância para as suas mais directas competidoras, acabando por vencer com uma distância e uma facilidade inesperadas em relação à segunda classificada, a queniana Janeth Jepkosgei, anterior campeã mundial. As 3ª e 4ª chegaram em cima da 2ª, num sprint espectacular e admirável. Longe da vencedora que parecia ter ido ali correr como se estivesse apenas com receio de se atrasar para apanhar o comboio.

Quando a imagem focou de perto a vencedora (nunca antes a tinha visto) pareceu-me pouco feminina. A forma como caminhava, gingando os ombros e flectindo os joelhos a cada passo, fazia lembrar um jovem rapper. A ausência de peito e uma espécie de buço a emoldurar-lhe os lábios completavam a sensação de se estar perante um rapaz e não uma rapariga.

Outro pormenor estranho; Caster não parecia muito feliz, ainda menos eufórica, ao contrário das outras medalhadas que sorriam e saltavam de contentamento, Caster sorria pouco ou nada. Algo incomodava aquela campeã.
Hoje, ao ler os jornais, lá vinha a notícia "IAAF quer saber se campeã dos 800 metros é uma mulher". A feminilidade da campeã é posta em causa. Tudo bem. Maria de Lurdes Mutola, uma anterior campeã moçambicana na mesma distância também parecia um homem. Ao que parece suspeita-se que Caster seja hermafrodita.

Fiquei a pensar no caso. Onde poderão competir os atletas hermafroditas? Com os homens? Com as mulheres? Ou terá de ser criada uma competição especial exclusiva? Teria a sua piada, numa corrida de 800 metros para o campeonato do mundo para atletas hermafroditas, a campeã ser posta em causa, sob suspeita de ser uma mulher, tendo de provar o contrário sob o risco de lhe ser negada a vitória.

A finalizar, uma curiosidade retirada do Público: "(...) em 1992, no seguimento de testes laboratoriais realizados nos Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão, chegou-se à conclusão que um em cada 500-600 desportistas analisados teria problemas na determinação do sexo".

quarta-feira, setembro 03, 2008

Abstracção?

Os comentários ao post anterior trouxeram uma questão que me parece pertinente. Os valores astronómicos (ou poderei dizer: absurdos?) atribuídos a determinados produtos causam indignação à maioria das pessoas. Falou-se das pinturas de Ticiano, em posts anteriores tinhamos lançado um olhar sobre o leilão de obras de Damien Hirst e as latinhas de merda de Piero Manzoni, vendidas ao preço da grama de ouro. Aqui se colocava a hipótese de ouro=merda, numa manifestação de desprezo terrorista em relação ao mais cobiçado dos metais.
Nos últimos dias vieram a público notícias que dão conta da transferência do jogador brasileiro Robinho que trocou o Real Madrid pelo Manchester City por 42 milhões de euros pagos em "dinheiro fresco" pelos novos donos do clube, uns árabes cheios de guito. Não satisfeitos com esta compra estonteante, os ditos árabes do Abu Dhabi United Group oferecem 165 milhões de euros por Cristiano Ronaldo. Inacreditável?

Estes milhões todos cruzam os ares sem que lhes possamos pôr a vista em cima. Os números são de tal modo estranhos de tão grandes que para o comum dos mortais é quase impossível compreender o que significam. Para mim é tão difícil de entender a extensão destes valores como imaginar um universo infinito em expansão.
Talvez a grandeza incomensurável destes números esteja na base de uma suposta natureza divina do capital (e do dinheiro) e Cristiano, Robinho, Hirst e Ticiano sejam uma espécie de ícones de santos a colocar nos altares mediáticos desta divindade implacável que é o Capital (assim, com "C" grande).

O papel principal destes ícones será provar aos cépticos a existência real dessa divindade. E nós, servos potenciais do Capital e seus adoradores indefectíveis, pasmamos perante provas de tão grande poderio e vigor. Só nos resta sonhar com fatias pequeninas da sua "carne" que nos permitam comprar a felicidade e usufruir das benesses que o Capital promete aos que nele acreditam, para ele trabalham e, em última análise, o adoram acima de todas as coisas.
Temos divindade!

segunda-feira, abril 07, 2008

A chama que arde a arder

As peripécias por que tem passado a chama olímpica na sua caminhada em direcção a Pequim deixam adivinhar uns jogos bem estranhos. Ainda a procissão vai no adro e já há mais confusão que em todas as anteriores viagens juntas. Em Londres foi o que se viu, com os fleumáticos bófias lá do sítio a passarem-se como gente grande e a empurrarem o pessoalzinho com braços de atleta furibundo. Em Paris, segundo os últimos relatos, a chama teve de ser apagada para poder entrar num autocarro! A chama teve de ser apagada!? Cruzes, credo!!!
Sendo a chama um símbolo do olimpismo com toda uma carga simbólica associada à fraternidade entre os povos unidos no espírito imaculado do desportivismo cavalheiresco, tal como o imaginou Pierre de Coubertin, podemos dizer que este apagamento não é nada um bom augúrio.
Os jogos de Pequim serão previsivelmente uns dos mais politizados de todos os tempos. Não só pela questão tibetana mas também porque, a cada dia que passa, os cidadãos do planeta Terra anseiam cada vez mais por fazerem parte do mundo mediático, contribuindo para ele com acções espectaculares e, de preferência, radicais. O imediatismo da informação que salta da rua para o espaço virtual da NET em apenas alguns minutinhos dá uma sensação de poder que tem tanto de inebriante como de duvidoso.
Os Jogos irão para a frente, o Tibete continuará debaixo da manápula chinesa (como manda a História) e quem se lixa são os atletas que vão correr a maratona nas ruas de uma cidade hiper-poluída sem poderem levar uma garrafinha de oxigénio às costas.
Aguardam-se novos episódios de uma telenovela que promete surpresa e qualidade extra seja no enredo, seja na qualidade da produção.

segunda-feira, maio 07, 2007

Reconciliação

Vanessa Fernandes cortando a meta no Pavilhão Atlântico perante uma multidão no mais completo delírio. Heidi Grimm havia de chegar mais de 15 minutos depois...


Disputou-se ontem em Lisboa mais uma prova da Taça do Mundo de Triatlo. Como se esperava, Vanessa Fernandes foi a vencedora da prova feminina, ascendendo à liderança do ranking. Foi a apoteose desta atleta extraordinária com o povão a entrar em delírio numa festa bem portuguesa, a transbordar de emoção, com lágrimas misturadas nos sorrisos rasgados pela gritaria vitoriosa, à beira da histeria. É disto que o meu povo gosta e eu também.



Mas o motivo deste post e da minha reconciliação com o sol que enegrece as sombras do dia que agora fenece tem a ver com uma notazinha publicada no Público, juntamente com a notícia da retumbante vitória de Vanessa. Filipe Escobar de Lima, o repórter de serviço na Taça do Mundo de Lisboa, oferece-nos um pormenor que, na minha óptica, diz muito do que é ser português. Ora vejamos:

Heidi Grimm foi aplaudida como vencedora

O prazer de ser última (ou antepenúltima)

"Só à segunda passagem pelo pavilhão é que percebi que as palmas eram para mim", contou Heidi Grimm. Cada vez que a norte-americana do Colorado entrava pela porta em direcção à passadeira azul estendida lá voltavam os aplausos. Sem ironia e com todo o calor humano. "Foi incrível, senti-me uma portuguesa a correr em casa." A triatleta de 39 anos, agora a viver em Nova Iorque, passou quase toda a corrida no último lugar e foi a mais aplaudida a seguir às portuguesas.
Foi uma espécie de catarse. Quando Grimm irrompeu no recinto, descalça e a pingar a água do rio, [o Triatlo é uma prova composta por natação, ciclismo e corrida a pé] correu para a sua bicicleta - era a única que restava, num deserto de fatos de mergulho e toucas espalhadas pelo chão - e os olhos de todos fixaram-se naquele corpo esguio. Ela, indiferente; o público, acabrunhado, foi-se soltando em incentivos. Era a última, sem hipótese de lutar por nada e, mesmo assim, teimosa, montou no aparelho para se fazer à prova de ciclismo. Tanto empenho para quê? Quando voltou para a primeira de oito voltas, [a prova realizou-se em circuito com passagem pelo interior do espectacular pavilhão Atlântico, sobre a tal passadeira azul] o público levantou-se e aplaudiu-a. Ela, 46ª do ranking, respondeu com sorrisos e acenos [pronto, ela sorriu para uma turba de portugueses eufóricos pela liderança de Vanessa, nem sabia no que se estava a "meter"!] Foi assim até à "cavalgada" final. Ultrapassou quatro ou cinco... Na parte de atletismo, entrava de braços abertos, acenava para as bancadas, os adeptos respondiam. A chegada foi triunfal. Como triunfante foi o 49º lugar... em 51 atletas! Mais de duas horas de puro esforço (duas horas e dezanove minutos a lutar com uma francesa e uma romena).
"Gosto de desporto e assim também aproveito para viajar. Vou agora à África do Sul [próxima prova da Taça do Mundo], diz, de sorriso contínuo. Abraçou as portuguesas. "Nem acreditei. Senti que estava a correr em casa. Foi muito boa esta estreia em Taças do Mundo. Eu respondi ao entusiasmo do público", explicou a atleta. O público perfilhou-a. Quis tê-la como um dos seus. Ela não se importou."

Esta narrativa derreteu-me o coração. Não estive no Pavilhão Atlântico. Vi as imagens pela TV da extraordinária festança que foi a entrada de Vanessa Fernandes para cortar a meta. Arrepiante! Não imaginava que houvesse uma Heidi Grimm, quem se lembra de referir a 49ª classificada em nota de destaque? Lembrou-se Filipe Escobar de Lima que realizou, assim, um excelente trabalho de reportagem. No jornal desportivo que folheei ao fim da tarde não havia lugar para a saga de Grimm, apenas referências aos feitos dos atletas portugueses envolvidos.
Escobar de Lima mostra-nos aquilo que sabemos ser de vez em quando. Na nossa incondicional admiração pelos que não desistem podemos tornar-nos tão humanos, tão humanos que só temos emoção à flor da pele e mais nada interessa. Gritamos, esbracejamos, choramos e rimos ao mesmo tempo. Como animais ou lá que é isso. E é tão bom!!!
Obrigadão, ó Filipe, fizeste-me regressar à Terra com algo melhor dentro de mim e a dançar-me nos lábios.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Obikwelu

Obikwelu recebe «leão de ouro»
Francis Obikwelu, campeão europeu de 100 e 200 metros e melhor atleta europeu, foi hoje homenageado pelo Sporting com a entrega do «leão de ouro».


Este atleta é português. Não nasceu em Portugal mas é português.
Por muito que isso custe aos puristas da "raça", mesmo que faça torcer narizes mais sensíveis a coisas como a cor da pele, não há nada a fazer. Ainda por cima e para orgulho dos que se orgulham com estas coisas, foi considerado o melhor atleta europeu de 2006!

Os nacionalistas bacôcos que imaginam um mundo escortanhado por fronteiras e marcado por folclores mal amanhados terão de rever a História consultando manuais menos emporcalhados pelos ideais salazarentos que ensombraram as suas aprendizagens.

Obikwelu revelou que tem como objectivo marcar presença nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, ao mesmo tempo que manifestou o «sonho» de criar uma Academia destinada a jovens sem família. «Será uma forma de retribuir a Portugal. Quando isso acontecer, sentir-me-ei realizado.»

Caso consiga realizar o objectivo acima citado, Obikwelu mostrará a quem quiser ver quanto vale viver com o espírito aberto. Nacionalistas e outros seres viventes lá terão de meter a viola no saco e ir destilar o seu veneno para outra freguesia.
Ah grande Obikwelu!