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segunda-feira, outubro 02, 2017

Armaduras pretas

O que se está a passar na Catalunha é uma grande confusão. Assistimos incrédulos a uma escalada de violência que poderia perfeitamente ser evitada caso houvesse interesse de parte a parte em que as coisas acontecessem de acordo com o bom senso. Mas não. A uns aproveita a violência, a outros está-lhes na massa do sangue.

No meio do terramoto o povo anónimo. Não duvido que, caso fosse catalão, haveria de andar a levar porrada da Guarda Civil. Mas, estando descansadinho cá no meu Portugal, olho para tudo aquilo com uma enorme dose de desconfiança.

Fica a imagem da brutalidade do estado policial. Aqueles cães de fila, enfiados nas suas armaduras, protegidos por capacetes negros, são o símbolo do poder, a sua materialização junto de quem protesta e clama por aquilo que acredita serem os seus direitos. Não há diálogo, apenas violência. Todos sabemos que a violência se propaga como um incêndio em dia de Verão.

Rajoy é um pirómano perigoso e Puigdemont, para apagar o fogoléu, traz um bidão de gasolina em cada mão. Não é preciso fazer um grande esforço de memória para recordarmos situações vagamente semelhantes um pouco por toda a Europa. Sempre que o povo sai à rua lá aparecem os gajos das armaduras pretas e dos capacetes fechados.

São as forças que garantem que a Democracia funciona como DEVE ser.

quarta-feira, setembro 13, 2017

O dia das eleições

É sempre a mesma bambochata, o dia das eleições em Portugal é como se fosse uma coisinha feita de cristal que é preciso tratar com o máximo dos cuidados não vá desfazer-se ao mais leve sussurro.

A abstenção tem vindo a aumentar, o povo eleitor parece cada vez mais arredado das urnas e das cruzinhas no boletim de voto. Tenta-se explicar a a abstenção das mais variadas formas: o povo baldou-se porque estava a chover ou porque estava calor e foi para a praia. Ou porque era um fim-de-semana prolongado e emigrou em direcção ao Sul, ou porque outra coisa qualquer.

Em suma, todas as razões são boas para não votar. Não é que o povo se esteja a marimbar para o seu dever cívico, não! O povo até queria cumprir o ritual democrático mas há sempre qualquer coisa a distraí-lo.

Desta vez a questão de lesa-democracia é a marcação de um jogo de futebol entre o Porto e o Sporting para esse dia 1 de Outubro de 2017. Haverá alguém que deixe votar porque se joga futebol lá para o fim da tarde? Se isso acontecer parece-me que o problema é do eleitor e não do jogo. Tal como não me parece correcto culpar a chuva ou o sol da falta de cultura democrática.

Talvez os partidos políticos e os candidatos e os meios de comunicação social tenham algumas culpas no cartório. Mas não, o futebol é bem mais fácil de culpar.


segunda-feira, outubro 31, 2016

Santa estupidez!

Olhando de relance para os livros de História fico pensando: quantas vezes os que acreditaram agir em nome de Deus acabaram abrindo as portas de suas almas ao Diabo? Quantas vezes os que têm fé na própria santidade convidam o Vampiro a entrar nas suas casas. Ovelhas mansas são perfeitas para ferrar dentes aguçados.

A força da religião é proporcional à debilidade mental. A crendice alimenta-se da estupidez como besouro se alimenta de merda.

Levámos tantos séculos a separar o Estado da Igreja, a construir a Democracia à custa de tantos sacrifícios e agora assistimos, incrédulos, ao cristianismo na sua pior versão, a versão exploradora, assassina da Humanidade, parasita da miséria, assistimos à chegada do fundamentalismo cristão aos lugares do poder Democrático no Brasil.

O resultado disto só pode ser a morte da Democracia. Fundamentalismo religioso e Democracia são como a água e o azeite, não se misturam por mais que o tentemos fazer. As igrejas evangélicas são como serpentes, demónios com asas feitas com penas de galinha, a fingir que são anjos.

Atenção que a coisa medra em Portugal. Eles estão aí, fingindo que não existem, passando despercebidos, a martelar nos bairros pobres, a arrebanhar os analfabetos sociais, fazendo o trabalho do Diabo com frieza e método. A IURD não dorme. A Besta está activa.

Santa estupidez!

sábado, agosto 15, 2015

Genuinidade democrática


Qualquer cidadão de qualquer nacionalidade é elegível para obter o “golden visa”, basta-lhe ter dinheiro suficiente para pôr a salivar certos agentes económicos e as portas da Europa ser-lhe-ão abertas de par em par. Entretanto, no Mar Mediterrâneo, continuam a naufragar outros aspirantes a habitar este espaço genuinamente democrático que é a comunidade europeia. É tudo uma questão de capacidade de investimento. 

Os que morrem no Nosso Mar investiram tudo o que tinham para comprar o seu lugar miserável num bote mortífero, às mãos de traficantes sem escrúpulos. Os que compram moradias de luxo negoceiam com outro género de traficantes, nem por isso mais escrupulosos do que os outros mas os riscos que correm são praticamente nulos. 

É tudo uma questão de quantidade. Se forem podres de ricos, os aspirantes a um lugar deste lado do mar não encontram obstáculos. Se forem pobres têm assegurada uma aventura inesquecível: ondas, enjoo, muros, arames farpados, centros de detenção, anilhas e pulseiras, fome medo e, caso sobrevivam, talvez consigam um buraquito qualquer onde aconchegar o que restar das suas pessoas e dos seus entes queridos.

Esta diferença na atribuição de autorizações para habitar o espaço europeu é o retrato perfeito daquilo que somos, enquanto projecto social e político comum. O dinheiro impera, o dinheiro é deus, o dinheiro justifica tudo, limpa tudo, limpa-se a si próprio e limpa os crimes cometidos por aqueles que o acumulam. 

Nem quero pensar que algum do capital aplicado a comprar casas de luxo em Portugal seja proveniente do tráfico de emigrantes no Mediterrâneo ou do comércio de armamento nas guerras que os obrigam a navegar para a morte.

Se é isto que temos para oferecer aos países não democráticos ou a democracias pouco genuínas, não admira que nos odeiem e nos combatam com quanta força têm.


quinta-feira, agosto 06, 2015

Trampa

Imaginemos que Donald Trump chega a Presidente dos Estados Unidos da América. Estamos a imaginar...? Vá lá, só mais um bocadinho, um pequeno esforço de imaginação... pois é, a coisa não gera imagens particularmente agradáveis, pois não?

Que sociedade é capaz de gerar um candidato ao mais alto lugar da sua organização política com as características do descabelado Trump? Que doença, que droga, que alucinação colectiva pode fazer com que este homem seja levado a sério por uma parte significativa dos seus concidadãos?

Muito falamos dos líderes perigosos que governam partes deste mundo. Kim Jong-un, Maduro, Obiang, Eduardo dos Santos, ditadores mais ou menos populares nos seus países, a loucura e a ausência de direitos civis, caricaturas de democracias, tudo isto nos faz tremer um pouco. E se Trump vier a chefiar os EUA? Uma trampa!


terça-feira, março 03, 2015

Democracia

Alguma vez terá existido Democracia?

Se existiu deixou de existir; é passado, dificilmente será futuro outra vez. Governantes e governados deixaram de ter tempo para pensar nesse assunto.

Andamos todos demasiado ocupados a tentar ganhar dinheiro e a discutir como se pode arranjar mais dinheiro e quem deve dinheiro a quem e qual a melhor forma de cobrar a dívida e a menos ruinosa de pagar os juros agiotas que quem empresta dinheiro sempre cobra.

A Democracia vende-se e compra-se, troca-se, empresta-se e negoceia-se.

A Democracia é um franchise de uma marca made in USA que comprou os direitos de representação à Europa ali por volta dos tempos do pós 2ª guerra. A Democracia é fabricada na China por operários que trabalham 20 horas num dia e recebem uma tigela de arroz em troca do seu trabalho.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Incomodidade

A coisa aquece lá para os lados da Grécia. As sondagens indicam vantagem do Syriza nas intenções de voto. Os mercados começam a ficar nervosos. Os mercados e os líderes dos países mais pesados na União Europeia.

À medida que força do partido extremista grego aparenta crescer os recados vão sendo mais numerosos e sobem no tom de ameaça. Resumindo: se os gregos se atreverem a escolher um partido que desagrade aos mercados e à senhora Merkel a coisa vai tremer.

Há quem diga que um lado e outro vão fazendo bluff : nem o Syriza será tão atrevido nas suas acções, caso chegue ao poder, nem os mercados entrarão em colapso nervoso caso isso aconteça. Será? Não dá para fazer previsões sobre tão complexa situação.

O que quero fazer notar é que no presente panorama económico e político que vivemos na Europa a democracia tornou-se uma coisa incómoda e dispensável. Tudo seria mais belo e mais fácil se os gregos obedecessem ao ditames da troika e da comissão europeia sem respingar, tal como fazem os bons alunos.

domingo, maio 18, 2014

Pesadelo dominical

Poderá a Democracia sobreviver a si própria? A abertura dos regimes democráticos permite a proliferação de todo o tipo de agremiações de sacanas e de filhos da puta. 

A mentira (ou "inverdade", como por vezes se diz) passa com facilidade para a opinião pública travestida de verdade inquestionável. O espaço de reflexão colectiva fervilha de propaganda e tende a menosprezar o pensamento estruturado, a frase curta é uma bomba que faz explodir em bocadinhos o pensamento especulativo. A nossa Democracia idolatra a Facilidade e teme a Dificuldade. Assim resvalamos alegremente para uma fossa repleta de merda.

A Economia ocupa todo o horizonte, nada mais parece visível aos olhos da maioria: só vemos dinheiro, sonhamos com dinheiro, desejamos dinheiro. A Solidariedade, base dos regimes democráticos, é olhada com indiferença, quando não com desdém. O mundo Ocidental contorce-se com dores difíceis de suportar num parto que promete trazer a este mundo um qualquer ser social monstruoso.

Assistimos a tudo isto com uma sensação de impotência, um torpor estupidificante, que parece impedir-nos de pensar e agir. A Política perde terreno, afunda-se em contradições e recuos impensáveis perante a Grande Finança. O que vai sair daqui?

quarta-feira, junho 27, 2007

Educando os animais


Li algures que não se deve deixar a uma criança a responsabilidade de educar um cão. O desconhecimento das crianças sobre os mecanismos educativos seria nocivo para o animal, deixando-o confuso. Uma festa na cabeça depois de um chichi no canto da sala ou uma sapatada após uma boa acção canina iria contribuir apenas para confundir o pobre animal e desregulhar-lhe os desejados bons costumes. A educação do animal é responsabilidade demasiada para ser entregue a quem não tem ainda bem definida uma conduta de vida pautada pelo rigor ético que caracteriza um adulto.

Olhando para os acontecimentos recentes no nosso país sou levado a concluir que a educação cívica e politica do nosso povo está a ser descurada por termos um 1º ministro que se comporta de forma infantil e um presidente da república que já nasceu velho. Os sinais enviados pelos nossos dirigentes supremos são frequentemente contraditórios. Premeia-se a mediocridade, aplaude-se a mesquinhez e ignora-se a falta de ética, como se a ética fosse um mal que tem de ser suportado apenas quando não há outra hipótese, mas o discurso oficial é de sentido contrário. Quem andar distraído ficará confuso com certas aventuras ideológicas e trapacices processuais que se vão tornando o pão-nosso de cada dia.

Se não nos organizarmos, se não estivermos atentos nem protestarmos quando há razões para isso, vão fazer-nos a folha e nem migalhas havemos de aproveitar. A Democracia não nos é oferecida pelos que estão no poder. Bem antes pelo contrário. Temos de conquistá-la CONTRA eles. É triste mas quer-me parecer que é a realidade.

domingo, junho 17, 2007

Aut(oritar)ismo

Ouço muitas vezes dizer que, para se governar convenientemente, é necessária uma maioria absoluta. Seja nas autarquias ou na Assembleia da República, entranha-se nas mentes do povão a ideia de que governar é uma actividade que só pode exercer-se com total liberdade de opção dos detentores do poder. A oposição serve apenas para atrapalhar e, caso não exista maioria absoluta, serve para paralisar o governo, empatando e provocando problemas incontornáveis enquanto se espera por novas eleições. Resumindo, não acreditamos verdadeiramente nas virtudes do sistema democrático que deveria assentar na troca de opiniões diferentes para encontrar soluções adequadas para os problemas comuns. Para se governar "como deve ser" ou se tem poder total ou não se pode fazê-lo.
Esta distorção da Democracia leva-nos a criar maiorias absolutas e, apesar de tudo o que aconteceu quando Cavaco foi dono e senhor do país, insistimos e agora temos Sócrates no papel de tiranete democraticamente eleito. As maiorias absolutas em Portugal têm sido desgraçadas mas continuamos a preferi-las e, de certo modo, a acarinhá-las. São monstruosidades mas são nossas e, como tal, amamo-las como se ama um filho que tem duas cabeças e nos morde sempre que tentamos ensinar-lhe a comer com as bocas fechadas.
Com maioria absoluta na Assembleia temos tido primeiros ministros que se tornam em caricaturas de monarcas absolutistas. Eles têm uma visão para o país e estão determinados a torná-la realidade, dê lá por onde der, contra e tudo e contra todos, se necessário fôr, mesmo contra aqueles que votaram e lhes deram o poder.
Basta passarmos os olhos pelo programa eleitoral que levou Sócrates a este poder (quase) absoluto para percebermos como ser eleito é uma espécie de atestado de ininputabilidade, de tal forma esse programa e as promessas nele contidas são imediatamente esquecidas e distorcidas.
Governar deveria ser um acto praticado com senso e não uma folia libertina de medidas quase pornográficas e desatinadas como as que vemos serem tomadas com demasiada frequência pelos nossos governantes.
Qual a lição que poderemos estudar? Talvez devamos reflectir sobre a bondade destas maiorias absolutas. Talvez devamos pensar que é melhor repartir o poder do que concentrá-lo nas mãos de uma única força partidária. Talvez... uma democracia não pode ser governada por déspotas (mal) iluminados sob o risco de se tornar uma ditadura de merda.
Esta afirmação leva-me a concluir que, no caso do Portugal actual, ou não estamos a viver uma democracia ou estamos a viver uma merda de ditadura, o que acaba por ser a mesma coisa e o seu contrário. Isto não faz qualquer sentido mas não importa, Portugal também não é nenhum modelo de objectividade e, no entanto, aí está em grande estilo, preparando-se para assumir a presidência rotativa da União Europeia.
Caramba, gostava mesmo de viver num país democrático. Há por aí algum? Aceito opiniões e agradeço pistas que me permitam encontrar um país verdadeiramente democrático. Quem sabe poderei emigrar!


sábado, maio 05, 2007

Incómodo

Anda no ar uma estranha sensação. Será do calor que chegou em força e já nos vai empurrando para as sombras projectadas dos prédios sobre a calçada, será do stress característico após mais uma semana de trabalho? Não consigo explicar exactamente o que me incomoda. Mas que há algo a remexer-me as tripas, ai isso há!

Talvez seja algo relacionado com notícias insistentes e diárias que nos vão atravancando o sótão com centenas, milhares de macaquinhos. Notícias que falam de corrupção em tudo quanto é gabinete e cargo público, notícias que explicam o desrespeito continuado das leis por aqueles que as criam e aprovam (para os outros cumprirem, ao que parece!), notícias que me deixam a balançar entre a tristeza e a revolta, impotente, seja como for.

A Democracia começa a perder-se neste labirinto de vigaristas e oportunistas que vasculham o lixo dos poderosos em busca do seu quinhão, da sua migalha, desesperados por encontrarem restos que lhes aproveitem. Nem serão tanto os ministros. Quem os apoia, quem lhes preenche a sombra? As máquinas partidárias (o texto de Pacheco Pereira no Público de hoje é muuuuito interessante) são o cimento do sistema e os partidos políticos os alicerces da nossa Democracia? Temo que isso deite tudo a perder.

Penso ser daqui que vem a tal estranha sensação, o incómodo. Há qualquer coisa mas não consigo perceber exactamente os seus contornos. É um mostrengo, uma angústia, uma coisa ruim, não sei. É uma coisa pútrida mas cheia de vitalidade, um coisa que deixa um rasto de pus quando se move e que muda de lugar com toda a facilidade. Uma coisa que está a minar a nossa sociedade. Um parasita tremendo que nos suga o sono e nos devora os sonhos.

O que fazer?


segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O dia seguinte

E pronto. A novela referendária chegou ao fim. Ganhou o SIM, penso que todos ganhámos. O resultado não despoletou ondas de regozijo nem festejos nas ruas. Recebemos a coisa com serenidade e alívio. Afinal ainda há esperança para este país.
A economia continuará a ser uma espécie de fronteira farpada, o ensino um pântano voraz e a justiça uma estátua de pedra, mas Portugal tem nos portugueses uma reserva de esperança numa vontade difusa de mudar e ser diferente daquilo que foram os nossos trisavós.
A vitória da tolerância e da confiança na capacidade de cada um de nós poder ponderar livremente as suas opções de vida abre uma janela sobre o futuro que poderá significar uma sociedade civil mais madura e interventiva.
É claro que os mais ferrenhos adeptos do NÃO vão continuar a agitar fantasmas horrendos e sedentos de sangue aos olhos do pessoalzinho. Estão despeitados por lhes recusarem a bondade que ofereciam e a caridadezinha merdosa que continuam a imaginar ser o destino dos mais pobres. Metam a viola no saco. Essa merda acabou.
Espero que, a partir daqui, consigamos olhar a besta nos olhos agarrando-a pelos cornos até lhe torcermos o pescoço e a vergarmos de joelhos no chão. Sonho com um país capaz de assumir sem medo nem preconceitos uma perspectiva mais justa e solidária do significado e do sentido da vida da nossa comunidade. A vitória do SIM aproxima-nos mais do grau civilizacional do resto da Europa. Esperemos que a Assembleia da República tenha agora lucidez suficiente para legislar com sabedoria e prudência sobre o tema que ontem fracturou mais uma vez o território nacional num Norte tacanho e com medo do demónio, que se afasta de um Sul muito mais próximo do desassombro libertário que nos está na massa do sangue por herança cultural a desaguar vinda dos lados da Europa.
Esta treta acabou finalmente. É preciso explicar e mostrar aos mais ultramontanos de entre nós que eles não perderam nada. Ganharam algo e ganharam connosco.
Força Portugal. Por uma vez não me fizeram ter vergonha de ser quem sou (apesar do resultado na minha cidade natal ter sido o que foi).

domingo, janeiro 21, 2007

Outra razão

Se mais razões para votar SIM no referendo de 11 de Fevereiro faltassem eis um novo e fortíssimo argumento: Marques Mendes vota NÃO e explica o que o leva a tomar esta posição num texto publicado no Correio da Manhã. http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=228283&idselect=93&idCanal=93&p=200

O líder do PPD (ou será líder do PSD?) lá vai desfiando uma série de considerações mais ou menos piedosas, mais ou menos enroladas, até encontrar os argumentos que a seguir reproduzo:

"Também é difícil combater a corrupção, mas combatêmo-la. Não a legalizamos.
Também é difícil combater o tráfico de droga, mas combatêmo-lo. Não o legalizamos."

Combatemos, pois, com os resultados que se sabem. Mas, antes do mais, gostaria de tentar imaginar a corrupção legalizada. Talvez até não fosse má ideia criar uma tabela que pusesse alguma moralidade na corrupção que por aí grassa, porque a droga está, mais ou menos tabelada e os preços de mercado podem ser controlados pelos consumidores.
Assim, quando um honesto cidadão precisasse de uma licança para fazer obras em casa ou fazer desaperecer uma multa por excesso de álcool, saberia exactamente o montante a investir sem se arriscar a ser vigarizado por algum funcionário... corrupto.

Voltando à questão inicial deste post, as razões de Marques Mendes eram absolutamente desnecessárias. Lendo aquilo percebemos que são apenas justificações de um tipo que não se quer comprometer por aí além. A cada afirmação corresponde uma justificação que implica a compreensão do seu contrário. Mendes parece querer dar uma palmadinha nas costas a deus e manter relações cordiais com o diabo. O resultado é uma coisa sem sal à qual nem um quilo de pimenta valerá se se lhe quiser dar algum sabor.
Ai Marques, Marques, estás mesmo com os sapatinhos prá cova.

sábado, janeiro 20, 2007

SIM


O "debate" público em redor do referendo tem sido lamentável. Começam a chatear as trocas de galhardetes entre os dois lados da contenda, as vaidadezinhas individuais, os golpes baixos, as insinuações infundadas, vale tudo e ainda hão-de ir uns quantos olhos pró maneta! No meio da peixeirada há tendência a subalternizar a questão que iremos encontrar nos boletins de voto e que é, afinal, aquela que importa debater: o aborto deve ou não ser considerado um crime até às 10 semanas?
Eu voto SIM mas isso não quer dizer que sou a favor do aborto. Ninguém, no seu perfeito juízo é a favor do aborto. A questão é demasiado complexa para ser tratada à paulada tal como tem acontecido e, à medida que se for aproximando a data da votação, as coisas tenderão a piorar. Quem pensa que o nível do debate anda rasteiro que se prepare para a fase em que se tornar subterrâneo.
Os adeptos do NÃO deveriam assumir que estão a pugnar pela manutenção da legislação em vigor e deixarem-se de golpes baixos como os que têm sido aplicados pela padralhada por esse país fora. A igreja católica volta a mostrar a sua face intolerante e fundamentalista quando usa o púlpito para fazer campanha de forma desavergonhada.
No fundo a questão fundamental é essa; devemos ou não alterar a lei actual? Comparar os defensores do SIM a nazis só mostra a falta de inteligência e de ética de quem é capaz de arrotar semelhante posta de pescada. Com bispos capazes de tais dislates não há igreja que sobreviva aos tempos que correm.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Cuba libre*




As imagens são actuais. As personagens são verdadeiras.
O bloqueio engana-se com imaginação e alguma dose de humor.
Nalguns casos não tem graça nenhuma, mas este "bus" às costas de um camião...


A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou esta quarta-feira uma resolução por esmagadora maioria, pedindo o levantamento do embargo económico a Cuba imposto pelos Estados Unidos, que se mantém desde 1961.
Denominada “Necessidade do levantamento do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos Estados Unidos”, a resolução não tem carácter impositivo, apenas reflecte a opinião da comunidade internacional.
A resolução reuniu 183 votos a favor, quatro votos contra, dos Estados Unidos, Israel, Palau e Ilhas Marshall, e uma abstenção, da Micronésia.

Há coisas que não se explicam. Há outras coisas que se percebem muito bem. Se o embargo dos EUA à ilha do Fidel ditador merece uma reprovação absoluta no quadro das Nações Unidas é porque há ali porcaria da grossa. São 183 nações a afirmar que se deve pôr termo ao embargo. Os apoios dos EUA, além do eterno cão-de-fila israelita, não chegam sequer a ser ridículos.

Há quem pense que, tal como no caso do Iraque, a admnistrição americana comete, também aqui, um erro de apreciação grosseiro e mesmo contraproducente. A estratégia para acabar com a ditadura castrista tem-se revelado inadequada.
O verdadeiro problema da ditadura castrista será a abertura total ao exterior, impedir essa possibilidade de abertura é fazer um favor aos manos Castro lá daquelas bandas. Quanto mais o "animal" é acossado mais fundo se esconde na toca e mais difícil é convencê-lo a deitar o focinho de fora.
É o que dá querer caçar um rato inteligente com um elefante que sofre de atraso mental e nem sabe o que é a sua tromba.

Paradoxalmente imagina-se que uma Cuba democrática será, numa primeira fase, um perigo total para a esmagadora maioria dos cubanos. No dia em que o regime dos manos Castro vier abaixo aquela ilha vai ser devorada por uma matilha de multinacionais dos mais variados negócios e não se sabe se irá sobrar alguma coisa para, numa segunda fase, se poder construir um país verdadeiramente democrático.

Já percebemos que o pacote estratégico dos EUA com "liberdade/democracia/consumo" é para aplicar tipo supositório metálico, coisa que o "beneficiário" nem sempre está disposto a permitir que lhe metam no respectivo local.

*Rum com Coca-Cola?

domingo, novembro 05, 2006

3 notas


nota 1.Mais seis países árabes, de Marrocos aos Emirados Árabes Unidos, pretendem iniciar programas nucleares com fins pacíficos, dizem. Já agora e assim com assim, porque não? O número de dementes absolutos com acesso a armamento nuclear já é suficientemente preocupante. Mais um ou outro não virão acrescentar grande mal ao mundo. O mal já cá está e é por cá que vai ficar. A menos que uma guerra nuclear venha a ter batalhas na Lua ou coisa que o valha. Um dia a vida na Terra vai acabar, quanto mais não seja quando o Sol se extinguir. E Deus? Morrerá também?

nota 2. A campanha eleitoral para o Senado nos EUA tem mostrado até que ponto a liberdade de expressão pode ser um espelho límpido da baixeza humana. Os métodos utilizados são frequentemente deploráveis e os gastos na produção dos spots verdadeiramente astronómicos. Sendo os EUA o modelo democrático mais desenvolvido (dizem por aí) devemos concluir que mais dia menos dia teremos campanhas na Europa com o mesmo nível de devassa da privacidade dos candidatos? Se bem estamos lembrados, na campanha para as Legislativas que deram a maioria absoluta ao PS, Sócrates foi atacado por um boato que colocava Diogo Infante no centro de um argumento miserável. Resultado? Sócrates é 1º ministro e Diogo Infante director do Maria Matos. Talvez isto constitua prova de que, entre nós este género de merda mediática ainda vai levar algum tempo a vingar. Deus nos ouça...

nota 3. Rui Rio deu mais uma prova de falta de cultura democrática (estou a ser simpático e a conter-me na apreciação deste cromo) decretando o fim da atribuição de subsídios a fundo perdido com o aval do executivo camarário a que preside. Este ser vivente mostra como o sistema democrático pode falhar quando elegemos bimbos mal educados e com mais complexos que Napoleão e Hitler juntos num mesmo corpinho. Apesar do gel no cabelo e do sorriso liofilizado, Rio não passa de um pequeno ditador (baixote mesmo) que nada fica a dever aos atrás citados, apenas se distinguindo deles pela dimensão dos poderes que manipulha (este erro ortográfico não é inocente).

sexta-feira, outubro 27, 2006

E depois?


Se este país não vive uma luta de classes então que raio de merda é esta?
Quem é que se vê nas ruas a manifestar-se? Não me parece que sejam os industriais ou os empresários, esses reunem-se em hotéis ou em salas todas catitas para dizerem de sua justiça. Outro estilo, outros lugares.
Quem é que é espremido pela cobrança de impostos? Cá pra mim são os trabalhadores por conta de outrém.
Quando é preciso resolver as coisas na justiça safa-se quem paga os melhores advogados. A mesma luta noutro recinto, as mesmas hipóteses desiquilibradas de vitória.
E por aí fora.
No dia das eleições todos votamos mas nem todos contribuímos para as campanhas eleitorais dos partidos políticos. Por isso, mesmo aí, entre os que ganham há sempre uns que ganham mais que os outros.
Eu sei que a Democracia, mesmo sendo a choldra que é, é o melhor dos sistemas políticos. Mas não nos venham com a treta de que somos todos iguais perante o Estado e perante a Lei porque isso é mentira.
A verdade é que temos esse direito mas não conseguimos usufruir dele com um mínimo de qualidade. É lixado. No entanto, se não nos metermos em merdas, podemos viver bem sossegados. É uma via, uma possibilidade de existência.
Mesmo assim espero que a Democracia consiga vingar durante mais umas décadas, um século mais, qualquer coisa do género.
Mas não sei se isso vai ser possível nem tenho paciência para ficar à espera de ver!

quarta-feira, outubro 25, 2006

Tanga da grossa


Na quarta e última versão da proposta de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), apresentada hoje aos sindicatos, a tutela prevê a alteração dos critérios propostos para a avaliação de desempenho, considerando que a apreciação dos pais só será tida em conta com a concordância do professor.

Desde o primeiro dia em que ouvi falar desta ideia peregrina de pôr os pais a avaliar o desempenho dos professores que me pareceu tratar-se de tanga da grossa. Sempre fui de opinião que se tratava de uma falsa proposta, lançada para a mesa apenas para gerar confusão e, na devida altura, ser deixada caír. Assim o Ministério dá a sensação de estar a ceder, os sindicatos dão a imagem de estarem a ganhar qualquer coisa. Táctica velha de inventar um acessório farfalhudo para esconder o essencial. No essencial não haverá cedências.

Como o objectivo desta proposta de alteração ao estatuto da carreira docente é exclusivamente economicista, o Ministério está-se bem a borrifar para a avaliação dos pais ou das mães ou de quem quer que seja. Esse foi o acessório imbecil inventado para fazer cortina de fumo. Nas quotas para professores titulares ninguém toca já que esse é o aspecto essencial, aquilo que fica quando o fumo se dissipar.

"Se as organizações sindicais persistirem em manter um clima de conflitualidade e continuarem a programar acções de luta como as das últimas semanas, não haverá possibilidade de desenvolver esse trabalho", afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, em conferência de imprensa.

Aqui fica bem expressa a mentalidade democrática deste cromo e o seu talento negocial. O conhecimento que revela sobre as questões relacionadas com o funcionamento das escolas e respectiva organização permitem-lhe apenas balbuciar banalidades e meter os pés pelas mãos de forma confrangedora. Não admira que, dada a ignorância que normalmente exibe nos debates em que participa, o Senhor Pedreira anseie evitar a discussão. O perfil que apresenta está mais de acordo com uma atitude absolutista semi-iluminada do que com um governante de um executivo democrático.

Quando vejo este retrato animado a aparecer na TV penso de imediato "Lá vem tanga!"... da grossa.