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domingo, dezembro 01, 2013

8 anos 100 cabeças

O número de posts tem diminuído, a força das opiniões e a virulência da escrita adocicou-se um pouco, sempre passaram 8 anos desde o nascimento deste blogue!

A blogosfera, à época pujante e florescente como um jardim em plena Primavera transformou-se lentamente em zumbisfera, infectada pelo implacável vírus do facebook. A blogosfera é hoje um  cenário de walking deads.

O 100 Cabeças deixou de ser uma necessidade para se tornar uma espécie de limbo entre este mundo e o outro, aquele ali fora, do outro lado da janela. Vão ficando amigos, rotinas e visitas para tomar uns chás virtuais em casa deles, trocar dois dedinhos de conversa sobre isto e sobre aquilo...

Alguns desses amigos virtuais tomaram forma e corpo, outros esfumaram-se na irrealidade da net. Tal qual naquele mundo do lado de lá. A net ganhou uma importância assustadora na forma como define os contornos desse mundo. Realidade e virtualidade a fundirem-se perante os nossos olhos distraídos.

A cada ano que passa há menos posts mas não menos mundo. Quando comecei este blogue sentia-me um pouco incomodado com a falta de visitantes e de comentários. Hoje já não. O 100 Cabeças é uma realidade. Isso basta-lhe. Isso basta-me.

Beijos e abraços.

sexta-feira, setembro 06, 2013

Descrição

Ia à procura da ilustração de hoje de O Inimigo Público onde Obama está a cagar, na pose de O Pensador de Rodin. Obama de cócoras, calças em baixo, mão no queixo, pensativo, caga bombas que vão explodir lá em baixo, como se ele fosse um gigante (o gigante louco da guerra na pintura de Goya) ou um deus distante e aborrecido. Cagando.

Procurei no google em António Jorge Gonçalves, o autor do cartoon, e fui, mais uma vez dar à página online que tem o seu nome (clicar aí ao lado) que é uma página que, quanto a mim, merece um olhar demorado.

A ilustração referida não está lá (pelo menos ainda não está) mas há muito para ver. Já em 2009 tinha feito referência a AJG aqui, no 100 Cabeças (ver aqui) sugerindo a visita à sua obra gráfica. Agora insisto, não é demais.

À falta de imagem fica a minha descrição da ilustração de hoje (O Pensador, d'aprés Rodin). O leitor pode sempre imaginá-la.

domingo, dezembro 09, 2012

Aniversário

Aqui há uns dias atrás o 100 Cabeças cumpriu o 7º aniversário. Como de costume nem me apercebi (a data de nascimento deste blogue é algures para os finais de Novembro) e venho assinalar a efeméride com o atraso habitual.

Muito se tem falado da falência da Blogosfera (chegou mesmo a surgir o termo Zumbisfera) e das razões que levam a esse suave desvanecimento. A leitura de "O ÚLTIMO BLOG e outras blogagens" veio recordar-me uma série de questões relacionadas com a motivação do "blogueiro" e as dificuldades de encontrar e manter leitores (a parte em que o Eduardo expõe as características que considera essenciais para que um Blogue seja capaz de "prender" leitores é muito interessante).

Realmente, as dúvidas e as questões enrolam-se constantemente umas nas outras e vão fazendo com que o "blogueiro" ora seja assíduo, ora se sinta algo desmotivado e vá fazendo gazeta à escrita.

Seja como for, já lá vão 7 anos a "blogar" e, para ser sincero, não estou a ver o fim próximo para esta coisa. Será teimosia, ego desmesurado, simples ingenuidade ou outra coisa qualquer. A verdade é que o 100 Cabeças passou a fazer parte de mim (ou terei sido eu que passei a fazer parte dele?).

Parabéns (atrasados) a mim próprio, o 100 Cabeças!

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Milagre zumbisférico

Recebi um exemplar de  "O Último Blog e outras blogagens", uma espécie de milagre contemporâneo em que o virtual se transmuta em objecto palpável.

Mais credível que um deus que se fez carne ou aqueloutro que se fez livro, o milagre acima referido tem o cunho do Eduardo Lunardelli que, estou em crer, dispensa qualquer tipo de apresentação aos leitores eventuais deste meu post.

Ler "O Último Blog" é como surfar na internet só que num "book" verdadeiro, com folhas de papel e letras impressas. A sensação é estranhamente agradável, até porque não é todos os dias que temos a possibilidade de confirmar um milagre verdadeiro e é reconfortante confirmar que coisas dessas acontecem fora da estreita vigilância dos polícias do Vaticano.

"O Último Blogue e outras blogagens" é um milagre zumbisférico.

Post Scriptum Juntamente com o referido livro-milagre chegou também a colectânea de poesia intitulada Poema [entre chaves] onde o Eduardo reúne alguns dos poemas que vem postando lá no Varal de Ideias.

quarta-feira, novembro 14, 2012

Olha aí!

O Eduardo tinha prometido e cumpriu! Do mundo virtual para o mundo que imaginamos como sendo o real aí está O ÚLTIMO BLOG e outras blogagens. Há quem ainda não tenha lido e tenha gostado. É a literatura da Zumbisfera a invadir o espaço habitado pelos seres humanos (e restantes animais domésticos). Para quem tenha dúvidas: a blogosfera existe MESMO!
Vou querer ler.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Transparente

 clicando nesta imagem poderás ler este excelentíssimo texto

Um gajo passa uns quantos dias sem publicar um post no blogue e, quando volta, sente-se como que transparente, a perder consistência, o corpo a diluir-se nas contravoltas do mundo virtual. É assim que me sinto, metade ausente, outra metade presente.

Gaguejo, hesito, não sei por onde começar a acabar o texto, dou pancadinhas no teclado, algo receoso.

Após esta conversa circular decido ir a direito, focando o discurso num assunto específico: o blogue Repórter à Solta, de Paulo Moura.

Quem lê o jornal Público deve conhecer bem este extraordinário cronista da magnificência absoluta deste nosso quotidiano banal e delirante que é o dia-a-dia.

O dia-a-dia de Paulo Moura tem muitas situações notáveis uma vez que ele percorre este mundo como se fosse o outro. Os seus textos não são "apenas" muito bem escritos. São mais coisas; coisas que se explicam muito melhor se o lermos.

Com a devida vénia e um agradecimento à mistura.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Cidadão Exemplar


É um novo Blogue (há novos blogues no espaço virtual!!!???) que acompanha um projecto de exposições de artes plásticas a desenvolver no café-bar do Fórum Romeu Correia em Almada. A coisa está para breve e, por enquanto, o dito Blogue ensaia os primeiros passos. A dinamização dos espaços (do Blogue e das exposições) está a cargo de um grupo de 4 cidadãos exemplares que são o Paulo Nunes, o Luís Miranda, O Zé Julião (mais conhecido por estas bandas como Dear Hunter) e eu próprio. Viva a arte, viva a cultura e a cidadania exemplar! Viva!!!

Clica aqui para saltares até ao Cidadão Exemplar.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Blogue, blogue, blogue...

Uma notícia lida no Público online deixou-me a pensar na diferença entre verdade e realidade (tema que lembro de já ter aqui abordado, talvez mais do que uma vez). Nessa notícia fiquei a saber que um entendido nestas coisas dos blogues anunciou, vai já para 4 anos, mais coisa menos coisa, o fim da blogosfera (ler aqui).

Foi assunto de comunicação no IV encontro de blogues. Confesso que nunca me tinha apercebido que houvesse um encontro desta natureza e, mesmo que soubesse da sua existência, a minha preguiça motora decerto me teria impedido de lá ter ido encostar o esqueleto.

Talvez por isso (por ser preguiçoso e pouco participativo) não me apercebi do fim desta coisa. Nem eu nem, pelos vistos, muitos milhares (milhões!) de pessoas por esse mundo fora que, apesar das novas plataformas de convívio virtual, continuaram a "blogar" a despeito do fim da blogosfera. É que, apesar de ter o fim anunciado e o funeral organizado, o cadáver continua a bulir.

Poderemos então concluir que a bologosfera é um zombie? Estou em crer que assim é. A blogosfera é um zombie virtual cujo estranhíssimo corpo é constituído por ti, por mim, e por todos os outros que aqui vêm e aí vão e por aí andam, a arrastar os teclados pelos confins do espaço virtual.

Longa morte à blogosfera!

sábado, dezembro 17, 2011

Parabéns a esta coisa

Ando tão ali que nem reparei no aniversário do 100 Cabeças, uns dias antes do dia de hoje (foi a 28 de Novembro, aqui o 1º de todos os posts). Aniversário de Blogue é coisa sem bolo nem velas nem amigos nem presentes, é coisa vazia, como um copo partido.

Tem seis anos, o 100 Cabeças, mas é como se tivesse pouco mais que uma semana. Escrever é, por vezes, uma tarefa puxada. Noutras ocasiões os dedos martelam as teclas tão depressa que até me convenço que sei escrever à máquina.

É estranho, andar aqui, escrever isto e deixar o escrito assim, como que pregado na parede, à porta da mercearia. Qualquer um pode ler. Conhecidos, desconhecidos, assim-assim e mais ou menos. Basta ter olhos e não estar com demasiada pressa.

Os Blogues já tiveram maior impacto e menos concorrência. Mas, tal como os jornais impressos vão perdendo leitores, também estas coisas virtuais se vão esvaziando e perdem clientela para as redes sociais tipo Facebook (há outras não há?).

Quer-me cá parecer que quem escreve estes jornais de parede, porque sim e não porque não, não esmorece. E continua. Parabéns a esta coisa (atrasados, mas não faz mal).

sexta-feira, junho 24, 2011

O regresso do Carapau (Staline)

Foi de repente. Uma coisa passou-me pela cabeça e, tungas, reanimei o velho Carapau Staline que já estava farto de não fazer nada e de nada por lá passar. Para quem não está ao corrente, o Carapau Staline é um blogue onde coloco os meus trabalhos de artes plásticas. Desenhos, pinturas, colagens, colagens desenhadas e desenhos colados, e depois pintados e voltados a desenhar e a pintar. O contrário também acontece.

Estava parado desde Outubro passado. Mais por preguiça que por outra coisa qualquer. Também porque, durante algum tempo, andei a namorar o Facebook mas cansei-me daquilo. Cansei-me dos "likes" e dos toques e dos convites e dos encontros ocasionais e dos reencontros nem tanto assim. A reabertura do Carapau Staline é um regresso ao passado, naquele preciso momento em que ele se cruza com o futuro.

Para já publiquei uma coisa que acabei de fazer hoje de manhã, a "Olímpia Gaga". Não ponho aqui imagem nenhuma porque as imagens estão todas lá, no Carapau Staline. Desfrutem.

sexta-feira, abril 16, 2010

Comentários


Este post traz para a frente do blogue o conjunto de comentários a este outro, do dia 14 do corrente. A troca de ideias é uma coisa maravilhosa.


Eduardo P.L disse...
Mais uma vez: Esta faltando indignação, e quanto ação..., só agem os INDIGNADOS!INDIGNAI-VOS
11:55 AM
Eduardo P.L disse...
Seu post, por oportuno, foi para o Ladinho do Varal de hoje!Abçs
12:00 PM
Caçador disse...
O que vale é que temos um Plano de Estabilidade ou lá que merda é aquilo, e por isso ainda há fé.
1:09 PM
Tiago Alves disse...
Vi este cometário no YouTube, num dos vídeos relacionados com o da deputada e penso que se adequa ao post:" Hoje não é o estado que trabalha para o povo. O povo é que trabalha para o estado. Roubaram o que é nosso. "Será que é mesmo isto que anda a acontecer ? Será que andamos a trabalhar para Partidos, Estado ou até mesmo em nome de uma coisa que se chama "democracia" ?Lucro, lucro, lucro. Contas no fim do mês e PEC's para entreter. Números que ninguém percebe muito bem o que significam, vozes partidárias contra e a favor, a confusão chega a ser tal que acabamos por não querer saber. Deixa andar.E soluções ?Haverá melhor sistema que a democracia ? Mas aquela democracia a sério, não é esta dos partidos, políticos, analistas e libertinagem mascarada de liberdade de impressa que depois é censurada.Aquela a sério, aquela do "demo + kratos".
4:31 PM
Beto Canales disse...
A democracia é o pior sistema de governo que existe, exceto todos os outros
5:20 PM
Lina Faria disse...
Que roubaram nosso Estado de Direito se sabe.Também é facil falar em indignação e nada fazer vivendo em seus mundinhos elitistas.A Cidinha é ótima. Sempre foi e sempre soube do porque foi eleita.Acabo de discutir com um taxista sobre o direito humano. Como explicar que o carro está para servir o homem, por exemplo, e não o contrário?Que o objetivo do Estado é o homem, não ao contrário?Penso que a questão está, não no dna mas na formação de caráter, sim.Imagem instigante a ilustrar!
9:39 PM
Rui Sousa disse...
Rui, eu acho que há pessoas que criam ilusões e depois desiludem-se. Nunca ouvi ninguém dizer que a democracia era um poço de virtudes, antes pelo contrário, houve até quem dissesse que era o pior dos sistemas com excepção de todos os outros. As expectativas que cada um cria têm que ser geridas pelo próprio. A democracia é isto mesmo que nós temos, com todos os defeitos e virtudes, temos é que saber jogar o seu jogo. As regras são claras, todos nós sabemos como isto funciona… e é assim em todos os países, todos eles têm os mesmo problemas que nós temos aqui, só que há países que são mais ricos que outros e por isso quando o estado é fraco o país não se ressente tanto como em Portugal, porque a economia e a justiça continuam a funcionar ( vejam o caso da Itália ). Lembremo-nos que no inicio a democracia ( na Grécia ) até compreendia a existência de escravos e só uma elite participava ( nesse aspecto até evoluímos ). O problema é que hoje criamos uma classe média enorme na Europa e essa classe média tem a fasquia elevada. Como é que se sustenta uma sociedade assim? O mundo não aguenta. Basta dizer que na teoria somos todos contra a pobreza mas se algum dia a China ou a Índia tiverem ¼ da população a viver com se vive na Europa o mundo rebenta logo ( e se tiverem liberdade de expressão e puderem fazer greves, então ainda rebenta mais cedo do que pensamos )……. Mas que a Cidinha foi um verdadeiro “ show de bola “ como se diz no Brasil, lá isso foi. Venham mais como esse.
9:50 AM
Eduardo P.L disse...
Rui,vou ignorar o comentário dessa "senhora" que teima em me desafiar!INDIGNAI-VOS SIM! Estejam em que "mundinhos" estiverem.
1:07 PM
Silvares disse...
Eduardo, grato pela atenção. Estejamos em que mundinho estivermos, em volta haverá sempre o grande mundão que nos permite a tal indignação. Rimou!

Caçador, não há plano que nos valha enquanto a macacada andar à solta nesta selva.

Tiago, a democracia a sério ainda tem de ser inventada e só se poderá inventar se trabalharmos por ela. Diáriamente.

Beto, essa aí foi de Mr. Churchill, estou em crer. O facto de ser o melhor não significa que não tenha de ser melhorado! É que, sendo o melhor, ainda se parece demasiado com um monte de merda!

Rui, a democracia é uma espécie de "work in progress" e este "progress" não tem de significar, obrigatoriamente, consumo desenfreado. Na palavra democracia interessa-me particularmente o "demo".:-)
Lina, transformar o DNA social é um trabalho quase impossível. Quase, não totalmente.

terça-feira, janeiro 26, 2010

1000 posts


Este é o milésimo post do 100 Cabeças. Pensei bastante sobre o que dizer neste post. Afinal de contas escrever mil posts não é coisa comum (acontece apenas e rigorosamente uma única vez). Talvez pudesse reflectir sobre a essência do blogue ou ir recuperar um ou outro momento mais significativo. O fascínio pelos números redondos obriga uma pessoa a tratar com respeito o "mil". É ou não é verdade? Pensei muito sobre a forma a dar a este post e, agora que escrevi as palavras acima sabendo que irei alinhar mais algumas abaixo, compreendo que está feito. É isto. O post 1000 do 100 Cabeças é sobre si próprio ou seja, reflecte acerca de absolutamente nada.

sábado, novembro 28, 2009

4 anos


Passam hoje 4 anos sobre o 1º post do 100 Cabeças. Este é o post nº 974. Quando os números se arredondam temos tendência para olhar em volta tentando compreender se o mundo continua cheio de arestas vivas tal como se encontarava antes de começarmos a contar. É como acreditar que o mundo acabava no ano 1000. Não acabou. Depois dizia-se "de 1000 passarás a 2000 não chegarás". Estamos quase em 2010 e não se adivinha o fim do mundo. Pelo menos por enquanto. É extraordinário haver quem acredite que os números redondos do calendário possam encerrar alguma magia devastadora. Ainda por cima há diferentes calendários que ordenam a marcha do tempo conforme os acontecimentos marcantes de cada cultura. Acreditar que o nosso calendário determina algo de especial é sinal de uma imbecil sobranceria apenas possível a mentes mais ignorantes e incapazes que as de uma galinha do mato. Enfim, números redondos ou quadrados ou triangulares não passam disso mesmo: são números.

Seja como for, os números redondos costumam servir para estabelecer balanços e efectuar reflexões sobre aquilo que se fez e poderia ter feito, o que se pensou, o que se esqueceu, o que se ganhou, emprestou e perdeu. Nada disto serve para o 100 Cabeças porque o 100 Cabeças não serve para nada disto.

Passam hoje 4 anos sobre o 1º post e amanhã terá passado mais um dia. Para o 100 Cabeças talvez isto signifique alguma coisa, não tenho a certeza, mas para os milhões de Blogues que enxameiam o espaço virtual não quererá dizer nada de muito extraordinário. Ainda assim, a coisa mais extraordinária é poder escrever: até amanhã. E pensar que isso possa acontecer. O dia de amanhã.

terça-feira, março 31, 2009

Manias do caraças!

Sobre um cubo não há nada a dizer. Um cubo são seis quadrados encostados. Seis faces iguais com arestas. Esquinas vivas a rasgar a pele. Pode ser caixa ou pedra. Com pintas é um jogo de azar. Com janelas é um quarto. Com barras uma cela. Esdrúxulo paralelipípedo.
foto e legenda respectiva do post intitulado... Cubo, of course! Tem 6 "clicks"



Não é meu hábito falar muito de Blogues neste Blogue. Vá-se lá saber porquê!

:-)

Mas não posso deixar passar em claro a oportunidade de chamar aqui a atenção para o Photomelomanias, um dos Blogues alimentados pelo Caçador (identidade alternativa de outras identidades secretas espalhadas pela blogosfera). O Caçador anda por aí desde Dezembro do ano passado e o Photomelomanias abriu portas em Janeiro do corrente, contando com 41 postagens desde que abriu as portinholas. O conceito é simples e não sei se há mais Blogues assim (eu não conheço mais nenhum, mas é bem possível que existam outras gotas assim no imenso oceano da blogosfera). Cada post tem um tema associado a uma fotografia e, por baixo, depoisa da legenda, alinham-se uma série de "clicks" que abrem para filmes (a maior parte deles no YouTube) de alguma forma associados ao assunto em análise. Os filmes são, maioritáriamente, clips musicais mas também podem ser de outra natureza.

Resumindo, um passeio pelo Photomelomanias é sempre um trajecto curioso, com momentos inesperados. Uma visita a fazer, sem hesitações.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Entrevista


O Beto Canales, do Blogue Cinema e Bobagens, honrou-me com uma entrevista que publicou no 3:AM Magazine Brasil. Não querendo parecer demasiado orgulhoso (dizem que a humildade é uma qualidade mas não tenho a certeza que seja sempre assim) convido-te, caro leitor, a experimentares uma vista de olhos.

Durante vários dias recebi e-mails do Beto com questões às quais fui respondendo. O resultado é essa entrevista. Na minha óptica é um longo post escrito a duas mãos (a 4 mãos, melhor dizendo) em Português dos dois lados do Atlântico.

O Beto diz que gostou do resultado. Eu também me sinto satisfeito. Espero que tu possas chegar à mesma conclusão. Ou então não. Seja como for, a experiência foi positiva para os que a levaram a cabo.

sábado, novembro 29, 2008

O atestado médico (ou O elogio da mentira)


O texto que se segue foi-me enviado por Carlos Melo do blogue Kriu. Trata-se de um blogue com textos sobre temas muito variados com uma coisa em comum entre todos eles, são invariavelmente textos interessantes que reflectem sobre questões de extrema actualidade. Encontrei o mesmo texto num outro blogue E Esta, Hein? com data de 2006. Dois anos mais tarde continua tudo na mesma. Como a lesma. A actualidade é uma questão de acesso à informação.





Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter defazer uma vigilância. (...) O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou (...) em cima da sua imaculada camisa. Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta. (...) A questão agora é: como justificá-la?

Passemos então à parte divertida.

A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico. Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.

Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. (...) O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente.O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente. (...)

Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente. (...) O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. (...) adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.

Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses.
Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros.
Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza.
Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente.
Mente perante si próprio e menteperante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame porficar preso no elevador que precisa de um atestado médico.
É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio

URGE MUDAR ESTE ESTADO DE COISAS.
ESTÁ NA SUA MÃO, NA MINHA E DAQUELES A QUEM A MENSAGEM CHEGAR!

sábado, novembro 22, 2008

Recuperando posts antigos (3)

Blogue, blogue, blooooogue (publicado em 3 de Dezembro de 2005)

Li algures que no século XIX, quando a imprensa surgiu em força e em forma houve um boom terrível e todos os que puderam ou tiveram o impulso, publicaram o seu jornalzinho, a sua página, o seu panfleto, foi uma festa!
Assim me quer parecer, acontece nos dias que correm com esta coisada dos blogues. É uma verdadeira pequena maravilha qualquer marmanjo poder verter no esquecimento do espaço virtual o que muito bem lhe passa pela santa cachimónia.
Da parte que me toca fui resistindo até mais não poder. Aqui vou deixando este palavreado sem qualquer feed back nem intenção especial que não seja isto mesmo. Tem o seu quê de adolescente e talvez seja esse o encanto irresistível.
Já quando apareceram as rádio piratas me envolvi numa das mais obscuras que emitia em Almada, talvez apenas para o prédio em que tinhamos montado o emissor. Era a Rádio Besouro e eu passava a semana a preparar um programa de uma hora que ninguém ouvia a não ser o locutor, mas isso era o que menos importava.
Este blogue tem o condão de me fazer escrever, uma actividade que muito prezo mas que me provoca ondas de preguiça que, normalmente, transformo em absolutamente nada.
Lembro-me de ter lido na introdução à colectânea de contos Cyberpunk, Mirroshades (Reflexos do Futuro na inqualificável tradução em português da colecção Argonauta, publicada em 1988) um entusiasmado Bruce Sterling considerar o poder incontrolável da fotocópia como uma arma potente da contra cultura Pop, uma forma de afirmação das culturas urbanas alternativas. Ganda Bruce, como estavas longe de imaginar esta cenaça que agora temos em mãos.
Será possível que estejamos perto de encontrar o Significado da Vida?
Será esse o nosso destino, verter tolices para o mundo virtual? Encher o planeta com palavras luminosas, cobrir o mundo de informação inútil?
Bah, quem se importa com isto? O que importa o que quer que seja?

domingo, novembro 09, 2008

Recuperando posts antigos (2)

É no próximo dia 28 deste mês que as 100 Cabeças deste blogue fazem 3 anos de actividade blogosférica. Já em Setembro rebusquei o baú e (re)postei um post antigo, o segundo da vida do 100 Cabeças aqui. Recordar é um exercício interessante. Recordar textos, desenhos ou pinturas esquecidos, recordar ideias apontadas ou pensamentos meio roídos pelo Tempo é um exercício... curioso.

Hoje estou um pouco nostálgico e resolvi (re)postar o primeirinho de todos os posts deste blogue que foi assim:





Questão de Contexto



"A Fonte" foi eleita como a mais significativa obra de arte do século passado.O princípio consiste em retirar um objecto do contexto com o qual nos habituámos a relacioná-lo, dar-lhe um nome diferente e... aí está! Uma obra de arte completamente inesperada.



Mas... será esta atitude assim tão extraordinária?Quando passeamos a carcaça por entre as paredes de um qualquer museu, Europa adentro, admirando as obras expostas, estaremos tão longe do urinol de Duchamp quanto imaginamos?



O que diria um fabricante de sarcófagos egípcio ao ver a sua obra exposta sem pudor aos olhos de toda a gente?



E Bosch, ao ver a sua obra numa sala do Museu Nacional de Arte Antiga, junto a outras, igualmente retiradas do contexto para o qual foram criadas e ali espetadas para espanto do pessoal e demais papalvos?



Os museus são, na verdade, imensos depósitos dos mais variados readymade cuja principal qualidade é terem o condão de sossegar os visitantes quanto à grandeza do passeio que efectuam.



Tal como a montra do talho expõe o corpo retalhado da vaca, também o Museu expõe pedaços das criações de artistas e quejandos, roubados aos locais de origem, esvaziados de magia e significado, banalizando o acto criativo ao nível da bola de Berlim com um copo de água morna.



Talvez fosse melhor mijar no urinol de Duchamp.

domingo, setembro 07, 2008

I'm scared (também)

Ao passear pelo maravilhoso mundo dos blogues dei com uma sequência de posts, no "no Ví tá" intitulados "I'm scared". Mostram imagens fantásticas e de inspiração surreal, imagens com potencial assustador ou, pelo menos, perturbador.
Uma coisa leva a outra e dei por mim a pensar em algo que me tenha assustado nos tempos recentes. As personagens na imagem acima vieram de imediato à minha memória.
Tenho medo que esses seres vivos possam vir a ser eleitos para a liderança de um monstro mal adormecido que é a América violenta, xenófoba e semianalfabeta. No meu pesadelo o monstro irá acordar definitivamente em todo o seu potencial destruidor.
Militaristas, cabeças-de-burro anti-mundo, fundamentalistas, evangelistas e todos os matrecos maldosos que aguardam uma palavra de comando para se lançarem sobre o planeta que imaginam ter-lhes sido oferecido por uma abstrusa divindade roubada à penumbra dos tempos, esfregam as mãos de impaciência.
Com esta dupla à frente dos EUA o mundo será, definitivamente, um lugar (ainda) mais perigoso.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Recuperando posts antigos (1)

Entusiasmado pela interessante troca de comentários feita a propósito do post intitulado "Arte (o que é isso?)" fui rebuscar os primeiros posts do 100 Cabeças. Encontrei este que, na altura, não teve nem um comentariozionho para amostra mas que mantém toda a actualidade.
Parece-me que, se o sapo verde provocou tanta celeuma, esta obra de Piero Manzoni tem um potencial destruidor de ideias feitas ainda maior.
O texto era o que se segue (com um retoque ou outro):


Se o Urinol de Duchamp cria resistências nas almas mais comuns que dizer da obra da Manzoni intituada Merda de Artista? Este caramelo terá embalado a sua própria caca em latinhas como a da imagem que depois colocou no mercado ao preço da grama de ouro.

A questão reside em aceitarmos ou não a natureza artística desta merda.

Será necessário, antes do mais, decidir os limites da obra de arte. Desde Duchamp, pelo menos, que essa tarefa se tem revelado, no mínimo, complexa. Com os ready made o consumo de arte deixou de ser cómodo. Anteriormente o amador sabia perfeitamente o aspecto e os limites permitidos á criação artística. Um quadro, um fresco luminoso, uma estátua no centro da praça recordando feitos heróicos ou o passado histórico. Nada mais fácil! Mas agora... latinhas de merda!?Os exemplos são mais que muitos.

O espectador é frequentemente confrontado com os seus próprios limites perante os mais variados objectos. Cabe-lhe participar, completando a obra de arte. Convenhamos que pode revelar-se um trabalho de merda para o qual podemos não estar disponíveis, o que é perfeitamente normal.

Consta que Manzoni terá vendido todo o stock, 90 latinhas de merda embalada, pelo preço pedido. Não há notícia (que eu saiba) de que alguém tenha ousado confirmar o conteúdo das latinhas já que isso iria arruinar o seu valor e quebrar-lhe o encanto. Dá que pensar, não dá?

Então deve ser arte!