Fica a impressão de que eventuais avanços na adopção de políticas energéticas "amigas do ambiente" estão dependentes da maior ou menor rapidez com que os vampiros do costume consigam adaptar os seus meios de recolha de capital às características específicas das tecnologias verdes.
A frase anterior pode soar um pouco confusa; resumindo: a questão do desenvolvimento de meios de produção de energia menos poluentes é económica. Apenas e mais nada. A amizade com o ambiente é conversa.
Enquanto os grandes capitalistas detiverem, maioritariamente, interesses em empresas petrolíferas e outras formas tradicionais de enriquecimento a qualquer custo, as energias verdes vão avançar muito devagar ou, então, apenas devagarinho, como tem vindo a acontecer nos últimos anos.
Quando esses tipos transferirem os seus métodos de enriquecimento para empresas relacionadas com o vento, o sol, as marés ou outras forças do género, então veremos os níveis de poluição a serem paulatinamente reduzidos e o paraíso a chegar aí à porta.
A questão é: porque é que só agora se investe cada vez mais na descoberta e desenvolvimento de meios de energia alternativos? Porque se perderam tantas décadas, com o petróleo a ser o motor do desenvolvimento económico mundial com os resultados assustadores que se conhecem?
Ainda a procissão vai no adro mas, leitor amigo, não tens a sensação de que poderíamos conduzir automóveis menos poluentes há muito tempo? Quando esse negócio for rentável e os lucros reverterem para os bolsos certos, podes ter a certeza de que os amigos do ambiente vão estar todos no poder.
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quarta-feira, junho 20, 2012
terça-feira, dezembro 27, 2011
Olhos em bico
Há uma expressão que se utiliza no nosso país que é "ficar com os olhos em bico". Utiliza-se quando alguma coisa nos impressiona ao ponto de nos deixar "com os olhos em bico". Ficamos estupefactos, estupidificados, assombrados, zonzos, surpreendidos, desorientados, em suma, corta-se-nos a respiração ao ficarmos "com os olhos em bico".
Com a venda de uma fatia considerável da EDP à Three Gorges Corporation a expressão pode vir a ganhar um novo significado.
Sem tecer considerações sobre este estranho processo de privatização que consiste na venda de capital a uma empresa pública chinesa, fica a notícia de que a coisa caíu bem entre os nossos novos amiguinhos. "O processo foi muito justo, objetivo e transparente (...). A decisão do governo português criou um bom exemplo e estabeleceu um bom precedente", disse à agência Lusa em Pequim o presidente da China Three Gorges Corporation (CTG), Cao Guangjing (lê aqui se estiveres para isso). O senhor Cao Guangjing rematou, dizendo que "A Three Gorges é uma empresa muito conhecida na China (...), Os bancos e outras empresas chinesas irão seguir-nos".
Ao que tudo indica, depois dos restaurantes e das lojas dos chineses, chegam agora as grandes empresas e os bancos do Império do Meio. "Mais negócios poderão seguir-se, à medida que as enfraquecidas economias europeias procuram clientes para ajudar a resolver as suas dívidas", disse o "China Daily" ao anunciar o resultado do concurso internacional para a privatização da EDP.
Já aqui escrevi mais do que uma vez sobre a troca do "sonho americano" pelo "pesadelo chinês". Todos os portugueses estão perante a crua e dura realidade que é "trabalhar mais, receber menos e perder direitos". Ao que parece esta é a receita para um novo modo de vida que se anuncia já para o próximo ano que está aí a rebentar, não tarda. O futuro promete deixar-nos com os olhos, cada vez mais, em bico.
Com a venda de uma fatia considerável da EDP à Three Gorges Corporation a expressão pode vir a ganhar um novo significado.
Sem tecer considerações sobre este estranho processo de privatização que consiste na venda de capital a uma empresa pública chinesa, fica a notícia de que a coisa caíu bem entre os nossos novos amiguinhos. "O processo foi muito justo, objetivo e transparente (...). A decisão do governo português criou um bom exemplo e estabeleceu um bom precedente", disse à agência Lusa em Pequim o presidente da China Three Gorges Corporation (CTG), Cao Guangjing (lê aqui se estiveres para isso). O senhor Cao Guangjing rematou, dizendo que "A Three Gorges é uma empresa muito conhecida na China (...), Os bancos e outras empresas chinesas irão seguir-nos".
Ao que tudo indica, depois dos restaurantes e das lojas dos chineses, chegam agora as grandes empresas e os bancos do Império do Meio. "Mais negócios poderão seguir-se, à medida que as enfraquecidas economias europeias procuram clientes para ajudar a resolver as suas dívidas", disse o "China Daily" ao anunciar o resultado do concurso internacional para a privatização da EDP.
Já aqui escrevi mais do que uma vez sobre a troca do "sonho americano" pelo "pesadelo chinês". Todos os portugueses estão perante a crua e dura realidade que é "trabalhar mais, receber menos e perder direitos". Ao que parece esta é a receita para um novo modo de vida que se anuncia já para o próximo ano que está aí a rebentar, não tarda. O futuro promete deixar-nos com os olhos, cada vez mais, em bico.
sábado, junho 05, 2010
Oferta de fim-de-semana

Charles Darwin terá afirmado que "Um matemático é como um cego num quarto escuro à procura de um gato preto que não está lá." É uma frase engraçada e um pouco obscura (repleta de escuridões e incertezas) que tenta brincar com a dificuldade (incapacidade?) de descrever o mundo que nos rodeia de forma objectiva e compreensível para os mortais comuns. Principalmente quando essa descrição é tentada segundo as regras abstractas da Matemática, essa coisa deslumbrante, apenas ao alcance de uns quantos cegos fechados em quartos escuros.
Li aquela frase (e retirei o essencial do páragrafo anterior) de um texto assinado por um tal Anthony Huberman, curador da exposição "para o cego no quarto escuro à procura do gato preto que não está lá" (ver aqui) em exibição na Culturgest, em Lisboa. O texto é muito interessante e, parece-me, sublinha a grandeza da tarefa que a arte contemporânea impõe, tanto aos artistas que a produzem, quanto aos espectadores que pretendem fruí-la.
Os artistas e os espectadores, quando tentam explicar o mundo que os rodeia através do objecto artístico, serão como os matemáticos, caindo facilmente num emaranhado de explicações que poderão resultar mais confusas que lúcidas.
A solução será deixar fluir as formas (a informação) através dos nossos sensores individuais, tentando retirar dessa situação alguma possibilidade de haver uma Revelação. A fruição artística é aqui encarada como uma brincadeira séria e profunda, como se olhássemos o mundo com os olhos deslumbrados de uma criança que aprende constantemente a reinventar o universo. É bonito. Já os expressionistas alemães haviam proposto algo do género lá para os primórdios do século passado.
Pessoalmente estou convencido de que tudo isto se passa num plano mais esotérico e menos atmosférico. Na minha perspectiva, o objecto de arte resulta de uma acumulação de energias nele depositadas durante o acto da sua criação. Essas energias ficam em estado de suspensão e são activadas (ou animadas) quando a energia individual do observador entra em contacto com elas. A fruição do objecto artístico resulta desta fusão de energias (a energia em suspensão do objecto com a energia pessoal do observador) que desencadeiam uma pequena tempestade cerebral de resultados imprevisíveis.
Quando o observador se afasta, a tempestade amaina e restam pequenas ondas de choque que se vão transmutando em memórias. Parece-me simples, apesar de praticamente inexplicável.
Quero dizer, esta ideia carece de comprovação científica (como provar a existência de tais energias?) e pode não significar nada para ti, leitor. É isso que faz com que esta ideia seja uma espécie de obra de arte. Ofereço-ta e espero que te faça bom proveito.
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