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quarta-feira, dezembro 13, 2006

Comidinha!!!

Entrar no mundo espelhado do criacionismo é uma manobra arriscada. Desde um radicalismo tacanho até um discurso contido e sedutor, encontra-se uma imensidão de falinhas mais ou menos mansas, ora feitas de uma fé amanteigada ora fruto de árvore proibida com raízes de plástico.
Em português, a mensagem escrita soa quase sempre a Brasil, terra violada pela gula católica por almas simples e desprotegidas. O resultado da evangelização forçada do indígenas lá do sítio é o que se sabe: uma fusão religiosa e cultural emocionante e bronzeada, capaz de tirar do sério o mais circunspecto dos puritanos.
As abstrusas lucubrações criacionistas devoveram-me à memória um livro que li já vai para uns anitos, O Pão dos Deuses de um tal Terence McKenna, obra estranhamente lúcida e divertida que propõe uma revisão da evolução humana sob a luz das relações pecaminosas entre o homem e as drogas. (Notas breves sobre o autor e excertos do livro em) http://www.viaoptima.online.pt/pag.php?ref=DU2S1
Se há quem possa dar crédito às teoria criacionistas porque não levar a sério McKenna quando afirma que descende do macaco "sim, mas de um macaco pedrado!!!" A questão profunda por ele colocada tem a ver com a razão que poderá ter levado um macaco a articular sons capazes de o conduzirem à fala. Sim, o que poderá ter provocado tão radical evolução? Para McKenna só mesmo a utilização de uma droga alucinogénica, a psilocibina, encontrada em certos cogumelos (mágicos?) consumida pelos nossos antepassados peludos. O racicínio deste etno-biólogo é absolutamente delirante. Para ele a evolução não resulta de um processo de acumulação gradual de experiências mas sim de cortes radicais, saltos abruptos, provocados por acontecimentos extraordinários. Nem mete ao barulho deus ou outras enormidades do género, a responsabilidade seria desses cogumelos bondosos, resultando numa simbiose perfeita entre os seres vegetais e os animais. Uma eterna aliança entre a Natureza e uma emergente espécie humana, assinada para povoar e preservar o planeta através do desenvolvimento de uma coisa nova e espectacular: a inteligência.
Um livro a ler e a consultar, agora que os criacionistas pretendem reler os fundamentos da ciência com base numa fé inabalável nas linhas mais tortas da bíblia.
Experimenta, leitor, vai dar uma voltinha ao Pão dos Deuses e, quando regressares, diz qualquer coisinha.


sexta-feira, dezembro 08, 2006

Mais coisas boas

"Portugal é o segundo maior consumidor de benzodiazepinas (tranquilizantes) na Europa. Estima-se que 23% da população adulta recorra regularmente a estes medicamentos, revela estudo divulgado por Bruxelas."
A coisa, dita assim, soa a banalidade. Qual é o problema? Sim, na realidade não estou a ver que seja tão grave que necessite de investigação policial e auto de ocorrência. Normal.
É normal ver velhinhas com passo de zombie a cirandar no corredor do super-mercado, cidadãos sorridentes encostados ao balcão prontos a aceitar a vida tal como ela lhes parece ser, se estão mais felizes... qual é o problema?
Olhando bem os olhos destas pessoas avançamos um passinho na direcção da possibilidade de compreendermos os que fumam charros ou consomem outro tipo de drogas menos propícias a prescrição médica? Haverá uma distância assim tão grande entre emborcar um prozaczinho ou enchaminar um charuto de skunk?
Afinal de contas andamos todos à procura de um espaço de felicidade onde encaixar a alminha. Há quem se dedique a Deus em igrejas de vão-de-escada, quem plante legumes na horta das traseiras escondendo uma parte do mundo da ferocidade urbana, criando um jardim mais próximo do Éden, para si e para os seus.
É isso, como diz a canção: "Eu já só quero é ser feliz..." então que seja, porque não, que diabo!?
Seja com play station, prozac ou cannabis, evadamo-nos rumo ao pôr-do-sol com um sorriso nos lábios.