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terça-feira, janeiro 02, 2018

Uma dúvida existencial



Estive a rever os meus desenhos de 2017. Foi um ano de grande produção, desenhei como raras vezes me lembro de o ter feito. Provavelmente foi o ano da minha vida de maior produção artística,criei dezenas de peças, ultrapassei, seguramente, a centena. Porquê?

Sim, por que razão se passou isto em 2017? Não é um número redondo, fiz 54 anos, não tive nenhuma exposição especial... o que me levou a desenhar tanto e de forma tão continuada?

De há uns anos para cá que, quando penso no tempo que já vivi, constato uma coisa óbvia: já lá vai muito mais de metade do tempo que tenho guardado na caixinha do meu destino. Já lá vão dois terços ou mais, como saber o tempo que me resta?

É essa dúvida que começa a mexer com os motores da minha existência quotidiana e me torna um pouco ansioso, quase muito, no que diz respeito à produção artística que imaginei ser capaz de conceber e transformar em objectos palpáveis? Será por isso que 2017 foi um ano tão produtivo?

Mal posso esperar por 2018.

sábado, novembro 19, 2016

Manhã de Inverno

Encosto as pernas no Sol que a janela da cozinha deixa entrar sem grande cerimónia. O frio do Inverno chegou faz apenas dois dias (ou três). Veio atrasado mas é como se nunca tivesse ido embora.

O Frio, quando chega, é sempre o mesmo. É um viajante. Quando regressa poderá vir mais ou menos cansado mas o seu toque permanece vigoroso, inconfundível. Daí que eu, que nunca me detenho em grandes contactos com o Sol de Verão, me deixe estar assim, encostado a este Sol, sentado no mocho da cozinha, depois de um largo café, queijo fresco, doce alentejano de tomate e framboesa, tostas quase sem sal e umas quantas páginas de O Delfim.

Grande Cardoso Pires, grande Cardoso Pires...

sexta-feira, maio 25, 2012

Velhos

Para que queremos nós mais tempo? Os avanços e descobertas científicas, nomeadamente no campo da medicina, têm permitido que a vida humana se prolongue muito para lá do que, à primeira vista, seria a vontade divina.

Somos cada vez mais velhos e o que ganhamos com isso? Esta capacidade anti-natura tem trazido uma mão-cheia de novos problemas de solução impossível. Vivemos mais tempo, logo consumimos mais recursos.

Consumimos mais recursos económicos, mais recursos alimentares, mais tudo, durante mais tempo. Por outro lado o nosso corpo consome-se também e surge o aumento sustentado da senilidade, da fraqueza dos ossos e dos músculos, da capacidade de visão que se apaga progressivamente.

Disparam as despesas médicas em direcção à estratosfera!

Tenho a sensação de que, nos tempos de crise económica que atravessamos, esta velhice toda começa a ser encarada como algum embaraço.

Se a Economia comanda a vida (e não o sonho, como diz aquela canção) qual a justificação que pode sustentar esta aposta, aparentemente descabelada, no prolongamento da vida até onde formos capazes de a prolongar, sem que isso signifique lucro de nenhuma espécie?

Há aqui qualquer coisa que não bate certo. A menos que, afinal, estejamos a cagar para a Economia e o amor pela vida humana ainda seja o valor supremo da nossa existência. Mais do que um Orçamento de Estado equilibrado e níveis interessantes no crescimento económico, estaremos nós empenhados em fazer da felicidade o objectivo primordial do tempo que andamos por este planeta?

Isto sou eu a sonhar, mas já não é o sonho que comanda a vida. Pois não?