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quarta-feira, agosto 24, 2016

Informação

As notícias nos jornais reduzem-se a cabeçalhos. A vida vai boa para os míopes que, assim, conseguem ler tudo o que é importante. Aquelas letrinhas pequeninas, debaixo da gordalhufas que fazem os títulos, as pequeninas não interessam nada. Só chateiam.

Depois temos os canais televisivos de informação. São horas e horas de emissão que é necessário preencher dê lá por onde der. Os tais cabeçalhos dos jornais reproduzem-se nestes canais que funcionam como câmaras de eco; o cabeçalho uma, duas, três mil vezes repetido até ao final do dia.

Amanhã o assunto será outro.

Há sempre uma notícia mais importante (é a que consegue mais tempo de antena) e o tema vai mudando. É necessário satisfazer a gula por novidades que caracteriza os cidadãos que são mais consumidores que cidadãos. A ponderação e a reflexão são entregues a especialistas que enxameiam os écrãs como moscas da fruta num laboratório científico.

As histórias são mastigadas até nos serem devolvidas num autêntico vómito.

Estou cansado desta merda.

quarta-feira, março 05, 2014

Aos amigos brasileiros

Capa da edição do Público de 5 de Março de 2014, a ilustração é de Adriana Calcanhoto

Hoje é dia de aniversário do jornal Público, um dos diários portugueses de maior tiragem no país. Todos os anos o jornal comemora o aniversário convidando alguém para ser director por um dia.

Este ano o Público convidou Adriana Calcanhoto e o número de hoje (ver aqui) é totalmente dedicado ao Brasil. Uma visita ao site do jornal permite ver uma série de reportagens, entrevistas e outras peças jornalísticas dedicadas ao que aqui designamos por País Irmão.

Parece-me uma coisa interessante. Adriana Calcanhoto assina um editorial muito bom e, logo a seguir, na página 3, é publicado um excerto da carta de Pêro Vaz de Caminha a el-rei Dom Manuel por ocasião do achamento da Terra da Vera Cruz. Ao longo do jornal, mais excertos vão aparecendo, como se estivessemos a desvendar o Brasil à medida que vamos avançando na leitura. Essa Adriana tem ideias...

Um número de festa com o Brasil em pano de fundo.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Verdade, realidade e o resto

Já noutras ocasiões aqui se reflectiu sobre a não coincidência entre aquilo que sabemos ser verdade e a realidade que conhecemos.

As deformações causadas pela colocação do observador em relação a um objecto e a perspectiva segundo a qual aborda questões e problemas, nem sempre são levadas em consideração e, por isso mesmo e não só, o resultado de uma reflexão redunda em opinião, que não é sinónimo de verdade.

Confuso, não é? Também me parece.

Vem esta conversa algo obtusa a propósito de uma notícia que, à primeira vista, mais não é que um fait divers, a notícia sobre uma "misteriosa guerra dos portugueses na Índia que só existiu na Wikipedia" (ler aqui).

Sempre que consultamos o oráculo Google, esse semideus do mundo virtual, é usual sermos conduzidos, em primeira opção, direitinhos às "páginas" da Wikipedia.

Ali encontramos informação gratuita e variada sobre os mais abstrusos assuntos, desde o ponto-de-cruz à mecânica quântica, da vida sexual das minhocas à melhor forma de construir uma bomba nuclear.

Tudo nos é oferecido espontaneamente, automaticamente, dispensando o trabalho de pesquisar diversas fontes, de comparar informação e opiniões antagónicas, oferecem-nos o mundo já mastigado, regurgitado e pronto a engolir sem mais trabalho que não seja o de abrir a goela.

Qualquer texto mais complexo e menos esquemático que nos surja nas ruelas esconsas deste mundo "internético", qualquer leitura que nos obrigue a mais que meio minuto de concentração é, por nós, quase imediatamente rejeitada. Não temos tempo, não temos paciência, não há espaço mental para pensar e ninguém nos paga para isso.

A gente ou "like" ou então nada!

Na ilusão de que temos ao nosso dispor uma imensidão infinita de conhecimento e sabedoria engolimos a maior das patranhas misturada na mais profunda das verdades reveladas. É tudo a mesma coisa, não há distinção entre uma colherada de merda e uma garfada de fillet mignon. Sabe tudo ao mesmo, tem tudo o mesmo odor, não temos de mastigar; apenas engolimos.

O conflito de Bicholim está aí, é uma pequeníssima fraude. Que mal pode dali vir a este mundo?

domingo, maio 08, 2011

Ver ou não ver, eis a questão

O mundo mediático é visual. A ausência de imagem cria a dúvida, mesmo sabendo da facilidade com que as imagens são manipuladas e se criam falsos testemunhos fotográficos.
O recente caso do assassinato de Bin Laden vem mostrar como as coisas funcionam. Por um lado, a criação quase imediata de um "documento" fotográfico que mostrava o célebre terrorista morto e deformado; por outro a ausência estratégica de imagens que pudessem criar uma situação incendiária no mundo árabe, declarada pela administração norte-americana, que não quis fornecer um ícone profano aos fundamentalistas islâmicos com provas do sucesso da sua acção exterminadora.
Se passearmos pelo Facebook notamos a prevalência esmagadora da imagem sobre a palavra. Os utilizadores dessa rede social mostram fotos e vídeos às toneladas e restringem o texto ao mínimo necessário para sublinharem o que pretendem mostrar com as imagens que colocam nos respectivos murais. O feedback a essas "colocações" não ultrapassa muito o célebre "gosto-não gosto" ou pequenas frases de comentário. Cada vez mais emprenhamos pelos olhos e comemos com os olhos e cada vez menos nos questionamos utilizando a palavra como veículo de comunicação.
Nos dias de hoje, escreveria Shakespeare uma frase como "ver ou não ver, eis a questão"?

(este post não é acompanhado de qualquer imagem que o suporte. Já tinhas reparado?)

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Sossego ou medo?


Toda esta história em volta de Assange me deixa a pensar em várias coisas, nem sei bem qual delas a mais desagradável.

Fico a pensar que  toda a histeria democrática com que bombardeamos regularmente os chineses por não permitirem um espaço de informação e comunicação aberto e sem censura não passa disso mesmo, histeria. Histeria e cinismo porque, afinal de contas, a liberdade de expressão não é assim tão radical como se pensa.

Penso também que o sonho de uma sociedade aberta e governada por personagens interessadas no bem comum é mais um pesadelo que outra coisa. Lá por trás anda tudo metido em cenas pouco edificantes e o que passa para os canais de informação convencionais são meros contos fantásticos. Quando alguém mete a boca no trombone e deita cá para fora hsitórias verdadeiras que desconstroem os tais contos fantásticos está a arriscar a pele. Isso não deveria acontecer mas, como podemos constatar com o caso de Assange, é o que acontece, de facto.

Finalmente, uma dúvida: o que é melhor para as sociedades democráticas, saber o que se passa ou viver na ignorância e na ilusão? A ignorância sossega, a verdade assusta?

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Em fuga no espaço virtual


O amigo Assange está feito num oito. Realmente não sei bem do que estava ele à espera ou de que estavamos nós à espera que lhe acontecesse a ele e ao seu terrível site da Wikileaks. Após os verdadeiros assaltos à imagem da administração norte americana e aos abanões que as revelações da Wikileaks têm dado à credibilidade (ou, pelo menos, à seriedade) de uma parte dos dirigentes mundiais, o que poderia Assange esperar da vida?

Perseguições, é bom de ver. Perseguições a ele e ao seu site que vem sendo empurrado e apagado aqui e ali, pelo espaço virtual fora. O que a Wikileaks faz não é particularmente elegante. A discussão em torno dos métodos e dos conteúdos tem sido grande. Mas, não sendo elegante, tem a eficácia de uma martelada no dedo grande do pé.

Assange anda por aí, em fuga. Martelou demasiados dedões e com demasiada força. Esperemos que consiga continuar a escapar-se e  a dar marteladas a torto e a direito.

terça-feira, abril 20, 2010

Um pouco de sol


Está um tempo assim a dar para o mais ou menos, entre o esperado e o que poderia levar ao desespero as almas mais instáveis. Ora chove, ora faz sol, as pessoas, como de costume, queixam-se que "o tempo anda maluco", talvez por não saberem falar de mais nada com tamanha convicção.

Ainda me lembro (se bem que vagamente) de estudar as estações do ano. Andava eu de calções e media menos de um metro e meio de altura.

Eram quatro. Magníficas e imutáveis, perfeitamente caracterizadas em sábias palavras enformadas na mais prosaica experiência de vida: Primavera, Verão, Outono e Inverno. O mundo a fazer sentido, o universo perfeitamente ordenado. Penso que a sucessão metódica das estações que aprendíamos a papaguear com alguma elegância na velha escola primária, servia também para provar a existência de Deus. A coisa vista assim dava Dele a imagem de um cientista com queda para a matemática e possuidor de uma alma de artista, capaz de criar as coisas mais maravilhosas, ainda que bem temperadas de horrores climatéricos inomináveis e outras bizarrias que não vêm agora a propósito.

Mas, naquela época, o mundo era mais pequeno. Melhor dizendo, era um mundo incompleto. Faltavam-lhe satélites a rondar constantemente o globo suspenso no cenário divino e faltava-lhe a INTERNET. Não havia tantos aviões a ligar os continentes e a levar tudo e todos para todo o lado. Era um mundo menos histérico, mais desinteressante, menos consumido.

Podiam morrer centenas de pessoas numa enxurrada no Brasil ou uns milhares num tremor de terra no Chile que um gajo continuava a dormir descansado por não ter maneira de saber nada do que por essas bandas se passava. Deus é que sabia de tudo, os homens não. Não tinham nada a ver com isso. As notícias chegavam como ecos de um passado mais ou menos distante. O terror levava muito mais tempo a ganhar uma forma que assustasse.

Agora não. Agora estamos sempre à espera da grande notícia do dia, a grande catástrofe que pode surgir online a todo o momento. Ele é o vulcão que tapa o céu com um cobertor de cinza ou a falência eminente do estado português. A extinção de mais uma espécie exótica na selva do Bornéu ganha uma familiaridade inesperada, comparável à da morte de uma vizinha velhota.

Mas, não terá sido sempre assim? Não houve sempre vulcões e falências um pouco por todo o lado? Espécies que se descobrem, que morrem ou são esquecidas? O Caos do mundo não existe desde a eternidade?

O problema, o nosso problema, é que agora estamos constantemente ligados ao Caos e não temos cabeça para lidar com isso. Os nossos cérebros simplesmente não têm capacidade para lidar com as torrentes de informação que os submergem. E nós afogamo-nos a cada minuto uma e outra vez, todos os minutos que passam.

Primavera, Verão, Outono, Inverno. Não é preciso ser um cientista para perceber que nem sempre foi assim e que, decerto, em breve irá deixar de o ser. Dêem-me um pouco de sol pela manhã e já poderei ser feliz mesmo debaixo de uma chuvada intensa que venha inundar a parte da tarde.


sexta-feira, outubro 16, 2009

O estranho caso Maitê


Isto é coisa meio estúpida, a meu ver. Mostra como a NET tem poderes estrambóticos e, quando esses poderes são utilizados sem tempêro adequado, transformam uma coisinha de nada em coisona feiosa. Vem tudo a propósito de uma espécie de reportagem que Maitê Proença promoveu numa das suas visitas a estas terras do fim da Europa (ver aqui). A coisa tem dois anos mas só agora foi "descoberta" por estas bandas e largamente difundida, tendo mesmo honras de telejornal na TV e os mais variados comentários na imprensa escrita. A maioria dos que comentaram não gostaram nada do tom algo jocoso com que a actriz contou alguns episódios da sua estadia.

É a velha história. Nós, portugueses, podemos dizer do nosso país e de nós próprios cobras e lagartos, é uma espécie de desporto nacional. Mas quando um visitante ocasional resolve "botar a boca no trombone" ficamos exasperados, indignados mesmo. A coisa tomou tais proporções que Maitê se viu na obrigação de pedir desculpas (ver aqui). (ler e ver tudo junto aqui)

Cá para mim, o problema é que Maitê sempre foi vista como uma namoradinha transatlântica apaixonada por essa coisa abstracta que é Portugal, com letra grande. Dela o povão esperava apenas palavrinhas doces e sorrisos lindos, coisas que ela faz sem esforço e com doçura. Vê-la e ouvi-la a dizer aquelas coisas um bocado parvas deixou esse povão em estado de choque. Ainda para mais ela estava ganhando uma aura de intelectual, não só porque editou um livro mas também porque terá um caso amoroso com um dos mais rebeldes intelectuais cá deste lado, o destemido Miguel Sousa Tavares, (ler e ver tudinho mesmo aqui) que já saiu em defesa da sua amiga.

Desde a primeira hora que tudo isto me parece uma perfeita imbecilidade. A brincadeira foi bastante parvinha porque a tal "reportagem" de Maitê simplesmente não tem ponta de graça e muito menos uma sombra de piada. Fico com a sensação que o humor não será o seu forte. Por outro lado, a reacção despeitada de um número significativo de portugas mostra como há por aqui muita gente que não tem nada melhor para fazer que não seja irritar-se por "dá cá aquela palha". (este vídeo legendado mostra como as coisas podem ganhar proporções desajustadas quando vistas pelos olhos de um nacionalista doentio, um monárquico, neste caso)

Ó amigos meus, vejam os vídeos e digam lá se vale a pena.

Isto faz-me lembrar a polémica com o cão vadio na exposição (recordar aqui num óptimo e esclarecedor post). Fico com a impressao de que há um desejo de indignação latente que, devidamente potenciado, lança o mais pacífico dos "surfistas" da NET na mais negra das campanhas. Que o estranho caso de Maitê sirva, pelo menos, para nos manter atentos em relação ao que realmente importa e nos faça reflectir sobre a facilidade tenebrosa da maledicência venenosa.

Beijos.

segunda-feira, maio 04, 2009

A Gripe de Cervantes

Dom Quixote derrubado por um gigante, perdão, por um moinho de vento. Gravura do incomparável Gustavo Doré.


A gripe A, por ter sido mexicana e parente da espanhola, ambas suínas, podia chamar-se, sem grande esforço, Gripe de Cervantes, com muitos e enormes benefícios para todos os interessados. Seria mais elegante para vender produtos farmacêuticos e com probabilidades de fazer manchetes muito mais coloridas nas primeiras páginas por esse mundo fora, potenciando um aumento da venda de jornais.

Toda a gente sabe que, depois da Bíblia, o maior best-seller do planeta e traduzido em mais e saborosas línguas, é o eterno Dom Quixote. Já estás a imaginar, caro leitor, as metáforas e hipérboles geniais que se poderiam engendrar para ilustração da luta entre o Ser Humano e o seu mais recente e temível inimigo, o vírus H1N1.

As últimas notícias revelam que o surto gripal que deixou o planeta à beira de um ataque de nervos estará a entrar em fase de esvaziamento. Olhando os números, 985 casos confirmados com 26 mortes, não sou capaz de evitar uma certa sensação de desconforto. Parece ter havido um alarme desajustado da gravidade da situação. Fica a impressão de que alguém se terá aproveitado da nossa credulidade global para, por exemplo, vender reservas de Tamiflu ou outra patranha do género.

A célebre cena do Cavaleiro da Triste Figura carregando sobre moinhos de vento em louca cavalgada não seria de desprezar, como ilustração do nosso destrambelhamento colectivo. 26 mortes, não diminuindo a dor dos que perderam entes queridos neste ataque do H1N1, parece-me coisa pouca. Ainda por cima não se revelam grandes dados específicos sobre as vítimas mortais. Fala-se apenas de um bébé de 26 meses, única vítima, até à presente data, em solo norte-americano. E os outros 25? Jovens robustos e na flor da idade? Velhos fragilizados? Pessoas com problemas no sistema imunitário? Não sabemos. E a campanha "militar" sob a alçada do general Tamiflu? Devemos agradecer à Roche ter disponibilizado prontamente as suas reservas de Tamiflu, ou deve a Roche agradecer ao H1N1 a sua espectacular entrada em cena que tantos proveitos económicos lhe está a proporcionar num tempo de crise económica global?

Enfim, tal como Dom Quixote, também nós vivemos iludidos por leituras que nos excitam a imaginação até à demência e nos liquefazem a frágil mioleira. Será? Ou não? Sinto-me zonzo com esta suspeita...

quinta-feira, novembro 13, 2008

Leitura na diagonal


Uma leitura feita na diagonal da edição de hoje do jornal Público leva-me a realçar alguns pormenores que me captaram a atenção e fizeram pensar um pouco.

Obras de Malhoa e Souza-Pinto falham venda em Londres
13.11.2008, Vera Monteiro

Dois quadros dos pintores portugueses José Malhoa e Souza-Pinto, integrados num leque de pinturas de arte espanhola, não atingiram ontem o preço-base de licitação no leilão da Sotheby's em Londres.A pintura de José Malhoa (1855-1933) em leilão, O Barbeiro da Aldeia, tinha como base de licitação 200 mil libras (240 mil euros) e a licitação mais alta foi 190 mil libras (228 mil euros). Já a obra A Pequena Guardadora de Vacas, de José Souza-Pinto (1856-1939), recebeu uma licitação de 75 mil libras (90 mil euros), mas precisaria de um mínimo de 80 mil libras (96 mil euros).

Será que só nós sabemos que Portugal não é, actualmente, uma província espanhola? Dizem-nos sempre que a pintura de Malhoa tem um carácter fortemente distintivo de um certo olhar genuínamente português. Talvez os leiloeiros da Sotheby's não estejam virados para certas especificidades de obras de arte provenientes de mercados periféricos. Terá sido por isso que os quadros referidos ficaram nas mãos de quem já os possuia?

Pedro Lapa, director do Museu Nacional de Arte Contemporânea, reforça uma tendência para a homogeneização, na qual a "valorização nacional tenderá a diluir-se". Aponta também a crise económica como uma possível explicação, ou até a evolução das colecções, que na última década se tem vindo a transformar, sobrepondo-se o gosto pelo contemporâneo ao gosto "mais tradicional, de tendência naturalista".

Eu diria mesmo que essa homogeneização é do tipo global. Artistas contemporâneos portugueses não têm tido muito mais sorte que estes mestres novecentistas nas grandes vendas de arte (que estão a tornar-se menos grandes a cada leilão que passa). A arte já não vale o que, ainda há bem pouco tempo atrás, chegou a valer. O Damien Hirst fez o seu leilãozinho na hora H. Olhem se o inglês tivesse marcado a venda das suas obras para o corrente mês de Novembro. Que flop!

Legumes tortos de regresso aos mercados
13.11.2008, Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas

A partir de Julho, melões menos ovais e cenouras nodosas vão voltar a ser vendidas. Os agricultores europeus estão contra e dizem que os preços não vão baixar para os consumidores

Os frutos e legumes de formas e dimensões menos elegantes, como os pepinos curvos, as cenouras nodosas ou beringelas tortas, vão poder voltar a ser comercializados na União Europeia (UE) a partir de Julho, graças ao fim da calibragem obrigatória que foi ontem decretado pela Comissão Europeia.A decisão foi tomada depois de uma discussão acesa entre os representantes dos Governos da UE. A maioria votou contra a proposta de Bruxelas (16 países contra, nove a favor e duas abstenções, incluindo Portugal). O número dos opositores não chegou, no entanto, a atingir o limiar da maioria qualificada dos Vinte e Sete que seria necessária para rejeitar a proposta.

Fico simultaneamente satisfeito e apreensivo perante esta notícia.

Satisfeito porque verifico uma espécie de "efeito Obama" uma vez que deixa de haver discriminação contra certo tipo de frutas e legumes só porque apresentam nódulos ou curvas antinatura. Em boa verdade será o fim da segregação vegetal que tem imperado nos nossos mercados, Europa adiante.

É de salientar ainda o calor da refrega argumentativa sobre as qualidades da cenoura marreca e o efeito pernicioso que diferentes configurações das maçãs num expositor podem ter no cérebro do europeu médio, habituado a imaginar que tudo tem uma forma exacta, um peso determinado e um brilho controlado genéticamente.

Fico apreensivo por reparar que a maioria votou contra a proposta. Isso mostra como a Europa continua a imaginar que o mundo pode ser, todo ele, normalizado, democratizado, repintado e restaurado de acordo com as conveniências e o gosto estético do eixo Paris-Berlim.

Uma referência ainda para a posição do nosso país. Portugal, como é costume, absteve-se. Nem no que diz respeito ao peso dos tomates ou à necessidade de comercializar pepinos rectilíneos os nossos representantes são capazes de tomar uma posição concreta, mantendo assim a sua habitual personalidade de banana equatoriana. Deve ser por isso que o Manel Durão Barroso foi escolhido para presidir à Comissão Europeia e, há quem diga, mantém fortes probabilidades de se recandidatar com sucesso. Convenhamos que, em termos de normalização, Durão tem um pensamento absolutamente igual ao que dele se espera.
Finalmente (e correndo o risco de já estar a ser chato) realço uma noticiazinha pequenina que surge na página 18:

Edição falsa do New York Times noticia o fim da guerra no Iraque
13.11.2008, Sofia Cerqueira

O regresso das tropas a casa, o livre acesso à universidade e a criação de um sistema de saúde universal foram algumas das notícias da cópia quase perfeita do jornal norte-americano The New York Times, distribuída na manhã de ontem, em vários pontos de Nova Iorque e Washington.Com uma imagem extremamente credível, que enganou muitos transeuntes, a edição de 14 páginas foi uma partida organizada pelo grupo de esquerda Yes Men, que diz ter ajudado apenas na distribuição. Segundo um elemento do grupo contactado pelo The Guardian que se identificou como Wilfred Sassoon, a edição de 1,2 milhões de exemplares foi financiada por pequenos doadores e inteiramente feita por voluntários, entre eles jornalistas do verdadeiro NY Times.A edição falsa, cheia de boas notícias, tinha a data do dia 4 de Julho de 2009 e foi acompanhada por uma cópia do site do NY Times, fiel ao original, onde se podia ler a distorção do lema do jornal: "All the news we hope to print".

Pelos vistos as boas notícias, mesmo que sejam a fingir, não caem bem entre os verdadeiros jornalistas, encarregues de nos darem uma certa visão do mundo circundante, já que o verdadeiro NY Times está a tentar descobrir os autores da brincadeira para os entalar fortemente na justiça. Com a realidade não se brinca!

Por falar nisso, já chega de brincadeira. Está na hora de ir trabalhar.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Perdidos e achados


É normal perder a carteira ou o telemóvel. Perder o guarda-chuva por esquecimento é uma constante no Inverno. Perde-se a cabeça, perde-se a razão, tudo se perde, desde objectos a ideias ou sonhos. É normal. O que já não parece tão normal é perder uma bomba atómica. Mas foi isso que aconteceu há 40 anos atrás, na Gronelândia. Os EUA perderam uma bomba atómica e, apesar de a terem procurado afanosamente, nunca conseguiram recuperá-la.
Como poderíamos imaginar semelhante acontecimento?
Numa época em que tanto se discute quem pode e quem não pode ter acesso à mais assassina das bombas até hoje utilizada, esta revelação vem acrescentar um dado novo à reflexão.
Está visto que ter muitas bombas pode significar um desleixo tal que podem chegar a perder-se. Se, por hipótese, o Irão chegar a fabricar a sua bombinha estou em crer que irá guardá-la com todo o cuidado e mantê-la com o maior dos carinhos.
Será, portanto, desejável que, para poder fabricar uma bomba atómica, os que a isso se propõem dêm provas de virem a guardá-la a sete-chaves sem nunca a perderem de vista. Mais, quem tiver bombas dessas deverá ser obrigado a mantê-las sempre bem agarradas ao solo uma vez que, está provado, colocá-las no ar pode significar a sua perda. E uma bomba atómica não é coisa que se perca!
Nós, os que perdemos as nossas coisinhas banais e nos deitamos à noite a matutar onde raio ficou a chave do cacifo, estávamos longe de imaginar que se pudessem perder coisas como uma bomba atómica. Mas afinal é possível.
Que isto não nos tire o sono.

terça-feira, novembro 11, 2008

Paraíso a prazo


A notícia é estranha. "O primeiro Presidente eleito democraticamente nas Maldivas, Mohamed Nasheed, inaugurou o seu mandato com uma medida inovadora. O país vai criar um fundo de poupança para comprar novas terras onde a população possa viver, caso o nível das águas acabe por engolir o paradisíaco arquipélago, anunciou ontem Nasheed ao diário "The Guardian". (ler tudo aqui)"

Quantas vezes terão acontecido situações deste género desde que o Homem é Homem? A mítica Atlântida é o caso "mais conhecido" mas o seu desaparecimento terá ocorrido numa época em que a globalização mediática ainda não existia.

Se o nível das águas subir tanto quanto as previsões mais catastróficas indicam, os nossos descendentes irão assistir a acontecimentos de um dramatismo difícil de imaginar. Países inteiros serão ameaçados e, eventualmente, desaparecerão sob as águas do mar. O desenho dos continentes terá um aspecto diferente e não haverá dinheiro que possa comprar territórios suficientes para todos os que tiverem de se afastar em direcção ao interior. O interior desertifica-se, as pessoas deslocam-se em direcção às grandes metrópoles como borboletas atraídas por uma luz artificial. As maiores cidades do planeta existem perto do mar por razões óbvias.
Por agora temos o exemplo das Maldivas, um paraíso com curto prazo de validade, em busca de uma terra firme que possa acolher a sua população no futuro. São apenas 300 000 pessoas, uma ninharia. Como será quando houver milhões de pessoas a necessitarem de terras mais altas para não acordarem com os pés molhados?
Não haja dúvidas que a eternidade tem o tempo contado e que a Civilização, tal como a conhecemos actualmente, não é mais que um intervalo de tempo.

domingo, novembro 09, 2008

Ontem fomos ainda mais...





Estranhamente a polícia recusou-se a fornecer dados relativos ao número de manifestantes presentes na tarde de ontem nas ruas de Lisboa. Os organizadores afirmam que terão estado na subida das avenidas, desde o Terreiro do Paço ao Marquês de Pombal, mais de 100 mil professores. Os números que avançam apontam para cerca de 120 mil, 85% do total de professores de todo o país estiveram ontem na rua para mostrar à ministra que o descontentamento e o desacordo com as desastrosas políticas que tenta levar em frente não são capricho de meia-dúzia de bruxas e feiticeiros (isso existe???) como ela parece acreditar. A ministra parece viver noutra dimensão tal é o desfasamento que demonstra perante os factos mais elementares de cada vez que dá uma entrevista ou se manifesta publicamente. Ou muito me engano ou ontem já lhe fraquejou a voz na entrevista que deu ao Jornal da Noite do Canal 1. Houve ali um falsete fora do lugar, um descontrolado esganiçar da voz a mostrar irritação (o costume) mas também algum medo (seria pavor?) o que constitui novidade. Será que a senhora prossegue, alucinada, cavalgando a pileca da loucura? Ou prefere dialogar com os representantes dos professores? A meu ver, com esta equipa ministerial já não há a mínima hipótese de diálogo. A incapacidade e inépcia, a mediocridade técnica que tem evidenciado em cada dia que passa desde que chegou ao poder exige a sua demissão. Para que possamos respirar de novo sem termos de tapar o nariz será necessário outra equipa no ministério da Avenida 5 de Outubro.

Ontem, sob o olhar metálico do Marquês de Pombal, os professores gritaram bem alto as razões da sua luta. Fico com a sensação que, apesar das semelhanças, a estátua do Marquês já compreendeu aquilo que Maria de Lurdes Rodrigues ainda não atingiu. Estou em crer que o Marquês é mais sensível que a ministra (até o leão que o acompanha).

terça-feira, outubro 21, 2008

Não há dinheiro, não há palhaço!


A notícia não pode espantar ninguém. As leiloeiras, que costumam encher páginas de jornais com pontos de exclamação à frente dos preços com que colocam obras de arte no mercado, também sentem a tal crise económica.
"Depois de cerca de cinco anos de expansão do mercado de arte contemporânea, nos últimos quatro dias a Christie's e a Sotheby's obtiveram receitas inferiores às suas previsões."

Cinco anos de expansão, cinco anos a bater recordes, cinco anos a facturar milhões e mais milhões. O que me espanta é que os preços baixos continuem tão elevados. Parece que estou a brincar com as palavras mas não estou.

Uma coisa que sempre me fez confusão foi a ânsia constante de manter a economia em expansão. Os níveis de crescimento económico não pararam de crescer nos últimos anos e parecia que nunca iriam abrandar, como se não houvesse um limite, um ponto máximo para esse crescimento. Na minha cabeça, pouco capaz de compreender este tipo de situações, sempre imaginei que a economia, de tanto crescer, haveria um dia de rebentar, como um balão.

Não sei se rebentou mas tem, pelo menos, um furo e está a esvaziar. Os governos dos países mais ricos tentam tapar o furo com milhões de milhões "injectados" nos bancos que precisam do dinheiro como um drogado precisa de injectar heroína só para poder mexer os braços e as pernas. O mercado da arte haveria de ressentir-se desta situação. E, lá está, "Segunda-feira à noite, a Sotheby’s fez menos de 57 milhões de euros num leilão em que previa conseguir um mínimo de 71 milhões de euros."

Este sintoma vem juntar-se aos restantes que permitem aos especialistas diagnosticar um estado febril e de alguma fraqueza física à economia global. Entre os analistas do fenómeno do comércio de arte há quem tire as suas conclusões, "O "Arts Newspaper" cita alguns observadores que se questionam “se o consumo ostentatório da arte não estará a chegar ao fim”."

Como se diz por aí, nas ruas: "Não há dinheiro, não há palhaço!". No entanto não tenho a certeza se não continuará a haver muitos palhaços com dinheiro e vice-versa...


A notícia que serviu de base a este post pode ser lida na íntegra aqui.

domingo, outubro 19, 2008

Mundo bruto


A Europa pretende ser um farol para a Humanidade. O Velho Continente persegue o sonho da unificação tentando construir uma democracia baseada nos princípios humanistas que, gostamos de acreditar, caracterizam a nossa herança histórica.

Um dos palcos onde a Europa costuma passear a sua imagem algo vaidosa e pretensamente superior, é a do combate à poluição na tentativa de inverter as alterações climáticas. Os europeus, representados nos palcos internacionais pela União Europeia (UE), estão sempre prontos a assinar acordos, a promulgar leis e a dar lições sobre o melhor modo de tratar as doenças que afligem o Planeta. É louvável, sim senhores.

Mas a crise económica é uma diaba chifruda e veio pôr a nú algumas falácias dos representantes da UE. Os nossos ministros do ambiente reunem-se amanhã para debaterem o estado actual do plano climático europeu e as nuvens de dióxido de carbono adensam-se sobre a cimeira. Segundo notícia do Público online:
"A crise financeira está a ameaçar as medidas previstas, como aconteceu na cimeira que os líderes da UE celebraram nas passadas quarta e quinta-feira, quando cerca de dez países pediram diminuição do nível de compromissos." Ou seja, é tudo muito bonito quando não estão em causa os princípios sacrossantos do "desenvolvimento" industrial que serve de motor ao sistema económico.

A economia espirra, o Planeta adoece um pouco mais. Este mundo é um mundo bruto. Definitivamente. Não há Humanismo que aguente a quebra das bolsas nem herança grega que disfarce um Orçamento de Estado a tremer de frio. Sinais dos tempos...

terça-feira, setembro 30, 2008

Opção visual


Leio no jornal um artigozinho de José Vitor Malheiros onde narra a experiência de viajar de táxi com os novos écrãs colocados no encosto do banco da frente, à altura do nariz do passageiro. São mais écrãs. A invasão dos écrãs continua, implacável e imparável. O mundo capitalista ocidental está a abarrotar de écrãs que vão engolindo os horizontes. Todos os horizontes, os reais e os imaginários. Os horizontes do presente, à frente dos nossos olhos, e os horizontes do futuro, aqueles que idealizamos nos momentos de abstracção e de projecção imaginativa. Não há volta a dar-lhe.

Já havia a sensação de afogamento visual pela proliferação de rectângulos coloridos nas ruas, nos autocarros, nos quiosques, nas lojas, nas montras, nas salas de espera dos consultórios médicos, nos cafés e restaurantes, nas nossas casas, por todo o lado. Os outdoors publicitários, as capas de revistas, os cartazes, os grafittis, os automóveis; a intoxicação visual é violenta e deixa o cérebro feito em papa de bébé, com sabor a bacalhau e mel de abelha. Um nojo.

O habitante das cidades contemporâneas tem necessidade de possuir um cérebro robusto, musculado, bem preparado para o embate diário do caos visual e informativo a que é sujeito. Tem de ser capaz de processar, registar, interpretar e reproduzir milhares (serão milhões?) de mensagens de complexidade variável, cada vez mais agressivas e coloridas, cada vez mais frenéticas e fragmentadas, com um ímpeto subliminar angustiante.

Das duas uma: ou o cidadão desiste e se deixa levar aos trambolhões na torrente informativa, deslocando-se na cidade como um zombie sem vontade, que é dirigido por mãos invisíveis que decidem por ele; ou o cidadão resiste e passa usufruir do que o caos visual tem de positivo para lhe oferecer. Desloca-se no espaço com vontade própria e decide onde virar, o que fazer, o que consumir ou não consumir. Decide. Ponto final.

O que fazer? Abrir os olhos e deixá-los alimentar o cérebro com a rica dieta visual que a cidade actual nos proporciona. Pedir ao taxista para desligar o écrã quando começa a viagem ou prestar atenção às mensagens que vão passando. Seja como for deve-se optar. Optar é sempre um acto consciente e é disso que se trata a vida no mundo dos écrãs: opção.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Notícias


Leio o jornal, assisto ao noticiário na TV, desgraças, crimes, acidentes, o mundo não parece ter nada de bom para nos oferecer. No "horário nobre" parece que que as coisas ficam ainda piores, os tons são mais carregados, o desânimo vai ganhando terreno. Como pode isto ser? Não haverá um acontecimentozinho luminoso para clarear um pouco o negrume do dia? Ou será que os acontecimentos positivos não captam audiências? Talvez seja isso, talvez seja necessário um bom crime violento para conseguir o patrocínio da Coca-Cola ou um incêndio arrasador para ter investidores de jeito a anunciar no intervalo ou nas páginas centrais.

O que o povo quer é sangue à sobremesa, a acompanhar o cafézinho. Mas, na verdade, as notícias positivas são uma seca ou então não passam de mera propaganda. Começo a pensar que ler tantos jornais e assistir a tantos noticiários televisivos é pura perda de tempo se é que o tempo é coisa que se possa perder. Tudo o que leio, tudo o que ouço e vejo cada vez mais parece sempre a mesma coisa. Cada vez mais parece papel de embrulho para embrulhar publicidade e propaganda.

Se calhar estou apenas cansado e com sono e é por isso que me sinto tão enganado e com tanta dificuldade em construir um modelo da realidade que me possa parecer satisfatório. O melhor é ir dormir, descansar e, amanhã, regressar ao mundo com os olhos bem abertos. É isso. Até amanhã Mundo. Descansa também que bem precisas. Boa noite.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Esfaqueie-se a censura (Afinal parece que me enganei...)

Recebi esta mensagem no meu e-mail. Procurei encontrar uma confirmação para o discurso que a seguir transcrevo mas não fui capaz de o fazer. Não fiz uma busca exaustiva mas, no final da mensagem que recebi, chamam a atenção para o facto de o discurso ter sido censurado. Correndo o risco de estar a postar algo que carece de confirmação, resolvi fazê-lo pela originalidade das ideias contidas na mensagem e pela lucidez do discurso, seja ele verdadeiro ou não. Talvez os amigos brasileiros que visitam o 100 Cabeças possam acrescentar algo, confirmando ou não a veracidade do discurso que se segue.




Discurso do Ministro Brasileiro da Educação nos EUA...Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros).Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta de Cristovam Buarque :



" De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço.Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa.Só nossa! "


ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO. AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO porque é muito importante... e porque foi CENSURADO!


A mensagem que recebi termina com este apelo. Se na realidade houve censura do discurso de Cristovam Buarque, façamos eco das suas palavras. Todas as facadas que possamos infligir no monstro da censura serão óptimas facadas pois esse bicho não merece mais que a morte violenta.

Depois dos comentários feitos a este post e graças às indicações que me foram dadas pelo Albino nesses comentários pude verificar que o discurso de Cristovam Buarque teve larga difusão na NET e, tanto quanto pude perceber, no Brasil inteiro. Os rumores desse discurso chegaram a este lado do Atlântico e, imagino, espalharam-se um pouco por todo o planeta. Como nota o Eduardo, não parece ter havido censura às palavras de Cristovam. Assim sendo, caro e eventual leitor, fiquemos pela força das ideias de C. Buarque que, apesar de terem sido proferidas há um bom par de anos, não perderam interesse nem actualidade. A questão da protecção da floresta voltou à ordem do dia com a criação do Fundo da Amazónia.

Apesar do equívoco global deste post, o título (fora do parêntesis) mantém toda a sua força absolutamente intacta.

segunda-feira, junho 30, 2008

Uma foto

Esta foto de Sérgio Azenha apareceu aqui há uns dias no jornal Público. O 1º ministro parece olhar para o horizonte. Por trás um poster completa a mensagem. Podemos ver, meio desfocado, Tom Cruise em Missão Impossível III. Sócrates, o nosso Tom Cruise, olhando para um horizonte virtual, empenhado em cumprir a missão de fazer de Portugal um farol que ilumine a perigosa costa da Europa. Vai Sócrates, dá-lhe com força!

terça-feira, junho 24, 2008

Fado


Agora que o futebol nos deixou meio zonzos, sem sabermos quem apoiar no Euro 2008, vem o Eurobarómetro revelar que somos o povo mais pessimista dos 27 que compõem a União Europeia.

Não confiamos no Futuro da mesma forma que desconfiamos do Passado. O Português sente-se como salsicha lambusada em mostarda e metida num cachorro-quente para algum estranja comer, numa tarde de fastio.

Desconfiamos das possibilidades de emprego, não acreditamos que a situação económica vá melhorar e choramos como Madalenas arrependidas aos primeiros acordes de Ó Povo da Minha Terra, largados pela fadista-máxima dos tempos que correm, essa estrondosa Mariza, que Deus a guarde.

Estamos tão em baixo, com a moral tão rôta, que só nos apetece fingir que somos espanhóis ou marroquinos ou o que quer que seja. Nem o Cristiano Ronaldo foi capaz de nos levantar a coisa!

O mais estranho da sondagem que nos revela agora esta face suja e escurecida no espelho da opinião pública é que, há um ano atrás, o pessoal andava bem mais entusiasmado com as possibilidades de vir a ter uma vidinha com menos faduncho , mais luminosa e, até, satisfatória. Os dados são esclarecedores: não sonhávamos sequer com a merda que agora nos borra as botas!

Somos assim, a dar um bocadinho para o histérico. Ora andamos eufóricos com quase nada, ora caímos em depressão profunda por coisa nenhuma. Luas!

Se não tivéssemos perdido aquele jogo com a Alemanha por 3-2 como seria? Vai na volta acreditávamos que o desemprego estaria a modos que a diminuir.

E se chegássemos à final? Seríamos capazes de jurar que o nosso Pequeno Sócrates é um estadista de elição que nos vais tirar do buraco.

E se tivessemos sido campeões da Europa? Não sei. Talvez a Nossa Senhora voltasse a aparecer por aí para nos dar os parabéns e aproveitar a oportunidade de ter boa publicidade.

Mas não. Nada! Perdemos. Ainda por cima com os alemães, que devem estar bem melhor classificados do que nós até nessa coisa do Optimismo/Pessimismo da União. Esse gajos têm tudo para ser felizes. Até loiros são. E altos e com olhos azuis! Nós népias. Morenotes, baixitos e de olho escuro. Nada a fazer que não seja aceitar este fado.