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segunda-feira, agosto 18, 2025

Elogio da preguiça

    A preguiça devia fazer parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Artigo 23 diz que temos direito ao trabalho e o 24 que todo o ser humano tem direito a repouso e lazer bem como tem o direito a férias (remuneradas!). Quanto à preguiça nem uma palavra.

    A preguiça sempre teve má imagem entre aqueles que se julgam imunes aos seus encantos. A preguiça é vista como um mal social e os preguiçosos tendem a ser ostracizados por quem não o é ou não pode sê-lo. Mas tudo me parece um bocado exagerado.

    Nos últimos tempos tenho sido frequentemente atingido por ondas de preguiça irresistíveis que me deixam pregado à cama com uma ventoinha a refrescar o espaço em volta. Durmo belas sestas e à noite volto a dormir como se não houvesse amanhã. Leio umas poucas páginas de um livro qualquer e estou pronto para viajar no esquecimento do sono. Um descanso...

    Poderia fazer outras coisas, preencher as minhas tardes com actividades mais interessantes do que estar de papo para o ar e dormir? Acho que sim, eventualmente. Não tenho a certeza. A verdade é que me sinto bem a preguiçar como um valente. É aproveitar enquanto é tempo. Em breve terei de me render e desistir desta vida de sossego absoluto.  

terça-feira, fevereiro 14, 2023

Preguiçar

     E se não te apetece fazer nada, sentes-te culpado? Não estás no teu direito? Que raio de espeto te enfiaram na consciência que te põe a rodar enquanto te assa o juízo no fogo lento da culpa? E que culpa é esta, é censura social; talvez religiosa? 

    De alguma forma criaram em ti a sensação de que há alguém ou alguma coisa que vigia dia e noite o que fazes e o que trazes contigo. Queres preguiçar, não fazer nada? Então não faças! O vigia que se indigne, que vá fazer queixinhas aos seus superiores. Sejam eles quem forem não serão nunca superiores a ti nem à tua vontade.

quinta-feira, abril 04, 2019

Prova provada

Não saber o que fazer, eis uma questão com a qual me vejo confrontado em momentos de ócio. Tantas vezes desejo não ter que fazer e tantas outras sinto o embaraço de me ver assim, desamparado perante todas as possibilidades que me são proporcionadas pelo facto de- não ter nada da concreto dentro da cabeça, nada que tome a vaga forma de uma vontade que desponta.

Ora, porra!

Forço a imaginação sabendo que a preguiça é o que me dita a acção. Como acreditar que a preguiça pode levar-me a algo que valha a pena fazer? Não funciona, muito menos resulta.

Prova disso é este texto.