Alguém haverá de assistir ao fim do mundo. Um ser humano aqui, outro ali, outro ainda mais além, os últimos do fim da fila da extinção da espécie observando, já derrotados, o derradeiro suspiro de uma civilização vítima da sua húbris. Quanta melancolia, que terrível beleza!
Aquele ali, desalentado, exprime com palavras poderosas as coisas que vê, descreve de forma magnífica o espectáculo a que assiste e do qual faz parte, autor e actor da desgraça absoluta. Que tragédia, oh, deuses, que tragédia comovente: a Humanidade a contorcer-se de dor num planeta que para ela se tornou demasiado selvagem.
Aquele ali regista num papel toda esta história, escreve um poema que é lamento desassombrado e epitáfio. Mas não haverá ninguém que o leia, não terá os aplausos merecidos pela obra grandiosa que acaba de criar. Aquele papel, contendo a maior de todas as histórias, vai perder-se algures, levado pelo vento, comido pela chuva, engolido pela terra.
Não restará ninguém para ler a maior de todas as histórias.