Quando era jovem sonhava ser nada mais nada menos que o mais... qualquer coisa. Desejava ser o mais não sei quê. Mas, sim, queria ser o mais, o maior, o melhor, enfim, queria ser uma espécie de divindade mais ou menos absoluta. Mais do que menos absoluta.
Um gajo jovem nem sequer se preocupa lá grande coisa com o que teria de fazer para vir a ser... o mais. Não. Porque haveria de preocupar-se? A coisa irá dar-se de uma maneira ou de outra, a coisa acontecerá mais cedo ou mais tarde. Não é preciso fazer nada de especial, basta deixar o mundo fluir, esperar que os astros se alinhem "et voilá"!
O tempo vai passando e um gajo vai deixando de ser jovem e a espera começa a parecer demasiado longa. O mundo deixou de fluir? Os astros alinharam-se quando eu estava a dormir? Ok, ainda não aconteceu mas vai acontecer. Ainda vou ser o mais... o maior... o que é preciso é manter a confiança no meu valor.
E depois um gajo já não é jovem de modo nenhum e a coisa não se deu. Nunca foi o mais, embora também não tenha sido o menos. Talvez possa considerar que foi mais ou menos, nos dias bons. Ou então cagar nisso e pôr ao peito, como dizia quando era um jovem promissor, convicto de que o mundo haveria de ajoelhar-se aos seus pés, pois seria, infalivelmente, o mais...