Não é difícil perceber a dificuldade que representa tentar perceber essa dificuldade. Pensamos e, ao pensarmos, temos a ilusão de que o resultado da nossa imaginação configura algo que é muito semelhante à realidade. Esquecemos, porém, que a realidade é uma coisa fugidia, tão intangível como a felicidade, tão escorregadia como uma enguia, tão plausível quanto uma fada com sapatos de bruxa.
É essa dificuldade o suficiente para que desistamos de pensar na vida, que desistamos de tentar compreender o mundo, procurar-lhe um nexo, uma razão que englobe todas as razões? Não é o suficiente mas ajuda a desalentar muito boa gente que, desalentada, prefere comprazer-se com as coisas simples como, por exemplo, ser completamente estúpido ou, meramente, um imbecil.
É uma opção tão válida como outra qualquer.