As canecas não são bem minhas, foram-me oferecidas. É uma situação curiosa. Eu até nem acho graça a esses objectos mas, talvez por ter tantas no armário e nas prateleiras da cozinha, as pessoas que vêm a minha devem ficar a pensar que tenho algum fetiche por canecas. Não tenho.
Aí estão elas. Tamanhos diversos e decorações variadas; canecas para leite, para chá, para cerveja, para água, sei lá para que mais, canecas, canecas e mais canecas, como um vírus, como uma praga alienígena, vão usurpando o espaço da minha casa com o meu beneplácito. Quantas mais entram mais vêm.
Olho as canecas com um misto de desprezo e indiferença. Aceito a invasão. Sou um colaboracionista e não um prisioneiro. São coisas diferentes. Talvez um dia me transforme em caneca, mais uma peça desta colecção indesejada.