Ao subir as escadas, a mulher ao meu lado tropeçou. O livro caiu-lhe, o corpo deu um solavanco e eu, apesar de estar a uma distância que me não permitia alcançá-la, fiz um gesto com as mãos na sua direcção. Como se a minha intenção pudesse interferir nos acontecimentos, como se o meu gesto transportasse uma espécie de magia, como se eu fosse uma poderosa personagem do universo Marvel, algo que o valha.
A mulher esticou-se, mandou a cabeça para cima, bateu fortemente com um pé no degrau, bamboleou as ancas no esforço de evitar a perda de equilíbrio, teve sucesso e manteve a compostura. Acto contínuo recolheu o livro e lá foi, arrepanhando a saia comprida, talvez a responsabilizar a dita pela desgraça que quase acontecera.
Foi isto.
