Ah, a liberdade! A liberdade absoluta de escrever, desenhar, de pensar, de poder exprimir o que vai chegando às fronteiras do meu cérebro sem estar a olhar por sobre o ombro, sem ter de apurar a vista na contemplação das sombras. Não há nada que pague essa loucura.
Sem liberdade de expressão não pode haver felicidade. Disso estou ciente, isso eu sei, já descobri há muito tempo e, desde o momento dessa descoberta, tenho percebido melhor o que é a infelicidade; logo sinto-me mais perto da vaga possibilidade de vir a compreender o que é, o que significa, que forma tem ou pode vir a ter a felicidade. Não sendo propriamente o fim da viagem em direcção ao Nirvana, a chegada à estação terminal, é algo que proporciona alguma paz de espírito e isso, posso garantir-te, encalorado leitor, já é alguma coisa. Atrever-me-ia mesmo a afirmar que isso é já uma grande coisa! Tenho, no entanto, a esperança de que haja coisas maiores, coisas muito maiores.
E é assim mesmo, exactamente como lês: digo o que quero, escrevo como quero, não tenho compromissos com ninguém, nem sequer contigo, que tropeçaste neste texto e, milagrosamente, ainda o lês. Ou leste, porque este texto não passa daqui.
