Rai's parta à mulher que não pára de coçar o corpo todo! Coça a cabeça, coça os braços e as costas com grande esforço, coça-se no entre-pernas e coça as sobrancelhas, coça, coça, coça sem parar. Até parece possuída por algum fantasma mais malandro que lhe tenha pregado uma valente partida fazendo dela marioneta de espectáculo dedicado aos maluquinhos.
Ela torce, ela salta, ela contorce. Coça, coça, coça. A gente rodeia, a gente ri-se, mas há quem repare que tanta coçadela começa a fazer ferida, a deixar riscos vermelhos na pele, rasgões que se abrem sem dar sinais de voltarem a fechar-se. E sai um grito.
Alguns de nós saltam em frente, agarramos os braços desgovernados da mulher, tentamos pôr cobro àquela loucura mecanizada que lhe lavra o corpo com unhas que são garras de bicho ferido na razão. Ela não quer. Ela quer continuar a rasgar-se, a ferir-se, a maltratar-se, insulta os que vão em seu socorro gritando que não precisa de socorro nenhum. "Filhos da puta!" é o que ela grita. E contorce-se como uma centopeia, agarrada de mãos e pés, braços e pernas bloqueados por força alheia, força combinada de quantos lhe não querem mal.
Rai's parta à mulher que não pára de se contorcer como se fora cobra, enguia ou outra coisa difícil de agarrar!