A mera existência de uma coisa é o seu principal fundamento. Penso que o espelho seja um exemplo do que pretendo dizer. Ou um lápis, ou um automóvel, ou a lâmina de uma faca a brilhar numa noite de lua quase, quase cheia. Amanhã sairão os licantropos e a navalha, hoje ameaçadora, será absolutamente inofensiva.
"A transformação de um homem num artista e, depois, do artista em arte." Um homem que muda para ser um outro homem, para vir a ser um objecto, um homem que dispersa a sua alma no mundo, ora perdido, ora por outros homens encontrado. Um homem pendurado na parede, erigido em torre de marfim, apontado às nuvens nas montanhas da Babilónia. Um homem que não quer ser a escultura que liberta do bloco de mármore mas não tem como evitá-lo.
Por qualquer razão que me escapa, quando procuro imagens que ilustrem a sensação de felicidade surgem personagens de braços abertos, uma perna esticada e outra flectida ou com as duas pernas no ar elevadas num pinote. O fundo pode ser um céu muito azul ou uma espécie de pôr-do-sol (neste caso a figura resume-se a uma silhueta), a coisa varia muito pouco. E quando faço a pesquisa num motor de busca, mesmo variando a língua (experimentei português, ucraniano, persa, japonês, etc) o resultado é sempre semelhante.