Entrudo e Carnaval são coisas de gente pobre e, como são dias de virar o mundo às avessas, a gente ri, mas lá no fundo estamos a gritar tristeza. O Rei Momo é um palhaço (quererá isto dizer que somos governados por palhaços?) e os seus súbditos saltam como macacos, fazem esgares de macaco e guincham como macacos. São festejos onde os pobres têm direito a deitar para fora tudo o que lhes vai na alma e com isso enchem ruas e avenidas das mais destrambelhadas atitudes, em desfiles alucinados.
Quando a festarola chega ao fim, o mundo é devolvido à sua ordem natural. Os macacos do desfile voltam a vestir os seus fatos de gente verdadeira, os Reis de Facto regressam às cadeiras do poder e metem outra vez tudo nos eixos. O mundo não é aquela coisa distorcida e grotesca. É distorcido e grotesco mas de outra forma. A regra não é o samba nem a batucada. A alegria, obrigatória do Carnaval, volta a ser acidental, acontecendo de vez em quando.
Os homens e as mulheres que andam a limpar o chão da rua não estão mascarados de varredores.
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quarta-feira, fevereiro 22, 2012
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
Dançar pela chuva
O Carnaval está aí a chegar mas a chuva teima em não cair. Sabemos como um Inverno seco pode trazer-nos um Verão terrível. E este Inverno tem sido seco como o caraças!
Quando vivemos na cidade sabe bem sair de casa pela manhã e procurar os raios de um Sol fininho e meio amaricado que nos recarregue um pouco as baterias e nos faça esquecer as notícias da noite anterior. Ele é a Grécia, ele é a dívida, ele é o raio que nos parta! Haverá alguma coisa que não corra mal?
Este solzito sempre nos vai alegrando a moleirinha. A Grécia pode estar a derreter-se no calor de incêndios furiosos e na gula dos mercados de capitais, os ordenados podem estar a diminuir e o desemprego a ganhar contornos de bicho-mais-que-papão. Mas, ao menos, sempre temos este solzinho que nos aconchega a roupa ao pêlo.
A nossa ministra da agricultura (e de mais umas quantas coisas) tem esperança que chova em breve. tem ela, tenho eu e mais uns quantos milhares de pessoas. Que chova, por Deus, onde estás Tu quando precisamos dos Teus préstimos? Manda lá o São Pedro despejar a bexiga em cima da gente antes que seja tarde!
O São Pedro que mije, nem que seja em cima dos corsos carnavalescos. Vá lá, que o samba invernoso seja uma dança da chuva. Que os festejos de Carnaval tragam consigo o Dilúvio. Que chova, muito e depressa, porra! Que Deus é este que se distrai quando devia estar a zelar pelos nossos interesses? Que Deus é este que goza de tolerância de ponto? Um Deus assim só pode mesmo ser português.
Quando vivemos na cidade sabe bem sair de casa pela manhã e procurar os raios de um Sol fininho e meio amaricado que nos recarregue um pouco as baterias e nos faça esquecer as notícias da noite anterior. Ele é a Grécia, ele é a dívida, ele é o raio que nos parta! Haverá alguma coisa que não corra mal?
Este solzito sempre nos vai alegrando a moleirinha. A Grécia pode estar a derreter-se no calor de incêndios furiosos e na gula dos mercados de capitais, os ordenados podem estar a diminuir e o desemprego a ganhar contornos de bicho-mais-que-papão. Mas, ao menos, sempre temos este solzinho que nos aconchega a roupa ao pêlo.
A nossa ministra da agricultura (e de mais umas quantas coisas) tem esperança que chova em breve. tem ela, tenho eu e mais uns quantos milhares de pessoas. Que chova, por Deus, onde estás Tu quando precisamos dos Teus préstimos? Manda lá o São Pedro despejar a bexiga em cima da gente antes que seja tarde!
O São Pedro que mije, nem que seja em cima dos corsos carnavalescos. Vá lá, que o samba invernoso seja uma dança da chuva. Que os festejos de Carnaval tragam consigo o Dilúvio. Que chova, muito e depressa, porra! Que Deus é este que se distrai quando devia estar a zelar pelos nossos interesses? Que Deus é este que goza de tolerância de ponto? Um Deus assim só pode mesmo ser português.
Etiquetas:
carnaval,
quotidiano delirante
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