Mostrar mensagens com a etiqueta doença. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta doença. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, outubro 10, 2014

Socorro!!!

Socorro! Ai Jesus! Valha-nos Deus! Valha-nos Nossa Senhora! Chamem o exército, tragam os cães, fechem as portas e levantem muros. Socorro que vem aí o Ébola!

Começou a campanha de desinformação e exploração do medo. Haverá por aí alguém interessado em explorar a ingenuidade alheia?

A ignorância é importante e há quem trabalhe arduamente no sentido de a manter forte e actuante. Um ignorante está mais desprotegido perante o temido novo flagelo divino.

Quem pretende lucrar com esta nova paranóia colectiva? Ainda não percebi mas decerto irá surgir em breve algum negócio chorudo associado ao novo medo da década.

Cuidado, vem aí o vírus do Ébola!!!

domingo, novembro 04, 2012

Manhã cinzenta



Eu acho que ando triste mas tenho a impressão que não sou só eu quem está triste, parece-me que o país inteiro exala tristeza em suspiros profundos que depois se espraiam por aí como vento morno soprado do norte de África.

Dizer que Portugal, um país, está triste, pode parecer metáfora barata mas, a bem dizer, é o mesmo que dizer que os mercados, que são mercados, estão nervosos.

Já não bastava a Portugal a crise, agora também o céu insiste em manter-se cinzento e a chorar com frequência. Quanto aos mercados basta olhar para aqueles gajos que trabalham nas bolsas, a gesticular como se estivessem a ser electrocutados, a esbracejar como se estivessem a ser atacados por um enxame de vespas furiosas.

Este país está a precisar de consulta psiquiátrica mas não tem dinheiro para pagar a factura nem há psiquiatra à altura dos nossos problemas colectivos. Já os mercados parecem ter acalmado. Ao que se diz por aí eles acreditam que vamos pagar a nossa dívida. Talvez seja essa a fonte desta nossa tristeza… a calmaria dos mercados…

PS O Zé continua à espera que alguém se digne a operá-lo. A manhã continua cinzenta...

domingo, outubro 28, 2012

Visitação


O Dear Zé está hospitalizado. Uma hérnia discal daquelas de deitar um gajo abaixo vai levá-lo até à mesa de operações. Ontem fui visitá-lo e encontrei-o com uma boa disposição animadora. Isto de ser aberto pelo bisturi de um médico parece ser coisa trivial.

Como nunca me abriram o corpo com objectos destilados (pelo contrário, tiveram de fechá-lo algumas vezes à força de agulhas e linhas) não sei o que seja esperar deitado pelo dia da operação.

O quarto onde está o nosso caçador de imagens tem mais  duas camas. Ontem, à boa maneira portuguesa, o espaço acanhado transbordava visitas que excediam largamente o limite virtualmente admitido pelas regras do hospital. Como seria de esperar era um palratório matraqueante que muito parecia animar os doentes.

Isto ainda antes da hora marcada para o início das visitas. Umas empadinhas, uns bolinhos, um cházinho, a espera é feita destas coisas. O aligeirar das regras decerto contribui para a tal boa disposição que me pareceu descortinar no rosto do Zé, o Dear Hunter. Por sorte, os companheiros de quarto também tinham visitas fora de horas e não aparentavam sinais de enfado por terem o espaço apinhado de gente.

Entretanto chegou a hora das visitas e pareceu-me oportuno sair. "Vá lá, Zé, vê se te pões mas é daqui para fora; a deixares crescer assim a barba quando fores para o bloco operatório o médico ainda vai pensar que está a abrir o Karl Marx!"

E pronto, quando saí do quarto e atravessei a porta que dá para o corredor havia uma verdadeira multidão a aproximar-se. Parecia a batalha de Aljubarrota! Afinal de contas estava na hora da visita.

(Força Zé).


sexta-feira, agosto 17, 2012

Uma prova?

Um gajo anda sempre na dúvida. Quer queira quer não queira, por muito ateu que me possa imaginar (talvez seja apenas vagamente agnóstico), a dúvida sobre a existência de Deus está sempre presente nos confins da minha caverna craniana.

Distraído como sou posso muito bem deixar escapar sinais evidentes da Sua existência. Há quem diga que esses sinais estão por toda a parte e só um cego os não vê. Um cego ou um distraído, permita-se-me acrescentar.

Ontem, ao ler o jornal, dei de caras com um desses famosos sinais. Pelo menos penso que possa ser um sinal. Refiro-me à notícia algo patética do neonazi húngaro que veio a descobrir ser de ascendência judaica (ver aqui).

Há uma canção de Sérgio Godinho que pergunta "pode alguém ser quem não é?", esta historieta mostra que não. Um gajo é o que é e não pode contrariá-lo. Seja por acção do destino ou por intervenção divina, somos o que somos e não há nada a fazer contra isso.

Csanad Szegedi vai ter de deixar o Parlamento Europeu para o qual tinha sido eleito graças à sua doença ideológica. Os neonazis como ele não admitem um deputado com sangue impuro a correr-lhe nas veias. Se as raízes judaicas deste tipo não tivessem ficado à vista de toda a gente ninguém haveria de o incomodar por isso. É a tal velha questão do ser e do parecer.

Imagino que Szegedi esteja, neste momento, a esbofetear-se e a espetar um garfo nas costas da mão. Por um lado castiga um judeu desprezível, por outro penitencia-se por ser tão... nazi!?

Se Deus existe deve divertir-se com cenas deste calibre.

domingo, janeiro 16, 2011

O medo



“O vírus da gripe A é o predominante em Portugal, tendo sido identificado em 63 por cento dos casos analisados no âmbito da vigilância epidemiológica da síndrome gripal do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.” Esta notícia recente passou despercebida, quase uma nota de rodapé. Ninguém se sobressaltou nem houve alarme social. Está tudo tranquilo.

O ano passado por esta altura uma notícia deste género seria capa de todos os jornais diários e haveria profecias desgraçadas na abertura de cada serviço noticioso nos 3 canais de televisão em sinal aberto. Nesses dias longos artigos vasculhavam o medo colectivo e lançavam o pânico entre a população. O ano passado assistimos e vivemos uma das maiores campanhas mediáticas jamais lançadas na aldeola global, promovendo não uma vedeta pop ou um novo gadget tecnológico mas um vírus tão terrível que estava aí para nos fazer pagar os mais negros dos nossos pecados.

Porque estamos agora tão indiferentes ao dito vírus? Estaremos vacinados contra o medo? Não. Não estamos vacinados contra o medo, longe disso. As capas dos jornais e o serviços noticiosos na TV apenas mudaram a face do objecto que nos inquieta e nos tira o sono. Agora é a crise económica ou o juro da dívida pública. As pessoas sobressaltam-se, o alarme social berra, esganiçado e estridente, o mundo parece rodar ao contrário. Quem nos vale? Quem nos salva?

A comunicação social deixa-se levar (ou tem algum interesse?) nestes mind games em grande escala e transforma-se mais em veículo da paranóia do que em algo que a combata. A comunicação social alimenta o medo e o medo alimenta-se de nós todos, come-nos a vontade e o entusiasmo. Andamos perdidos, como baratas tontas.

O medo é a forma mais eficaz de tolher a liberdade. Uma sociedade amedrontada fica à mercê de homens providenciais e aceita a imposição de leis excepcionais que, de outra forma, recusaria com veemência. O medo faz de nós carneiros e nós, em vez de fazermos ouvir a nossa voz, limitamo-nos a balir. Somos animais para abate, seres vivos descartáveis. Os corpos, quando deixam de ser animados por sonhos, não valem nada. A nossa sociedade precisa de sonhos. Basta de ter medo.

carta enviada ao director do jornal Público

sábado, outubro 30, 2010

Irmãs (quase) gémeas


Quanto mais progredimos na preservação da vida humana, estendendo progressivamente o nosso tempo de habitantes do planeta Terra, mais abrimos a porta à doença e à pobreza.
O envelhecimento da população aumenta o número de casos de doenças relacionadas com o desgaste das peças que constituem o nosso organismo. A doença de Alzheimer é um exemplo paradigmático.
Mas os problemas sociais relacionados com as dificuldades crescentes em garantir uma velhice em condições dignas e razoáveis a todos os séniores da população são, também, angustiantes e parecem impossíveis de resolver satisfatoriamente principalmente num mundo em que a Economia domina sobre todas as coisas.
Ao prolongarmos a vida humana estamos a semear alimento para essa irmãs (quase) gémeas; a doença e a pobreza. Será este um preço a pagar por tentarmos contrariar a ordem natural das coisas? Estará Deus chateado connosco por brincarmos a fazer de contas que somos Ele?