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quinta-feira, agosto 16, 2018

Eça pode esperar


Parece-me discutível afirmar que, ao retirar dos programas escolares a obrigatoriedade da leitura de “Os Maias”, se esteja a “não dar aos alunos a hipótese de ler a obra-prima de Eça de Queirós” e a “impedir o acesso dos jovens a um monumento literário (…)” como afirma António Carlos Cortez em texto publicado neste jornal no dia 14 do corrente mês de Agosto. Quando frequentei o ensino secundário, nos anos 70 do século passado, apesar de todas as pressões sobre mim exercidas, resisti heroicamente à leitura integral do referido monumento. Embora tivesse o hábito da leitura os meus interesses naquela época eram outros. Preferia, de longe, a Colecção Argonauta depois de ter papado os clássicos que eram uso e costume papar naquela época. Lembro-me como se fosse hoje do fascínio que exerceu sobre o meu imaginário “O Romance da Raposa” logo após ter aprendido a juntar as primeiras letras. A comoção que me causou “O Príncipe e o Pobre” ou o fascínio aventureiro de “A Ilha do Tesouro”, o doce terror que me provocaram “As Aventuras de Huckleberry Finn” ou as peripécias de Tom Sawyer. Isto, lá em casa. Na escola tentaram impingir-me coisas difíceis de tragar. “Constantino, guardador de vacas e de sonhos” ainda vá que não vá, já “Os Esteiros”, para um rapaz de 12 ou 13 anos, vai lá vai! Logo me atiraram “Os Lusíadas” à cabeça. O hematoma foi de tal sorte que, até hoje, não li integralmente a obra-prima da nossa literatura. Com “Os Maias” foi diferente. Já adulto, senti curiosidade e li o livro de fio a pavio. Na escola tudo fiz para iludir a professora tentando convencê-la de que lia a obra quando, na verdade, contava as páginas que faltavam para chegar ao fim, saltando capítulos inteiros e fintando expressões que não compreendesse às primeiras. Uma seca, como diria o Eça. Seja como for, hoje sou um leitor razoavelmente curioso. A minha dúvida é perceber se o sou graças aos trabalhos forçados que me quiseram impor na escola ou se o sou apesar deles. As carpideiras da cultura que têm choramingado por aí a perda (!?) de Os Maias, querem mostrar-nos a grandeza da arte com argumentos que fariam roncar de tédio uma estátua de mármore. Estou convencido que há na vida um tempo certo para cada coisa e que há, de facto, aprendizagens essenciais que se afiguram muito mais prementes e determinantes que qualquer monumento literário nacional ou obra-prima universal. A mais essencial de todas é aprender a ser curioso e encontrar prazer no conhecimento. Se não conseguirmos impingir tais evidências à rebeldia adolescente bem podemos munir-nos de marretas e obras-primas para lhas martelarmos diariamente no meio da testa. Não adianta. Se, por outro lado, formos capazes de despertar na turbamulta a vontade de aprender Eça pode esperar descansado. Terá clientes.

Carta enviada ao director do jornal Público

sexta-feira, agosto 03, 2018

Ensino e aprendizagens


Quem ler algumas opiniões que vão sendo publicadas a propósito das Aprendizagens Essenciais recentemente impostas pelo Ministério da Educação pode ficar com a impressão de que estamos perante um recomeço ou que esta nova medida administrativa vem deitar por terra um edifício educativo que importa preservar. Nem uma coisa nem outra. É mais do mesmo, mais um remendo num edifício estranho, a ameaçar ruína. A qualidade do ensino sempre foi e será desigual; de escola para escola, de uma sala de aula para a sala do lado. Há bons professores, outros que são mais ou menos e alguns dos quais é melhor fugir. Os directores não são todos iguais, as instalações e equipamentos variam muito. A origem social dos estudantes é um dado importante mas não é impossível de combater. Em suma, com ou sem Aprendizagens Essenciais houve e haverá casos de sucesso e casos de insucesso. Colégios para meninos ricos e escolas para meninos pobres.
Penso que, numa futura reforma educativa (que não deverá tardar muito), seria importante debater a relação entre os diferentes ciclos de aprendizagem. Não parece justificável que a avaliação no Ensino Básico seja estabelecida numa escala de níveis entre 1 e 5 (alguém se recorda porque se instituiu esta escala nos finais dos anos 70?) para ser alterada no Ensino Secundário, quando os alunos passam a ser escalonados numa tabela que vai de zero a 20 valores que se manterá até à conclusão das suas licenciaturas à bolonhesa. O secretário de estado tem razão quando refere a extensão dos programas disciplinares. Muita gente concorda com ele. Fica a sensação de que, em algumas disciplinas, se quer ensinar tudo o que há para aprender no tempo curto que dura o Secundário (quem se der ao trabalho de analisar, a título de exemplo, o programa de História da Cultura e das Artes, que é ministrado em dois aninhos apenas, fica com os cabelos em pé!). Talvez isto se pudesse resolver se não existisse um abismo de incomunicabilidade entre o Secundário e o Ensino Superior. As Universidades, olhando-se no espelho da sua pretensa superioridade, reclamam da qualidade da matéria-prima que lhes chega todos os anos mas não se preocupam em procurar uma solução para o problema. Queixinhas e inacção, muito à boa maneira portuguesa. Quanto à choradeira que por aí vai por “Os Maias” deixarem de ser leitura obrigatória, sempre vos digo, caros amigos e colegas professores, todos nós lemos a obra quando frequentámos a escola (ou fingimos que a lemos) e, avaliando o estado em que se encontra o nosso sistema de ensino, podemos concluir que o resultado não terá sido lá muito famoso.

carta enviada ao director do jornal Público

sexta-feira, julho 18, 2014

Ser ou não ser (arte)


Avaliar é tarefa complexa. Pretender classificar com um valor numérico o objecto da nossa avaliação é praticamente magia.

Analisamos um texto, forma e conteúdo, comparamos o que vamos compreendendo com uma tabela onde estão definidos os critérios segundo os quais devemos orientar a nossa leitura... ou então observamos atentamente um desenho e aplicamos à nossa alma esse tratamento que consiste em acreditar que podemos seriar de forma justa e sistemática uma quantidade maior ou menor de objectos, artísticos, nos casos acima referidos. Escrita e desenho, artes.

Se olharmos bem para os desenhos na parede e depois para a pauta onde se alinham os valores que lhes atribuímos estamos a ver coisas muito diferentes que se referem ao mesmo objecto. Temos o desenho e uma sua representação abstracta, a nota atribuída. Temos na parede uma natureza-morta (um faisão e duas esferográficas) e na pauta temos 16 (dezasseis). Isto é alquimia!

Poderemos substituir a exposição de vinte desenhos por uma simples pauta afixada na parede? Vinte desenhos com características específicas, muito diferentes uns dos outros, resumidos e retratados assim, de forma sintética, por uma coluna de números e algarismos.

Ou, no lugar de um caderno de contos, uma pauta colada à parede, a prosa e a poesia reduzidas à condição de uns e dois e três e por aí adiante, sem nunca atingir, sequer, o infinito.

Se uma pauta afixada na parede não é arte conceptual então não sei o que possa ser arte conceptual.

segunda-feira, setembro 05, 2011

Dúvidas


Será necessário voltar a encarar a educação dos nossos jovens como sendo parte de uma doutrinação social?

Não teremos deixado uma margem demasiado folgada nos prgramas escolares e, principalmente, na vertente das atitudes e valores, no capítulo dos comportamentos e objectivos globais do papel da escola na vida da comunidade?

A ideia instalada de que o moralismo é errado e que não há necessidade de ensinar a "ser", que somos todos "bons selvagens" num mundo doentiamente consumista não nos terá conduzido a um estado de enfermidade social difícil de ultrapassar?

O que poderemos fazer no sentido de recuperar o Humanismo enquanto motor da coisa pública?

A quem interessa encontrar respostas para estas dúvidas?

terça-feira, julho 19, 2011

Vestuário


Não vejo porque será controversa a decisão do Conselho Académico da Universidade Católica no sentido de estabelecer um código de vestuário para os seres humanos que frequentam as suas instalações. Por mim até me parece uma decisão muito correcta, diria mesmo, uma santa decisão! (ver aqui)

É evidente que raparigas de mini-saia ou rapazes em calções, com a penugem dos pernis ao vento, não é forma decente de se entrar em estabelecimentos de ensino tão devotos e magníficos como aqueles que cumprem a sua missão evangelizadora sob o signo da Igreja Católica, como é o caso desta provecta Universidade.

Note-se que o memorando que estabelece as tais regras adverte discretamente que "Modos de trajes e formas de apresentação próprias de local de lazer e de desporto não são adequados na universidade."  Quem pode contestar uma formulação tão pueril e justa como esta? É evidente que estudar não é coisa vã, muito menos diversão!

Aliás, quem vê a estudantada toda enfiocada em capas e batinas negras como o breu por ocasião da Semana Académica apenas poderá estranhar esta discreta imposição por não estar a ver modosde vestuário  impróprios entre tão escura clientela.

Do mesmo modo que um operário tem de usar capacete de protecção quando trabalha numa obra ou um jogador de futebol entra em campo de calções e camisa especial ou um padre vai para a missa devidamente aparelhado, é justo impor aos estudantes de uma Universidade que aspira ao Reino de Deus regras específicas de vestuário.

Sim, porque universidades há muitas e quem se sentir mal por não poder mostrar os seus atributozinhos através de um decote generoso ou expor a sua masculinidade numa bela camisinha de cavas pode sempre experimentar outro estabelecimento de ensino onde o Reitor não esteja tão preocupado com a salvação das almas.

Para terminar noto apenas que o bonequinho que embeleza o logotipo da Universidade Católica Portuguesa se apresenta em trajes muito reduzidos. Talvez fosse conveniente vestir-lhe qualquer coisa mais decentezinha.
Ámen.

quarta-feira, maio 05, 2010

E se... talvez.


Pensando bem e olhando de relance para o mundo em que vivemos fica a dúvida sobre para que raio de merda serve afinal a escola. Não falo apenas do falhanço na transmissão de conhecimentos que referi no post anterior. Falo da escola em si, enquanto lugar de aprendizagem.

Num mundo tão avassaladoramente mediatizado como o nosso, essa transmissão de conhecimento está dispersa. A Wikipédia é uma espécie de escola e serve às mil maravilhas as aspirações de rápida resolução de problemas dos jovens, ansiosos por se libertarem dos enfadonhos deveres do trabalho escolar. Tão rápido e fácil quanto simples e superficial.

Talvez tenha sido sempre assim. Talvez tenhamos procurado durante séculos uma fórmula que permitisse o conhecimento instantâneo e o tivéssemos descoberto agora, com este mundo virtual onde nos encontramos. Resolvemos o problema mas a solução não parece particularmente elegante. Talvez a evolução social contemporânea implique esta espécie de boçalidade intelectual. Terá sido sempre assim? Não terei eu parecido um labrego selvagem aos olhos dos meus professores? Temo bem que assim tenha sido.

A escola está a tornar-se obsoleta? Os miúdos consideram-na um excelente local de socialização mas uma tremenda seca enquanto local de aprendizagem. Talvez tenham razão.

Criámos um mundo em que o divertimento e o lazer são as aspirações máximas dos seres humanos. Trabalhar árduamente para alcançar objectivos determinados está a perder glamour. Quem trabalha são os otários. Os cidadãos com maior sucesso são aqueles que levam uma vida despreocupada com volumosos rendimentos, não sendo muito importante a sua origem. A vigarice e a ladroagem são toleradas se tiverem sido cometidas por uma boa razão. O enriquecimento rápido e sem limites é, aos olhos da maioria, uma boa razão. Contra isso a escola não tem argumentos eficazes. A ética e a moral são coisas próprias de utopias modernistas. Este mundo é pós-moderno.

Aliás, como sabemos, o exemplo vem de cima. Somos diáriamente confrontados com o despudor dos poderosos e daqueles que nos governam. Os negócios fraudulentos, a ineficácia dos sistemas de justiça, tudo nos mostra que o problema não está na escola. Afinal esses ladrões que agora nos governam foram nossos colegas, frequentaram as mesmas escolas que nós, aprenderam pelos mesmos livros. E qual é o resultado? Este mundo de merda em que vivemos, incapazes de cumprir as tais utopias democráticas que ganharam forma de contorno em meados do século anterior.

Resumindo e concluindo: o problema principal reside na fraca qualidade dos materiais com que deus construiu o ser humano. O futuro só será prometedor se não for mais do que uma refinada mentira. Sobra o presente.

terça-feira, maio 04, 2010

Tá-se


Algo está a funcionar ao contrário! Na escola ensina-se como é benéfica uma alimentação saudável, estuda-se a roda dos alimentos com sucessivas adaptações ao mundo contemporâneo e... cada vez se consome mais açúcar e junk food e os putos vão-se elefantizando a olhos vistos. A Europa é um planeta gordo, território para gente XXL.

Ne escola insiste-se na leitura dos clássicos. Camões, Fernando Pessoa, José Saramago, Sophia de Melo Breyner Andresen, citando apenas alguns dos autores portugueses mais massacrados. Resultado? Os putos mal sabem soletrar a palavra lei-tu-ra, lêem cada vez menos e escrevem aquelas mensagens de SMS e quejandos, cheias de kapas e abreviaturas abstrusas. O vocabulário aproxima-se perigosamente de um limite aceitável e está atolado em expressões pouco interessantes mas de suculenta sonoridade. Tipo: tipo, bué, iá, tá-se...

Dizem-nos que, além do Português, é com a Matemática que se completa a coluna vertebral de uma educação eficaz mas os putos ficam extasiados quando um professor faz uma conta de dividir no quadro. "O Stôr sabe fazer essas contas com casinha!" disse-me um aluno do 12º ano, a dias de entrar numa Faculdade qualquer, quando calculávamos as médias no final do ano passado.

Enfim, a lista segue por aí fora, como um rio de ignorância correndo furioso em direcção ao mar do conhecimento. Há qualquer coisa que não bate certo. O que a escola ensina parece ser o que os alunos conhecem pior. Conclui-se que a escola, de facto, não consegue ensinar o que pretende. Talvez ensine outras coisas que nem sequer suspeita que ensina. Ensinará? Os alunos talvez sejam os mais habilitados a responder a esta estranha questão mas, como sempre, não estão nem um pouco interessados. Muito menos me parecem preocupados.

Tá-se.

terça-feira, março 25, 2008

Ensinar a ensinar

O título deste post não é bom mas isso também não é particularmente importante. O vídeo(legendado em português) chegou-me via e-mail por mão amiga. São 6 minutos e mais uns trocos de uma palestra de Heidi e Alvin Toffler (lembram-se de A 3ª Vaga?)sobre o sistema de ensino tal como é encarado pelas sociedades industrializadas contemporâneas. Perante a actual discussão meio descabelada sobre aquilo que se passa e não passa nas nossas escolas, este vídeo tem o dom de fornecer mais uma perspectiva sobre o assunto. Parece-me interessante. Será que vale a pena oferecer 6 minutos do nosso tempo a estes dois velhotes e ouvir o que têm a dizer sobre toda esta salsada? É questão de experimentar.

segunda-feira, março 10, 2008

Carta

Problemas

Na noite de Sábado, após a manifestação dos professores, veio a ministra da educação defender a tese de que tentar resolver os problemas do sector com a sua demissão seria a forma mais fácil de lidar com a situação. Ao reafirmar a sua determinação em manter-se no cargo e prosseguir com a implementação das medidas que tanta tinta têm feito correr, Maria de Lurdes Rodrigues estaria a optar pela via mais complicada mas, a seu ver, a via correcta para tirar o sistema educativo do buraco escuro em que se encontra.
Fica a impressão de que, no entender da ministra, os problemas complicados exigem soluções complexas numa lógica de equiparação entre problema e solução que não é assim tão linear. Por vezes questões extremamente complicadas resolvem-se de forma surpreendentemente simples.
Basta olhar para o organigrama da avaliação do desempenho dos professores para perceber que aquilo que lhes é proposto padece de uma tremenda maleita. É uma confusão. As mentes (decerto brilhantes) que estão por detrás daquele amontoado de dados contraditórios e de naturezas tão diversas não terão imaginado que haverá respostas mais simples para a questão em análise?
Uma coisa que não é fácil de explicar aos jovens estudantes é que uma resposta extensa não é, obrigatoriamente, uma boa resposta. É uma luta constante tentar provar-lhes que a objectividade é um bem precioso e a capacidade de síntese uma arte difícil, precisamente por procurar formas simples de expor ideias complexas. Após um teste de avaliação é comum ouvir um aluno afirmar que lhe correu bem pois escreveu muito. Toda a gente percebe que escrever muito não garante à partida a qualidade do trabalho.
O ministério da 5 de Outubro deve estar convencido que, produzindo constantemente páginas imensas de uma legislação enigmática, está a contribuir para solucionar os problemas da educação. Quem trabalha nas escolas sabe que as ordens e contra-ordens com que têm sido bombardeadas nos últimos meses apenas têm servido para lhes complicar o trabalho. É tempo de explicar a todos os que circulam nos gabinetes ministeriais que na quantidade é possivelmente mais difícil encontrar alguma qualidade e que a aparente complexidade de um problema não obriga a uma resposta igualmente confusa. Talvez a via difícil não seja a mais apropriada para dar resposta aos nossos problemas.



Carta enviada hoje ao Director do jornal Público

Comunistas aos pontapés

Nos últimos tempos temos ouvido as mais variadas vozes indignadas afirmarem que por trás da contestação social se encontra, sempre a manobrar na sombra de forma malévola, o Partido Comunista.
Os professores manifestam-se na rua? Estão a ser manipulados pelos comunistas!
Há berraria à porta das sedes do PS? São berradores comunistas que estão ali a berrar!
Há descontentamento generalizado entre a população? São os comunistas a minar a ordem pública!
Os nossos governantes vêem comunistas em todo o lado. Deve ser incomodativo. Soa a paranóia.
A questão interessante é que em todas estas situações se fala dos comunistas como se eles tivessem lepra ou andassem por aí na clandestinidade a preparar golpes profundos nas instituições democráticas. Os militantes do Partido Socialista merecem outro tipo de abordagem? Quando são eles a preparar acções de agitação e propaganda podemos ficar mais descansados do que quando são os comunistas a fazê-lo?
Quem esteve ontem na manifestação dos professores sabe perfeitamente que não houve qualquer tipo de manipulação de tamanha multidão. E quem não esteve também deve ter um mínimo de discernimento para compreender a estupidez de tal ideia, quanto mais de tal afirmação.
Não consigo compreender como podem ter tanto asco aos comunistas e ainda andarem a agitar o papão totalitário da ditadura do proletariado 34 anos depois da Revolução e fazendo Portugal parte da Comunidade Europeia.
O PCP faz parte da vida política do nosso país tal como os outros partidos mas é tratado como uma associação de malfeitores e pouca gente parece incomodar-se com isso.
Pessoalmente não gosto muito do PCP (gosto mesmo muito pouco) mas daí a considerá-lo algo de subversivo vai um passo de gigante ou uma minúscula reflexão.
Ontem não me senti "um soldado do partido comunista" nem nada que se pareça. Senti-me, isso sim, um cidadão que exerce em plenitude o seu direito a manifestar publicamente uma posição política. A Marcha da Indignação foi uma verdadeira lição de maioridade democrática. Coisa que deve deixar o Sócrates a roer as unhas e a chamar nomes feios a quem o não pode ouvir. Ele e o Santos Silva, esse denodado defensor das liberdades democráticas.


sábado, março 08, 2008

100 mil cabeças

Contas feitas, diz quem as fez, estiveram hoje entre 80 mil (contas da polícia) e 100 mil (contas dos organizadores) a descer as avenidas lisboetas até ao Terreiro do Paço. Poderemos então ficar pelas 90 mil cabeças, tentando não exagerar por excesso nem defeito.
Seja como for, assistiu-se a uma manifestação como não há memória em Portugal. Se, a fazer fé nos números oficiais, há 136 mil professores no activo, então, esta tarde, estiveram aproximadamente 2/3 do total a marchar avenida abaixo. Viemos de todo o lado. Do Minho ao Algarve, de autocarro, de automóvel, de barco, a pé, de comboio, todos os meios de transporte foram bons para nos levar até ao local de concentração.
A manifestação surpreendeu pela dimensão, ultrapassando os números mais arrojados que os organizadores pudessem ter sonhado. Foi uma prova de que a ministra não tem razão em insistir que os professores descontentes não devem compreender a bondade das medidas que ela vai impondo sem diálogo nem sombra de tino. Eram demasiados professores. Ou as propostas são muito complicadas de perceber (quase impossíveis de perceber) ou então, na verdade, não têm qualidade para ganhar a simpatia da classe docente.
Na minha perspectiva, as medidas impostas pela actual equipa ministerial têm um único objectivo que é o de conter gastos com a Educação ao nível dos ordenados dos professores. Nada mais interessa a esta corja de nabos que nem sequer é capaz de organizar de forma coerente um conjunto de acções que sirva de maquilhagem aos seus propósitos. São maus a governar, péssimos a comunicar e verdadeiros palhaços na hora do debate.
Hoje estiveram por ali perto de 100 mil cabeças destapadas, sem receio nem ódio. Foi a marcha da indignação.
Temo apenas que as personagens no poder não compreendam nada daquilo a que assistiram. Elas já provaram que é muito limitada a sua capacidade de compreensão. Mais do que seria aceitável.

sexta-feira, março 07, 2008

Amanhã há Marcha!

Amanhã é dia de ir à rua mostrar a estas personagens que não estamos aqui para lhes aturar as brincadeiras de ânimo leve.

A Sra. Ministra parece começar a piar mais mansinho. Parece que quer explicar às pessoas as políticas que tão denodadamente defende com mais unhas que dentes. Mas a coisa não lhe sai bem. Ela não sabe conversar, não tem arte para o debate. Mesmo a mandar ela é fracota. Faltam-lhe competências essenciais. Entre as competências que nítidamente lhe falecem podemos incluir o bom senso, elemento essencialpara manter uma conversa civilizada e decente. Quando a contrariam, a Sra. perde logo a compostura. Fica coraducha, cerra a fineza dos lábios e muda para o olhar matador. A pertir daí, desviem-se que aqui vai disto.

Já o Sr. Secretário surge nesta imagem comosurge sempre. Em fundo, como quem não quer a coisa. Se fala só diz enormidades. Se está calado está a pensar que devia falar. Uma lástima.

Todos juntos (falta aqui o 3º elemento desta santíssima trindade) não chegam a fazer um. Valem muito pouco. O problema são os lugares que ocupam. Aí, apesar do pouco que valem, conseguem fazer muita mossa.

Por essas e por outras amanhã vou estar na marcha. Eu e muitos milhares de colegas e cidadãos fartos de tanta prepotência incompetente. Só para mostrar a esta gente que a impunidade não dura eternamente. Chega o dia em que vão ter de prestar contas.




quinta-feira, novembro 22, 2007

Experiência pedagógica


Uma sala de aulas com vinte e tal crianças com 9 ou 10 anos de idade lá dentro é um espectáculo que deveria ser admirado por toda a gente, pelo menos uma vez na vida.
A ministra da educação, por exemplo, está mesmo a precisar de experimentar a sensação. Era metê-la numa arenazinha desse género, anónima, com umas fichas na mão para a criançada preencher. Deixá-la lá dentro durante 90 minutos e, no fim, recolher os bocados da senhora. Depois colava-se tudo de novo e teríamos uma ministra completamente nova e, quem sabe, renovada.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Caldo entornado

Já não há mais paciência para a completa incapacidade, diria mesmo, para a total incompetência da Ministra da Educação e a sua equipa de anõezinhos. São incapazes, são mal preparados e, sobretudo, mal formados. Não prestam e dão provas da sua azelhice a cada dia que passa. Não bastava a indignidade do Estatuto do Aluno, uma medida inacreditável que apenas passa na Assembleia da República graças a uma maioria parlamentar do Partido Socialista que se caracteriza pela absoluta subserviência à voz do dono.
Nas escolas somos diáriamente confrontados com novas portarias, despachos e outras imbecilidades impostas nas mais variadas formas legislativas, num festival de burrice total e desconhecimento absoluto. A Ministra tem de ser imediatamente afastada do cargo levando com ela, pela mão, os seus secretários de estado e bem podem ir para o raio que os parta.
Estou absolutamente indignado com a forma como as escolas estão a ser tratadas por estes assassinos da educação, esta espécie de corja de talibans suicidas que a cada dia enterram mais e mais um sistema educativo moribundo que assim desce à cova quando ainda respira.
Uma lástima!
Este post é um desabafo, uma manifestação de raiva profunda, provocado pela impotência que sinto perante a imposição de regras que sei (todos os professores sabem!) serem catastróficas para a nossa vida profissional e, pior, para o bom funcionamento da vida nas escolas por esse país fora.
Ministra para a rua, já!

sábado, outubro 06, 2007

Aprender a aprender




Parece-me um pouco absurda a forma como a imprensa aguarda impaciente cada novo discurso de cavaco Silva. Como absurdas me soam as notícias fresquinhas que logo correm as nossas praças após a presidencial faladura.

O Actual Presidente da República é olhado como uma espécie de oráculo, um pensador ponderado e com profundidade oceânica, atributos que nunca antes teve nem é agora que lhe vão nascer no cérebro como flores primaveris para alegrarem a nossa sina modorrenta. O discurso de Cavaco no dia de ontem trouxe particular agitação pelos conteúdos relacionados com o eterno calcanhar de Aquiles da velha nação portuguesa, a educação. Note-se que a dita educaçaõ foi muito maltratada pelo Cavaco 1º ministro e parece agora preocupar sobremaneira o Cavaco presidente da república. Mudam os tempos...

Cavaco afirmou que temos falhado na formação dos jovens portugueses e que esse é o principal problema a resolver. Permito-me acrescentar que a educação dos adultos também se tem revelado um desastre completo contribuindo igualmente para este marcar de passo que nos mantém sempre no mesmo ponto, o ponto de partida. O nosso presidente é, ele próprio, a prova viva desse falhanço. A crença boçal na desnecessidade de "aprender até morrer" faz dos portugueses um povo de potenciais retardados culturais. Basta olhar para os níveis de escolaridade das nossas classes trabalhadoras para percebermos que não é apenas nos bancos das escolas que existe carência de trabalho intelectual.

A educação é um desígnio fantasma de Portugal e dos seus tristonhos habitantes. Dos mais pequenos tanto quanto dos maiores. Em termos de ignorância e falta de entusiasmo pelo conhecimento os filhos são a carinha chapada dos seus pais.

terça-feira, agosto 28, 2007

O milagre

Olhando para os preços dos manuais escolares e as quantias que é necessário investir neste início de ano lectivo fica-se de boca aberta. Segundo notícia do Público o custo total dos manuais para um aluno do 7º ano de escolaridade obrigatória pode chegar aos 192 euros.
Teoricamente o ensino obrigatório é gratuito mas perante valores deste calibre bem vemos que não passa mesmo de teoria. Além dos manuais há toda a restante parafrenália de materiaizinhos para o menino e para a menina e aí vão mais umas notas valentes pelo cano abaixo. Isto é muito caro. Quase pornográfico de tão agressivamente horroroso!!!
Se pensarmos nas médias de ordenados que os pais das criançolas auferem e nos lembrarmos que ainda há rendas de casa, contas de bens essenciais, alimentação, etc., facilmente percebemos que o regresso de férias é um pesadelo a todos os níveis. Como conseguem as famílias portuguesas equilibrar os seus orçamentos?
Mas há mais. Com os juros dos empréstimos bancários que não param quietos e teimam em subir, com os ordenados que não sobem, como é possível sobreviver nesta selva consumista? Pagamos a gasolina caríssima, os preços das telecomunicações começaram finalmente a descer mas foram, durante os anos de monopólio da PT, dos mais caros da Europa. Os bens de consumo essenciais não parecem estar ao alcance da maioria da população.
Neste panorama não é de admirar que os teatros estejam às moscas e os bens culturais, de um modo geral, sejam coisa para as elites que por eles se interessem. Tudo fica cada dia mais caro e os ordenados estagnam em valores quase ridículos!
Pensando nisto não é fácil perceber como conseguem as famílias portuguesas viver com a dignidade que pensamos que merecem. A menos que haja por aí algum milagre.

quarta-feira, junho 06, 2007

Homo Economicus


Que raio de coisa andamos nós a fazer quando permitimos que as disciplinas das chamadas “humanidades” sejam cada vez menos importantes na definição dos currículos escolares dos nossos filhos, sobrinhos, primos e netos? A Filosofia, a Literatura, a História, começam a ser olhadas como empecilhos ao bom desempenho dos alunos noutras áreas consideradas mais de acordo com as exigências da contemporaneidade. As Ciências, com a Matemática à cabeça, sim, são aprendizagens essenciais. O resto é poesia, futilidades desnecessárias que não geram riqueza palpável nem põem comida na mesa das famílias. Quantos analfabetos self-made-men estão aí, aos olhos de todos, para provarem a desnecessidade de conhecimento se o objectivo for enriquecer? Não aprenderam a ler mas foram suficientemente espertos para hoje andarem a passear de Ferrari. Nunca entraram num museu mas isso não lhes fez falta para hoje morarem numa mansão com piscina, 23 quartos-de-banho e dois courts de ténis. Sem contar as criadas com farda, como aquelas dos filmes e das novelas, nem os guarda-costas de óculos escuros e fato-de-treino a fazerem jogging nas traseiras do patrão.
Para um mundo onde a Economia é Deus são necessários sacerdotes que conheçam a linguagem fria dos números, peritos na teologia do Orçamento Geral do Estado, respeitadores dos mandamentos do Banco Central Europeu. Ética e Estética não interessam nem ao Menino Jesus. Pronto, talvez interessem ao Menino Jesus, mas a mais ninguém! Pelo menos não interessam, decerto, às pessoas que realmente contam, as pessoas que mandam mais as que tomam decisões importantes como por exemplo: a qual das facções envolvidas num conflito armado devemos nós vender armas se não conseguirmos vendê-las a ambas? Ou: se despedir 500 trabalhadores for o suficiente para aumentar os lucros da empresa em 0,001% não há que hesitar, os interesses dos accionistas estão sempre em primeiro lugar. Os trabalhadores não sendo accionistas… estas coisas não se aprendem a estudar Literatura e, muito menos, a esfregar o cérebro com problemas típicos da Filosofia!!! Seres humanos hesitariam demasiado na tomada destas e outras decisões absolutamente necessárias para um saudável crescimento e desenvolvimento da Economia de Mercado. Precisamos de desumanizar o ensino de forma a criarmos os líderes de amanhã bem como os respectivos escravos, todos eles necessários ao sucesso da Nação e à sobrevivência da raça.
De tanto olharmos o Sol acabamos cegos. De tanto valorizarmos o dinheiro e as formas mais canhestras de o procurar, acabamos tesos como carapaus. Mas se é esta a vontade de Deus quem somos nós para a pôr em causa?Amen.

terça-feira, maio 22, 2007

E as crianças?


Os números relativos à taxa de cobertura e ocupação de jardins de infância em Portugal mostram bem o fosso que existe entre os ricos, os mais-ou-menos ricos e os pobres, neste campeonato os verdadeiramente pobres nem sequer são chamados.

O Estado continua incapaz de oferecer este serviço essencial à estruturação democrática da sociedade. Os infantários públicos são inacreditavelmente escassos e, para os frequentar, as crianças são inscritas ainda antes de nascerem (muitas delas ainda não são meninos ou meninas). Mesmo assim os encarregados de educação não sabem se terão hipóteses de "arranjar" lugar para o seu rebento. Virá o dia em que o casal, na preparação para o acto sexual, preencherá uma ficha de inscrição para o berçário da zona em que reside, sendo isto considerado um preliminar altamente motivador e excitante.

Claro que há uma rede de infantários privados à qual se pode sempre recorrer em última instância mas os preços praticados são proibitivos para a esmagadora maioria das famílias daquilo a que chamamos classe média baixa, eufemismo que não vou sequer dissecar.

Neste panorama temos então as famílias mais capazes em termos económicos a resolverem o problema educacional dos filhos com relativa facilidade (o dinheiro não é fonte exclusiva de felicidade mas ajuda bastante nalgumas situações) e as outras, a esmagadora maioria, a recorrer à imaginação prodigiosa que, segundo consta, é característica essencial do povo português sempre que se trata de resolver problemas impossíveis. No caso dos jardins de infância este célebre "desenrascanço" nem sempre resulta, ficando muita criança fora do sistema durante demasiado tempo.

Os ricos frequentam escolas privadas até à saída para a Universidade e, nessa altura, finalmente resolvem aceder ao ensino público. Toda a gente sabe que, em Portugal, o Ensino Superior Público é de muito melhor qualidade que o privado. Seria interessante promover um estudo em que se comparassem números relativos à percentagem de alunos que entram no Ensino Superior Público que fizeram todo o seu percurso escolar anterior em instituições privadas. Seria, eventualmente, esclarecedor das enormes desigualdades que a nossa sociedade democrática ajuda a fomentar e se mostra incapaz, sequer, de compreender ou, pelo menos, de encarar de frente. É um paradoxo que as Universidades privadas, mais caras e com propinas mais altas sejam frequentadas por alunos provenientes de camadas sociais menos poderosas(esta afirmação carece de comprovação científica sustentada em sondagens credíveis mas é uma conclusão perfeitamente plausível em termos conceptuais).

A situação do ensino em Portugal continua repleta de incongruências e injustiças visíveis sem que nada seja feito em concreto para a alterar.

Muitas declarações políticas, fogo de vista e frases lindas para cabeçalhos noticiosos, muita demagogia e falsas intenções mas, na verdade, as famílias continuam descalças na tentativa de resolverem o problema de facultarem um ensino razoável aos seus filhos. A coisa cheira ainda pior quando estamos a falar dos mais pequeninos.

É lamentável.

quinta-feira, abril 05, 2007

Os legionários

Como serão seleccionados os gestores de empresas públicas? Os da EPUL parece que já se sabe. Têm de ser militantes do partido que estiver à frente da Câmara Municipal de Lisboa. Ora do PS ora do PSD, não consta que tenham de possuir currículo particular na área do mercado imobiliário porque isso não é preciso para nada. A coisa é escandalosa.

Já para não falar naquele gajo que foi professor de José Sócrates na Universidade Internacional, um tal de António Morais. Alguém sabe quem ele é? A opinião pública começa agora a ver-lhe melhor o perfil. José António Cerejo traça-lhe um retrato nas páginas do Público de hoje.

É impressionante a sucessão de incoerências em que se vê envolvido este engenheiro (para ter sido director do curso de Engenharia da Universidade Independente presumo que seja engenheiro!). Ao ler o texto de Cerejo fica a sensação que Morais dá o dito por não dito com uma facilidade desarmante e atropela as regras mais básicas com semelhante desenvoltura. Com dois processos em cima por absentismo em universidades por onde passou e uma série de acontecimentos extraordinários a dourarem-lhe o quotidiano, este senhor ainda conseguiu ser nomeado por José Sócrates presidente do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça no ano de 2005. Mas também fora director do Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações (GEPI) do Ministério da Administração Interna, etc. e tal.

Não interessa estar para aqui a desfiar as contas deste rosário, para isso temos o texto do Público, o ponto que quero evidenciar é o facto de haver para aí uma legião de mercenários que vai saltitando de empresa em empresa, ocupando lugares de gestão com sérias responsabilidades, sem aquecer o lugar. Ou porque o partido que lhe pôs o tacho debaixo dos queixos perdeu as eleições ou porque afinal não é tão honesto como tinha parecido ao Ministro no jantar do clube, corre-se com a personagem mas ela logo volta a surgir, mais lá à frente, noutro poiso bem quentinho como se nada se tivesse passado.
Mas quem são estes gajos e como conseguem eles estar sempre onde não devem mas querem estar?
No caso deste Morais a coisa pia mais fininho. Posto sob os holofotes mediáticos por via da embrulhada do diploma do primeiro ministro, António Morais mete os pés pelas mãos num número de contorcionismo que começa a ganhar um aspecto verdadeiramente patético. E é assim que somos confrontados com um homem que ou é pouco honesto ou então é muito distraído e que, apesar disso, tem um curriculum vitae recheado de cargos de responsabilidade e com resultados vulgarmente desastrosos. Como chega ele aos cadeirões? Mistério. Mistério? Talvez não. Eles são tantos que os que são honestos e trabalham bem nem parecem existir.

Dá a sensação que, uma vez metidos nos seus fatos escuros só com a cabecinha de fora, enfeitada com colarinho e gravata, qualquer um tem imagem de gestor público ou doutor da mula russa. A partir daí, é fartar vilanagem!
Nota: As personagens da foto estão ali só para ilustrar o gajo do fatinho uniforme. Não têm nada a ver com isto, são de outro campeonato.

domingo, junho 04, 2006

Não dou pra este peditório

A esta hora deve estar a passar no canal 2 da RTP uma entrevista com esta senhora. Como sou professor deveria estar interssado na coisa mas, afinal e de facto, não estou. Nem tão pouco li a versão em papel de jornal que saiu hoje no Público.
Não me seduzem discursos populistas de governantes com mais certezas que dúvidas na hora de atirar a matar. Não me interessam conversas feitas sem margem para surpresas. Não tenho pachorra para a senhora.
O meu objectivo, enquanto professor, é cumprir com profissionalismo as minhas funções. Apesar da ministra. Como dizia a canção de José Mário Branco: "Qual é a tua, ó meu? Neste peditório o pessoal já deu!" Neste caso é só substituir "meu" por "minha". Perde-se a rima mas fica o recado. Estou farto da "minha" ministra.