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quinta-feira, novembro 01, 2018

Deuses aos pontapés

Os irlandeses decidiram acabar com a penalização legal para a blasfémia. Benza-os Deus. O crime de blasfémia foi apagado da lei com 65% de votos a favor e 35 contra. É nesses 35% que se foca a minha atenção.

35% de defensores da manutenção da blasfémia (mas que merda é essa, blasfémia!?) na letra da lei é muito. São demasiados os que consideram necessário proteger das palavras dos comuns mortais um ser que é, supostamente, omnipresente e, sobretudo, omnipotente. Se Deus existe não precisa de protecção deste género. Parece-me excesso de zelo.

Fico a imaginar que esses 35% são um bando de velhos a fazer contas à hora da morte e que pretendem apresentar-se perante Deus o mais limpinhos que forem capazes. Não garanto que, daqui por uns anos, eu não faça parte dessa brigada do reumático que só quer fazer-se notar pelo Criador.

No Paquistão causou furor e espanto a decisão de um tribunal em absolver uma cristã acusada de blasfémia (terá insultado Maomé com 3 afirmações difamatórias e sarcásticas,segundo a acusação). Houve ameaças de morte contra os juízes, a mulher, entretanto libertada, vê-se obrigada a emigrar com a família por temer a fúria dos defensores do bom nome de Deus.

Irlanda e Paquistão, duas nações tão diferentes, dois deuses que não são, ao que parece, o mesmo; cada qual com os seus profetas e respectivos exércitos dementes. Apesar de todas as diferenças e distâncias geográficas, os radicais defensores de Deus mostram a mesma adoração pela repressão do outro, são sádicos morais, assassinos aos olhos de qualquer animal minimamente racional.

domingo, julho 29, 2018

Reflexão dominical

Ouvi dizer que ter consciência é lixado. Logo pensei que ter consciência disso é um passo direitinho na direcção do abismo. Lembras-te do slogan "droga, loucura, morte"? Sim, benévolo leitor, a consciência é a mais intoxicante das drogas. Para sobreviver neste mundo o melhor é evitá-la.

"Bem-aventurados os pobres de espírito porque é deles o reino dos céus" é um dito crístico que, com o tempo e o aturado trabalho de imbecilização levado a cabo pelos sacerdotes das mais variadas seitas, acabou transformado em incitação à beatitude fanática. É como se a finalidade da nossa existência fosse a de nos transformarmos em bovinos, ruminando enquanto contemplamos o misterioso palácio da sabedoria.

Ouvi dizer que ter consciência é lixado. Logo me apercebi que poderá ser uma razão para recusar a ajuda oferecida por pastores e missionários que nos abrem as portas do Paraíso a troco das nossas almas. Dar-lhes ouvidos é como traficar a alma com o diabo. Um diabo com penas brancas a disfarçarem-lhe o par de chavelhos, mas um diabo, sem sombra para a menor das dúvidas.

Ó leitor irmão, não querendo maçar-te mais com problemas alheios, concluo olhando o céu (que hoje está mais azul que a veste da Virgem) enquanto solto um suspiro e penso, sem querer pensar assim (mas penso): valha-me Deus.

quarta-feira, julho 18, 2018

Cristianismo

Parece-me haver um paradoxo curioso quando reflectimos sobre os fundamentos do Cristianismo e a forma como esta filosofia de vida (ou religião) acabou por se cristalizar na sociedade contemporânea.

As mensagens seminais de que os homens são todos iguais perante Deus-Pai (a autoridade suprema) e de que devemos amar-nos uns aos outros como nos amamos a nós próprios, acabam por constituir os fundamentos do pensamento esquerdista. Isto apesar de ser o esquerdista tendencialmente ateu ou, no limite, agnóstico.

Os movimentos sócio-políticos mais próximos das instituições religiosas acabam por se identificar mais com os vendilhões do templo do que com a mítica figura de Jesus Cristo. Isto terá muito a ver com o facto de o pensamento religioso original ser essencialmente poético e, quando capturado pelas instituições religiosas, as igrejas, se verificar uma operacionalização dos seus fundamentos filosóficos de modo a colocá-los ao serviço de uma casta de sacerdotes, tradicionalmente mais próxima dos poderosos deste mundo.

Muito mais haveria para dizer (ou para calar), tudo isto é infinitamente discutível, sei bem, caríssimo leitor, mas penso que há um fundo razoável de verdade na minha afirmação: em termos políticos a esquerda é muito mais Cristã que a direita.

segunda-feira, dezembro 11, 2017

Rabo de fora

Não há nada mais estúpido do que ordenar a existência humana segundo padrões de comportamento pretensamente estabelecidos por uma divindade. É que, para podermos aceder aos desejos, objectivos e imposições do Ser que nos é superior, temos de aceitar uma qualquer intermediação. Para acedermos à informação necessária temos de confiar em quem no-la transmite. Isto é "bullshit", como dizem os outros.

Acreditar que a Bíblia contém a Palavra é uma patetice, baixar a cabeça em presença da Torah, crer no Corão... mais patetices. E por aí adiante. O mais perigoso nem é a literatura inclusa nestes livros, o perigo reside nas mentes distorcidas daqueles que estão encarregues de interpretar os textos de forma a que nós, comuns mortais, possamos obedecer cegamente a... a qualquer coisa difusa que eles vislumbram lá pelo meio das palavras, pois que misteriosos são os caminhos de todos os Senhores.

A Fé tem razão de ser. Mas obedecer cegamente a um exército de imbecis investidos de um poder fantasmático que lhes confere o poder de nos enviar direitos para uma Eternidade repleta de penas e castigos ou, pelo contrário, oferecer-nos as delícias de um paraíso que está sempre muito para além da nossa capacidade de imaginação, obedecer aos padres sejam eles de que cor ou credo forem, isso é uma violação que executamos sobre nós próprios.

Eu gostava de acreditar em Deus mas não sou capaz. Cada vez mais O vejo como sendo um gato. Um gato grande, gordo e pouco educado, escondido atrás do sofá mas com aquele enorme rabo de fora.

quarta-feira, maio 24, 2017

Mudam-se os tempos...

Eles andam por aí. Rastejam sobre duas patas carregando uns expositores com rodinhas onde expõem uns escritos ranhosos oferecendo felicidade a troco de devoção total. Devoção a um deus merdoso que só existe lá na igreja deles.

São os modernos evangelizadores da treta, pobres diabos mal disfarçados de anjos. Trazem asas presas no rabo, asas que arrastam pelo chão. O Verbo não os ilumina. A igreja que representam é um negociozito tão mal amanhado que só pode atrair os analfabetos e os desesperados por um pouco de conforto. Seriam dignos de dó, não fossem tão assanhados e convictos de serem os israelitas dos subúrbios.

Os antigos encomendavam-se a Deus implorando boas colheitas e uma Natureza benévola. Os modernos pedem-Lhe bons negócios e um emprego. É a diferença entre uma sociedade agrícola, na qual os seres humanos viviam com as ventas enfiadas na terra e uma sociedade urbana, na qual os seres humanos vivem com as ventas enfiadas nos mass media.

Sinto-me acabrunhado.

sexta-feira, maio 12, 2017

Perguntem ao Chico

Fátima, Fátima... Fátima. Nos últimos dias, como sempre acontece por esta altura, não se ouve falar de outra coisa. Este ano o falatório começa a chatear de tão intenso, pois temos entre nós o Santo Padre, o Papa Chico.

O Chico vem para canonizar os pastorinhos. Ok, o gajo é o boss da igreja católica, está a desempenhar o seu papel. Terá o Santuário apinhado de ovelhas, as do seu rebanho, uma espécie de Woodstock religioso. A coisa promete.

As dúvidas que me fazem cócegas na cachimónia é: o Chico acredita mesmo nesta cena das aparições em Fátima? É com convicção que vai enfiar mais 3 bonequitos na prateleira dos santos católicos?

Gostava de poder perguntar-lhe estas coisas mas, como não dá para chegar à fala com o amigo Chico ficarei para sempre com as dúvidas enfiadas na garganta.

Alguém que possa que lhe pergunte e depois diga qualquer coisinha. Gostava mesmo de saber, porra!

quinta-feira, abril 27, 2017

Visão mística?

Ó Deus glorioso, eu Te agradeço esta cagadela tão boa.

Grato estou, eternamente grato, por me teres oferecido um aparelho intestinal deste gabarito, por me possibilitares estes sublimes vislumbres do mundo quando, em pleno esforço de expulsar a coisa, no tremelique do "já lá vem", a quase-dor é transformada em alívio total, calmaria absoluta; é como se subitamente olhasse o gracioso frol a enfeitar-me os dedinhos dos pés após o ribombar monstruoso de uma onda de 10 metros que viesse assustar a areia da praia.

Tenho, por vezes, a ímpia sensação de Te ver encostado à parede, sorrindo na minha direcção, quando a coisa lá vai, sanita abaixo e o tremelique cessa de me confundir os olhos.

Será isto uma visão mística?

segunda-feira, outubro 31, 2016

Santa estupidez!

Olhando de relance para os livros de História fico pensando: quantas vezes os que acreditaram agir em nome de Deus acabaram abrindo as portas de suas almas ao Diabo? Quantas vezes os que têm fé na própria santidade convidam o Vampiro a entrar nas suas casas. Ovelhas mansas são perfeitas para ferrar dentes aguçados.

A força da religião é proporcional à debilidade mental. A crendice alimenta-se da estupidez como besouro se alimenta de merda.

Levámos tantos séculos a separar o Estado da Igreja, a construir a Democracia à custa de tantos sacrifícios e agora assistimos, incrédulos, ao cristianismo na sua pior versão, a versão exploradora, assassina da Humanidade, parasita da miséria, assistimos à chegada do fundamentalismo cristão aos lugares do poder Democrático no Brasil.

O resultado disto só pode ser a morte da Democracia. Fundamentalismo religioso e Democracia são como a água e o azeite, não se misturam por mais que o tentemos fazer. As igrejas evangélicas são como serpentes, demónios com asas feitas com penas de galinha, a fingir que são anjos.

Atenção que a coisa medra em Portugal. Eles estão aí, fingindo que não existem, passando despercebidos, a martelar nos bairros pobres, a arrebanhar os analfabetos sociais, fazendo o trabalho do Diabo com frieza e método. A IURD não dorme. A Besta está activa.

Santa estupidez!

quinta-feira, abril 21, 2016

Deus nada ex machina

Acabo de me aperceber que Deus, a existir, não deverá ter criado o Universo, em particular o nosso sistema solar. Isto porque, conforme a pregação, Deus terá criado a Terra para usufruto das suas criaturas, ou seja: nós.

Mas, sabemos agora, o Sol tem um período de vida limitado. O Sol vai morrer um dia e, com ele, toda a Criação.

Das duas uma: ou Deus estava distraído e não soube fazer as coisas, o que Lhe confere um estatuto nada condizente com a Sua suposta infalibilidade, ou então não passa de uma criação de mentes limitadas e ignorantes, como são as nossas.

Uma perspectiva mais melancólica poderá sugerir que Deus nos criou para O adorarmos sabendo de antemão que essa adoração tinha os dias contados. Oh Deus, que raio de coisas Te passam pela cabeça! És masoquista?

Os desígnios do Senhor são, de facto, tão insondáveis quanto a mente de uma minhoca.

quarta-feira, junho 03, 2015

Porcaria nas ruas

As ruas estão a ficar com um ambiente mais poluído. A porcaria sai dos tubos de escape de carros, motos e autocarros. Os detritos característicos de uma sociedade de consumo atapetam os passeios e enfeitam as bermas das ruas alcatroadas. Papéis das mais variadas proveniências, restos de coisas mais ou menos identificáveis; lixo, porcaria, ruído e mau cheiro. Ok, nada de extraordinário - tudo normal!

Mas as ruas estão a ficar mais poluídas. Há um novo tipo de lixo a incomodar os transeuntes e a emporcalhar os passeios. São os missionários evangélicos, ansiosos por espalhar a palavra do Senhor.

Homens e mulheres de aspecto mais ou menos limpo, mais ou menos arranjado, mas sempre com aquele olhar de falcão disfarçado de pinto, que vão proliferando pelas ruas e avenidas deste subúrbio a que chamo casa.

Olhando bem, vendo a forma como se aprumam ao lado dos expositores que colocam à vista dos transeuntes, brochura na mão, a forma como conversam uns com os outros, como tentam passar uma imagem de bonomia e felicidade, olhando bem, noto que tudo aquilo não é mais que fachada.

Tal como todos os outros (os pecadores) estes seres iluminados pela centelha divina pretendem apenas alguém que os ouça, alguém que lhes dê atenção; tal como todos os outros pretendem ser amados e, se possível, suprema felicidade, ser admirados! Isso sim, caraças... aleluia para isso!!!

A admiração é um bálsamo infalível para as feridas da alma.

O meu problema com estas personagens é que elas não acreditam na liberdade, não são boas pessoas, estão sempre dispostas a apontar o dedo e acender as chamas do inferno para grelhar quem não acredita nas patranhas que elas fingem ser reais.

Esta malta actua como actuariam os vampiros: uma vez mordida, a vítima transforma-se num deles, sem apelo nem agravo, para toda a Eternidade. Que porcaria.

terça-feira, abril 07, 2015

Eternidade

O calendário tem uma série de datas festivas, a cada dia corresponde sempre qualquer coisa mais ou menos transcendente. Hoje comemora-se a invenção do chouriço, amanhã a descoberta das Ilhas Mijonas, a seguir o nascimento do borrego papalvo. A coisa não pára.

A Páscoa é uma daquelas festas que me levam sempre a viajar para Norte, em direcção ao lugar onde nasci. Uma vez lá chegado há uma série de tarefas a cumprir, rituais a observar. Ano após ano a coisa repete-se. Repete!?

As pessoas estão todas um ano mais velhas, a santa no altar também mas, no caso dela (por ser santa?) não se nota tanto como nos seres de carne e osso. Nos últimos anos o padre que faz a visita é sempre diferente. Pode ser novo ou velho, não há uma lógica aparente na dança do padre que vem benzer a casa.

As coisas mudam todos os anos com a finalidade de se manterem sempre iguais. E funciona quase na perfeição. Imagino que seja assim que se constrói a eternidade ou lá como se chama essa merda.

terça-feira, fevereiro 03, 2015

Epifania

De súbito compreendeu: não foi o nosso corpo que Deus criou à Sua imagem e semelhança. Não! O que em nós é igual a Deus é o nosso espírito! Cada um de nós transporta Deus dentro do corpo.

Deus fechado num corpo humano anseia a morte, gera a morte com a simples finalidade de se libertar pois Deus não pode ser prisioneiro.

Após esta epifania tenebrosa cresceu dentro dele um profundo desprezo por Deus. O que O levara a cometer tão imprudente milagre? Inexperiência? Malícia pura? Não percebeu Ele que fundir espírito e carne era criar a negra morte?

"Ok, está tudo lixado!" pensou, abanando a cabeça; "o melhor é beber um copo".

Bebeu dois.

quarta-feira, maio 14, 2014

Milagres


Ontem foi dia de comemorar milagre. Saí à rua a olhar para cima, não fosse a Virgem passar por ali e eu, distraído, a não visse. Pensei em todos aqueles milhares de peregrinos que palmilham as estradas de Portugal em direcção a Fátima, terão eles a secreta esperança de dar de caras com Nossa Senhora?

Cansado de olhar por detrás de cada nuvem à cata de uma aparição, lá me orientei por entre os prédios, o lixo, os automóveis e as pessoas com olhar de zombie, penetrando no meu quotidiano delirante com aquela segurança abstracta que define o modo de ser do citadino contemporâneo: "sou um estereotipo", pensei. "Espera, sou um estereotipo que pensa; menos mau."

É bastante frequente ter pensamentos deste tipo, pensamentos que me sossegam, como se desse palmadinhas no ombro a mim próprio: "deixa lá isso, pá, o mundo é uma merda mas tu até nem estás mal"; é assim que nos distraímos dos passos que damos e nos arriscamos a dar de trombas com um santo qualquer?

Talvez não, esta capacidade para a auto-complacência pelo contrário, deve ser coisa para afugentar as bondosas criaturas celestiais. Imagino que um gajo como eu não precise de um santinho que o salve quando se tem a si próprio. Os santos decerto encontram pessoal bem mais precisadinho das suas capacidades curativas.

Ontem foi dia de comemorar milagre mas os milagres são para quem tem a felicidade de tropeçar neles e não para quem deles anda à procura.

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Santa Economia

Em nome da Competitividade e da santidade do Livre Comércio, a Humanidade pariu outra divindade, a já bem famosa Economia.

Costuma-se comparar a Economia com Jeová ou Alá, é uma espécie de brincadeira de adultos, como se uma coisa não tivesse a ver com as outras. Mas tem. A nova divindade é sustentada por uma estrutura de fiéis que cobre todo o planeta  com os seus interesses, como uma teia tecida por milhares de milhões de aranhas.

A Economia tem catedrais por todo o lado. Os altares erguidos para sua adoração são imponentes ou singelos, adoptam as mais variadas formas e tamanhos, mas estão em todo o lado. Conquistam-nos a alma e o coração.

A Economia faz-nos arder de desejo, consome-nos até não restar nada do que somos. Consome-nos até sermos aquilo que desejamos, até nos transformarmos nos objectos que possuímos.

Tal como o cristianismo ou o islamismo, a Economia tem legiões de fanáticos  fundamentalistas. Terroristas, como todos os terroristas. Provocam atentados devastadores, entram-nos casa dentro, olhos acima, cabeça abaixo; bombardeiam-nos diariamente sem dó nem piedade.

Todos os dias morremos em nome da Santa Economia para ressuscitarmos à noite, sempre que dormimos e, finalmente, sonhamos.


domingo, junho 23, 2013

Hipocrisia

A Igreja Católica lidera a contestação à adopção de crianças por casais homossexuais. Os que vêm nesta possibilidade uma aberração absoluta argumentam com tradições culturais e leis naturais. A falta que faz uma figura paternal, o contra-senso que é ter duas mães ou dois pais.

No entanto, as notícias sobre abusos sexuais de menores praticados por membros da Igreja Católica que deviam, à partida, garantir o seu bem-estar material e espiritual, continuam a sair nos meios de comunicação social a um ritmo estonteante. Os órfãos à guarda de padres em instituições de solidariedade social não estão a salvo dos horrores deste mundo. Encontram crueldade predatória onde lhes prometeram amor.

Não ouço as vozes indignadas dos tais guardiões da moral e dos bons costumes, que tanto receiam ver homossexuais a cuidar de crianças, pedir o fecho dessas instituições e a condenação à prisão dos padres pedófilos. Estou em crer que muitas dessas crianças estariam bem melhor entregues a casais anti-naturais do que a homens que são impedidos, por regra religiosa, de o serem.

Sei que estou a misturar "alhos com bugalhos", homossexualidade nada tem a ver com pedofilia. Quero apenas sublinhar a hipocrisia da Igreja Católica que parece mais preocupada com as aparências do que com a essência de certas questões. Não me parece que seja o bem-estar da criançada que move os padres.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Arrivederci!

Tal como a esmagadora maioria dos mortais também eu fiquei de queixo caído com a notícia da renúncia de Bento XVI ao cargo que Deus lhe confiara. Deus, decerto, terá sido o 1º a saber (Terá Ele sabido ainda antes do próprio Ratzinger? Estou em crer que assim foi.)

Bento XVI coloca uma nova questão: entre a dimensão humana e a divina fica o quê? Sim, porque João Paulo II mostrou à humanidade que o corpo humano não tem capacidade para conter a divindade.

O Papa Wojtyla penou a bom penar nos últimos tempos em que desempenhou o papel de representante de Deus na Terra. Torto de doença, decrépito e extenuado, carregou a cruz da sua suposta divindade até ir desta para melhor.

Imediatamente elevado à categoria duvidosa de Santo após bater a caçoleta, João Paulo II foi a imagem inequívoca da fragilidade dos mitos. Ratzinger veio colocar um ponto final a este exagero de forma. Ao renunciar, o Papa confessa-se humano e poupa-nos à desumanidade da mitologia católica apostólica romana.

Finalmente, no momento da despedida, Bento XVI ganha alguma da pouca admiração que o meu preconceito lhe poderia jamais dispensar. "Adeus ó vai-t'embora" como diz o povoléu. Que a vida te seja, finalmente, leve, ó Papa.

sexta-feira, setembro 28, 2012

Indignações

Muito se fala dos muçulmanos que cospem fogo dos olhos e da boca de cada vez que alguém se lembra de lhes mostrar uma imagem considerada ofensiva para os seus princípios sagrados. Que não sabem o que é a liberdade expressão, que não são capazes de conviver pacificamente num mundo livre de preconceitos e o diabo a quatro.

De imediato há vozes que se levantam dentro das fronteiras do chamado mundo livre a avisar os muçulmanos que por cá vivem da necessidade de mostrar respeito pelos princípios sagrados das democracias ocidentais. A liberdade de expressão é um desses princípios e, como tal, respeitinho ou então que se ponham a milhas de distância.

Quando a coisa queima os olhos e a fé das seitas cristãs, sejam a católica, as evangélicas ou outras que agora me não acorrem à memória, como podemos lidar com a fúria dos fiéis? É que Cristo é o herói cá deste lado (Maomé é o herói dos "outros") e, na terra dos livres, à partida, não há limites para a expressão de ideias e convicções.

Pessoalmente já não tenho pachorra para aturar as virgens ofendidas, sejam cristãs ou muçulmanas. Um símbolo é um símbolo e não passa disso. Se não gostam das imagens que vão por aí surgindo não olhem ou então tapem a boca com a mão para que ninguém ouça o palavrão que estas lhes sugerem. E peçam perdão a Deus por terem dito uma coisa tão suja. O assunto fica resolvido.

terça-feira, junho 26, 2012

Monstros

Cristo à conversa com Nessie durante um passeio sobre as águas, lá para o fim da tarde

O fanatismo é uma doença. Manifesta-se das mais variadas formas e não é fácil encontrar processos de cura para tão arrasadora maleita.

Um fanático é como um vírus instalado no tecido social. Muitos fanáticos podem provocar convulsões sociais que detrioram o aspecto das comunidades que parasitam.

Atente-se nesta notícia sobre a forma como os alunos que frequentam as escolas cristãs do ensino privado no sul do estado da Louisiana estão a aprender a história do mundo em que vivemos.


À falta de dados históricos que corroborem os textos bíblicos, a solução encontrada para encaixar os mitos cristãos naquilo que chamamos de realidade, é retorcer os factos até tudo ficar de acordo com a crença e a fé dos professores.


Ok, eu sei que há quem conteste a Teoria da Evolução e olhe para Darwin com o nariz torcido. Tudo bem, o universo científico é feito de discussão e comparação de dados numa eterna tentativa de escrever uma história que faça sentido e seja sustentada por dados o mais objectivos possível. A comunidade científica não envia ninguém para o inferno só por discordar ou pôr em causa este ou aquele postulado.


Os fundamentalistas cristãos, aqueles que seguem a Bíblia como os seus émulos islâmicos seguem o Corão, não admitem outra perspectiva do universo que não seja a deles que, por ser tão hermética e autoritária, resulta frágil como uma erva daninha.


Esta história dos dinossauros e do monstro do Lago Ness tem o seu quê de anedótico, é quase infantil. Ou melhor, seria anedótica e infantil se não tivesse aquele ferrete fanático a incomodar o pessoal. 
Atenção aos monstros, sejam reais ou imaginários.

sábado, março 24, 2012

Pregação

Nos últimos tempos tenho assistido, muito de fugida, à pregação de umas jovens pregadoras de alguma igreja evangélica, não sei qual pois elas não falam comigo. Elas pregam à minha vizinha do rés-do-chão, uma velhinha analfabeta, a palavra de um deus qualquer que conhecem bem porque hoje ouvi perfeitamente uma delas dizer "deus quer". As jovens missionárias sabem o que deus quer e não lhes treme a voz quando passam a mensagem a quem as ouve.

São duas rapariguinhas, muito jovens, vestidas com fatos de saia-e-casaco, que se encostam à parede do hall de entrada do prédio e conferenciam com a minha vizinha como se estivessem a segredar coisas secretas que toda a gente devia saber.

Já as tinha visto a deambular pelas ruas das redondezas, há muitos missionários por estas bandas, rapazes e raparigas com aspecto de andarem a cumprir uma tarefa um tanto enfadonha tal é o modo como arrastam os passos e parecem sempre tristes. Fazem-me lembrar urubus aborrecidos, a debicar um cadáver sem sal apenas porque não há mais nada para fazer nem outra coisa para comer.

A minha vizinha tosse, revira os olhos e responde ao meu "bom dia". As missionárias não tenho a certeza de que tenham respondido. Talvez tenha ouvido um sussurro qualquer, uma brisa de voz parecida com uma resposta, não sei, não posso ter a certeza.

Subi a escada e deixei, lá em baixo, a velhinha entregue às tarefas evangélicas daquelas crianças perdidas e tristes, afogadas nas profundezas da sua suposta fé e dos seus fatos grotescos que lhes escondem a juventude a as transformam numa coisa que só deveriam ser daqui a muitos anos, depois de terem morrido e sido enterradas.

Quando entrei em casa fiquei a matutar no termo "pregação" e como pregar a palavra de deus se assemelha tanto a pregar o seu filho na cruz.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Babel espacial

Quando li a notícia que relata a incapacidade económica dos américas para enviarem a sonda ExoMars Trace Gas Orbiter para o espaço exterior compreendi tudo! A crise económica faz parte de um implacável plano divino. Ora nem mais!!!

Toda a gente conhece a história da torre de Babel, um projecto megalómano que pretendia aproximar o reles ser humano da magnificência divina. Tal soberba foi severamente punida por Deus, uma espécie de tirano irascível na versão do Antigo Testamento, um gajo intragável e mais belicista que um presidente americano em ano de eleições. A mania de elevar a dita torre até onde parecia humanamente impossível acabou por estar na origem das diferentes línguas com que, por exemplo, os europeus actuais se desentendem.

Foi pior a emenda que o soneto! Deus arranjou-a bonita, ao impedir o entendimento harmonioso entre os seres que inventou, à Sua imagem e semelhança. A confusão que gerou com o Seu gesto despótico está à vista de toda a gente. As dificuldades de comunicação geram miséria, guerras e devastação, coisas que parecem aproveitar muito mais ao Demónio mas, enfim, os desígnios do Senhor são insondáveis.

Volto então ao primeiro parágrafo deste post. Tal como no tempo em que os seres humanos tentaram elevar a torre de Babel, agora pretendiam explorar o espaço entre as estrelas, aproximando-se dos territórios privados de Jeová. Este não está de modas e aplica-nos um correctivo semelhante; no passado castigou-nos com a confusão linguística, no presente enviou-nos a confusão económica e cambial que impedirá o lançamento de mais engenhos para o espaço, durante algumas décadas, talvez mesmo durante muitos séculos!

Resumindo e concluindo: estamos a pagar bem paga a vaidade que desenvolvemos ao confiar cegamente nas nossas capacidades criativas ao serviço de uma curiosidade pecaminosa. Não temos nada que ir meter o nariz para lá das fronteiras que o nosso entendimento nos permite ver (compreender já é outra coisa). Se não tentássemos ir para o espaço decerto que Deus nos deixaria viver em harmonia com as ovelhinhas e com as sardinhas e os periquitos. Assim, enviou-nos uma praga ainda mais farçola que as Sete Pragas do Egipto e a gente que aguente.

Pode ser que, com o recuo do programa espacial norte-americano, as coisas voltem a entrar nos eixos e Jeová se mostre um pouco mais meiguinho. Deus nos perdoe e assim o permita.