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domingo, agosto 02, 2026

Objectivo de vida

    Sou um gajo simples. Quero dizer, a minha inteligência não é brilhante, o que penso não ofusca, o que digo não deslumbra. Apesar da minha fraca capacidade para ler o mundo sinto uma ambição talvez estranha por não estar, aparentemente, de acordo com as minhas capacidades individuais. Quero poder, desejo ser um homem poderoso e, aviso já, tudo farei para alcançar este objectivo pois nada nem ninguém poderá jamais privar-me do meu sonho. Eu quero, eu posso! 

    Quem disse que um homem, para ser poderoso, precisa de alguma qualidade extraordinária para lá de uma ambição desmesurada? O que interessa o saber, o que interessa a cultura,  que valor poderá ter a compaixão ou o pensamento equilibrado, a noção de justiça... tudo lixo, patranhas, empecilhos que servem apenas para travar a caminhada dos homens indomáveis em direcção à grandeza a que têm direito! Ambição e capacidade de sedução. Carisma. Dinheiro. Eu quero, eu posso!

    Tudo isto e um bom cabeleireiro. 


quinta-feira, setembro 26, 2024

Pinta, linha e plano

     Hoje apercebi-me daquilo que me parece ser um erro de alguma gravidade. Quando falamos em "elementos básicos da linguagem visual" referimos sempre o ponto, a linha e o plano. É uma sequência lógica que parte do mais ínfimo elemento dessa linguagem para o mais vasto. Partimos do princípio que estamos a referir conceitos tradutíveis por sinais gráficos, mas a coisa não é assim tão pacífica.

    Um ponto é, por definição, um lugar geométrico que resulta da combinação de um determinado conjunto de coordenadas. É uma abstracção, Como podemos pretender que uma pintinha no meio de uma folha em branco represente um ponto? Magritte mostrou-nos, com A Traição das Imagens, que uma pintura de um cachimbo não é um cachimbo. Logo, uma pinta não é um ponto. É uma pinta que, nas nossas monas, significa e representa um ponto.

    Assim, proponho que passemos a designar os elementos básicos da linguagem visual como "pinta, linha e plano", sabendo que a questão da linha ("é um ponto que foi dar um passeio", segundo Paul Klee) e a do plano (será uma recta a rebolar sobre si própria?) também merecem alguma atenção e muita, muita reflexão.