Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, fevereiro 17, 2015

Do Amor

Foi no Dia dos Namorados. Na peixaria encontrei o coração que a imagem acima ilustra. Uma representação de um coração ou, talvez seja mais exacto, uma representação do Amor.

Quem idealizou aquela pequena instalação artística? Não faço ideia. Talvez uma peixeira, não sei. Quando os meus olhos embateram na coisa fiquei meio hipnotizado.

Grotesco.

Aterrador ou enternecedor? O meu coração balançou perigosamente à beira de um abismo estético.

Discretamente fotografei a coisa com o meu telemóvel. Enquanto esperava a minha vez para ser atendido (Um polvo, se faz favor.) reflecti sobre o impulso de quem concebeu aquele pequeno mas fascinante horror.

As pescadas formando um coração, o pormenor colorido dos morangos, como dois coraçõezinhos mais pequenos (ou dois pingos de sangue?). Decerto aquela imagem fora concebida e construída sob o signo da Beleza. Quem fez aquilo, decerto considerou o conjunto como uma expressão de Beleza. Disso não restarão grandes dúvidas.

Esta manifestação de sensibilidade artística merecia lugar em qualquer galeria de arte contemporânea.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Namoros

Hoje é dia de trabalho rotineiro para o Cupido em que ele faz horas extraordinárias. É suposto que ofereçamos coisas que, de algum modo, simbolizem e comemorem o amor.

Essas coisas terão um carácter pessoal, pequenos símbolos privados, significados secretos que apenas a nossa outra parte seja capaz de compreender. Pode ser um pedaço de tecido, uma música, uma simples palavra, um sorriso. O amor é assim, uma coisa extremamente complexa que se caracteriza pela sua extraordinária simplicidade.

Quem ama sabe o que deve oferecer: amor.

Há também a parte mercantil na comemoração deste denominado Dia dos Namorados. Os apaixonados recorrem às lojas para comprar o tal objecto simbólico. Mas, como se criam símbolos do amor que possam ser produzidos e comercializados em massa? Qual o denominador comum da paixão transformada em objecto?

Multiplicam-se os objectos em forma de coração ou decorados com coraçõezinhos de todos os tamanhos e o vermelho predomina. O amor comercial é de um kitsch a toda a prova, o gosto duvidoso dos objectos que se comercializam nesta data é proverbial.

Não é o amor sempre ridículo? Não são as palavras de amor algo que nos escapa boca fora e que só dizemos quando nos encontramos em estado de total estupefacção perante o mundo olhado desde o olhar cego do nosso coração?

O amor não tem cérebro, talvez por isso seja tão avassalador.

domingo, junho 06, 2010

Caos total

Quanto pode um homem apaixonar-se e quanto tempo pode durar essa paixão?
Eu digo-vos, ó meus compinchas, que não há regra nem limite.
A coisa é mais do que eterna!
Quando nos dizem que as paixões esmorecem e que, no horizonte benigno, haverá de surgir uma coisa mais ou menos informe a que gostam de chamar "amor", eu vos aviso, compinchas meus... treta!
A paixão, quando nasce de rompante, leva mais tempo a desaparecer do que o tempo que dura uma vida. Porque a paixão não é mais o que o fogo do desejo. E quando esse fogo se canede (acende-se ninguém sabe como) nunca mais esmorece e, muito menos, se apaga. Se o amor existe, isso só pode ser paixão. Enorme, assolapada, absoluta. Para sempre. Desejo até que um dia desapareça a face da terra.
Caos total.