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domingo, junho 21, 2015

As vozes

Sinto-me azedo. Devo estar estragado. As vozes dentro da minha cabeça querem comer-me os olhos. As vozes dentro da minha cabeça querem fazer-me cego. Mas eu quero continuar a ver e faço de contas que não as ouço.

As vozes dentro da minha cabeça não podem ter a certeza de que se fazem ouvir. Vou conseguindo manter o poder da visão. As vozes na minha cabeça estão agitadas. Falam umas por cima das outras. Já não sussurram. Agora todas falam alto, algumas gritam. Mas eu aguento a confusão e continuo a olhar para o mundo.

As vozes dentro da minha cabeça querem comer-me os olhos mas, estou em crer, as vozes não têm dentes. Na verdade querem assustar-me, fazer-me acreditar que não vejo. Mas ainda agora vi um bebé a sorrir e reparei que as nuvens eram tão brancas que o céu ganhou uma maravilhosa tonalidade de azul . 

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Momento introspectivo


Ensinar a desenhar é uma coisa divertida. É como fazer uma viagem com a diferença de que, no mundo real, quando viajamos para algum lugar, esse lugar, em princípio, existe e está lá, à nossa espera. No mundo do ensino do Desenho, o lugar para onde vamos ainda não existe; imaginamos que vá existindo, à medida que avançamos.

Um dos maiores desafios para não nos perdermos na floresta (por onde sempre temos de meter quando vamos em frente na aprendizagem das coisas do Desenho) é sermos capazes de verbalizar o que nos corre pela cabeça ao tentar explicar qualquer coisa ao jovem aluno. É como se fossemos construindo a estrada à medida que a vamos pisando.

Descobrir palavras capazes de dizer coisas que (ainda) não existem e que, mesmo depois de ditas, podem continuar a não significar nada que se compreenda, exige, mais do que imaginação, alguma inconsciência.

Sim, para ensinar Desenho não podemos ser completamente sãos da cabeça (pelo menos no sentido em que normalmente se aponta a sanidade mental característica de uma sociedade economicista que é o sermos pouco mais que um calhau com laivos de Humanidade) recomenda-se até uma certa dose de infantilidade e uma dose razoável de erudição visual.

Isso é fundamental porque, quando nos faltam as palavras e aquelas que inventamos se parecem demasiado com coisas banais, há sempre a possibilidade de recorrer a uma referência visual adequada à situação. E, com um computador por perto, o Santo Google fornece-nos todas as imagens com a velocidade instantânea de um dinossauro raptor.

Quando dou aulas de Desenho sinto-me frequentemente fora do tempo. Imagino que seja isto a Fonte da Juventude.

segunda-feira, agosto 12, 2013

Pensamento à beira-mar

Tantas certezas sobre como as coisas são e não são, podem plantar no teu peito sementes de amarga angústia. Não lhes desejes as flores, muito menos lhes queiras provar os reluzentes frutos.

segunda-feira, junho 17, 2013

Pensamento profundíssimo

Porque haveriam todas as pessoas de querer ser inteligentes? Afinal de contas, a ignorância é um lugar de descanso e as pessoas andam quase sempre cansadas ou, pelo menos, muito se queixam disso.

Mas, se a ignorância é um lugar de descanso, a estupidez é um verdadeiro resort de luxo para os cansados da vida.


sábado, março 24, 2007

???

E se o mundo que nos rodeia fosse apenas uma piada de mau gosto? Se tudo isto não passasse de uma tremenda ilusão criada por um demónio táo perverso que nos fez imaginá-lo como uma divindade bondosa? Com um sentido de humor inatingível, o demónio/deus criara uma interminável comédia da qual não conseguimos descortinar o enredo pela simples razão de que não existe enredo nenhum. Sem princípio nem fim que se adivinhe, o mundo vai existindo esquecido e desprezado pelo seu abominável criador. E se nós não fossemos nada?