O caso tem todos os contornos de uma coisa infinitamente estúpida. Quem terá decidido que a obra "Portugal Enforcado", um trabalho escolar da autoria de um tal Élsio Menau, era merecedora de censura por parte do estado? Fazendo uma pesquisa breve na Net compreendemos tratar-se de um trabalho inofensivo e pueril.
O que me surpreende mais até é a nota de 18 valores com que o objecto acabou por ser avaliado. Eu sei que nessa avaliação está também considerada a dimensão conceptual da proposta plástica mas, tendo em conta a redundância da coisa, é precisamente por isso que me parece uma avaliação exagerada. Decerto os avaliadores estão lixados com a forma como o governo tem apertado o nó na garganta de cada um de nós, aqui representados por uma bandeira de algum modo colocada numa forca.
Decerto que não foi a discordância com a nota atribuída que levou um cidadão deste país a acusar de desrespeito ao símbolo nacional o "Portugal Enforcado" e, por arrasto, o seu autor. A motivação pidesca e rasteira de tal denúncia diz tudo o que haja a dizer sobre o seu autor.
Há, no entanto, uma possibilidade que ainda não foi considerada: e se o denunciante for um artista plástico (assumido ou que ainda não tenha compreendido a sua vocação artística) e a denúncia for a sua obra? E se este caricato caso de justiça não for mais do que um manifesto artístico escondido que reflecte sobre a vacuidade da justiça em Portugal? Se o artista pretender insinuar que os tribunais são uma das traves que sustentam a forca em que Portugal vai dependurado?
A Arte Conceptual leva-nos para territórios verdadeiramente selvagens.
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quarta-feira, junho 25, 2014
domingo, abril 14, 2013
Igualdade e tubarões
Começam a fazer-se ouvir por aí algumas vozes que nos pretendem alertar para o suposto facto de que a "igualdade" entre os cidadãos é uma utopia absoluta.
Bem vistas as coisas, apesar de todas as transformações no sentido de promover uma aproximação entre as diferentes classes sociais no que diz respeito ao acesso a bens de primeira necessidade (saúde, educação, justiça, habitação) a verdade é que as distâncias se mantêm e, em muitos casos, parecem mesmo ter aumentado.
A luta pela justiça social é um caso perdido? Será a desigualdade um fado da espécie humana? Diz o ditado que "peixes grandes comem peixes pequenos" e este mundo está pejado de tubarões com dentes afiados e barrigas com demasiado espaço.
Bem vistas as coisas, apesar de todas as transformações no sentido de promover uma aproximação entre as diferentes classes sociais no que diz respeito ao acesso a bens de primeira necessidade (saúde, educação, justiça, habitação) a verdade é que as distâncias se mantêm e, em muitos casos, parecem mesmo ter aumentado.
A luta pela justiça social é um caso perdido? Será a desigualdade um fado da espécie humana? Diz o ditado que "peixes grandes comem peixes pequenos" e este mundo está pejado de tubarões com dentes afiados e barrigas com demasiado espaço.
segunda-feira, julho 23, 2012
Tolinho
Passou um ano sobre o massacre da ilha de Utoya. Os noruegueses mostraram ao mundo uma comovente capacidade de resistência à desgraça.
Contrariamente ao pretendido por Breivik, o assassino, que afirma ter protegido o país da “invasão muçulmana” e de uma sociedade “multicultural”, "O povo norueguês respondeu abraçando os nossos valores. O assassino falhou, o povo venceu", nas palavras de Stoltenberg, primeiro ministro do país nórdico, em Oslo, durante a cerimónia de homenagem às vítimas dos ataques.
Breivik aguarda o veredicto do tribunal. Ele afirma-se inocente e quer que o seu acto seja considerado como tendo motivações políticas. Por outro lado a acusação defende que Breivik é um refinado tolinho (como pode afirmar-se inocente se não for completamente tótó?) e que deverá ser julgado como tal.
Se for considerado culpado dos crimes a pena máxima é de 21 anos. Caso seja considerado tolinho vai o resto da vida para uma gaveta num hospício.
Oxalá seja fechado num hospício. Por mim fechava-o num quarto vazio com paredes espelhadas para que se visse a si próprio sempre que tivesse os olhos abertos. Talvez assim percebesse que não passa de um refinado tolinho, um demente inútil a quem a única obra que resta é olhar-se nos olhos até ao dia em que se apague e vá ocupar o lugar que lhe compete nas profundezas dos esgotos do inferno.
A prisão é um lugar demasiado confortável para semelhante animal.
Clicar aqui para ver post sobre o mesmo animal publicado a quente em cima das primeiras notícias sobre o massacre.
Contrariamente ao pretendido por Breivik, o assassino, que afirma ter protegido o país da “invasão muçulmana” e de uma sociedade “multicultural”, "O povo norueguês respondeu abraçando os nossos valores. O assassino falhou, o povo venceu", nas palavras de Stoltenberg, primeiro ministro do país nórdico, em Oslo, durante a cerimónia de homenagem às vítimas dos ataques.
Breivik aguarda o veredicto do tribunal. Ele afirma-se inocente e quer que o seu acto seja considerado como tendo motivações políticas. Por outro lado a acusação defende que Breivik é um refinado tolinho (como pode afirmar-se inocente se não for completamente tótó?) e que deverá ser julgado como tal.
Se for considerado culpado dos crimes a pena máxima é de 21 anos. Caso seja considerado tolinho vai o resto da vida para uma gaveta num hospício.
Oxalá seja fechado num hospício. Por mim fechava-o num quarto vazio com paredes espelhadas para que se visse a si próprio sempre que tivesse os olhos abertos. Talvez assim percebesse que não passa de um refinado tolinho, um demente inútil a quem a única obra que resta é olhar-se nos olhos até ao dia em que se apague e vá ocupar o lugar que lhe compete nas profundezas dos esgotos do inferno.
A prisão é um lugar demasiado confortável para semelhante animal.
Clicar aqui para ver post sobre o mesmo animal publicado a quente em cima das primeiras notícias sobre o massacre.
sábado, junho 18, 2011
Examinações
Na minha qualidade de professor numa escola pública onde se realizam exames, a nível de escola e a nível nacional, tenho como uma das minhas tarefas obrigatórias a vigilância. Todos os anos reunimos os professores numa sala e assistimos a uma longa e monótona exposição dos passos a seguir para que tudo se processe conforme a regras determinadas pelos serviços do ministério. São regras apertadas, dignas dos guerreiros de Esparta. Afinal de contas trata-se de impedir situações fraudulentas que os alunos examinados são adolescentes ardilosos, capazes dos mais inimagináveis expedientes para aldrabar o sistema.
É assim todos os anos.
Só que este ano a coisa ganha contornos especiais. Ficamos com o olhar mais focado no nosso desempenho como vigilantes uma vez que os acontecimentos recentes num exame do Curso Normal de Magistrados Judiciais e do Ministério Público colocaram a aldrabice num novo patamar de realização (ver aqui). Os aspirantes a juízes da nação portuguesa copiaram forte e feio, mostrando a todo o povo português a dimensão ética que os enforma.
A situação é patética mas, mais patética ainda, foi a primeira decisão dos responsáveis pelo dito exame. Os pequenos projectos de magistrado copiaram? Ok, acoisa resolve-se; passam todos com 10 valores. O caso transpirou para os jornais e o escândalo obrigou a revisão desta decisão aviltante. Resta-nos aguardar o desenlace desta palhaçada.
Ficamos a conhecer melhor aqueles que nos julgam e compreendemos um pouco de certas situações incompreensíveis que acontecem nos tribunais.
sábado, setembro 08, 2007
Arguido
Os meios de comunicação muito contribuem para esta salsada ao atirarem grandes títulos, gordos e tonitruantes, para as primeiras páginas. FULANO DE TAL FOI CONSTITUÍDO ARGUIDO NO PROCESSO!!! Pronto. Está frito, cozido, assado e escalfado! É como se não houvesse mais nada a fazer senão decidir a cor do fato que irá usar na prisão. A confusão instala-se, a populaça aparece de imediato, saída de debaixo das pedras da calçada, ululante, reclamando aquilo que imagina ser Justiça: o linchamento do arguido.
O célebre casal McCann, pais da pequena Maddie, desaparecida vai para demasiado tempo na Praia da Luz, foram constituídos arguidos no processo de averiguação que desde então decorre por estes lados. Outrora apaparicados por uma opinião pública chorosa, amável e compreensiva, Kate e Gerry foram apupados pela turba quando se dirigiam para as instalações da polícia, a fim de prestarem declarações. Não foram acusados de nada. Apenas passaram de testemunhas a arguidos o que lhes dá outro tipo de direitos nos interrogatórios em curso. O sistema judicial é demasiado confuso e complexo para um leigo como eu.
Na verdade estou-me bem a lixar para todo este processo, mais circense por via do mediatismo que ganhou, do que coisa séria e seca como devia ser um processo judicial discreto e circunspecto. O que me impressiona é a facilidade com que a populaça muda de opinião e atitude, ao sabor das nuances mediáticas e transforma com ferocidade os seus herois em vilões por dá-cá-aquela-palha. Espero que nos fim de toda esta feira mediática de aberrações impossíveis, sobre alguma margem para que se faça Justiça. E, já agora, caso seja possível, que prevaleça qualquer coisa parecida com a Verdade.
Até lá, deixemos os arguidos em paz.
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