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terça-feira, dezembro 26, 2017

26 de Dezembro

26 de Dezembro é um dia como os outros mas com alguns pormenores um pouco lixados. É o dia das trocas, entre outras coisas.

Filas de pessoas com saquinhos que transportam prendas para troca. Coisas que se ofereceram a alguém que já tinha coisas iguais (ou equivalentes), prendas que se receberam com um sorriso nos lábios e algum desprezo no coração, várias são as razões que levam os consumidores a entrar nas lojas com sacos nas mãos, um pouco ao contrário do que é habitual (sair delas com os tais sacos pendendo).

Não é bem uma ressaca mas anda lá perto. O Natal do Consumo é, de facto, uma boa merda.

quinta-feira, dezembro 21, 2017

É Natal

Sopra uma ligeira brisa. Imagino que venha da Lapónia embrulhada em papel estampado com renas de narizes vermelhos como papoilas. Sopra sobre a fila de carros ordenados em formato de serpente que se enfiam na barriga do centro comercial. Carros com pessoas dentro que têm desejos dentro de si, imensa matriosca natalícia: centro comercial, carros, pessoas, desejos, por esta ordem.

A brisa é fresquinha, agradável, um friozinho limpo que ajuda a compor a época que atravessamos. Imagino o Pai Natal, balofo, vagamente bonacheirão, um pouco desagradável nos modos porque responder a tantas solicitações não deve ser pêra doce. Além do mais é necessário meter na ordem todos aqueles duendes que trabalham afanosamente para que o trenó esteja pronto e preparado no dia certo.

Sobrevoar o mundo inteiro a descer por chaminés não é propriamente a profissão ideal para um gajo com problemas de obesidade. Se não fosse distribuidor de presentes o que faria o Pai Natal para pagar as contas? Talvez pudesse tentar uma carreira na publicidade. Teria ele um sucesso semelhante ao Cristiano Ronaldo ou à Charlize Theron?

Sopra esta brisa, quase vento, que confunde o calor do sol, o Menino Jesus a competir com o Astro-Rei, como é costume. A santidade a bater-se com sentimentos profanos e ansiedades consumistas... é Natal!

domingo, novembro 17, 2013

Natalices

Há uma canção que diz que "Natal é quando um homem quiser". Sinceramente sempre me pareceu poesia a mais mas, recentemente, o presidente da Venezuela veio tornar a cantiguinha em doce realidade (ver aqui). Nicolás Maduro é um coração de manteiga e, muito por causa disso, tem sido ridicularizado.

A intenção de Maduro é louvável, ele quer trazer felicidade e esperança ao povo. Não percebo bem a razão pela qual tão gozado tem sido.

Hoje de manhã fui ao centro comercial e, por todo o lado, há árvores e enfeites de Natal! Não reparei que alguém tenha considerado ridícula esta antecipação da festa do Menino Jesus ou do Pai Natal, conforme as inclinações mais religiosas ou mais consumistas dos festejantes.

Fica a sensação de que em nome do consumo podemos decretar sem temor a antecipação do Natal mas, se o fizermos em nome de outra coisa qualquer, podemos levar com gargalhadas jocosas pela cabeça abaixo. Não me parece justo.

Por mim o Natal até pode ser em Agosto, embora dessa forma a vaca e o burro que aquecem o Menino Jesus corram o risco de ir para o desemprego.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Um desejo

O Natal passou, vem aí o último dia deste ano. 2012 sempre vai acabar com o mundo, aparentemente, intacto ou, pelo menos, apenas um pouco menos saudável. Nada de muito preocupante.

Desejar um Novo Ano feliz soa a conversa mole, conversa de circunstância. O melhor é não o fazer. Fico-me por um desejo mais sincero, caro leitor, quanto ao Novo Ano, desejo, apenas, que lhe sobrevivas. Dê lá por onde der.


sexta-feira, dezembro 25, 2009

O Sexo, o Natal e a economia



Hoje é dia de Natal. Em muitos lares por este Portugal adentro a televisão substitui a lareira e é para ela que se dirigem todos os olhares das famílias reunidas em seu torno. Mais logo a TVI irá transmitir o filme O Sexo e a Cidade. Não há Pai Natal naquele filme, nem Reis Magos nem Presépio, nem nada que se relacione com a quadra festiva que aquece os nossos corações. Este (in)significante fait-divers faz pensar nas distantes origens desse canal televisivo, originalmente atribuído à igreja católica, num processo mais milagroso que transparente. Lembram-se? Eram os primórdios dos canais independentes do poder político que prometiam um mundo novo no panorama televisivo. Com 4 canais, afiançavam-nos então, teríamos diversidade, variedade e competição, benesses do mercado livre. Volvidos todos estes anos o que podemos constatar? Que os canais, na sua luta insana para captarem investimento publicitário, se acotovelam com novelas, concursos imbecis e telejornais infindáveis, numa amálgama fedorenta, uma papa indistinta e massificadora. Fomos enganados?

Esta constatação pode alargar-se a outros domínios. O poder político, por exemplo. Também aqui ficamos com a sensação de que entre os chamados “partidos do arco do poder”, o PS e o PSD, há uma sobreposição absoluta de objectivos, comportamentos e discursos. A falência das ideologias tornou-os tão semelhantes que ninguém vê grande diferença entre um e outro quando ascendem ao cadeirão do poder. Uma vez aí sentados, os líderes destes partidos abrem os dossiês da roubalheira e ficam deslumbrados, como miúdos num hipermercado em vésperas de Natal. É a economia, dizem-nos, a economia obriga a fazer isto e a esquecer aquilo, garantem-nos. Estaremos a ser ludibriados?

Afinal de contas em que ficamos? A democracia sobrepõe-se à economia? O poder político pode orientar-se por princípios humanistas ou a frieza dos números tudo justifica? Fica a sensação de que a massificação boçal é o único caminho possível para a nossa sociedade. Sejamos boçais, se não nos resta outra opção. Pode ser que O Sexo e a Cidade não seja tão mau filme quanto isso e sempre constitui uma alternativa ao velho James Stewart franzindo a testa em Do Céu Caiu Uma Estrela.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Luta de Titãs






"Vêem-se um pouco por todo o país. São estandartes de pano. De um fundo grená emerge a imagem de um Menino Jesus barroco, de braços abertos. Para os cristãos, este é o verdadeiro símbolo do Natal e por isso pode ser lembrado e assinalado deste modo, nas janelas, varandas ou portas daqueles que acreditam. (ler tudo aqui)"

Cansados e até mesmo desgostosos por verem o Pai Natal a sorrir sem concorrência, os cristãos mais convictos decidiram contra atacar e criaram um novo símbolo ilustrativo da quadra natalícia. É o Menino Jesus a tentar ganhar protagonismo.

Se o verdadeiro espírito natalício e cristão se desvirtua todos os anos, acabando por se confundir com uma descabelada fúria consumista corporizada na figura do Pai Natal, só resta aos verdadeiros cristãos recuperar a solidariedade humanista de cariz místico que deveria reinar nos dias que correm.

Aqui há dois anos, mais coisa menos coisa, houve uma invasão de terríveis pais Natal que amarinhavam pelas fachadas de Portugal inteiro, numa exibição de mau gosto infantilóide sem precendentes. Agora, tímidamente, surge o Menino saído da manjedoura directamente para as janelas e varandas dos portugueses. Vá lá, convenhamos que, em termos estéticos, vai bem melhor que os tais pais Natal.

Não deixa de ser uma competição curiosa e uma chamada de atenção para a forma como vivemos o Natal. Qual é a nossa equipa; somos do Menino Jesus ou somos do Pai Natal? Eu não digo.

domingo, novembro 29, 2009

Presentes, passados e futuros


Li hoje uma notícia na secção de economia do Público que dá conta que no topo da lista dos presentes de Natal mais populares na Europa estão... os livros! Ainda anteontem aqui deixava um post sobre a razão da não-leitura que uma aluna minha me havia apresentado e sobre as dúvidas que sinto a respeito da sobrevivência futura da literatura e, catrapumbas, aqui está uma notícia que contradiz os meus receios. "Ora toma que é para aprenderes a não seres pessimista" pensei eu, rindo de mim próprio, sentindo até um pouco de desdém pela minha pessoa por ter sido capaz de imaginar semelhante bizarria. A literatura pode lá sucumbir à indiferença das novas gerações!

Assim reconfortado continuei a vaguear preguiçosamente pelas páginas do jornal mas havia qualquer coisa que continuava a barafustar lá ao fundo da minha caverna craniana. Voltei atrás para perceber o motivo de tal desassossego e lá estava eu, teimoso como uma mula, a não me deixar descansar sobre este assunto.

"Claro que os livros são os presentes mais populares na Europa!" dizia eu, "Enquanto for a nossa geração a deter o poder de compra vamos continuar a investir nessas relíquias mas estamos a cavar a sepultura dos livros quando oferecemos jogos de computador e DVD's como complemento. Os livros vão direitinhos para a prateleira e os putos vão colar os olhinhos nos écrãs horas a fio, consumindo o tempo e a inteligência em gestos e rotinas maquinais... um inferno!!!". Abanei a cabeça por perceber que não desisto de ser pessimista. Virei-me as costas e saí dali, enfadado, fartinho de me aturar.

Pousei o jornal e regressei ao livro que estou a ler: "O Natal do Senhor Scrooge e Os Sinos do Ano Novo" de um tal Charles Dickens. É nestas ocasiões que penso como seria bom se conseguisse ler os textos no seu inglês original.

domingo, novembro 11, 2007

O corpo, gaiola da alma

Com o Natal à porta (vem longe mas dirige-se á porta) os panfletos publicitários multiplicam-se nas caixas de correio. Prometem-se preços incríveis, produtos extraordinários, promoções imbatíveis. Enfim, é o paraíso na Terra, consumismo límpido como a face de um anjo.
No meio da papelada colorida encontrei esta "Família Portuguesa" número 2 de 2007. Não me tinha apercebido do número 1, nem sei se houve outras edições em anos anteriores, mas esta lá me captou a atenção. Pelo título da revista e pelas características do papel pensei que fosse mais uma daquelas publicações de seita religiosa, mas não. Havia uma pequena surpresa à minha espera.
A responsável pela edição é uma tal House of Trends Company com sede na Dinamarca. Eh lá, uma revista originária da Dinamarca intitulada "Família Portuguesa"! Olhando melhor pode ver-se que o corpo editorial trabalha algures a partir da Holanda e, por fim, a impressão é realizada na Alemanha. Caramba! As voltas que dá esta "Família Portuguesa" até chegar ás nossas caixinhas de correio.
Olhando para a capa ficamos com a sensação de que, afinal, há qualquer coisa de seita por trás da revistinha. Fala-se no salvamento de uma tal Maria Sofia, em dores que desapareceram, zumbidos nos ouvidos que foram curados e alguém que recupera energia para enfrentar a vida. Firmeza (de carnes), magreza, enfim, imagens e relatos de felicidade recuperada através de algo ou de alguma coisa. Lá dentro anúncios completam as reportagens e entrevistas que nos dão notícia de curas e recuperações quase milagrosas de uma série de personagens. Umas conhecidas dos écrãs de TV, outras anónimas mas igualmente felizes. Os anúncios são, invariavelmente, a produtos de uma tal Pharma Nord http://www.pharmanord.com/.
Enfim, a revista promete mundos e fundos para os utilizadores dos vários produtos desta empresa, tendo como matriz a recuperação da perfeição física seja qual for a idade desde que se recorra à utilização dos referidos fármacos milagrosos.
É um ataque vindo de terras do Norte da Europa tendo como objectivo tornar-nos a todos mais belos, mais perfeitos e mais felizes. A vida saudável a fazer das suas, o ideal do corpo são a tornar-se, cada vez mais, uma espécie de nova religião para a felicidade dos consumidores.
Passa-se a mensagem de que vale tudo para melhorar o nosso aspecto físico nem que, para isso, tenhamos de abdicar de pequenos (ou grandes) prazeres. É a proposta de dar a alma pelo corpo transformando-o numa gaiola dourada.
É para quem quiser.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Sonhos e fantasias natalícias

Muito se tem falado do consumismo desenfreado provocado na população portuguesa pela quadra natalícia. Por arrastamento falou-se também de uma espécie de guerra à pureza espiritual da época, da substituição dos símbolos tradicionais (o presépio com toda a sua iconologia característica) por símbolos menos piedosos (o pai natal, por exemplo) e da suposta investida políticamente correcta na tentativa de despir o Natal do seu significado religioso.
Tretas!
Há muito tempo que do presépio emergiram os reis magos como principais referências,
com as suas oferendas ao Menino. Todo o barulho deste ano me parece apenas um eco difuso de algo que caíu ao chão e se partiu vai já para muito tempo mas de que só agora se ouve o estrondo.
A Igreja Católica lá resolveu vitimizar-se, fazer papel de coitadinha, com as histórias de professoras espanholas que terão deitado para o lixo os presépios feitos pelos seus pequenos aluninhos inocentes (espero que ao menos tenham separado os materiais para reciclagem) e outras patranhas do género.
Com a batalha do referendo do aborto a aproximar-se a passos largos todos os argumentos são válidos e ainda a procissão vai no adro!
Nada disto me parece lá muito honesto e fico com a sensação de que, mais uma vez, a caixa de ressonância dos mass media transformou o piar de um pardal em rugido de tigre da Malásia.
Enfim, depois de uns dias na santa terrinha, lá para as bandas da fria Beira Alta, o 100 Cabeças está de regresso e pode afirmar com toda a segurança que o espírito natalício sobreviveu intacto e está de perfeita saúde. Houve bacalhau e sorrisos, abraços e beijos, reencontros daqueles que só mesmo o Natal proporciona e, claro está, muito consumo, comezaina da grossa e prendas.
A tradição ainda é o que era.

sábado, dezembro 09, 2006

Outras coisas

O debate sobre a questão do aborto está aí. Começam a definir-se os contornos da discussão e, como seria de esperar, de ambos os lados da barricada os argumentos, os métodos e as perspectivas não mudam grandemente. Quem estivesse à espera de alguma transformação na forma como a coisa vai ser equacionada bem pode tirar o cavalinho da chuva: está tudo na mesma... como a lesma!
A igreja católica chegou a dar a sensação de que iria colocar-se sabiamente à margem mas não é capaz, não tem maturidade suficiente para acreditar na maturidade dos indivíduos pelo que, mais uma vez, avança com infernos e demónios tentando inquinar uma discussão já de si bem envenenada. Tudo velho.
Cada vez mais se ouve falar do problema da obesidade (infantil ou nem por isso), havendo mesmo quem lhe chame "epidemia", nome feio que talvez não se ajuste ao caso vertente mas que já dança nalgumas cabeças pensantes.
Segundo uma tal de Ana Rito, doutorada em Saúde Pública na área da nutrição infantil (ver entrevista na Visão nº 718), combater esta "epidemia" (o termo é dela) "só é possível tendo por base parcerias com todos os intervenientes - media, Governo, escola, família, profissionais de saúde e indústria alimentar." Se for assim, se é necessário concertar esforços, conceitos e princípios envolvendo esta maralha toda lamento, mas não há hipóteses de vencer a batalha. Para conseguir congregar esforços de tão diferentes agentes e instituições teríamos de operar uma revolução social mais radical que aquela que saíu da Revolução Francesa.
Pedir aos industriais da alimentação que abdiquem de uma margem dos seus lucros em nome da saúde das criancinhas é o mesmo que pedir ao diabo que desfaça os negócios de compra e venda de almas que lhe garantem a subsistência. Tão grande inocência da parte desta senhora mostra bem que o exército não tem generais à altura desta guerra. Está perdida. Resta-nos a guerrilha nem que seja com pedras na mão. A coisa pede mesmo é uma intifada contra a obesidade. Estamos entregues a nós próprios.

A literatura não deixa de nos surpreender. Anuncia-se para breve um livro da autoria de Carolina Salgado. "Quem é essa senhora?" perguntarão os mais distraídos rebuscando nas prateleiras da memória outras obras com tal assinatura. Não se cansem, é livro de estreia e certamente único. Carolina Salgado é a senhora que viveu com Pinto da Costa durante uns tempos e que, agora que separaram os trapinhos, tem dado muitas dores de cabeça ao velho lobo dos futebóis. A publicação de tal obra-prima aguça já o apetite dos mais marotos prevendo com gozo antecipada um camião de roupa suja a lavar na praça pública com água de fonte luminosa.
Depois de Vítor Baía e Ricardo, de José Mourinho, Jorge Costa e o próprio Pinto da Costa terem brindado o mundo das letras com obras de primeira água porque não poderia também esta cidadã tentar a sua sorte nos escaparates?
Coisa linda, conforme se verá.

Enfim, o Natal aproxima-se a galope, as dietas e o bom senso vão fazendo as malas e em breve entrarão de férias para os lados do Havai. Nós, por cá, vamos andando. Com a cabeça entre as orelhas, como convém.