A notícia é triste: Fecho de salas da Castello-Lopes deixa Açores, distrito de Viana e cinco cidades sem cinema. Além de significar mais umas dezenas de pessoas no desemprego representa uma espécie de regresso ao passado ou mais atrás ainda que o passado.
Desde que me lembro sempre houve uma sala de cinema perto de mim. Pelo menos uma, como era o caso do velhinho Cine Rossio que preencheu o meu imaginário ao longo da mais tenra infância e adolescência, quando vivia na cidade de Viseu. Depois (não sei bem quando) surgiu o Cineclube de Viseu que funcionava em salas mais ou menos improvisadas, com condições de projecção um tanto manhosas mas que passava filmes magníficos (foi numa dessas sessões, sentado numa vulgar cadeira de sala de jantar que vi, pela primeira vez, Andrei Rubliov, talvez o filme da minha vida).
É evidente que o mundo mudou, o acesso a filmes tornou-se algo banal. Primeiro com as cassetes de VHS, depois com os DVD e agora com a imensidão do mundo virtual online a relação dos indivíduos com a 7ª arte transformou-se; democratizou-se mas também perdeu qualidade.
Toda a gente sabe que não há nada como ver um filme numa sala de cinema. Vê-lo em casa, sentado no sofá ou deitado na cama com um laptop nos joelhos não tem comparação. É como ver uma pintura de Ingres ao vivo ou numa reprodução fotográfica, na melhor das hipóteses ficamos com uma vaga ideia sobre a qualidade do objecto.
O fecho de uma sala de cinema é sempre triste. É como ver o mundo a morrer aos bocadinhos. Já agora penso que seria de criar uma situação de excepção nestas zonas, cinematográficamente empobrecidas. Enquanto não houver possibilidade de a população ter, de novo, acesso a salas de cinema, ao menos que se permita a pirataria e o download ilegal seja legalizado. É o mínimo que se pode fazer pelos cidadãos.