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terça-feira, dezembro 26, 2017

26 de Dezembro

26 de Dezembro é um dia como os outros mas com alguns pormenores um pouco lixados. É o dia das trocas, entre outras coisas.

Filas de pessoas com saquinhos que transportam prendas para troca. Coisas que se ofereceram a alguém que já tinha coisas iguais (ou equivalentes), prendas que se receberam com um sorriso nos lábios e algum desprezo no coração, várias são as razões que levam os consumidores a entrar nas lojas com sacos nas mãos, um pouco ao contrário do que é habitual (sair delas com os tais sacos pendendo).

Não é bem uma ressaca mas anda lá perto. O Natal do Consumo é, de facto, uma boa merda.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

VerTV

Um estudo daqueles estudos que nos põem a olhar para coisas que não nos lembraríamos de ver se não fossem, precisamente, esses estudos, vem revelar que o consumo de televisão em Portugal aumentou brutalmente no ano que expirou aqui há três dias atrás.

Tentando explicar os dados recolhidos, relaciona-se o consumo de TV com a crise económica e a falta de dinheiro para aceder a outros bens culturais (partindo do princípio que a TV pode ser considerada um bem cultural, assim, por atacado).

Os portugueses vão (ainda) menos ao teatro, ao cinema, assistem a menos concertos, viajam menos, fecham-se mais em casa e abrem a janela da TV para olhar o mundo. Já não eram grandes leitores mas, com o dinheiro a desaparecer no pagamento de impostos e de contas mensais, a venda de livros também tem descido vertiginosamente.

Podemos concluir que a crise nos empobrece das mais variadas formas sendo o empobrecimento cultural um facto inquietante. A pobreza do espírito poderá abrir as portas do céu mas isso só importa depois de morrermos, na hora de prestar contas ao Criador. Enquanto por cá andamos, a indigência cultural aproveita, principalmente, a quem pretende aproveitar-se de nós.

Um povo embrutecido, agarrado às telenovelas e aos reality shows, que recolhe informação preferencialmente nos telejornais e que é bombardeado com anúncios publicitários, tende a criar narrativas perigosamente simplistas do mundo que o circunda.

Um povo assim está pronto para a faca, carne fresca para ser retalhada pelos gulosos que, depois, ainda nos roerão os ossos, caso estejam com disposição para isso. A crise é um autêntico tsunami social.

quinta-feira, março 29, 2007

Telefonicamente


Caraças. Acabei de responder a um inquérito telefónico sobre hábitos consumistas. Quem já teve esta maravilhosa experiência de responder sem pensar a um conjunto de questões feitas para isso mesmo sabe do que estou a falar. Nem o entrevistado está com pachorra para responder, nem o entrevistador está interessado em respostas ponderadas. As questões chovem metódicas e geladas, como chuva em noite invernosa, as respostas saem sem chama nem fulgor, são mais reflexos que outra coisa qualquer.
Mas este inquérito, em particular, foi uma coisa estranha. As questões andavam à volta de nomes de centros comerciais e quantas vezes lá vou. Por mês. Por semana. O que faço por lá? Se como, se compro comida, se bebo café ou tomo o pequeno-almoço. Que não, que sim, que talvez ou quase nunca, ou mesmo de todo e absolutamente impossível! Uma pergunta me soou especialmente estranha. Qualquer coisa como: "Considera mais importante ir ao centro comercial ou estar com um grupo de amigos?"

!!!???
A partir daqui as minhas respostas nem sempre terão sido coerentes. Quem poderá ter imaginado semelhante questão? Onde quererão chegar com uma pergunta deste calibre? Quando desliguei o telefone senti-me estúpido. Mas que raio de merda tinha sido aquela? E que raio de merda de lugar é este?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Admirável Mundo Novo!

Numa sociedade mediática globalizada e desvairadamente dependente da publicidade assistimos aos primeiros avanços do Big Brother (aquele tal que nos vigia do seu posto de trabalho, algures no limbo da existência).
Por um lado somos desafiados a consumir tudo e mais alguma coisa. Não há limites na forma como nos criam e acicatam necessidades artificiais. Logo a seguir inventam formas estranhas e repressivas para nos refrearem os ímpetos consumistas.
Veja-se a actual cruzada anti-tabagista ou a nova paranóia com a saúde dos indivíduos. Já mandaram o Marlboro Man para a galeria dos horrores, vão abrindo um lugarzinho destinado ao palhaço Ronald Mc Donald. Quando veremos a Nokia a ser alvo de campanhas difamatórias por promover a dependência entre legiões de jovens agarrados aos teclados dos telemóveis?
A nossa sociedade é, cada vez mais, esquizofrénica e nós com ela.
Com uma mão oferecem-nos o paraíso ao virar da esquina, com a outra seguram a moca que nos haverá de abrir um lenho no focinho caso nos atrevamos a agarrar aquilo que nos é oferecido.
Precisaremos assim tanto de quem nos proteja dos nossos próprios desejos?
Dirigimo-nos para um paradoxo democrático: aqueles que elegemos serão os novos sacerdotes de uma estranha religião, difusa e de duvidosos valores universais, eleitos por nós para nos ensinarem a evitarmos os desmandos a que o nosso corpo nos puxa. Elegemos polícias da nossa consciência?
Pobre Cavaco, palhaço pobre deste circo sem empresário visível em que se vão transformando as nossas sociedades democráticas. Se as campanhas de informação e sensibilização não funcionam (contra o tabaco ou o excesso de calorias) então venha daí a mocada que à traulitada tudo se resolve.
Não é bonito. Muito menos é eficaz. Mas, temo, é a dura realidade que se avizinha se é que não estamos já a vivê-la.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Chatos como a "putaça"

Quem trocou a PT por outra operadora de telcomunicações sabe do que vou falar. Os gajos não largam um tipo da mão! Atirados para a frente na vertigam de recuperar clientes, os "masters" dos telefones da PT andam numa roda viva.
Eles telefonam, eles enviam publicidade juntamente com as facturas da assinatura e hoje tive mesmo uma senhora (imagino) a tocar à campaínha do prédio para me oferecer um ano de chamadas grátis, redução no preço da assinatura e, futuramente, chamadas para fixos e telemóveis ao preço da uva mijona!
Recusei. E recusei porque me metem um bocado de nojo. A lógica do mercado não me convence, sou um tipo rancoroso. Mesmo perdendo uma mão-cheia de euros todos os meses não quero saber destes gajos para nada. E porquê? Porque se agora me oferecem tanta benesse fico a pensar nos anos todos em que detiveram o monopólio e me trataram como se fosse caca, com a sobranceria de um chulo. Se tendo perdido tantos clientes podem oferecer serviços tão baratos o que andaram estes coirões a cobrar-me ao longo de tantos anos? Quanto dinheiro me roubaram (o termo peca por defeito, não é nada exagerado) sem apelo nem agravo?
Podem vir aí prometer-me uma ida para o paraíso, um apartamento em troco do regresso à sua lista de clientes que eu não quero!
Posso perder dinheiro, posso estar a desaproveitar as oportunidades luminosas da concorrência numa sociedade capitalista. Certamente estou a ser burro. Mas isso não me interessa nem incomoda minimamente. É a minha vingançazinha particular. Poder dizer a estes gajos que não estou interessado nas suas ofertas douradas sabe mesmo bem. Perceber como ficam quase indignados perante a minha recusa de uma proposta irrecusável proporciona-me um gozo imenso. Sou livre de escolher e não escolho segundo a lógica destes chupistazitos. A minha escolha obedece a outra lógica que um chulo não pode compreender pois é o oposto total da lógica dele.
PT que os pariu!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Sonhos e fantasias natalícias

Muito se tem falado do consumismo desenfreado provocado na população portuguesa pela quadra natalícia. Por arrastamento falou-se também de uma espécie de guerra à pureza espiritual da época, da substituição dos símbolos tradicionais (o presépio com toda a sua iconologia característica) por símbolos menos piedosos (o pai natal, por exemplo) e da suposta investida políticamente correcta na tentativa de despir o Natal do seu significado religioso.
Tretas!
Há muito tempo que do presépio emergiram os reis magos como principais referências,
com as suas oferendas ao Menino. Todo o barulho deste ano me parece apenas um eco difuso de algo que caíu ao chão e se partiu vai já para muito tempo mas de que só agora se ouve o estrondo.
A Igreja Católica lá resolveu vitimizar-se, fazer papel de coitadinha, com as histórias de professoras espanholas que terão deitado para o lixo os presépios feitos pelos seus pequenos aluninhos inocentes (espero que ao menos tenham separado os materiais para reciclagem) e outras patranhas do género.
Com a batalha do referendo do aborto a aproximar-se a passos largos todos os argumentos são válidos e ainda a procissão vai no adro!
Nada disto me parece lá muito honesto e fico com a sensação de que, mais uma vez, a caixa de ressonância dos mass media transformou o piar de um pardal em rugido de tigre da Malásia.
Enfim, depois de uns dias na santa terrinha, lá para as bandas da fria Beira Alta, o 100 Cabeças está de regresso e pode afirmar com toda a segurança que o espírito natalício sobreviveu intacto e está de perfeita saúde. Houve bacalhau e sorrisos, abraços e beijos, reencontros daqueles que só mesmo o Natal proporciona e, claro está, muito consumo, comezaina da grossa e prendas.
A tradição ainda é o que era.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Vítimas do conforto


Carta de Istambul

Europa restringe publicidade a alimentos calóricos destinada a crianças
quinta-feira, 16 de Novembro de 2006 Por: Lusa
Ministros e altos funcionários do sector da Saúde de 48 países europeus assinaram hoje, em Istambul, uma carta que fixa princípios comuns contra a obesidade, tais como a criação de leis que impeçam a publicidade de alimentos calóricos destinada a crianças.

(...)Em Portugal, segundo o vice-presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, Davide Carvalho, mais de metade da população (52,4 por cento) sofre de excesso de peso ou obesidade. O país regista uma das mais elevadas taxas de obesidade em crianças com menos de onze anos da União Europeia.

Pois é, é um fenómeno consumista aparentemente incontrolável. Nos dias que correm há putos gordos a dar com um pau e cada vez há mais!
Hábitos alimentares destrambelhados aliados a um sedentarismo bovino estão a distorcer a imagem das nossas crianças até à caricatura. A ironia desta situação é que a obesidade infantil está relacionada, em larga escala, com aquilo que poderia designar por "excesso de conforto". Quem não gosta de se esparramar em frente a um écran comendo umas guloseimas enquanto vai vendo um filminho? Na boa, não há mal nenhum em semelhante actividade. O problema é que, nos dias que correm, as crianças têm demasiados écrans nas suas vidas e uma estrondosa falta de vida ao ar livre.
Jogar futebol ou correr aos gritos com quanta velocidade se possa são coisinhas para fazer na escola. Os tempos de lazer da maioria da pequenada são ocupados nas consolas de jogos, em frente aos 500 canais de televisão por cabo e coisas do género. Como se isso não bastasse, a leitura é uma bicho de sete cabeças. Se ao menos engordassem a ler umas coisas...
Como não podia deixar de ser as "autoridades" já começaram a olhar para esta questão com olhos reguladores. A publicidade, mãe de todos os vícios na sociedade de consumo, é apontada a dedo como tendo grandes culpas no cartório. Os putos raramente bebem água, substituem-na por sumos e outras bebidas açucaradas. Comem fast food à velocidade da luz e ainda fecham a refeição com um chocolatinho, para desenjoar. É complicado evitar tais desmandos alimentares já que as campanhas publicitárias são engendradas com uma eficácia assombrosa. TV, outdoors, revistas, flyers, imagens perfeitas de hamburgers, garrafinhas de sumo coloridas e outras iguarias e beberagens, inundam o horizonte e o pessoalzinho debate-se para se manter à tona. Comendo e bebendo como se isso fosse o objectivo primordial da existência humana.
Em Istambul (doce ironia turca) um grupo de responsáveis europeus tentou dar os primeiros passos no sentido de restringir a liberdade criativa dos publicitários quando se trate de vender porcarias às criancinhas. Louvável iniciativa. Será?
Na verdade o nosso modo de vida europeu baseia-se no consumo desenfreado. Não há produto que nos aconselhe um consumo moderado (só na publicidade a bebidas alcoólicas e com o seu quê de cinismo, convenhamos).
Crianças ou adultos, somos constantemente bombardeados com anúncios capazes de nos criarem as mais estranhas necessidades e temos as prateleiras cobertas de merdices inúteis. Mas isso já se tornou um modo de vida. Tentar contrariá-lo irá gerar situações complicadas de atentados à liberdade, em sentido lato. Temo que estejamos a entrar num beco sem saída... com uma porta de um restaurante da McDonald's ao fundo.