Nesta época do ano é habitual aparecerem, publicadas um pouco por todo o lado, listas de livros recomendados para as leituras de Verão. Os jornais e as revistas não costumam perder a oportunidade de solicitar a diversas personalidades (umas mais públicas do que outras) que forneçam um rol de títulos que lhes pareçam interessantes.
E as figuras fazem-no, enviam os seus palpites, as suas listas, as mais das vezes inúteis, revelando os autores da sua preferência ou, pelo menos, da preferência de quem elabora a dita lista por elas.
É bom não esquecer que muitas destas figuras, precisamente porque são figuras públicas, não têm tempo para ler e limitam-se a olhar os bonecos, de preferência bonecos onde apareçam elas próprias, a sorrir um daqueles sorrisos que até hà pouco tempo pareciam impossíveis de tão brancos, tão limpos e certinhos.
Como não sou uma figura pública e decido olimpicamente sobre o que aparece e não aparece neste
blogue, resolvi fazer uma lista da minha lavra. Entre livros que li recentemente, o que estou a ler agora e os que gostaria de ler a seguir, aqui fica a dita cuja.
De há uns meses a esta parte, desde que li algures um artigo sobre "
A Máquina de Fazer Espanhóis" de
Valter Hugo Mãe (outrora valter hugo mãe) decidi-me a ler todos os seus romances. Assim fiz, são apenas 5. 4 deles fazem parte da minha lista, o outro nem por isso. Qual deixaria de fora? Compete-te a ti decidir, caro leitor, decide tu...
Entusiasmado com a excelência da escrita do amigo Hugo Mãe procurei manter o foco naqueles que são designados como "novíssimos" romancistas portugueses e virei-me para Gonçalo M. Tavares. Li "
Aprender a rezar na era da técnica" e "
Uma Viagem à Índia". O primeiro deixou-me de queixo caído, o segundo desorbitou-me.´Li ainda "
Matteo perdeu o emprego" mas uma lâmpada de 100 watts tem dificuldade em impor o seu brilho perante uma fogueira de tal intensidade que se aproxima do incêndio.
Pelo meio tive oportunidade de ler o romance "
Pais e filhos" de Ivan Turgenev, um exemplar daquela inacreditável onda literária russa do século XIX que nos deixa a pensar que, ali, não havia ninguém que não soubesse escrever na perfeição. Reli, por engano, "
A música do acaso" de Paul Auster, livro muito adequado para qualquer ocasião do ano. Como se relê um livro por engano? Prefiro não responder.
Regressei à literatura lusitana através de "
Fados e Desgarrados", um alucinante relato do que foi, não foi ou poderia ter sido a cidade de Lisboa nos distantes anos 80. É um romance do meu amigo (José Xavier) Ezequiel que me ofereceu um exemplar com dedicatória e tudo! Logo após, mais uma vez influenciado por um artigo de jornal, procurei Afonso Cruz e li o excelente "
Jesus Cristo bebia cerveja". De momento estou em plena leitura de "
Breviário das más inclinações" de José Riço Direitinho, outro dos tais novíssimos. Mais uma vez estou a dar o meu tempo por bem empregue.
Tenho na prateleira, à espera, dois romances de
João Tordo que, ao que leio por todo o lado, é outro autor prometedor, inteligente e um narrador de primeira água. Estou aqui para ver!
A lista está quase completa. Falta apenas acrescentar "Os detectives selvagens" de Roberto Bolaño que ainda não tenho por perto. Mas esse fica para mais tarde, para depois das férias, que o livro tem aspecto de ser pesado e volumoso, difícil de transportar para a praia, que é o melhor lugar para não ler nada. Vá lá, quando muito sou capaz de ler o jornal.