Mostrar mensagens com a etiqueta ano novo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ano novo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, janeiro 02, 2026

O Deus do mar

     Começo 2026 a recordar algo que aconteceu muito recentemente, no ano passado. Eu e a Ana íamos iniciar uma viagem com Atenas por destino. Comprei um livro, "O Louco de Deus no Fim do Mundo" de Javier Cercas, para ler no avião e lá pela Grécia. Mas pus-me a olhar para o volume de quatrocentas e tal páginas e pensei "isto é pesado, ocupa muito espaço, vou procurar um livrinho para levar". Assim fiz.

    Subi ao sótão, subi à escadinha que encosta às prateleiras e fiquei com o nariz ao nível de uma fileira de livros de Jorge Luís Borges. Esbeltos, pequeninos, livros perfeitos para ler em viagem tal como já havia feito anteriormente. Peguei em Atlas, um volumezinho que não me lembrava de ter lido. O livro tinha uma marca. Abri-o. No topo da página o título do texto: O templo de Poseidon. 

    Caraças! Mais uma daquelas coincidências que podem deixar um gajo confuso e a acreditar que alguma força, poderosa e extraterrestre, está a estabelecer contacto, a enviar sinais evidentes de que um gajo não está só no Universo. Fechei o livro e, como é evidente, foi o que levei comigo. Li-o (ou tê-lo-ei relido?) na viagem de regresso.

    Entre uma coisa e outra visitámos o referido templo. Estava um frio de rachar! 

    Bom Ano Novo. 

quarta-feira, dezembro 31, 2025

Amanhã

     O ano de 2025 tropeça e cambaleia em direcção ao seu fim. Envelhecido. desiludido, enganado por tudo e por todos, vê incumpridas todas as promessas que fez e lhe foram feitas. O logro do costume. Mais logo haverá um Novo Ano e a euforia irá invadir corações e empolgar espíritos; novas promessas serão juradas, abraços, beijos e foguetório. O Futuro resume-se a um ritual vazio de conteúdo.

    Amanhã será tudo aparentemente novo. Por um ou dois dias ainda iremos acreditar que uma data no calendário transporta consigo poderes mágicos e capacidades transformadoras mas, dentro de uma semana, mais um ou dois meses, já teremos esquecido tudo, de tal modo voltámos a mergulhar na espuma dos dias.

    Poderias perguntar-me: mas isso é bom ou é mau? A minha resposta não seria satisfatória pois nada disto faz sentido por aí além. Talvez tudo seja apenas um sonho. Talvez acordes antes de bater a meia-noite.

terça-feira, dezembro 31, 2024

2024 ao fundo

     O pior cego é o que não quer ver, o mais ignorante o que não quer aprender. É a pescadinha com o rabo na boca, o cão que persegue a cauda a mordiscar na atmosfera, o imbecil que continua a julgar-se um grande cromo. Somos nós.

    Tentamos novas soluções apoiados em velhas ideias, repetimos os erros convictamente, seremos assim até à dissolução do ser, pouco mais poderemos projectar que não esbarre na parede inevitável. Mas, no entanto, poderia não ser exactamente assim. Poderíamos errar com panache, poderíamos ter orgulho por, pelo menos, tentarmos ser criativos. Mas não. Somos tugas, erramos como sempre e temos ódio a quem nos aponte uma possibilidade diferente para o exercício da nossa atávica estupidez.

    O ano acaba hoje. Amanhã seremos os mesmos de sempre. Tudo bem, cá andaremos com a cabeça entre as orelhas.

sábado, dezembro 30, 2023

Votos de Ano Novo

     Passeando por este blogue leio uns quantos textos escritos por estes dias, os dias do fim. Do fim do ano. É curioso verificar a variedade de tons com que foram escritos se bem que, sendo os dias do fim (do fim do ano) o tema principal, talvez fosse previsível que dissesse sempre mais ou menos a mesma coisa. Não é isso que acontece.

    Reflectir sobre o Ano Novo tanto pode acontecer nos últimos dias de Dezembro como nos primeiros dias de Janeiro. Por alguma razão não me lembro de o ter feito em qualquer outro mês dos doze que compõem um ano inteiro. É uma reflexão algo nostálgica, um pouco esperançosa. Tem a ver com aquilo que passou ou com a expectativa sobre aquilo que virá a passar; o passado e o futuro (poupo nas maiúsculas) enfiocados um no outro, como numa ilustração do Kama Sutra.

    Nunca me correram muito bem as profecias (e se gosto de as fazer!) embora me aperceba frequentemente de coincidências bizarras que poderia interpretar de uma forma de certo modo apocalíptica. Talvez por isso seja mais pessoa de aguardar do que de correr em direcção a algum desejo incontrolável.

    Assim sendo, aguardemos pelo que nos traz 2024. Com toda a serenidade possível.

domingo, janeiro 01, 2023

23

     Começa o ano com o céu repleto de nuvens sombrias. Algumas dessas nuvens escurecem de forma ameaçadora, imagino-as de um negro tão profundo que choverão lamentos. Tenho, no entanto, esperança de que haja espaços azuis entre elas.

domingo, janeiro 09, 2022

Ambições

     Estando o ano no seu início um gajo tem um ou outro momento de paragem em que lhe dá pra pensar. Pensar na vida, talvez, ou pensar numa coisa qualquer (que acaba sempre por ter a ver com a vida, caso contrário um gajo estaria a ter pensamentos de pessoa morta). Então foi aí que pensei: "sou um artista, ou lá o que sou... um pintor!" pensei um bocadinho melhor no que faço para viver e reformulei: "aquilo não são bem pinturas e eu, bem vistas as coisas, não sou bem um pintor". Pois não.

     Nem pinturas, nem pintor. Desenhos e professor e será tudo muito mais justo, como uns slips no lugar de uns boxers. Pode alguém ser quem não é? Pergunta o Sérgio Godinho. Ser, ser, acho que não, mas pode parecer (que muitas vezes é ainda melhor do que ser), respondo eu, que estou a matutar no Sentido da Vida a ver se descubro alguma promessa de Ano Novo que seja coisa que me não envergonhe. Mas não sai nada. Estou com prisão de mente.

    A páginas tantas já me sinto enfastiado de estar a fingir que sou capaz de me interessar pelo futuro. Não sou. Nem sequer sou capaz de ser ambicioso. Digo eu. Um copito de tinto e uma bela fatia de presunto já me deixariam sorridente. Isso e o meu pai bem disposto, a minha filha sempre jovem e a minha esposa sempre linda e jovial. Ah, caraças, afinal sou muitíssimo ambicioso!!!

segunda-feira, janeiro 03, 2022

Virar páginas

     Começa um ano novo e toda a gente desata a virar páginas. Imagino que as virem no sentido do fim da narrativa que estão a seguir, sim, porque podemos virar páginas voltando para trás. Da parte que me toca prefiro conceber a minha história numa única página. Uma página grande, imensa, toda riscada com um diagrama caótico e confuso, repleta de pequenos textos, desenhinhos, setas para cima e para baixo, espirais ascendentes, manchas indefinidas, eu sei lá, uma página que seja um mundo, o meu mundo.

    Há dentro de mim discretos desejos que espreitam por detrás de vícios antigos, outros tentam não incomodar os meus sólidos e gordos preconceitos. Sinto o sopro de ténues possibilidades de mudança que, bem vistas as coisas, não dependem tanto da passagem do ano, antes vão brotando de uma passagem do tempo mais vasta, indiferentes às páginas do calendário, agarradas aos ponteiros de relógios  pendurados nas paredes da minha imaginação.

    Se a minha imaginação tem paredes é bom que lhes abra amplas janelas.

    E pronto: cada dia uma página virada, cada promessa uma página a virar, cada mentira uma página rasgada. Imaginamos a nossa vida como se fosse um livro. Quando os livros desaparecerem por completo as vidas dos nossos descendentes serão muito diferentes. Decerto não haverá virar de página no final de cada ano, talvez nem haja nada para ser virado, talvez tudo se organize numa linha recta infinita, como a Recta dos Números. Ou talvez não.

sexta-feira, dezembro 31, 2021

Bom 2022

     O ano acaba mais ou menos como começou. O céu está azul, a natureza mantém-se alheia. No lugar onde estou o silêncio é entrecortado por latidos de cães distantes. Agora até os cães se calaram. Gostava que esta calma se estendesse no tempo.

    Bom 2022.

quarta-feira, dezembro 30, 2020

2020

Bem vistas as coisas é apenas mais um ano que se vai apagando. Já lá vão dois mil e vinte anos na nossa Era. A civilização egípcia, que se aprende nas escolas com a pirâmide de Gizé como ícone principal, durou mais de três mil, três mil anos, caraças! Quantas epidemias terá suportado além das pragas que lhe rogou o deus dos judeus? O nosso deus.

A pandemia envenena os nossos sonhos? Os sonhos de quem, de quantos? Arruinou o futuro das crianças sírias? Empurrou para o mar vagas incessantes de pessoas que fogem do mundo para dentro dele? A pandemia veio pôr a nu fragilidades e incongruências do sistema capitalista? Alarma-nos para a evidência da decrepitude do nosso modo de vida? Valha-nos Nossa Senhora. Pode ser a dos Aflitos.

Bem vistas as coisas 2020 é apenas mais um ano de merda para a espécie humana e nem sequer podemos ter a certeza que tenha sido o pior. Decerto houve outros bem mais devastadores. A verdade é que a espécie humana não sofre como um todo. O sofrimento é um coisinha muito parcelar, muito parcial e extremamente privada.

Bom Ano Novo.

segunda-feira, dezembro 30, 2019

Voto de Ano Novo

O ano velho arde de mansinho, apaga-se amanhã. Há quem acredite que a simples queda da última folha do calendário trará consigo algum estranho sortilégio, capaz de transformar a banalidade em algo novo, um tempo revigorado. Pessoalmente não vejo onde possa estar essa capacidade transformadora... a não ser que esteja dentro de nós, à espera.

Precisamos assim tanto de um pretexto que nos encoraje a mudar as coisas que desejamos mudar? Pelos vistos sim, precisamos. Poderíamos tomar decisões importantes no dia 14 de Março ou a 27 de Agosto, mas não, esperamos pelo finzinho do ano, acreditamos na magia regeneradora do relógio aliado ao calendário.

Assim sendo, que o novo ano traga consigo toda a magia do mundo!

quinta-feira, dezembro 26, 2019

2020

Após uns dias a comer como se não houvesse amanhã (e, no entanto, há sempre um outro dia) sinto-me um pouco menos activo, mais passivo, embrutecido, em suma. Quando se come demasiado, a digestão concentra grandes esforços que, em condições normais, poderiam ser distribuídos por outras funções vitais; pensar, por exemplo.

Ando um bocado disperso, hesito em imaginar o ano de 2020. Se o calendário se confirmar irei participar em, pelo menos, 4 exposições de artes plásticas. É bom; não me lembro de participar em tantas exposições no espaço de um ano, muito menos de as ter agendadas com tal antecipação. Sinal de maturidade?

Se tudo se concretizar conforme os indícios, será também publicado um romance do meu amigo José Xavier Ezequiel que ilustrei. É um projecto que está concluído há bastante tempo mas que, por uma razão ou por outra, tem visto a sua edição adiada. Parece que é desta!

Outro amigo do peito, o André Louro, prepara a edição de um CD com músicas da sua autoria no projecto que dá pelo nome de Duas Chamadas Não Atendidas e que terá na capa um desenho meu. É um prazer.

Com o Teatro Ubu ando e congeminar a produção de O Último Burro, nova peça produzida pela Arte 33 e que promete momentos de grande divertimento. Em Maio (se não estou em erro) iremos repor A Inauguração com 4 espectáculos no Teatro-Estúdio António Assunção em Almada. Haverá, portanto, teatro, além das artes plásticas. Deliro!

Tudo isto em paralelo com a minha actividade docente que, a cada ano que passa, se torna menos entusiasmante mas que tento cumprir com o máximo de profissionalismo que sou capaz de investir. 2020 promete não ser monótono. Cá estarei para ver, se Deus quiser, como diz o outro.

segunda-feira, janeiro 01, 2018

Olá, outra vez

E pronto, hoje é o tal ano novo. Um dia sucede a outro e... punfas: passou um ano! Um ano inteiro metido no intervalo incomensurável que trauteia entre o final da 24.ª hora de um dia e o primeiro segundo da primeira hora de outro. É uma coisa pífia, um nada grandioso, um momento onde se descarregam sonhos como lixo a ser despejado numa grande lixeira. Daqui a nada já esquecemos a maioria.

A rua está tão sossegada. Antes fosse prenúncio dos tempos que se avizinham mas, amanhã, o trânsito ansioso, as pessoazinhas apressadas, o fulgor paranóico do quotidiano regressará em força para mostrar que um novo ano é sempre o prolongamento do velho. Nada mais.

Ainda assim, seja como for, que tenhas um novo ano cheio das banalidades que costumam desejar-se, ó meu muito caro leitor.

sexta-feira, dezembro 29, 2017

Tempo fora do Tempo

O tempo entalado entre o dia de Natal e o de Ano Novo é uma coisa em suspensão, são dias que não existem. Está tudo à espera que venha a noite de passagem de ano. As horas arrastam-se e as pessoas ora estão de férias, ora não estão. Mesmo as que trabalham já não trazem as ideias dentro da cabeça, já as atiraram lá para diante, para o dia 2 ou 3 do ano seguinte porque dia 1, decididamente, é um dia a menos no calendário, dia de Santa Ressaca.

Sinto uma certa propensão para a irritação. Apetece-me escrever coisas agressivas, arrasar tudo, dizer mal de todos. Ando carrancudo, a destilar maus fígados. Refugio-me no atelier, a desenhar. Faço mais uns quantos desenhos negros, revejo os antigos, aproveito para passar em revista o trabalho recente.

Tento distrair-me enquanto aguardo que o tempo regresse no seu fluxo normal.

sábado, janeiro 07, 2017

2017 tem 7 dias

Os dias vão passando e até já houve um ou outro com uns tonzinhos cor-de-rosa lá no céu, a ajudar a imaginação, a dizer-lhe que se componha e endireite que o ano não há-de ser a merda que parece adivinhar-se.

No entanto o passarito azul não tem descanso e caga e vomita todo o santo dia a fazer com que um gajo veja o rosa a ficar vermelho de raiva. Há um clima geral de crispação a formar-se, um sistema de altas pressões a carregar sobre as mentes que se julgavam limpas.

É o mundo a rodar sobre si próprio, tonto como só ele sabe ser, governado por bandos de abutres cada vez mais gordos, abutres rastejantes que as asas já não lhes permitem descolar as patorras do chão.

Vou continuar a olhar para o ar esperando que o céu ganhe outra vez as tais tonalidades mais rosadas, como as bochchinhas de um bebé saudável.

Sinto saudades do futuro.

domingo, janeiro 01, 2017

2017

Tenho todas as razões para desconfiar do presente. As bestas-feras que miam loas ao passado e são encarados como arautos de amanhãs que, se não cantam, choram só um bocadinho estão aí para governar o Mundo.

Parece impossível que esses cabrões-filhos-da-puta se apresentem tão vigorosos, clamando por justiça sem pingo de vergonha nas ventas. Batem no peito como o King Kong, das fendas que lhes servem de boca escorrem princípios cristãos como se fossem baba, nhanha, uma coisa repulsiva.

Peido-me para eles com toda a convicção.

Bom Ano Novo.

domingo, dezembro 31, 2006

Ano Novo

Que o novo se distinga com clareza daquele que hoje termina é o desejo de, pelo menos, 99 das minhas 100 cabeças.
Sei que é um desejo algo ambíguo mas, como me ensinou o Mestre Jorge Pinheiro, "A boa pintura vive do contraste, sem contraste não há pintura!".
Ampliando o campo de aplicação deste conceito, excelente e límpido, podemos facilmente compreender que a uniformização é uma doença e que o consenso sem discussão é a pasmaceira absoluta. Daí que o meu desejo para o Ano Novo vá nesse sentido, seja lá isso o que for.
Distinguir claramente 2007 de 2006 poderá significar, dentro de 365 dias, muitas coisas diferentes. Poderemos ter maiores calamidades, guerras mais arrasadoras mas também maiores avanços em direcção a uma civilização mais ética e mais atenta à estética da vida.
Enfim, venha o que vier, desejo que possamos viver o futuro com a mesma intensidade com que vivemos o presente.
!!??
Bom Ano.