A culpa é atributo de gente subalterna. Nunca um chefe ou um dirigente são culpados de seja o que for, muito pelo contrário: os que mandam são responsáveis apenas pelo sucesso, quando as coisas correm bem. É por isso mesmo que são chefes; recolhem os louros, distribuem o opróbrio.
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quarta-feira, julho 07, 2021
Ser chefe
Etiquetas:
injustiça,
pensamento vespertino
quinta-feira, novembro 21, 2019
Mais e menos
Pretender nivelar a sociedade é tarefa que nem mesmo Deus, Nosso Senhor, encara com entusiasmo. A complexidade da coisa deixa os cabelos em pé a um careca. Mas há quem acredite ser possível, há quem tente organizar-se, há quem insista e não desista da ideia de que é possível construir uma sociedade mais justa.
Aqui reside uma das subtilezas da ideia. Não sei quando aconteceu mas já é raro ouvir falar em "sociedade justa", o conceito foi substituído por "uma sociedade mais justa" e é na palavra "mais" que encontramos a chave do portão.
O tal "mais" implica que o objectivo não seja aniquilar a injustiça mas sim debelá-la, poderíamos mesmo pensar que o grande sonho, o sonho capaz de nos aproximar do Paraíso na Terra é o de construir uma sociedade menos injusta.
E chegamos à dura e cruel realidade. A chave não é, na verdade, a palavra "mais" mas sim a palavra "menos".
Dir-me-ão que "menos injustiça" corresponde a "mais justiça". Pois bem, não estou certo disso. Creio que poderemos reduzir enormemente a injustiça e, ainda assim, ficarmos bem longe da justiça mínima exigível a uma sociedade humana digna e que ainda é para lá que caminhamos, a passo de caracol.
Aqui reside uma das subtilezas da ideia. Não sei quando aconteceu mas já é raro ouvir falar em "sociedade justa", o conceito foi substituído por "uma sociedade mais justa" e é na palavra "mais" que encontramos a chave do portão.
O tal "mais" implica que o objectivo não seja aniquilar a injustiça mas sim debelá-la, poderíamos mesmo pensar que o grande sonho, o sonho capaz de nos aproximar do Paraíso na Terra é o de construir uma sociedade menos injusta.
E chegamos à dura e cruel realidade. A chave não é, na verdade, a palavra "mais" mas sim a palavra "menos".
Dir-me-ão que "menos injustiça" corresponde a "mais justiça". Pois bem, não estou certo disso. Creio que poderemos reduzir enormemente a injustiça e, ainda assim, ficarmos bem longe da justiça mínima exigível a uma sociedade humana digna e que ainda é para lá que caminhamos, a passo de caracol.
sexta-feira, abril 24, 2015
Nuvens de tempestade
Andamos para aqui a derramar lágrimas de crocodilo nas águas do Nosso Mar, o Mediterrâneo. Choramos a morte de emigrantes que vêm fugidos da morte e, só quando morrem, se apercebem que a morte é certa e que, nas águas do Nosso Mar, é uma fatalidade.
De que fogem estas pessoas? Que sonhos trazem incrustados no imaginário? Para onde pensam que vêm? 3 perguntas com uma resposta e duas incógnitas.
Do que fogem estes migrantes (como agora são designados) toda a gente sabe mais ou menos, basta conhecer o seu ponto de origem. Uns fogem da guerra, outros da fome, outros da miséria, fogem da repressão ou de inimigos ancestrais. Fogem em direcção ao Mediterrâneo, África ou Próximo Oriente para trás das costas, Europa na ponta do nariz.
O que me intriga é o que imaginam eles que irão encontrar caso consigam alcançar as costas europeias?
O que me intriga é que lugar imaginam os migrantes que é a Europa? Qual o seu aspecto? Como imaginam eles os europeus?
Seja como for aí estão! Fogem das guerras e vêm cair nas mãos dos que lhes vendem as armas para se matarem uns aos outros... a poesia deste mundo continua a escapar-me.
De que fogem estas pessoas? Que sonhos trazem incrustados no imaginário? Para onde pensam que vêm? 3 perguntas com uma resposta e duas incógnitas.
Do que fogem estes migrantes (como agora são designados) toda a gente sabe mais ou menos, basta conhecer o seu ponto de origem. Uns fogem da guerra, outros da fome, outros da miséria, fogem da repressão ou de inimigos ancestrais. Fogem em direcção ao Mediterrâneo, África ou Próximo Oriente para trás das costas, Europa na ponta do nariz.
O que me intriga é o que imaginam eles que irão encontrar caso consigam alcançar as costas europeias?
O que me intriga é que lugar imaginam os migrantes que é a Europa? Qual o seu aspecto? Como imaginam eles os europeus?
Seja como for aí estão! Fogem das guerras e vêm cair nas mãos dos que lhes vendem as armas para se matarem uns aos outros... a poesia deste mundo continua a escapar-me.
sexta-feira, junho 15, 2007
É revoltante
14.06.2007 - 15h57 Lusa
O Sindicato de Professores da Zona Centro (SPZCentro) anunciou hoje que vai processar o Estado "por atentado à dignidade humana", por ter obrigado a voltar ao serviço uma professora com leucemia, que veio depois a morrer.
etc., etc., etc...
Este episódio lamentável mostra com crueldade a forma como somos olhados pelo Estado. Somos números, peças da máquina, equipamento, somos tudo excepto, ao que parece, seres humanos.
É assustador que um governo apoiado numa maioria absoluta de deputados eleitos nas listas de um partido que se diz socialista permita que acontecimentos desta natureza sejam parte da realidade.
É triste constatar que, cada vez mais, precisamos de olhar o Estado como uma espécie de inimigo a combater por todos os meios ao nosso alcance uma vez que ele (o Estado) não hesita em atentar contra a vida dos mais fragilizados dos nossos.
É aviltante que um serviço estatal obrigue uma pessoa como Manuela Estanqueiro a regressar ao trabalho quando se encontrava num estado de saúde extremamente debilitado para que não perdesse direito ao ordenado. Pensava eu que a nossa sociedade se rege por princípios de solidariedade indiscutíveis. Vejo agora que estava enganado.
É justo que o Estado seja condenado por este atentado aos mais fundamentais direitos de uma cidadã que deveria proteger mas acabou por privar de sossego nos últimos dias de vida. Estou para ver qual será o desfecho desta horrenda situação.
É estranha a pouca visibilidade mediática de tão gritante injustiça.
É revoltante que o Ministério da Educação, sempre tão lesto quando se trata de armar em justiceiro solitário nos ataques continuados e persistentes contra a classe docente, se cale e não comente esta vergonha desastrosa. Compreendo que não saibam o que dizer mas, ao menos, poderiam lamentar o sucedido e enviar condolências à família enlutada. Se o fizerem amanhã já não irão a tempo. Nada apagará mais esta nódoa nojenta vinda de um conjunto de políticos sem carácter nem um pingo de coragem.
Que vergonha.
Que raiva!
quarta-feira, junho 13, 2007
Irmãos
As facções rivais do Hamas e da Fatah envolvem-se em combates terríveis de uma barbaridade difícil de alcançar para quem, como nós, se encontra a milhares de quilómetros de distância. Não há dó nem piedade nesta luta fraticida. O que pode conduzir seres humanos a tão grande desespero e crueldade? Depois destas batalhas o que irá restar de um território já de si exíguo e miserável?
Os actuais combates dão-se numa fase em que se eperava uma trégua para que os alunos dos liceus pudessem fazer os seus exames, tal como os alunos dos nossos liceus os vão fazer, dentro de dias. Aqui é que me ponho a pensar e não passo do ponto de partida. Como será a vida de um "aluno de liceu" em Gaza? E o que estudarão? Como serão as suas escolas, as relações com os colegas, os manuais e o material didáctico? O progresso de um estudante neste ambiente é algo que não consigo imaginar. Estudar com explosões na rua e balas a matraquear a parede do quarto não deve permitir grande concentração. Num território miserável a miséria não pára de aumentar e, imagino, a esperança é substituída pela angústia mais completa.
Decerto haverá "explicações" para a situação. A política é uma arte complexa mas tem as suas regras (para que as entende). Mas, por razoáveis que sejam as explicações, neste caso não vislumbro grandes possibilidades de se vir a encontrar a pedra de toque da resolução dos problemas daquilo a que chamamos Médio Oriente. Se o problema palestiniano é a principal causa de instabilidade na região então a coisa está mesmo preta! Os israelitas observam (apenas?), os americanos não interferem (será?) e a violência espalha-se com uma rapidez assustadora. Não sei o que pensam os países árabes, os irmãos destes irmãos desavindos. Mas, neste contexto, um estado Palestiniano em Gaza parece coisa impossível.
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