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segunda-feira, setembro 03, 2018

Futuro?

Um gajo observa os recentes desenvolvimentos políticos em diferentes países da União (ou dela próximos) e não dá para ficar descansado. Nem um pouco mais ou menos.

Por todo o lado os ideais xenófobos da extrema direita ganham espaço e conquistam eleitores. Na verdade, os meios de comunicação expõem estes partidos como sendo racistas e soberanistas. Outras questões políticas (saúde, educação, economia) não são abordadas. Serão o racismo e a xenofobia os únicos combustíveis destes gajos?

A ascensão fascista é preocupante por todas as razões e mais uma. A agressividade fanática destas hordas de energúmenos cria uma tensão social insuportável e o confronto físico passa a estar na ordem do dia. A violência está ao virar da esquina. Muitas ruas deixam de ser seguras.

Há uma evidente conspiração de extrema direita para acabar com a União Europeia. Fica a sensação de que têm o apoio da Rússia de Putin e, agora, também dos EUA de Trump. A União não será um tesouro mas aquilo que se vislumbra nas acções e nos discursos dos fascistas é um lixo lamentável.

Podemos continuar à espera do Futuro ou teremos de ir buscá-lo, nem que seja preciso andar à pedrada?

segunda-feira, outubro 02, 2017

Armaduras pretas

O que se está a passar na Catalunha é uma grande confusão. Assistimos incrédulos a uma escalada de violência que poderia perfeitamente ser evitada caso houvesse interesse de parte a parte em que as coisas acontecessem de acordo com o bom senso. Mas não. A uns aproveita a violência, a outros está-lhes na massa do sangue.

No meio do terramoto o povo anónimo. Não duvido que, caso fosse catalão, haveria de andar a levar porrada da Guarda Civil. Mas, estando descansadinho cá no meu Portugal, olho para tudo aquilo com uma enorme dose de desconfiança.

Fica a imagem da brutalidade do estado policial. Aqueles cães de fila, enfiados nas suas armaduras, protegidos por capacetes negros, são o símbolo do poder, a sua materialização junto de quem protesta e clama por aquilo que acredita serem os seus direitos. Não há diálogo, apenas violência. Todos sabemos que a violência se propaga como um incêndio em dia de Verão.

Rajoy é um pirómano perigoso e Puigdemont, para apagar o fogoléu, traz um bidão de gasolina em cada mão. Não é preciso fazer um grande esforço de memória para recordarmos situações vagamente semelhantes um pouco por toda a Europa. Sempre que o povo sai à rua lá aparecem os gajos das armaduras pretas e dos capacetes fechados.

São as forças que garantem que a Democracia funciona como DEVE ser.

quarta-feira, maio 17, 2017

Escárnio e maldizer (com final esperançoso)

Durante anos venderam-nos a ideia de que Portugal seria o "bom aluno" da Europa. O que caracterizava o nosso país para merecer tal designação?

Ser subserviente, fazer sempre aquilo que era esperado que fizesse e obedecer sem questionar as ordens vindas de quem era suposto mandar. Obedecer e, para ficar mais bonito aos olhos dos grandalhões, ser ainda mais severo consigo próprio do que aquilo que lhe era imposto. Um toque de masoquismo: abraçar o sacrifício com aquela alegria beata dos gajos que se autoflagelam para expiarem os seus pecados.

O bom aluno da era cavaquista copiava com atenção o que o mestre escrevia, nem que o escrevesse nos tomates, e reproduzia com a exactidão que as suas vistas curtas lhe permitissem tudo aquilo, mesmo que não percebesse bem que raio de merda estava a fazer. O mestre escreveu é porque é importante. Assim se comporta o bom aluno.

O bom aluno não tem opinião ou, se a tem e não coincide com a do mestre, fica calado, engole e faz de conta que não se passa nada. De facto, com o bom aluno, nunca se passa nada.

Quantos anos perdemos nós a ser governados por estes borra-botas, estes pichas-murchas, alforrecas corcundas, seres destituídos de coluna vertebral? Ainda por cima havia uns quantos ladrõezecos entre estes bardamerdas enfatuados.

O puto Salvador mostrou, num contexto muito diferente, é certo, que andar a lamber a cartilha do mestre nem sempre dá bom resultado, nem sequer é uma atitude particularmente inteligente. Quem não tivesse percebido talvez tenha agora compreendido que arriscar ser quem somos pode ser a melhor forma de alcançar o sucesso. Só temos de valer alguma coisa e acreditar em alguma coisa que se pareça com a Verdade.

segunda-feira, julho 04, 2016

Fronteiras

As fronteiras recomeçam a ganhar forma no interior da Europa. Cada dia que passa amanhece com certas fronteiras até aqui adormecidas que voltam a acordar para a vida de forma inquietante.

Nos limites físicos da União erguem-se muros e regressa o arame farpado. Dentro da própria União surgem nacionalismos revigorados que começam a marcar certas fronteiras, primeiro ideológicas que, mais tarde, tenderão a tomar formas mais palpáveis e agressivas.

Parece-me que vão ganhando nitidez certas diferenças entre os países do centro da Europa, principalmente os que faziam parte da Europa de Leste antes da queda do Muro de Berlim, e os países que estavam deste lado dessa terrível fronteira.

Olhando para a Polónia, a Eslováquia, a República Checa e a Hungria, para citar os casos que me parecem mais evidentes, assistimos a um nítido crescimento da influência política de forças da extrema direita, forças revolucionárias nestas áreas geográficas. Para um cidadão português ou espanhol, isto parece terrível. Ainda mais quando em França  ou na Áustria também forças com este pendor extremista ameaçam ganhar o poder.

A União terá de reflectir sobre qual é o caminho comum que pretende propor aos cidadãos dos, agora, 27 países membros. Há algum plano, algum objectivo, alguma ideiazinha, por pequena que seja, que vá para lá das questões económicas, alguma proposta civilizacional que estejamos dispostos a transformar em bandeira comum?

Enquanto andamos para aqui, feitos baratas tontas, a patinhar de um lado para o outro no meio do lixo ético e ideológico, as fronteiras vão ganhando nitidez, vão-se levantando, regressam em todo o seu tenebroso esplendor.

terça-feira, junho 28, 2016

Vontade popular

Até que ponto o resultado do referendo britânico reflecte a divisão entre um mundo urbano e cosmopolita e um mundo rural, menos formado nas visões que o Mundo oferece aos que para ele olham e nele viajam?

Até que ponto a elaboração de um discurso complexo, resultado da observação do mundo, que tenta reflectir sobre a sua variedade, um discurso construído no coração da cidade, vai perdendo consistência e clareza à medida que se desloca em direcção às periferias, até ser transformado no antiquíssimo "bar-bar", a linguagem que os gregos da antiguidade clássica atribuíam aos povos que lhes eram estranhos?

Em Democracia, o conhecimento e a ignorância equivalem-se no momento do voto, misturam-se e diluem-se na contagem dos boletins e acabam por ser uma e a mesma coisa quando são publicados os resultados da votação, expressando a vontade popular.

segunda-feira, junho 27, 2016

Momentos

A avestruz enterrou a cabeça nos meus olhos e ficou a pensar-me os pensamentos.

"Xô, sua puta!" pensei eu, mas ela fez de conta que não ouvia e por ali fez menção de continuar.

Abanei a testa, enfiei um dedo no ouvido e nada. A avestruz parecia ter vindo com intenção muito firme de ficar.

O medo dela a confundir-se com o meu receio de que o mundo pudesse transformar-se de súbito em areia seca, areia do deserto, areia quente, areia a escorrer na ampulheta ferrugenta que pretendia marcar o Tempo que teimava em não passar.

Assim passei o resto do dia, com uma avestruz enorme a enfeitar-me a testa, as suas penas graciosas a marcarem o compasso dos meus passos e as pessoas a fingirem que não viam, as pessoas a fingirem que não se passava nada de extraordinário.

Quando cheguei a casa reparei que havia um elefante no meio da sala. Lá consegui arrancar a avestruz depois de muita luta e atirá-la para o fundo da sanita. Descarreguei o autoclismo e ficou tudo entupido.

O elefante era simpático.

domingo, junho 26, 2016

O medo de Astérix

Aquilo que Astérix e os irredutíveis gauleses mais temiam está a acontecer a todos os europeus que habitam dentro das fronteiras da União: o céu está prestes a cair-nos nas cabeças.

Sou dos que acreditam que a União Europeia é a melhor forma de sonhar o Futuro. Os objectivos a alcançar estão distorcidos, a forma de construir a União tem sido mal orientada? Sim. Mas isso não significa que troquemos um sonho por um pesadelo.

Sou dos que acreditam que, longe de destruir o espaço comum em que vivemos, deveríamos reflectir sobre a forma de o refundar.

Sinto-me, de novo, um adolescente a viver o tempo do "no future".

segunda-feira, junho 20, 2016

Europa


Ficar na Europa ou sair dela? A poucos dias do referendo no Reino Unido a questão faz tremer muita gente e deixa os mercados à beira de um esgotamento nervoso. Os lideres europeus clamam a importância de pertencer à Europa, de contribuir para o fortalecimento do projecto europeu, de fazer nossos os Valores da Europa. Pessoalmente, não poderia estar mais de acordo com os nossos queridos lideres mas… que projecto, que Valores, que Europa?

                Olhando para a União Europeia fico confuso; o que une todos estes povos, que força contribui para que possam sonhar com um futuro comum, que raio de coisa faz de nós “europeus”? É uma questão cultural? Resumir-se-á a uma matriz religiosa? Ser “europeu” é uma imposição dos mercados? Creio que quando o debate se desenvolve são as questões económicas que ganham protagonismo. Os Valores são muito bonitos mas não criam dinamismo empresarial, o cristianismo resume-se a uma ladainha para acalmar os rebanhos, aquilo que realmente mexe com as consciências parece ser o vil metal. Mais nada.

                O que une um eslovaco a um português, um húngaro a um espanhol, um sueco a um cipriota, um inglês a um irlandês do Norte? O que haverá em comum que possa unir todos estes cidadãos? Está visto que o Valor da solidariedade não serve, que o amor pelo próximo é coisa sem o mínimo sentido, que o estudo da cultura clássica se esgotou há séculos; o património imaterial europeu é olhado com desdém, é uma treta. Já se falarmos de património material a coisa pia mais fino. A Economia parece ser a cola que vai pegando as partes que constituem esta nossa Europa. Mas é uma cola produzida com a saliva dos lideres que discursam perante as câmaras de televisão e agem na sombra fresca dos gabinetes. Esta Europa está colada com cuspo.

                Ficar na Europa ou sair dela? Regredir para um estádio medieval ou encarar a possibilidade de uma imensa nação do futuro? Talvez a questão seja outra, talvez devamos perguntar: o que é a Europa? Parece que antes de ser a designação de um continente foi nome de uma princesa fenícia que despertou a gula de Zeus que se transformou em touro e a raptou (terá isto alguma coisa a ver com aquele touro em Wall Street?). Se conseguirmos responder a esta pergunta talvez depois possamos questionar os povos sobre a sua vontade de pertencer ou não ao que quer que isto seja. Enquanto procuramos a resposta, um referendo como o britânico não passa de uma anedota de muito mau gosto.


                

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

A Europa definha

A União Europeia vai-se esboroando aos olhos de todos. O alargamento a Leste trouxe para a União uma mão-cheia de países onde a tradição democrática é encarada na ponta de um cacete. Velhos aliados enganam-se mutuamente, interessados apenas em manter os privilégios das classes dominantes. A globalização "amerdalhou" tudo. A Europa perdeu empregos e perdeu trabalho. As fábricas e os capitalistas fogem do centro da União em direcção à periferia e à Ásia em busca de mão-de-obra barata, quando não escrava. Por aqui restam a especulação financeira e um desemprego galopante.

Não há ideal que aguente. Vendemos a alma a troco de patacos. Imagino que seja a marcha da História. A Europa definha, a China e a Índia parecem emergir do "merdalhal", apesar das incomensuráveis legiões de pobres e explorados que pululam nos respectivos territórios.

Até quando tudo isto irá continuar neste equilíbrio precário, antes de desabar com estrondo e poeirada? Haverá uma guerra no fim destes tempos?

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Valores europeus

Alarme, alarme!!! O investimento captado pelos "vistos gold" caiu a pique no último ano. A diminuição do investimento no nosso país por parte de estrangeiros podres de ricos que compram o direito a habitar-nos incomoda todos aqueles que fazem disso um negócio lucrativo.

Por outro lado, não há motivo para alarme, são poucos os refugiados que procuram o nosso país deliberadamente. Ninguém se preocupa com isso. Para miseráveis chegam bem os que por cá já temos.

Ou seja: quem tem dinheiro é bem-vindo, quem não tem pode bem ir pregar para outra freguesia. É esta a Europa de Valores que gostamos de sacar da cartola quando queremos ludibriar papalvos de outras culturas?

sábado, agosto 15, 2015

Genuinidade democrática


Qualquer cidadão de qualquer nacionalidade é elegível para obter o “golden visa”, basta-lhe ter dinheiro suficiente para pôr a salivar certos agentes económicos e as portas da Europa ser-lhe-ão abertas de par em par. Entretanto, no Mar Mediterrâneo, continuam a naufragar outros aspirantes a habitar este espaço genuinamente democrático que é a comunidade europeia. É tudo uma questão de capacidade de investimento. 

Os que morrem no Nosso Mar investiram tudo o que tinham para comprar o seu lugar miserável num bote mortífero, às mãos de traficantes sem escrúpulos. Os que compram moradias de luxo negoceiam com outro género de traficantes, nem por isso mais escrupulosos do que os outros mas os riscos que correm são praticamente nulos. 

É tudo uma questão de quantidade. Se forem podres de ricos, os aspirantes a um lugar deste lado do mar não encontram obstáculos. Se forem pobres têm assegurada uma aventura inesquecível: ondas, enjoo, muros, arames farpados, centros de detenção, anilhas e pulseiras, fome medo e, caso sobrevivam, talvez consigam um buraquito qualquer onde aconchegar o que restar das suas pessoas e dos seus entes queridos.

Esta diferença na atribuição de autorizações para habitar o espaço europeu é o retrato perfeito daquilo que somos, enquanto projecto social e político comum. O dinheiro impera, o dinheiro é deus, o dinheiro justifica tudo, limpa tudo, limpa-se a si próprio e limpa os crimes cometidos por aqueles que o acumulam. 

Nem quero pensar que algum do capital aplicado a comprar casas de luxo em Portugal seja proveniente do tráfico de emigrantes no Mediterrâneo ou do comércio de armamento nas guerras que os obrigam a navegar para a morte.

Se é isto que temos para oferecer aos países não democráticos ou a democracias pouco genuínas, não admira que nos odeiem e nos combatam com quanta força têm.


terça-feira, julho 07, 2015

Uns pós de Democracia

Jean-Claude Juncker veio lembrar que a Zona Euro é composta pela democracia grega e outras 18 democracias. Uma espécie de 18+1=19 que permitiu ao presidente da Comissão Europeia fazer pedagogia sobre os problemas económicos que afligem tanta gente por essa Europa fora. Afirmou ainda que acredita na possibilidade de se encontrar uma solução na casa da democracia europeia, em Estrasburgo.

Decerto que, quando estabeleceu acordos secretos com 40 multinacionais, oferecendo-lhes acordos fiscais extraordinários, lixando bem lixados os restantes parceiros europeus, este nosso guardião não reuniu na casa da democracia. Quanto dinheiro das dívidas soberanas andará por aí espalhado em negociatas deste calibre ou arrecadado em off-shores manhosos? O que lucraram os povos de Portugal, da Grécia ou da Irlanda com o endividamento brutal das suas economias?

Olho para aquelas reuniões de ministros na casa da democracia, acompanhados dos seus assessores, conduzidos pelos seus motoristas, alojados em belos hotéis, a manjar em restaurantes de luxo … como podem ser estes gajos a reflectir sobre a melhor forma de acudir aos que têm fome? Temo que estejam mais preocupados em alimentar aquela corte faustosa do que em pensar como se resolvem os problemas dos pobrezinhos.

Dizem-nos que andámos a viver acima das nossas possibilidades e, por isso, contraímos uma dívida que levaremos décadas a pagar. As operações financeiras são tão complexas, tão difíceis de compreender, que a maioria das pessoas não percebe nada. Pagamos mais impostos, trabalhamos mais e temos piores hospitais, piores escolas, piores serviços e os desequilíbrios sociais acentuam-se a olhos vistos. Uma parte considerável do produto do nosso trabalho esvai-se no pagamento da dívida e reverte a favor de quê? A favor de quem? Em que é aplicado o dinheirinho que andamos a pagar tão religiosamente?

Aqui há uns anos atrás falou-se de pós-democracia, um sistema político em que a democracia representativa fica cativa de elites não sujeitas a sufrágio que se representam exclusivamente a si próprias. Depois, a discussão sobre esse admirável mundo novo que andaria a ser construído à nossa volta, esmoreceu e caiu no esquecimento. Olha-se para a paisagem actual da União Europeia e… se não é exactamente isto que se está a passar, não sei o que seja, caraças!


Jean-Claude Juncker deveria ter a hombridade de admitir que Estrasburgo é a casa da pós-democracia europeia. Podemos ser pelintras mas não somos burros!

segunda-feira, julho 06, 2015

Quem é esta coisa?

Estou confuso e desorientado. Os últimos dias têm sido uma vertigem europeia. O continente não consegue entender-se nem consigo nem com os os que tentam chegar-se, vindos do resto do mundo.

A designada "questão grega" vai tornando cada vez mais nítidos os limites do "projecto europeu". Quem vive estes dias na Europa e tenta prestar atenção aos acontecimentos fica com os miolos virados do avesso.

Terão os gregos protagonizado o primeiro e decisivo passo no sentido de colocar todo um continente a mirar-se ao espelho, ao ponto de o fazer repensar a estranha construção sócio-política que vem tentando de há umas décadas a esta parte? Irá a "Europa" fazer-se de cega e ignorar o que se passa à sua volta, permitindo que o periclitante edifício que habita desabe como um castelito de cartas?

Por outro lado, continuam a chegar às costas mediterrânicas milhares de pessoas que fogem à guerra, à fome e à miséria, iludidas por histórias que não sabemos bem quais são mas que as atraem em direcção a esta coisa informe.

A Europa parece não ter respostas à altura das circunstâncias. Nem para uns nem para outros.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Pequena Esperança

E pronto, o Syriza ganhou as eleições na Grécia. Está feito, a sorte está lançada, etc. e tal.

Agora resta-nos observar. O que irá acontecer? Algo vai mudar, de facto? A Europa poderá suportar tal prova de rebeldia dada por um povo inteiro? Não sei, caro leitor, não sabemos. Ainda.

O que me faz sonhar um pouco é perceber que ainda há quem tenha impulsos corajosos, quem não tema o desconhecido. Como diz a canção: pra pior já basta assim! A Esperança renasce um pouquinho, débil, temerosa, pequena Esperança esta mas Esperança!

Talvez o mundo não tenha de ser como nos querem obrigar a acreditar. Talvez o Destino não seja mais que uma mentira que nos querem impingir. Talvez possamos ter uma palavra a dizer na construção das nossas vidas.

Ou então não.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Incomodidade

A coisa aquece lá para os lados da Grécia. As sondagens indicam vantagem do Syriza nas intenções de voto. Os mercados começam a ficar nervosos. Os mercados e os líderes dos países mais pesados na União Europeia.

À medida que força do partido extremista grego aparenta crescer os recados vão sendo mais numerosos e sobem no tom de ameaça. Resumindo: se os gregos se atreverem a escolher um partido que desagrade aos mercados e à senhora Merkel a coisa vai tremer.

Há quem diga que um lado e outro vão fazendo bluff : nem o Syriza será tão atrevido nas suas acções, caso chegue ao poder, nem os mercados entrarão em colapso nervoso caso isso aconteça. Será? Não dá para fazer previsões sobre tão complexa situação.

O que quero fazer notar é que no presente panorama económico e político que vivemos na Europa a democracia tornou-se uma coisa incómoda e dispensável. Tudo seria mais belo e mais fácil se os gregos obedecessem ao ditames da troika e da comissão europeia sem respingar, tal como fazem os bons alunos.

segunda-feira, março 25, 2013

Espectros

"Um espectro paira sobre a Europa, o espectro do comunismo." Começava mais ou menos assim o célebre Manifesto Comunista da autoria de Marx e Engels, publicado em Fevereiro de 1848.

O espectro pairou, rondou, sobrevoou o espaço europeu mas nunca chegou a materializar-se, de facto. Ficou-se por algumas tentativas mais ou menos abstrusas, abortos horrendos que nunca fizeram justiça à essência do espectro em causa.

Hoje é outro fantasma que ensombra os sonhos dos europeus. É o fantasma da única Internacional que verdadeiramente triunfou, o da Internacional Capitalista. "Proletários de todos os países, uni-vos!" exortavam os autores do Manifesto. Olhando os dias que vivemos podemos constatar que a única verdadeira união a que este mundo assistiu não foi a dos proletários, foi a dos seus amos.

É triste observar a derrocada do sonho europeu, visto de dentro. Imagino que, olhado de outros ângulos, visto do lado de fora, o caso não seja dramático. Visto dos países que outrora designámos como o Terceiro Mundo, visto dos países que outrora colonizámos e explorámos, talvez este ocaso Europeu tenha cores garridas e tons de festa que contrastam fortemente com o cinzento a pender para o negro nocturno que a coisa ganha cá em casa.

Houve quem acreditasse que o destino da Europa seria o de espalhar o pensamento Humanista pelo planeta. Afinal fomos apenas capazes de infectar os outros com a gula capitalista e, agora, pagamos o preço devido pela nossa soberba civilizacional.

O Capital não tem Pátria nem sonha com um mundo melhor. O espectro paira sobre a Europa. O resto do mundo pode esperar pela sua vez.

terça-feira, janeiro 15, 2013

Europa



Ao que parece há uma grave cisão na Europa. O edifício abre brechas por todos os lados mantendo-se forte na cúpula e fraco nas fundações. Entre o povinho, os que não têm negócios de especulação de capitais nem sabem o suficiente de mitologia ou cultura Clássica, a maioria parece estar-se nas tintas para o “sonho europeu” ou para a “Europa da Nações”, o povo não parece estar ligado a este tipo de coisas sem valores.

Já os grandes capitalistas, banqueiros, demais agiotas e sanguessugas de serviço, vão mostrando algum entusiasmo no aprofundamento das políticas de união económica e monetária que lhes permitam manter o dente canino bem ferrado na nossa tão maltratada jugular.

Os governos, essas matilhas meio desengonçadas de miúdos com bandeirinhas na lapela, a fingir que têm ideologia política para lá do fundamentalismo económico, tudo fazem para manter o actual estado das coisas: lucros privados, prejuízos nacionalizados. A cúpula está firme, os alicerces abanam com a mais suave das brisas.

O povo parece estar mais interessado no pão que no circo, daí que seja previsível a queda de uns quantos palhaços caso não se consiga encontrar um método mais eficaz de distribuir as migalhas que vão sobrando na mesa da chularia.

A União Europeia não passa de um aleijão democrático, para mal dos nossos pecados económicos.

quinta-feira, junho 21, 2012

Portugal

Tenho estado a evitar falar de futebol, apesar do campeonato da Europa da modalidade. Mas, que porra! Hoje não aguento mais. A selecção portuguesa acaba de carimbar o passaporte para a meia-final e já não consigo fazer de conta que não estou a reparar.

Eu sei que os jogadores são isto e aquilo fora do campo. Que são vaidosos (aqueles penteados...), que são limitados culturalmente (aquelas birras, aquelas declarações...) mas, dentro do campo, temos ali verdadeiros intelectuais.

Ronaldo é um cientista, Moutinho um geómetra exemplar, Nani uma espécie de poeta incompreendido e Coentrão é uma pequena máquina de fazer mal ao adversário. O Nosso Mister, Paulo Bento, até mudou o penteado ridículo por uma coisa mais sóbria e tem demonstrado uma capacidade invejável na gestão da empresa que é a nossa equipa de futebol.

O nosso problema é meter a bola na baliza adversária. Ao longo de um jogo criamos inúmeras oportunidades de o fazer mas, na hora da verdade, fica a sensação de que temos pena dos adversários. Rematamos ao lado, rematamos ao poste, atiramos por cima ou contra o cú do defesa adversário. Há quem diga que se o futebol fosse um jogo sem balizas Portugal ganhava sempre. Mas não ganha sempre, é preciso marcar golos para ganhar.

Como de costume andamos meio esquizofrénicos. Se ganhamos podíamos ter ganho por mais. Se perdemos (como aconteceu no primeiro jogo contra os monstros alemães) foi porque tivemos azar (e tivemos mesmo).

Agora ficamos à espera de saber se jogamos contra a Espanha ou com a nossa "bête noire". a odiosa França do irritante Michel, o Platini.

A novidade é que, desta vez, venha quem vier é encarada com grande confiança. Podemos ganhar ou perder, mas, por uma vez, não estamos cagados de medo. O que se passa? Estará Portugal a mudar? Será que as novas sonoridades do Fado estão a surtir efeito no espírito lusitano?

Seja o que for, venha quem vier, Portugal está a viver com uma calma inesperada a campanha deste Europeu. Pessoalmente desejo que sejamos campeões. Espero por isso desde que me lembro de ser quem sou. Já lá vão quase 50 anos...

quinta-feira, novembro 03, 2011

A Zaragata

 
A Europa precisa de uma narrativa comum que contribua para o despertar de uma consciência colectiva dos diferentes povos que a compõem. Uma narrativa épica que faça sentido e nos permita voltar a sonhar. Precisamos de qualquer coisa de utópico, uma narrativa plena de ideais humanistas que nos permita recuperar o orgulho de ser europeus. Precisamos de uma narrativa à maneira das narrativas religiosas, que elegem uma personagem central e a elevam à categoria de divindade, rodeada de uma série de proféticas personagens secundárias. Precisamos de uma narrativa como as dos inventores dos nacionalismos oitocentistas que foram remexer os baús de memórias populares; lendas, mitos e personagens maravilhosas, ressuscitando velhos heróis, maquilhando-os de modernidade para fundarem os nacionalismos que hoje enxameiam o espaço europeu e impedem o nascimento de uma consciência comum aos habitantes deste continente.

Cada povo adora os respectivos santinhos e crê na sua teia particular de acontecimentos milagrosos que lhes permite ter orgulho naquilo que putativamente são. Os impérios sempre assentaram tanto na força quanto na fé, na sua capacidade de oferecer uma ilusão aos que neles vivem. O que tem a União Europeia para nos oferecer? Qual o sonho comum a todos os europeus? Actualmente a União Europeia é pouco mais que uma teia de burocratas sustentados por uma comandita de usurários a que se dá o nome, um tanto enigmático, de “mercados”. Nos últimos tempos a União comunica com os cidadãos através de uma linguagem exclusivamente económica. A heroína desta narrativa confusa é a Economia, uma espécie de divindade volúvel, vingativa e insaciável, mais apropriada para assustar as criancinhas que não querem comer a sopa do que para inspirar sonhos de grandeza humanista. E nós, europeus, portamo-nos como crianças obedientes e um tanto imbecis. Para aqui andamos, feitos baratas tontas, a esquecer o significado da palavra solidariedade e os fundamentos básicos da Democracia, a trocar direitos por deveres que aqui há uns anos atrás nem sequer nos passava pela cabeça aceitar. 

Precisamos de um herói que nos inspire e faça renascer os nossos sonhos de grandeza. Precisamos de uma narrativa suficientemente global, que seja compreendida por todos os cidadãos, capaz de fazer que com ela nos identifiquemos. Mas, problema supremo: onde vamos nós desencantar essa personagem extraordinária? Que narrativa maravilhosa poderá unir os europeus em redor de um projecto civilizacional comum que tenha como base a Democracia e o Humanismo por fundamento? Após longa e aturada reflexão proponho que o herói seja Astérix. Tem a vantagem de ser uma personagem universal, apesar da sua origem gaulesa, compreensível para todos os escalões etários e há uma aventura desta personagem que poderá levar-nos a pensar sobre o que andamos para aqui a fazer, a tal narrativa luminosa e potencialmente unificadora. Falo de A Zaragata. Este livro genial dos geniais profetas Goscinny e Uderzo, deveria passar a ser leitura obrigatória para todas as crianças (e adultos) habitantes do território europeu. Impõe-se a vulgarização de uma hermenêutica de A Zaragata. Com urgência.

terça-feira, novembro 01, 2011

Europa, o que és tu?

A Europa está em maus lençóis. Tem-se deitado com quem não devia e, ao acordar, tenta perceber onde está e a merda que fez. Um clássico da leviandade. Acorda-se com a boca seca e uma grande dor de cabeça, sem saber onde se deixaram as calças nem as cuecas que hão-de estar algures. Longe ou perto? Vá-se lá saber.

Talvez que a culpa tenha sido de Zeus, essa divindade viciada em sexo com tudo o que tivesse um sopro vida. Desde que raptou Europa naquela sua célebre golpada do touro branco que a dita cuja nunca mais atinou com as companhias. Anda por aí, perdida ou envergonhada, não se percebe bem. A única certeza é que Europa tem graves problemas de identidade.

A Europa dá-se com gente pouco recomendável e anda a vender-se a pataco. Tornou-se uma puta de berma de estrada, sem grandes cuidados na sua higiene íntima e lambe qualquer bota que lhe pise os calos. Se não mudar de vida ainda vai pegar doenças infecciosas a quem com ela se deitar.