Não te suicides já, espera mais um bocado. Pode ser que aconteça o que não é para acontecer, pode ser que o destino tropece. Não te suicides ainda, há esperança. A esperança pode morrer mas só quando já não houver quem a alimente. Depois de a esperança falecer nem deus resta. Nada.
quinta-feira, setembro 10, 2026
quarta-feira, setembro 09, 2026
O futuro
É uma sensação estranha esta, a de ver o mundo a desmontar-se peça por peça mesmo defronte dos meus olhos. Não falo do planeta, falo do mundo, que são coisas bem diferentes, não vale a pena estar para aqui a explicar.
Talvez mais tarde o mundo seja de novo montado com uma organização diferente destas mesmas peças, talvez venham a ser incluídas na montagem peças até aqui inexistentes, é como naquele poema do Camões que fala de o mundo ser composto de mudança. O Futuro não pertence a ninguém, nem mesmo a Deus (seria necessário que Ele existisse).
A civilização tal como actualmente a concebemos está por um fio. Mais dia menos dia pode cair no abismo sobre o qual balança perigosamente...
Durante algum tempo haverá caos e desordem, choro, saudade e lamentação. Mas, se tudo se desenrolar segundo as boas leis da existência das espécies, logo, logo haverá outra forma de se ser humano e dentro de uns milhares de anos este mundo será uma curiosidade arqueológica.
sábado, maio 09, 2026
Profecia
Aparentemente estamos bem arranjados! Estamos fritos, não cozidos, fritos em azeite a ferver, temperados com malaguetas arrepiantes e umas rodelinhas de cebola para puxar ao sentimento, libertar a lágrima hesitante.
Cada vez mais ouço opiniões de seres humanos que, como eu, perspectivam um fim próximo para a nossa espécie tal como ela se nos apresenta nos dias de hoje. Concordo quase sempre. Ouvi aqui há dias um (penso que era inglês ou seria cidadão dos EUA?) gajo qualquer a dizer exactamente aquilo que me parece, irá acontecer, uma profecia do caraças!
Não será a nossa espécie que acaba mas sim esta civilização, este modelo de organização capitalista que enforma a sociedade global. Haverá sempre algumas bolsas de sobrevivência, pequenas comunidades agrárias que irão prevalecer, sementes de Humanidade. Decresceremos brutalmente em número mas ficaremos por aí, à espera que o tempo faça o seu trabalho e, tal como um vírus paciente, possamos voltar a declarar-nos a espécie dominante; até que, alguns séculos depois, a coisa dê outra vez para o torto.
Quantas vezes terá isto acontecido na História do nosso planeta? Quando esta civilização colapsar restará dela alguma memória activa? Nunca o saberei. Nem tu, amigo leitor. O futuro a Deus pertence.
sexta-feira, março 08, 2024
Visão e premonição na vida de um cão
A sensação reconfortante de que a nossa sociedade evolui continuamente é uma ilusão poderosa. Imaginamos uma espécie de Nirvana ao virar da esquina sem olharmos para trás, sem verificarmos se as coisas vão ficando nos lugares onde as deixámos.
As conquistas alcançadas não são eternas. Os impérios, afinal, acabam sempre por cair. Aquilo que foi grandioso degrada-se, definha e perece. O poder está muito longe da solidez que aparenta ter de cada vez que se impõe e determina uma certa linha da realidade.
A felicidade alterna com momentos de tristeza, à euforia sucede o marasmo, a depressão. Um dia tudo acabará. Imagino que fique o silêncio e que o silêncio permaneça.
terça-feira, janeiro 02, 2024
Aquele gajo é esquisito
Corria o primeiro dia do ano e ele compreendeu. Compreendeu que a Humanidade continuava a pagar o Pecado Original. Que a História mais não era que nova versão da uma velha narrativa: ascensão e queda, como na narrativa de Lúcifer ou na de Ícaro. Compreendeu que, mais uma vez, caminhávamos em bloco na direcção do abismo. Como sonâmbulos, pior! Como zombies!!!
Compreendeu que a vingança de Deus não terá nunca o seu epílogo. Que infinita é a vingança de Deus e não o Universo. Compreendeu que, uma vez extinta a nossa civilização, uma outra começará a emergir, lentamente, dos escombros. Uma civilização amnésica, como é a nossa, que haverá de repetir todos os erros, todas as maldades, todas as coisas estúpidas que estão hoje a levar-nos no caminho da desgraça.
Sentiu um frio inexplicável. Sentou-se e pretendeu falar, explicar a todos os que se cruzavam com ele aquilo que havia compreendido. Sentiu-se esquisito. Compreendeu o papel dos Profetas. Resolveu ficar calado. Não aspirava à tolice, muito menos ao martírio. Resolveu ficar calado.
quarta-feira, agosto 03, 2022
A Democracia como empecilho
Há muito que se fala em pós-democracia, mas o conceito não tem sido muito discutido nem tão difundido quanto seria desejável. Muitos são os que consideram que vivemos em pleno um regime pós-democrático; elegemos os nossos representantes que se ocupam do funcionamento das instituições e vão tomando decisões que permitem ir equilibrando o nosso quotidiano, mas as grandes decisões económicas são tomadas nos ambientes controlados dos conselhos de administração de meia dúzia de grandes empresas. Estas multinacionais formam uma espécie de Comité Central da Internacional Capitalista (IC) e são os seus patrões quem decide o modo como vivemos e como morremos, tendo como único objectivo a satisfação dos interesses dos seus principais accionistas. Os seus negócios são transversais, do armamento aos cereais, dos combustíveis fósseis aos verdes, onde houver dinheiro a ganhar há um comissário da IC a fazer com que a coisa flua.
Isto pode soar a teoria da conspiração, mas não consigo evitar a sensação de estar a IC promovendo o desmantelamento da Democracia, peça por peça. A coisa está já em avançado estado de degradação nos EUA, no Brasil o ambiente não parece muito melhor, a ascensão nazifascista por toda a Europa é preocupante. Para gáudio da IC as grandes potências em ascensão têm regimes abstrusos: na China uma espécie de capitalismo de estado, na Índia um impossível democracia nacionalista hindu. Populações inteiras com direitos socio laborais mitigados ou mesmo inexistentes são o sonho húmido dos dirigentes da IC, o futuro da Humanidade.
Assistimos ao declínio final do “século das luzes” após a derrocada dos impérios coloniais. A África terá de continuar à espera da sua hora, quem sabe daqui a mil anos…? Putin terá também direito a constar numa página da História, talvez numa nota de rodapé, lado a lado com Zelensky: os dois Vladimiros siameses que, cada um à sua maneira, deram a machadada final na União Europeia. Eu sei que tudo isto soa a teoria da conspiração, mas não consigo libertar-me da incómoda sensação de que a Democracia se tornou um autêntico empecilho.
sexta-feira, julho 29, 2022
BUM!
Cada vez mais sinto uma certa nostalgia do futuro. Nostalgia do futuro!? "O gajo está a asnear" pensa o leitor desprevenido. Como pode alguém sentir falta ou saudade daquilo que ainda não aconteceu? Pois é, não é fácil de explicar; é um sentimento tão profundamente difuso que as palavras o trespassam sem lhe sentirem a pele.
É uma nostalgia daquilo que nunca virei a ser, acrescentando já as expectativas defraudadas, as que já lá vão mais as que haverão de vir; uma nostalgia da própria civilização tal como a conheci, não exactamente como ela é agora. Começo a ficar azedo, a pensar "no meu tempo é que era". Mas o meu tempo é também este tempo. Ainda não estou morto, pelo menos ainda não completamente.
Cada vez mais tenho a incómoda sensação de que a nossa civilização não tem muito futuro. Não sei se esta sensação é provocada por estar a assistir, ao vivo e a cores, ao desabamento da suposta supremacia do "Ocidente". Não sei se por me aperceber que estamos a tornar impossível a sobrevivência da espécie humana nestes moldes, quero dizer, nada se expande infinitamente a não ser (ao que parece) o Universo. A expansão infinita da Economia provocará o rebentamento da bolha civilizacional e... BUM!!!
Silêncio.
terça-feira, maio 21, 2019
Outra profecia merdosa
A Deus não tenho nenhum pedido a fazer, nem sequer que me deixe em paz. Na minha adolescência a sensação de ausência de futuro derivava da Guerra Fria, do temor da Bomba, mãe do Apocalipse. Era o tempo do chamado "movimento punk".
Olho para os dias de hoje e o "no future" está aí, mais presente do que nunca; visível, palpável, irrespirável.
Nada a fazer, o nosso modo de vida definha de forma irreversível. Penso que é tempo de começarmos a preparar as gerações futuras para aquilo que aí vem. Basta de alienação. A sobrevivência da espécie exige lucidez. Ou então será a Noite dos Tempos.
segunda-feira, maio 13, 2019
Profecia óbvia
A questão central prende-se com a constatação de que o crescimento económico, característico do sistema capitalista globalizado, consome tudo com uma voracidade inaudita e já teremos ultrapassado o ponto de não-retorno (começo a tornar-me repetitivo?). É simplesmente impossível imaginar que os nossos netos, para já não falar dos nossos filhos, possam viver numa sociedade semelhante a esta.
Aquilo que designamos por níveis de bem-estar são, em grande parte, resultado do consumo excessivo dos recursos planetários e, pior do que esse consumo, provocam níveis descontrolados de poluição. Poluição atmosférica, dos solos, das águas, poluição sonora, das mentes e, digo eu, da própria ideia de Humanidade.
Imaginámos que a Humanidade evoluiria em direcção a uma espécie de estado de semi-divindade. Não pensámos que poderia existir um ponto na curva evolutiva que marcasse o início da sua descida, o início do declínio. Talvez estejamos a viver próximos, muito próximos mesmo, desse ponto.
Com o declínio da Humanidade virão outros tipos de degradação em diferentes graus: social, civilizacional, "you name it". Os nossos descendentes passarão a viver em condições muito diferentes daquelas em que nasceram, eventualmente diferentes para pior... ou talvez não.
Como já disse em muitos posts neste 100 Cabeças: "a esperança é a última coisa a morrer", mas também morre.
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
Futuro próximo
Como será o mundo nesse dia (não muito longínquo)?
Virá o dia em que aceitaremos em definitivo o óbvio: as máquinas são mais eficazes do que nós numa série de situações da vida quotidiana e, como tal, teremos de lhes entregar muitas mais responsabilidades.
Diz-me algoritmo, que roupa devo vestir hoje?
A dúvida é: somos nós uma espécie de máquinas de menor potência, eventualmente defeituosas? Ou serão as máquinas uma espécie de seres humanos melhorados (ou piorados, dependendo da perspectiva de quem pensa no assunto)?
Diz-me algoritmo, como devo responder à questão que me foi colocada?
Este admirável mundo que há-de vir (em breve) será mais radioso que o mundo de hoje ou permanecerá, simplesmente, diferente?
Diz-me algoritmo, o que sou eu?
segunda-feira, março 25, 2013
Espectros
O espectro pairou, rondou, sobrevoou o espaço europeu mas nunca chegou a materializar-se, de facto. Ficou-se por algumas tentativas mais ou menos abstrusas, abortos horrendos que nunca fizeram justiça à essência do espectro em causa.
Hoje é outro fantasma que ensombra os sonhos dos europeus. É o fantasma da única Internacional que verdadeiramente triunfou, o da Internacional Capitalista. "Proletários de todos os países, uni-vos!" exortavam os autores do Manifesto. Olhando os dias que vivemos podemos constatar que a única verdadeira união a que este mundo assistiu não foi a dos proletários, foi a dos seus amos.
É triste observar a derrocada do sonho europeu, visto de dentro. Imagino que, olhado de outros ângulos, visto do lado de fora, o caso não seja dramático. Visto dos países que outrora designámos como o Terceiro Mundo, visto dos países que outrora colonizámos e explorámos, talvez este ocaso Europeu tenha cores garridas e tons de festa que contrastam fortemente com o cinzento a pender para o negro nocturno que a coisa ganha cá em casa.
Houve quem acreditasse que o destino da Europa seria o de espalhar o pensamento Humanista pelo planeta. Afinal fomos apenas capazes de infectar os outros com a gula capitalista e, agora, pagamos o preço devido pela nossa soberba civilizacional.
O Capital não tem Pátria nem sonha com um mundo melhor. O espectro paira sobre a Europa. O resto do mundo pode esperar pela sua vez.
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Profecia


