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terça-feira, novembro 15, 2016

Material e criatividade

As mulheres são, de facto, adoráveis. Olho-as e vejo a perfeição.

Da criação de Adão para a de Eva Deus melhorou muito. Fica provado que, por vezes, a matéria-prima é decisiva para a qualidade final do trabalho realizado.

Não sei se Deus fez alguma experiência anterior mas uma costela parece ser material mais indicado do que um punhado de terra quando se trata de criar um ser vivo.

Nesta cena estiveste bem, Deus, foste um bacano.

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Sonambulismo

Continuo a sentir uma emoção particular quando a questão é o meu povo. Refiro-me ao povo que conheci na minha infância, ao povo de que ainda faço parte. O povo da minha aldeia. Um povo medroso, petrificadamente religioso, um povo que por não compreender nada aceitava Deus como finalidade absoluta da sua existência.

Na minha meninice tinha pesadelos terríveis nos quais o Diabo me perseguia e eu corria, desenfreado, fugia sempre em frente com quanta força tinha, com a força que só somos capazes de encontrar nas profundezas do sonho, quando o sonho se transforma em pesadelo.

O mundo mudou, o meu povo transformou-se e o Diabo deixou-me em paz no dia em que deixei de acreditar nele. Agora vivemos todos num mundo melhor.

O Diabo deixou-nos em paz mas não morreu. O cabrão está bem vivo. Ele come tudo e não deixa nada.

Andamos adormecidos; a miséria deu lugar a alguma folga, já não andamos descalços no Inverno nem comemos batatas todos os dias acompanhadas por uma cabeça de sardinha meio apodrecida. Agora temos McDonald's e Coca-cola, temos centros comerciais e carros a prestações mas continuamos a ser os mesmos.

É urgente despertar.

domingo, março 29, 2015

Je suis Frankenstein

Não sei me comovem os esforços (tantas vezes patéticos) daqueles que pretendem desvendar grandiosas intenções pré-determinadas quando olham, observam e veneram a obra de algum artista, objecto da sua devoção.

Quem se dedica ao acto criativo sabe bem que a sua criatura é algo independente. Somos todos Frankenstein, o criador alucinado, o visionário deslumbrado que gerou um monstro; magnífica metáfora do mais negro e belo Romantismo!

Quem cria sabe bem que a criatura deseja sempre a liberdade (pelo menos até ser capaz de compreender o que significa Liberdade).

Quem cria deve ter grandeza de espírito suficiente para se aguentar à bronca com as consequências da sua criação.

terça-feira, fevereiro 17, 2015

Do Amor

Foi no Dia dos Namorados. Na peixaria encontrei o coração que a imagem acima ilustra. Uma representação de um coração ou, talvez seja mais exacto, uma representação do Amor.

Quem idealizou aquela pequena instalação artística? Não faço ideia. Talvez uma peixeira, não sei. Quando os meus olhos embateram na coisa fiquei meio hipnotizado.

Grotesco.

Aterrador ou enternecedor? O meu coração balançou perigosamente à beira de um abismo estético.

Discretamente fotografei a coisa com o meu telemóvel. Enquanto esperava a minha vez para ser atendido (Um polvo, se faz favor.) reflecti sobre o impulso de quem concebeu aquele pequeno mas fascinante horror.

As pescadas formando um coração, o pormenor colorido dos morangos, como dois coraçõezinhos mais pequenos (ou dois pingos de sangue?). Decerto aquela imagem fora concebida e construída sob o signo da Beleza. Quem fez aquilo, decerto considerou o conjunto como uma expressão de Beleza. Disso não restarão grandes dúvidas.

Esta manifestação de sensibilidade artística merecia lugar em qualquer galeria de arte contemporânea.

quinta-feira, março 27, 2014

Beleza

As coisas não têm, obrigatoriamente, que ser belas. As coisas têm, isso sim, de fazer sentido e nós, se fizermos sentido com elas, poderemos compreendê-las. É na nossa capacidade de compreensão que reside a beleza do mundo: descobrir o sentido das coisas faz de nós artistas.

A beleza é uma possibilidade universal e latente. Na verdade todas as coisas do mundo são potencialmente belas  pois todas elas (todas elas) fazem sentido. Uma nuvem é bela, um grão de areia é belo, um monte de merda tem a sua beleza. Um parafuso ou um caracol são fontes de inesgotável beleza. Compete-nos a nós compreender o sentido que estas coisas fazem e descortinar a beleza que possuem.

A beleza das coisas depende muito de quem as vê, ouve, sente; seja um ser humano ou qualquer outro tipo de entidade, animal ou nem por isso. A beleza está aí, em todo o lado, à espera de ser percepcionada. Há, no entanto, milhões de coisas às quais nunca ninguém sentiu, viu ou ouviu o mais leve traço de beleza.

Não sei se não são essas as coisas perigosas...

sexta-feira, maio 24, 2013

Uma coisa muito bela

Cena do filme "A Infância de Ivan" de Andrey Tarkovsky.

segunda-feira, julho 09, 2012

Do artifício da beleza

 João Reis (em 1º plano) interpretando o judeu Shylock

A beleza é mera aparência ou tem de apresentar substância? Pode a forma sobrepor-se em absoluto ao conteúdo?

Estas questões (que sendo duas são, afinal, apenas uma) têm andado a dançar uma valsa complicada na minha cabeça, já que a música que tentam acompanhar é mais um tango com toques de punk rock que coisa melodiosa à boa maneira vienense.

As referidas questões começaram o seu baile destrambelhado no Sábado passado, quando fui assistir à versão de "O Mercador de Veneza" encenada por Ricardo Pais e que tive oportunidade de ver no Teatro Municipal de Almada.

É certo que não sou a personagem mais aconselhável para fazer uma crítica razoável de um espectáculo teatral. Falta-me muita coisa para poder ser eficaz na minha leitura. Mas a minha sensibilidade estética tem uns pózinhos de não-sei-quê e o facto de conhecer um pouco mais ou menos a peça de Shakespeare (mais pra menos que pra um pouco mais) permite-me esta atitude algo temerária de afirmar que o encenador quis fazer uma coisa e saiu-lhe outra.

Pretensiosismo meu, decerto e sem sombra para dúvida razoável, mas está dito, está dito! Que se lixe.

Ninguém me encomendou o sermão e não pretendo qualificar o trabalho de ninguém com estas linhas, quero apenas deixar aqui uma reflexão que me continua a dançar nas curvas da mioleira, dois dias após ter assistido à referida função. Estou a ver se me livro desta coisa para poder pensar noutras que irão igualmente deixar-me a nadar em dúvidas, como um pato de borracha amarelinha que nada flutuante no banho perfumado de um bebé.

Ricardo Pais dividiu a peça em duas partes bem distintas. As desventuras de Shylock, o célebre judeu que pretendia tirar um bife do peito manso do cristão António por juros vencidos de uma dívida por pagar, amontoam-se na 1ª parte desta versão. É o sumo da peça que se bebe todinho ali, no espaço de uma hora, mais coisa menos coisa.

A 2ª parte, apesar de mais curta, pretende, tanto quanto me foi dado entender, mostrar a beleza dos episódios que se debruçam sobre a paixão e o amor, numa exibição pouco conseguida de pretensa beleza visual e de texto melodioso,

Nem os actores a quem foi distribuída a função tiveram peito para elevar as intenções do encenador, nem a acumulação de situações melífluas resultou em nada mais que uma valente seca. Tanta beleza compactada acaba por chatear.

Fiquei a matutar sobre a possibilidade de a coisa mais bela do texto de Shakespeare ser a horrível maldade de Shylock e o seu discurso arrasador quando compara os judeus à restante humanidade. Os artifícios do amor, apesar da graciosidade feminina e das palavrinhas almofadadas, apesar dos jogos de luzes e da musiquinha em fundo, lamento dizê-lo, não resultaram feios: resultaram horríveis.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Bom 2012

Os dias de Inverno, assim como o de hoje, são os mais bonitos, os mais perfeitos de todos. Trazem o sol lá do fundo da paisagem e deixam-no ir subindo devagarinho, para lhes não estragar o frio, que sempre são dias de Inverno. E é isso que os faz tão bonitos e perfeitos: o sol a iluminar o frio pousado sobre as coisas.

O calor amansado pelo ar que nos rodeia a cabeça, a lutar de mansinho com a friagem, como se fossem dois gatos pequenos a rolar doçuras no tapete da sala onde Deus adormeceu e ressona levemente, como um músico de orquestra a experimentar o trombone com um sopro levezinho.

Nestes dias de Inverno, dias gelados de sol, o mundo quer dizer-nos que tudo pode acontecer, que uma coisa não é assim tão diferente do que for o seu contrário.

Bom 2012 companheiros.

segunda-feira, junho 11, 2007

sexta-feira, maio 11, 2007

À procura da beleza (10)

Temas para ouvir enquanto se pinta ou se desenha ou então não.



Moby



Mozart



Primal Scream



The Cult

sexta-feira, maio 04, 2007

À procura da beleza (9)

Maravilhosos, incorruptíveis e imbuídos de um espírito de sacrifício a fazer pensar no Cristo a penar na cruz. Segue-se breve colecção de cromos evidentemente incompleta mas com algum significado.









Estes são alguns dos que nos governam. Perante factos os argumentos fraquejam. Olhem bem para eles. OLHEM BEM PARA ELES! Alguns são meros idiotas. E nós não podemos ignorar a nossa responsabilidade por termos gente desta a comandar os nossos destinos. São do piorio. Fraca chicha, como se diz na minha terra. Uma vez alapados ao poder não há poder que os descole. E a culpa é nossa! Um povo que elege dirigentes desta estirpe não merece mais do que aquilo que tem.
Vou beber um copo. Ou dois.
Se calhar bebo três!
Post Scriptum: Passadas algumas horas, talvez nem tanto, relendo este post (não o scriptum) fez-se luz neste meu espírito que Deus faz o favor de alumiar com candeia ás avessas. O povo vota nestes gajos para ter um pretexto para apanhar valentes e épicas bebedeiras! Nós queremos ser governados por incompetentes e corruptos de todas as cores, pesos e espécies animais pois isso leva-nos direitinhos à barra da tasca a suspirar por mais um penaltie e um bagaço a verter por fora! E com razão!!!
Como somos profundamente católicos, quando chegar o dia do Juízo Final e Deus vier de lá com o vozeirão a acusar o pessoal "Bêbado!" um gajo argumenta" E o João Jardim?" se for madeirense, "E o Salazar (que está a abanar as fogueiras no Inferno)?" se tiver tido o azar de ter vivido sob o regime do Botas de Santa Comba. Etc., etc., etc., a lista é de tal modo extensa e variada que Deus não vai ter outro remédio que não seja arranjar um local intermédio para o povo português. Nem céu (que seca tenebrosa) nem inferno (não vale a pena exagerar, ó pá!), vamos todos parar a uma tasca. Com cheiro a vomitado e fumo (muito fumo) de tabaco. Sem filtro, porque é castigo.

sexta-feira, março 23, 2007

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

quarta-feira, janeiro 24, 2007