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terça-feira, março 27, 2018

Tempos dificeis

Talvez seja isto a tão badalada inteligência artificial. Na verdade (seja lá isso o que for) a IA é um sucedâneo da velha esperteza humana. Basta um gajo sem escrúpulos capaz de manipular informação com uma habilidade fora do comum e, pronto, eis uma entidade inteligente.

A ausência de ética é uma coisa banal. Sempre foi. Aliada às tecnologias da moda, a falta de ética, gera a tal IA. Estamos, assim, entregues a uma estranha bicharada.

A cibernética é muito isto, uma mistela entre o animal sem sentimentos e o mecanismo recolector e produtor de informação. Adivinha-se uma vigorosa selva habitada por um panteão de monstruosidades juvenis ainda desconhecidas mas que parecem alimentar-se daquilo que nós somos.

Para sobrevivermos nesta nova e perigosa floresta teremos de ser todos como o Capuchinho Vermelho só que mais desconfiados quando o Lobo Mau nos vier cheirar o cestinho da merenda.

sexta-feira, abril 18, 2014

Regresso e fuga

Tanto tempo sem escrever uma linha que fosse aqui, no 100 Cabeças! É a modorra da zumbisfera a inquinar-me a escrita.

Por alguma razão que me escapa dou por mim a teclar de novo nesta coisa. Poderia falar sobre os livros que li, os filmes que vi, as músicas que me impressionaram entretanto. Poderia tentar escrever algo vagamente inteligente acerca das viagens que fiz, das coisas que me encheram o olhar. Mas não.

Escrevo apenas por escrever, escrevo apenas para não deixar morrer esta centésima cabeça que me enfeita os ombros. Só isso, apenas isso. Coisa pouca e nada mais.

Escrevo e parece-me ouvir o eco do ruído das teclas a serem pressionadas pelos meus dedos roídos nas pontas, como se estivesse enfiado num corredor escuro e comprido, um corredor sem tempo nem memória, vazio e pouco limpo.

Paro a função. Não procuro imagem nem faço questão de terminar com elegância.

quarta-feira, julho 10, 2013

Confissão

Shark, shark night
colagem, 2013

Quiseram os deuses do acaso que, em tempos recentes, eu conhecesse pessoalmente várias pessoas com quem vou convivendo no espaço virtual, principalmente aqui, na zumbisfera dos blogues. A impressão com que fiquei de todos os zumbisféricos que contactei (de TODOS sem excepção) foi extremamente agradável. Pessoas simpáticas, afáveis, de trato fácil, as conversas fluiram sem rumo certo nem constrangimentos. A materialização da zumbisfera proporcionou-me, até agora, óptimos momentos de  grande descontracção.

A minha maior surpresa, no entanto, é a imagem que essas pessoas têm de mim, antes de nos conhecermos ao vivo. Nunca tinha pensado nisso mas, de uma forma geral, em comentários aqui na zumbisfera ou mesmo em conversa directa, apercebi-me que a minha pessoa virtual é algo desconfortável. No trato directo, valha-me isso, os meus amigos virtuais (agora reais) relaxaram ao perceber que não sou tão sombrio, azedo e violento como imaginavam. Ou, pelo menos, ao vivo não pareço sombrio, azedo nem violento.

Já o meu mestre Jorge Pinheiro, professor de pintura no meu último ano da ESBAL, me havia dito, há coisa de uns vinte e tal anos, que olhando os meus trabalhos ninguém imaginaria a minha pessoa. Não sei se é caso para me orgulhar se para me preocupar. O melhor é não pensar muito nisso, nem uma coisa nem outra. Mesmo a minha mãe, que não é pessoa muito interessada no fenómeno artístico (a menos que eu esteja ligado) me perguntou um dia, com algum cuidado, se havia algum trauma na minha infância que me levasse a produzir obra tão negra. O problema da minha mãe era saber se tanta monstruosidade poderia estar, de algum modo, relacionada com ela. Não, mãezinha, pode estar descansada, se alguma coisa eu pintasse por influência sua pintaria flores e passarinhos.

Não, isto é coisa pessoal, é entre mim e o mundo, uma velha luta, uma narrativa épica dentro da minha cabeça. "I'm the star of my own movie", como na canção dos Talking Heads. Não vale a pena tentar explicar o que explicado está na sua própria natureza.

Relendo o que atrás fica escrito tenho a sensação de estar ajoelhado no confessionário a bichanar os meus pecados ao ouvido preguiçoso do padre que eu não sou gajo de psiquiatrias nem coisas desse calibre. A verdade, verdadinha é que há muitos anos que dispenso os padres e falo directamente com o Big Boss. A maior parte das vezes falo com Ele quando desenho, quando escrevo e quando pinto. Talvez seja por isso que as coisas que faço ganham os contornos que têm: são orações ao Divino. Oxalá Ele exista e possa compreender-me.

Eu sei que este texto vai longo e não ajuda nada a desanuviar a minha tal imagem zumbisférica mas as coisas são o que são. Não há volta a dar-lhe. Mas prometo, caro leitor, que se nos encontrarmos um dia face a face serei o que costumo ser, no mundo real. Nem outra coisa seria de esperar.

(sorriso)

domingo, dezembro 09, 2012

Aniversário

Aqui há uns dias atrás o 100 Cabeças cumpriu o 7º aniversário. Como de costume nem me apercebi (a data de nascimento deste blogue é algures para os finais de Novembro) e venho assinalar a efeméride com o atraso habitual.

Muito se tem falado da falência da Blogosfera (chegou mesmo a surgir o termo Zumbisfera) e das razões que levam a esse suave desvanecimento. A leitura de "O ÚLTIMO BLOG e outras blogagens" veio recordar-me uma série de questões relacionadas com a motivação do "blogueiro" e as dificuldades de encontrar e manter leitores (a parte em que o Eduardo expõe as características que considera essenciais para que um Blogue seja capaz de "prender" leitores é muito interessante).

Realmente, as dúvidas e as questões enrolam-se constantemente umas nas outras e vão fazendo com que o "blogueiro" ora seja assíduo, ora se sinta algo desmotivado e vá fazendo gazeta à escrita.

Seja como for, já lá vão 7 anos a "blogar" e, para ser sincero, não estou a ver o fim próximo para esta coisa. Será teimosia, ego desmesurado, simples ingenuidade ou outra coisa qualquer. A verdade é que o 100 Cabeças passou a fazer parte de mim (ou terei sido eu que passei a fazer parte dele?).

Parabéns (atrasados) a mim próprio, o 100 Cabeças!

segunda-feira, janeiro 16, 2012

A Zumbisfera

Há palavras que valem um mundo inteiro. Assim, de repente, não estou a lembrar-me de nenhuma, quero dizer, sei apenas uma. É uma palavra que foi inventada pela Dona Sra. Urtigão a propósito de um post que deixei aqui e o Eduardo levou para o eterno Varal de Ideias.

Falava-se sobre o fim da blogosfera e da forma como ela vem sendo canibalizada (ou parasitada) pelo facebook e outras plataformas do género. Foi então que a Dona Sra. Urtigão inventou essa palavra genial que é "zumbisfera", este espaço onde vogamos como seres em semi-vida virtual, arrastando os nossos textos em passo de caracol embriagado. Este espaço outrora designado por blogosfera, no tempo em fervilhava de vida e alegria, com gente feliz e vivaça, aos pulinhos entre blogues, deixando comentários e links em todas as direcções.

A coisa esmoreceu e, nos dias que agora não correm, antes se arrastam, a zumbisfera vai andando lentamente, como que ao som de uma triste guitarra portuguesa, a choramingar notas que soam tal qual pingos de uma chuva ácida, a caír lá do alto de um céu muito cinzento, batendo na vidraça da janela, sempre fechada.

Em Portugal dizemos "zombie", no Brasil dizemos "zumbi"; a palavra é zumbisfera, porque foi assim que foi inventada e vale para as duas margens do lago Atlântico. Aqui não entra o Acordo Ortográfico pois estamos em pleno espaço virtual, de criação absoluta e liberdade perfeita.

Declaro oficialmente o nascimento da ZUMBISFERA, este lugar onde estamos e de onde ninguém nos haverá de tirar.