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quarta-feira, outubro 24, 2018

Cães vadios, ratazanas e carraças

É como aquela cena do Yin e Yang, cada pensamento bonito precisa de uma sombra arrepiante que o equilibre, cada cãozinho tem à espera a carraça que lhe compete alimentar um dia. A um post fofinho deve suceder outro que seja azedo. Somos todos alimento uns dos outros (peixes grandes comem peixes pequenos) e foi assim que Deus fez o Paraíso.

Quero dizer, ao que consta Deus não pôs logo a bicharada a ferrar a dentuça no parceiro do lado; parece que, nos primórdios do Paraíso os leões eram amigos dos cordeiros (sim, havia leões e cordeiros deitados no mesmo prado verdejante) e até a carraça era pacífica. Não nos explicam de que se alimentavam estas bestiolas mas era tudo na base do "peace and love".

Sinceramente não sei quando é que a cena descambou. Terá sido por causa do Pecado Original? É bem capaz de ter sido isso: Eva convenceu Adão a dar uma trinca numa maçã (uma maçã!!!???) e pronto, lixou-se tudo. O casal apercebeu-se de uma série de coisas que até ali não lhes diziam nada, foi a expulsão do Paraíso e por aí fora. Não tenho a certeza de o que leão tenha ferrado o dente no cordeiro logo a seguir ou se ainda andou algum tempo a pensar sobre o assunto, o que sabemos é que todo o mundo passou a babar-se quando lhe chega às fuças o odor do sangue fresco e a sentir um prazer mórbido perante o espectáculo da dor alheia.

Voltando ao princípio em volta circular e completa: cada pensamento bonito precisa de uma sombra arrepiante que o equilibre, cada cãozinho tem à espera a carraça que lhe compete alimentar um dia. Que raio de coisa terá passado pela cabeça a Deus para espoletar tamanha loucura generalizada estragando de um momento para o outro a doce pasmaceira que animava o Paraíso? Tédio? Falta de imaginação? Incompetência pura e simples? Terá Ele inventado o sadismo naquele preciso instante (apesar de só ter permitido que o Divino Marquês viesse ao Mundo muito, muito tempo depois)? Nunca saberemos a resposta. Deus não fala connosco, muito menos frequenta Blogues. Quando muito deita o olho ao Facebook!

quarta-feira, agosto 15, 2018

Tempo

Hoje tive a sensação de que o tempo não passa, antes se vai amontoando sobre nós. E isso nos verga e nos dificulta cada vez mais a acção, faz-nos acreditar que envelhecemos. O tempo torna-se um facto ao moldar o nosso corpo e a nossa mente.

Senti, depois, uma vaga esperança: talvez, se conseguirmos ignorá-lo, não lhe dar muita importância, talvez assim possamos permanecer menos velhos, fintando o tempo.

quarta-feira, agosto 08, 2018

Da luta contra a estupidez

Lutar contra a estupidez é complicado por ser uma luta que temos de começar a travar dentro de nós próprios. Nenhuma luta na qual somos o primeiro adversário a vergar prenuncia uma vitória que nos possa proporcionar orgulho suficiente e justifique o facto de termos apertado o pescoço ao inimigo.

Enfim, só poderemos almejar uma vaga esperança de vitória nesta luta caso estejamos dispostos a admitir que somos umas verdadeiras bestas em potência.

Convenhamos que não é empresa aliciante.

terça-feira, fevereiro 20, 2018

Zombies sociais

Como é possível haver tantos estúpidos mal-intencionados em lugares de decisão e governo, ainda por cima, eleitos por nós. Ou somos maioritariamente estúpidos e, coligados com uma minoria de mal-intencionados, sentimos uma descontrolada atracção pelo abismo, ou então a ignorância é mais grave do que imaginamos e estamos a construir uma sociedade toda ao contrário daquilo que dizemos desejar. Somos como zombies sociais, cambaleamos sem destino e sem sentido em direcção a um horizonte repleto de escuridão onde não há absolutamente nada e alimentamo-nos de cadáveres de sonhos que vamos matando pelo caminho.



quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Sim e não

A variedade de pontos de vista sobre uma determinada questão parece complicar fortemente a fixação da coisa a que chamamos verdade. Parece ser mais fácil determinar aquilo que é mentira.

Tenho dificuldade em explicar com clareza aquilo que quero. É mais simples perceber o que não quero.

Será mais sólida a negação do que a afirmação?

sábado, novembro 25, 2017

Um certo terror

Quanto mais por aí ando mais me convenço de que estar vivo é temer ser ignorado. Nada aterroriza mais um ser humano do que a irrelevância, a transparência absoluta do Ser. Sermos olhados e termos a sensação de que  aquele olhar nos trespassa que somos camaleões perfeitos que nos confundimos com as paredes com os placards publicitários com os faróis apagados dos automóveis. Ah, horror dos horrores, não sermos nada é muito pior que não sermos ninguém!

sábado, abril 29, 2017

Valha-nos Deus (Nosso Senhor)

Foi algures aí atrás, numa curva da estrada, perdemo-nos, ficámos desorientados. Foi quando deixámos de ser cidadãos e passámos a ser consumidores. Quando aconteceu tal coisa?

Nos dias que correm, ao percorrermos o nosso caminho, ouvimos falar primeiro em Economia e depois, se tivermos tempo para isso, ouvimos falar em Democracia. Se repararmos bem só ouvimos falar em Democracia caso sobre tempo para tal.

Os nossos direitos são os do consumidor, que se lixe a cidadania.

Quando aconteceu isto, Deus meu!?

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Dúvida espiritual

Substituir o Espírito Santo pelo Espírito Revolucionário não tem mostrado resultados particularmente entusiasmantes. Não sei bem porquê, talvez pela natureza imaterial de cada um deles? Residirá o problema no respectivo patrão? Talvez a merda sejam as divindades, elas próprias,... sinceramente não sei porque razão estes espíritos se revelam de tal modo incompetentes na sua função de inspirar os crentes e ajudá-los a trilhar o Caminho dos Justos.

terça-feira, agosto 30, 2016

Ego

O reconhecimento faz-nos assim tanta falta?
Se calhar faz. Ou talvez não, já não tenho a certeza.

Um gajo precisa de ter um ego do tamanho de um autocarro para acreditar em si próprio, sem dar muita atenção ao facto de praticamente não existir.

domingo, julho 31, 2016

Olhar a paisagem

A obra de arte não começa necessariamente com uma ideia.
Um desenho não tem obrigatoriamente de obedecer a um esboço prévio.
Um texto não resulta sempre de um trabalho aturado.
Há momentos inspirados que nos projectam pelos ares e fazem de nós coisas voadoras.
Quando voamos e olhamos para baixo podemos assustar-nos ou sentir uma liberdade imensa (há mais possibilidades).
Não é um pecado evidente querermos ser como Ícaro.

domingo, julho 17, 2016

Criançada

Brincamos uns com os outros como se não houvessem crianças neste mundo. Como se fôssemos todos crianças eternas. Como se ser criança fosse o nosso único e comum destino. Brincamos uns com os outros convencidos que somos diferentes das crianças.

Mas não somos.

sexta-feira, junho 03, 2016

Pensamento vespertino

A imagem digital é uma espécie de suicídio da estética.
A banalização do clique fotográfico é uma espada de Dâmocles suspensa sobre o gracioso pescoço da beleza.
Longe vai o tempo em que cada fotografia era resultado de um mínimo de reflexão pois a revelação e ampliação do material fotografado custavam dinheiro.

terça-feira, maio 10, 2016

Monstros

Perguntas:
- Quem nos protege dos monstros que assolam este mundo? Quem consegue impedir a brutalidade absoluta desses monstros? Quem tem força para derrotar os monstros?

Respostas:
- Outros monstros. Outros monstros. Outros monstros.


quarta-feira, março 09, 2016

Pensamento vespertino

Por vezes chamo às coisas nomes que não sei se elas têm, Talvez porque procuro algo que sei ser impossível, talvez porque muitas coisas escondem o que não possuem. Seja como for, é um caminho que se faz pelo mero deleite de ser feito.