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domingo, junho 10, 2018

Dia de Camões

De acordo com o calendário hoje é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. É muita coisa para enfiocar num só dia mas fico sempre meio estonteado quando me apercebo que, no dia consagrado à portugalidade, prestamos homenagem a um poeta.

Não está em causa a grandeza da obra de Camões, ele foi um génio! Espanta-me que um povo que até há umas décadas era pouco mais que analfabeto e que, nos tempos que correm, é manco em termos de leitura, dedique tamanha reverência a um poeta.

Há muito para fazer até que o bom povo português esteja à altura da figura que hoje diz idolatrar, só não há vontade nem quem o faça.

Continuaremos, ano após ano, a prestar vassalagem a Camões até que um dia já ninguém se lembre bem de quem ele foi, muito menos do que ele fez, pensou e escreveu. Nesse dia Portugal cumprirá o seu destino.

O último a sair que apague a luz.

sábado, outubro 28, 2017

O perfume

Começa a cheirar a PPD e fica muita gente um pouco doida, um pouco inebriada. É como se a Primavera chegasse no lugar do Inverno, montada nele, a sorrir, disparando sorrisos na direcção da populaça.

Nota-se nas páginas dos jornais, nas entrelinhas, nos noticiários, nos discursos de gente boa (e de gente má também), enfim, sente-se a possibilidade de um Renascimento. Até já se fala outra vez do "arco da governação" e do bom que era o PPD e o PS serem outra vez amigalhaços. Ou ainda numa super-geringonça que metesse ao barulho os partidos todos, de esquerda e de direita e os que são nem uma coisa nem outra, uma espécie de grande cozido à portuguesa. Com todos, como o bacalhau.

O que me surpreende nesta história que agora se desvela é a facilidade com que se criam narrativas mediáticas e se dá a volta a um tão grande número de pessoas só assim, com um estalar de dedos.

Dizia o outro que venderia com a mesma eficácia sabonetes ou presidentes de república. Basta um bom perfume para que um monte de merda quase mude de figura.

quarta-feira, outubro 25, 2017

A coisa vai indo

Desde os tempos em que o PREC foi ao fundo que temos sido governados por uma facção do Parlamento, ali do centro para a direita do hemiciclo. Ora sós, com maiorias absolutas do PS e do PPD, ora mal acompanhados, com o CDS ou com o PPM, criou-se uma espécie de aristocracia democrática que foi orientando as cenas em proveito de... não sei que diga. Em proveito de alguém, pronto, não quero parecer demasiado injusto.

Foi o ministro que se demitiu irrevogavelmente, se não estou em erro, quem criou a expressão "arco da governação" para designar aqueles que, na sua visão muito particular, tinham o "savoir faire" necessário para meter as mãos na massa da República. Claro que o seu partido fazia parte daquela nata social e ele, mais do que qualquer outro, tinha todo o direito de decidir os destinos da nação, submarinos incluídos.

Foi também este rapaz-maravilha quem, em tom jocoso e confiando na vinda do Mafarrico, designou por Geringonça o arranjinho com que Costa, Jerónimo e Catarina Martins lixaram bem lixado o "arco da governação". À direita ninguém acreditava que os comunistas fossem capazes de engolir tantos sapos mas a verdade é que eles se habituaram ao desagradável menu e lá vão mantendo a geringonça a funcionar aos soluços.

Estou convicto que as maiorias absolutas tendem a corromper a Democracia. Principalmente quando são figurões da estirpe de um Relvas ou de um Lelo do PS (só para dar dois exemplos de vigaristas encartados que me vieram de repente à memória) a orientar a formação de listas de candidatos a deputados e a puxarem os cordelinhos que fazem levantar e sentar os rabisoques nas bancadas da Assembleia.

A Geringonça funciona mal? Podia funcionar melhor mas não é capaz disso. No entanto prefiro esta Geringonça a cagar e a tossir do que o "arco da governação" em todo o seu esplendor.

domingo, outubro 15, 2017

Declaração de amor

A acusação do malfadado Processo Marquês vem fazendo sonhar muitos cidadãos portugueses. Iremos andar embrulhados em questões processuais que, decerto, irão dourar muita pílula, entravar muita investigação e desviar atenções.

Iremos assistir a condenações em praça pública e a juras de amor à presunção de inocência; enfim: vamos assistir a uma sucessão de trambolhões magníficos e espectaculares para gáudio da populaça e exibição de extraordinários dotes jurídicos dos causídicos envolvidos no drama que se segue.

Os abutres aguardam, poisados num ramo seco de uma árvore morta.

É por estas a por outras que tenho um particular apreço pela Geringonça. O Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda nunca fizeram parte do malfadado "arco da governação", essa espécie de qualidade misteriosa que enformaria uma elite capaz de governar a nação portuguesa e que, quem não tinha percebido percebe agora, não era mais que uma associação de malfeitores, os vampiros da canção de Zeca Afonso.

Com a Geringoça a guardar o portão da quinta, a bicharada malcheirosa fica a rosnar do lado de fora. Um ou outro, mais atrevido, ladra alto e bom som, mas a coisa fica mais difícil para os monstros glutões que devoram a nossa riqueza comum. A imbecilidade de um Cavaco ou a sonsice de um qualquer Coelho já não fazem grande mossa.

Apesar de todas as suas incongruências e evidentes deficiências físicas, amo a Geringonça. Espero que se mantenha durante muitos e bons anos mas já se adivinha a impaciência dos adeptos do "centrão". Com Rui Rio a chegar-se ao cadeirão do PPD vai-se sentindo muito esfregar de manápula  e um certo pivete ansioso começa a sentir-se outra vez.

Tenhamos o bom senso necessário para evitar que os abutres desçam, de novo, em vôo picado sobre a carcaça agonizante do nosso país. Eles andam por aí!

quarta-feira, setembro 13, 2017

O dia das eleições

É sempre a mesma bambochata, o dia das eleições em Portugal é como se fosse uma coisinha feita de cristal que é preciso tratar com o máximo dos cuidados não vá desfazer-se ao mais leve sussurro.

A abstenção tem vindo a aumentar, o povo eleitor parece cada vez mais arredado das urnas e das cruzinhas no boletim de voto. Tenta-se explicar a a abstenção das mais variadas formas: o povo baldou-se porque estava a chover ou porque estava calor e foi para a praia. Ou porque era um fim-de-semana prolongado e emigrou em direcção ao Sul, ou porque outra coisa qualquer.

Em suma, todas as razões são boas para não votar. Não é que o povo se esteja a marimbar para o seu dever cívico, não! O povo até queria cumprir o ritual democrático mas há sempre qualquer coisa a distraí-lo.

Desta vez a questão de lesa-democracia é a marcação de um jogo de futebol entre o Porto e o Sporting para esse dia 1 de Outubro de 2017. Haverá alguém que deixe votar porque se joga futebol lá para o fim da tarde? Se isso acontecer parece-me que o problema é do eleitor e não do jogo. Tal como não me parece correcto culpar a chuva ou o sol da falta de cultura democrática.

Talvez os partidos políticos e os candidatos e os meios de comunicação social tenham algumas culpas no cartório. Mas não, o futebol é bem mais fácil de culpar.


sábado, julho 29, 2017

Heroísmo

E se o problema dos incêndios descontrolados fosse potenciado por um excesso de voluntarismo heróico por parte de bombeiros nem sempre bem preparados para o combate? E se os nossos heróis fossem demasiado corajosos e pouco cerebrais?

Esta possibilidade é terrível. Levantá-la é uma atitude arriscada. Eu posso fazê-lo aqui pois a minha voz dificilmente chegará ao Céu, mas que essa hipótese tem fundamento, lá isso tem.

Temos muitos bombeiros voluntários, problemas na coordenação de acção de combate a incêndios e o país vai ardendo. E arde (percentualmente) mais que os outros países europeus. Somos o Inferno na Europa mas temos dificuldade em debater a proveniência do Diabo que preside a esta devastação. Porque arde mais Portugal do que arde Espanha, do que arde França, do que ardem todos os restantes?

Haverá alguém interessado em debater este "pormenor", para lá da questão das listas de nomes das vítimas, do populismo ou não populismo, do raio que os parta? Hércules, o maior de todos os heróis, foi empurrado para o heroísmo por razões sórdidas.

quarta-feira, maio 17, 2017

Escárnio e maldizer (com final esperançoso)

Durante anos venderam-nos a ideia de que Portugal seria o "bom aluno" da Europa. O que caracterizava o nosso país para merecer tal designação?

Ser subserviente, fazer sempre aquilo que era esperado que fizesse e obedecer sem questionar as ordens vindas de quem era suposto mandar. Obedecer e, para ficar mais bonito aos olhos dos grandalhões, ser ainda mais severo consigo próprio do que aquilo que lhe era imposto. Um toque de masoquismo: abraçar o sacrifício com aquela alegria beata dos gajos que se autoflagelam para expiarem os seus pecados.

O bom aluno da era cavaquista copiava com atenção o que o mestre escrevia, nem que o escrevesse nos tomates, e reproduzia com a exactidão que as suas vistas curtas lhe permitissem tudo aquilo, mesmo que não percebesse bem que raio de merda estava a fazer. O mestre escreveu é porque é importante. Assim se comporta o bom aluno.

O bom aluno não tem opinião ou, se a tem e não coincide com a do mestre, fica calado, engole e faz de conta que não se passa nada. De facto, com o bom aluno, nunca se passa nada.

Quantos anos perdemos nós a ser governados por estes borra-botas, estes pichas-murchas, alforrecas corcundas, seres destituídos de coluna vertebral? Ainda por cima havia uns quantos ladrõezecos entre estes bardamerdas enfatuados.

O puto Salvador mostrou, num contexto muito diferente, é certo, que andar a lamber a cartilha do mestre nem sempre dá bom resultado, nem sequer é uma atitude particularmente inteligente. Quem não tivesse percebido talvez tenha agora compreendido que arriscar ser quem somos pode ser a melhor forma de alcançar o sucesso. Só temos de valer alguma coisa e acreditar em alguma coisa que se pareça com a Verdade.

domingo, fevereiro 28, 2016

O tempo da Geringonça

Para quem se lembra do modo como vivia a maioria dos portugueses antes da Revolução: os elevadíssimos níveis de analfabetismo, a falta de saneamento básico, as taxas de mortalidade infantil, a baixa esperança de vida, a guerra colonial, a ausência de liberdades cívicas, mesmo na sua mais básica expressão… quem se lembra disto pode facilmente constatar que as “conquistas de Abril” não foram mera poesia esquerdista, foram uma inevitabilidade histórica. O salto civilizacional proporcionado pelo derrube do regime salazarista, então na sua versão primaveril, representado pelo Marcelo de serviço, foi gigantesco.

Passaram 40 anos e a coisa tem andado para a frente e para trás. A integração europeia trouxe mais democracia no início mas, nos tempos que correm, a democracia anda pelas ruas da amargura. O paradigma económico transforma-se em ditadura com o apoio político do Partido Popular Europeu.

Agora, em Portugal, temos um governo improvável, a já célebre Geringonça. É uma coisa esquisita que tenta, pela primeira vez em muitos anos, torcer a lógica do poder imposta pelo “arco da governação”. Com o apoio dos partidos de esquerda, a Geringonça tenta meter travões ao desvario direitista do “bom aluno” da Europa. O “bom aluno” que, numa lógica cavaquista, se destacava por obedecer em tudo à mestra, por não ter opinião nem o mínimo lampejo de rebeldia, por copiar tudo direitinho do quadro para a sebenta e, sempre que questionado, repetir palavra por palavra, sem se atrever a substituir uma vírgula que fosse, a lição mecanicamente decorada. Mudou o aluno mas a mestra mantém-se vigilante. Isto pede inteligência e engenho.

A Geringonça promete-nos uma outra Primavera. Num ambiente confuso e hostil, com Passos Coelho a prever todos os dias uma nova desgraça sempre que a desgraça anterior não se concretiza, Cavaco a desvanecer-se no nevoeiro de onde nunca saiu e Portas a fazer de conta que é um anjo da guarda a precisar de reforma, é tempo de repensar o que podemos fazer na recuperação do espírito democrático que animou a nossa sociedade nos anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Com a Geringonça no poder, parece reanimar-se o debate político.


É tempo de fazermos um debate sério sobre aquilo que estamos dispostos a prescindir enquanto indivíduos em favor daquilo que precisamos realmente de ganhar enquanto comunidade.

quarta-feira, dezembro 02, 2015

O meu problema com a direita

O meu problema com a direita tem diversas fontes de alimentação. Por exemplo, causa-me problemas a postura dos defensores da troika Passos-Portas-Cavaco quando confrontados com o governo de Costa. Passada a lamentação patética da suposta ilegitimidade do novo governo, o discurso dos simpatizantes da PàF alerta-nos para uma putativa incapacidade da esquerda para governar o país. Num tom que oscila entre o alarmista e o jocoso, sugerem que, com Costa ao leme, a Nau Catrineta que é a nação portuguesa irá encalhar e naufragar, levada nas vagas alterosas do mar da TINA (ou o NHA- Não Há Alternativa, como designou João Miguel Tavares o mundo impiedoso em que vivemos). 

Para que este alerta pudesse ter alguma validade seria necessário que o governo da troika Passos-Portas-Cavaco fosse minimamente sério ou minimamente competente. 

À medida que os dias vão passando e a troika Passos-Portas-Cavaco vai perdendo o pulso sobre as notícias que chegam até nós, percebemos que o seu governo não era uma coisa nem outra. Percebemos como esse governo se assemelhava mais a coisa nenhuma, que foi uma treta; que não há IVA para devolver, que o desemprego afinal não definha, que a economia abranda… despida de propaganda a troika Passos-Portas-Cavaco revela-se escanzelada, feia e repulsiva, até para alguns dos direitistas mais encartados.

O meu problema com a direita é também alimentado pela constatação de que a troika Passos-Portas-Cavaco mais não foi (mais não é) que um instrumento para eternizar as desigualdades sociais, contribuindo mesmo para a sua agudização. Veja-se a forma como as desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres se vêm acentuando nestes tempos de crise, como se nacionalizaram os prejuízos e se privatizaram os lucros das empresas públicas. Eu sei que este processo vampírico tem tido a colaboração do Partido Socialista. É precisamente por isso que a solução governativa agora encontrada traz consigo a esperança de que as coisas sofram uma inversão acentuada. Com o Bloco e o PC à perna, o PS terá de se comportar como o partido de esquerda que afirma ser e não como o partido de direita que tem sido, limitando o apetite dos seus clientes quando se aproximam da gamela do poder e açaimando as feras mais gulosas.


O meu problema com a direita tem também a ver com a mania de que acreditar na Utopia é o mesmo que acreditar num conto de crianças. Erro. A Utopia é um conto para adultos, da autoria de Thomas More que, tal como o Capuchinho Vermelho alerta as meninas para os perigos da pedofilia, nos alerta, a nós “cidadões”, para os perigos da desigualdade na divisão da riqueza. 

Finalmente, o meu problema com a direita da troika Passos-Portas-Cavaco é ela ser tão sobranceira, rasteira e ignorante, que só é capaz de pensar em economia e, ainda por cima, erradamente.

terça-feira, setembro 01, 2015

O Arco da Governação

Em Portugal existe uma coisa terrível chamada “arco da governação” que é um artefacto transformador de políticos. O “arco da governação” funciona como uma espécie de portal entre o mundo das boas intenções e o universo da política pura e dura. Ao atravessar este arco, pessoas honestas são, quase sempre, transformadas em aleijões morais. Outros (Miguel Relvas ou José Sócrates, por exemplo) não sofrem a mínima alteração.

Quando um político atravessa o “arco da governação” e dá por si naquele instável universo, onde Não Há Alternativas (NHA), faz coisas extraordinárias tal como Kal- El debaixo de um sol amarelo se transforma no Super-Homem. Lembremos quando “Telmo Correia assinou cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o novo executivo, liderado por José Sócrates, foi empossado (…) (Público,3/2/2008). Já refeito deste assomo de actividade frenética, Telmo é hoje um homem ponderado e recuperado para a boa governação. Podemos vê-lo com frequência a perorar sobre os mais variados assuntos num canal de TV noticioso. 

Tal como Bagão Félix que teve um momento de vertigem que levou “(…) Souto Moura [a encarregar o procurador-geral adjunto Azevedo Maia] de esclarecer os contornos do negócio (a adjudicação do Siresp) que os ex-ministros da Administração Interna e das Finanças, Daniel Sanches e Bagão Félix, respectivamente, assinaram três dias após as eleições legislativas de 2005. (Público, 14 /11/2006). 

Quem vê, nos dias que passam, Bagão Félix a emitir as suas pias opiniões no tal canal de TV ou aqui no Público, tem dificuldade em compreender que raio de coisa lhe terá passado pela cabeça naquela época conturbada para ter adjudicado o negócio, em Fevereiro de 2005, por 538 milhões de euros. É certo que por lá andavam metidos Dias Loureiro e Oliveira e Costa, à época “pessoas de bem”, conforme nos assegurava Cavaco e Silva, mas… valeu-nos o então novel ministro da Administração Interna, António Costa, que, recorrendo aos poderes adquiridos ao transpor o “arco da governação”, acabou por adjudicar o “Siresp ao único consórcio candidato, retirando algumas funcionalidades ao sistema, que desta vez custou 485,5 milhões de euros (Público, 14 /11/2006); ah, valente! Ainda assim, o Estado português acabou com um ruinoso negócio em mãos Investindo “(…) cinco vezes mais do que poderia ter gasto se tivesse optado por outro modelo técnico e financeiro.” (Público,2/6/2008) negócio que ainda hoje andamos a pagar com língua de palmo.

Há tantos outros casos que poderíamos recordar (oh, o clássico das 61 mil fotocópias, o aeroporto no deserto “jamais”, a Lusoponte…) mas penso que fica provado que o “arco da governação” é uma armadilha mortal para a honestidade dos animais políticos. 

terça-feira, junho 02, 2015

Portas

Paulo Portas a pretender passar uma imagem de estadista: homem grave, ponderado e circunspecto, que coloca os superiores interesses da nação à frente das suas ambições, é uma das anedotas mais grosseiras a que assisti.

Portas está para o espectáculo da política como Paulocas, o palhaço, que tenta assumir a profundidade dramática de Hamlet segurando na mão direita o crânio de um bacalhau a escorrer azeite,

Portas alertando o povo para os perigos que os seus adversários políticos representam quando está em causa o futuro da nação, é um número de tal modo grotesco que, um atirador de facas que falhe o balão e perfure o peito da partenaire presa na roda, arrancará não mais que um ténue sorriso amarelo ao espectador aterrado.

Paulo Portas não é mais que um embaraço, o troca-tintas que escrevinha SMS e já ninguém leva a sério. Portas é um cadáver político, irrevogável suicida, um Lázaro regressado à vida da coisa pública pela mão de Passos Coelho que escolheu ser o que é: um autêntico Cristo oferecido em sacrifício para redimir os pecados de um povo inteiro que vive acima das suas possibilidades.

Passos ressuscitou Portas quando lhe ofereceu o lugar de vice-primeiro ministro. Mas, tal como Lázaro, quem regressa dos mortos exala um fedor insuportável e os vivos tapam o nariz à sua passagem.

segunda-feira, março 16, 2015

Nós, portugueses

Os portugueses não acreditam no diálogo; "falam, falam, falam e não dizem nada!"
Os portugueses não acreditam que possam ser chave para resolver um problema; "não sou eu quem vai mudar o mundo!"
Os portugueses têm baixa auto-estima, não acreditam que a critividade possa ser raíz para solução de seja qual for a natureza do problema que os aflige..
Os portugueses têm da arte uma visão patética que oscila entre a ignorância boçal e o pretensiosismo snob de uma auto-declarada elite que se compraz na sua pequenez intelectual.
As elites portuguesas são uma desgraça.

No entanto é pelos portugueses que nos apaixonamos facilmente. Por serem cépticos, desconfiados, conservadores, crédulos, falsamente vaidosos, orgulhosos de serem tal qual são, por serem um pouco estúpidos e razoavelmente imbecis.

Ok, ok, há quem esteja a ler estas linhas e a pensar: "são tudo isso, os portugueses, tal qual tu és." Não poderia estar mais de acordo: tal qual eu sou.

No dia em que todos tivermos coragem para nos olharmos ao espelho com olhos de ver quem somos (um povo que marca greves para as sextas-feiras) talvez possa existir a vaga possibilidade de mudar algo, por poucochinho que seja.

Até lá, cá andaremos com a cabeça entre as orelhas.

sábado, dezembro 27, 2014

Votos para 2015

Quando era pequeno aprendi a respeitar os mais velhos. Num ambiente salazarista isto implicava também respeitar, sem questionar, os chefes, os poderosos, Deus, os apóstolos, o padre, o professor, enfim, toda uma legião de seres, reais ou imaginários, que pareciam investidos de um direito especial para ditar orientações, limites e rezar sentenças definitivas. A vida era simples como as botas do ditador. Se alguém ocupava um cargo de responsabilidade e chefia era porque, decerto, tinha capacidades que o habilitavam a desempenhar as suas funções de acordo com as necessidades do povo e a boa ordem divina. 

Depois cresci, deu-se o 25 de Abril e as coisas mudaram. Percebi que a credulidade tem limites e que o respeitinho não é nada bonito.

O direito dos poderosos deixou de ser vitalício, hereditário ou benzido pela nunciatura, agora era o povo que acreditava na sua capacidade para escolher os que governariam a coisa pública. Assim fomos andando até chegarmos aqui mesmo, a este preciso momento: 2014 a morrer.

Já não acredito que quem ocupa cargos de responsabilidade e chefia o faça por ter capacidades especiais para o desempenho das suas funções. Acredito que os governantes e os poderosos resultam de acidentes da História, más escolhas, jogos de influências, interesses inconfessáveis. 

Percebo também que a dimensão ética não tem que ter cabelos brancos, que há velhos bem vestidos e perfumados que mentem mais e com maior maldade que um puto que seja simplesmente estúpido e a cheirar a cócó. Já não aceito o exercício da autoridade sem o questionar e não confio em quase ninguém que ocupe um cargo de governação. De crédulo a céptico o caminho foi longo mas surpreendentemente fácil.

O panorama político do “centrão” é uma paisagem árida, povoada por arbustos ressequidos e seres rastejantes, de formas indefinidas, que se movem furtivamente em busca da sombra protectora. 

Em 2015 iremos votar outra vez. Terá o povo coragem para escolher governantes diferentes daqueles que nos trouxeram até aqui, à beira do abismo? Faço votos de que seja esse o caminho, ainda que desconhecido ou perigoso.

quarta-feira, outubro 08, 2014

Espírito tuga

três destes gajos já voltaram para a sombra mas a maioria mantem-se no poder

Tenho alguma dificuldade em compreender o modo de pensar da maioria dos portugueses que ainda se dignam ir votar quando são chamados a participar em eleições. Ontem ao fim da tarde, quando fui, como é meu hábito, à tasca da esquina beber uma imperial e passar os olhos pelo jornal desportivo tive uma desconcertante conversa com um cliente meu conhecido e a senhora, do outro lado do balcão.

Foi o meu amigo quem puxou o tema de conversa: que o ministro da educação é um incompetente, a senhora sabia que eu sou professor e juntou mais uma ou outra acha para a fogueira que acendi alegremente e com alguma fúria à mistura.

Quem me conhece sabe que fervo em pouca água e que sou capaz de arrancar num discurso inflamado com uma velocidade estonteante, não preciso de ganhar embalagem. Deram-me os meios para fazer um pequeno comício anti-governo e não enjeitei a oportunidade, falando para quem quisesse ouvir.

Toda a gente concordou que estes governantes são péssimos, que o trabalho por eles desenvolvido cheira a vigarice, que a sua preocupação com o povo português soa a conversa fiada. Ainda assim, alguém trouxe a questão da eventual substituição do actual primeiro ministro e restante associação de malfeitores por outra gente. Foi aqui que voltei a deparar com o povo que somos.
Estava esquecido.

Embora todos estivéssemos de acordo quanto à falta de qualidade destes gajos, as dúvidas surgiram: mas, se eles saírem, quem colocamos lá? A vontade de mudar depressa se transformou em receio e conformismo.

A crítica desapareceu tão depressa quanto havia surgido. Confrontada com a responsabilidade de escolher uma alternativa toda a minha companhia preferiu encontrar razões para não mudar nada e manter a merda em que vivemos tal qual ela está. Ah, este bom e velho espírito tuga!

Fiz notar que a porcaria de governo que temos não surgiu por obra e graça do Espírito Santo (ou terá surgido?), que fomos nós, o povo, quem escolheu a malandragem que nos governa; a responsabilidade é nossa.

Tentei argumentar a favor da possibilidade de deitar tudo fora e começar de novo: se isto, assim, não funciona, é tempo de experimentar algo completamente diferente.

Nada a fazer, todos os presentes falaram para dentro, abanaram as cabeças e balbuciaram qualquer coisa acerca de com este governo, ao menos, já sabermos o que nos espera. Inacreditável! Inacreditável? Nããããããooo, qual é a surpresa!? Isto é portugal.

Saímos dali exactamente da mesma forma que havíamos entrado: com o rabo entre as penas e a nossa condição animal pura e intocada.

domingo, julho 20, 2014

A grande aventura

A questão anda a ser discutida: Portugal tem uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo. Que fazer para contrariar este facto embaraçoso?

A Oposição acusa o Governo, o Governo acusa... as cegonhas? As cegonhas não têm voto na matéria e, sem aparentar ligar muito à conversa mediática, o povinho vai fazendo cada vez menos filhos. A população envelhece a olhos vistos.

Prometem-se incentivos fiscais, melhoria nas condições de acesso das criancinhas às creches e jardins de infância, tentam inventar-se modos de entusiasmar as pessoas a ter mais filhos. Mas, será que tudo isto faz algum sentido? Há 50 anos atrás, quando nasci, a população era miserável, as condições de vida da maioria quase animalescas e os portugueses constituíam famílias numerosas que criavam com dificuldades enormes, é certo, mas não deixavam de ter filhos por isso.

Mais do que as condições de vida o que parece influenciar o desejo de alargar a família será o modo como cada um de nós entende o seu lugar particular neste mundo.

Na sociedade actual o individualismo e o desejo de viver uma vida plena de aventura e acontecimentos extraordinários faz hesitar os mais jovens quando se trata de encomendar uma criança aos próprios sonhos. Mais do que problemas económicos, penso eu, a questão é cultural.

Enquanto o mundo for olhado como uma espécie de objecto de consumo colocado à nossa disposição para dele usufruirmos como se fosse uma viagem de férias a um resort na costa mexicana, os filhos serão sempre encarados como empecilhos.

A questão económica é, decerto, importante mas o principal problema é, a meu ver, andarmos apaixonados por nós próprios o que não deixa grande espaço para a possibilidade de nos apaixonarmos por um bebé que nem sequer conhecemos, caraças!

Talvez a solução passe por uma campanha publicitária que venda a ideia de que a paternidade é a maior aventura a que cada um de nós poderá alguma vez aspirar.

quarta-feira, junho 25, 2014

Manifesto escondido?

O caso tem todos os contornos de uma coisa infinitamente estúpida. Quem terá decidido que a obra "Portugal Enforcado", um trabalho escolar da autoria de um tal Élsio Menau, era merecedora de censura por parte do estado? Fazendo uma pesquisa breve na Net compreendemos tratar-se de um trabalho inofensivo e pueril.

O que me surpreende mais até é a nota de 18 valores com que o objecto acabou por ser avaliado. Eu sei que nessa avaliação está também considerada a dimensão conceptual da proposta plástica mas, tendo em conta a redundância da coisa, é precisamente por isso que me parece uma avaliação exagerada. Decerto os avaliadores estão lixados com a forma como o governo tem apertado o nó na garganta de cada um de nós, aqui representados por uma bandeira de algum modo colocada numa forca.

Decerto que não foi a discordância com a nota atribuída que levou um cidadão deste país a acusar de desrespeito ao símbolo nacional o "Portugal Enforcado" e, por arrasto, o seu autor. A motivação pidesca e rasteira de tal denúncia diz tudo o que haja a dizer sobre o seu autor.

Há, no entanto, uma possibilidade que ainda não foi considerada: e se o denunciante for um artista plástico (assumido ou que ainda não tenha compreendido a sua vocação artística) e a denúncia for a sua obra? E se este caricato caso de justiça não for mais do que um manifesto artístico escondido que reflecte sobre a vacuidade da justiça em Portugal? Se o artista pretender insinuar que os tribunais são uma das traves que sustentam a forca em que Portugal vai dependurado?

A Arte Conceptual leva-nos para territórios verdadeiramente selvagens.

terça-feira, maio 20, 2014

Admirável país novo

Continuamos a tratar os nossos alunos como animaizinhos de circo. Treinamo-los na repetição de tarefas, oferecemos-lhes um doce quando cumprem com sucesso o comando que lhes é dado e ficamos todos satisfeitos (pais, professores, ministro, técnicos especialistas, auxiliares de educação, pessoal administrativo, tios, primos, avós, padrinhos e demais encarregados de educação) quando nos momentos de maior pressão, na realização de testes de exame, a maioria dos meninos alcançam médias a rondar a fronteira da negativa. 

É um triunfo, a marca do sucesso do nosso sistema educativo. Se a coisa funcionar assim, poucos cidadãos irão ficar incomodados com o facto de que a maioria dos meninos não seja capaz de argumentar a sustentação de um ponto de vista de forma lógica e fundamentada. 

Não é que eles não tenham essa capacidade, simplesmente não são estimulados a fazê-lo porque não há tempo. Há um programa a cumprir, muitos meninos na sala, alguma confusão, muito açúcar ao pequeno-almoço, não sobra espaço para grandes conversas que não se cinjam estritamente à “matéria”, preferencialmente a “matéria” de exame. 

Eles são treinados: primeiro para copiar o que o professor escreve no quadro e decorar os textos dos manuaizinhos, depois para perceber a melhor forma de debitar tal e qual a informação retida no local correcto. 

A coisa resume-se muito a isto; trabalha-se com os meninos como se trabalha com macaquinhos acrobatas ou leões anestesiados, faz-se da escola uma arena de circo, os professores são como domadores. Um dia mais tarde os meninos serão adultos e, com alguma sorte, continuarão a ser acríticos, a torcer o nariz sempre que lhes cheira a discussão de ideias, dóceis como carneiros de cada vez que os chefes e os poderosos lhes abram os olhos e os mandem obedecer. 

É este o desígnio do nosso sistema de ensino? Assim se constrói um admirável país novo.

domingo, maio 04, 2014

Domingo

Esta gentinha que nos governa não tem classificação possível. Quando frequentei a escola de Belas Artes, nas disciplinas práticas, não havia classificações negativas. Abaixo de 10 a pauta referia apenas “não apto”. 

Assim classifico Paulo Portas, Pedro Passos Coelho e restantes sócios. Não merecem mais, eles não estão aptos para a governação, tentar classificá-los faz de nós piores pessoas pois, com facilidade, caímos no desprezo intestino e no insulto soez. 

Não quero ser como eles, quero ser diferente, eu sou diferente destas coisas, eu sou uma pessoa, tenho princípios, acredito que a vida tem um sentido e que esse sentido é fazer do nosso mundo, da nossa sociedade, um lugar melhor para as gerações que se seguem. Recuso a mentira, acredito na Palavra. Recuso a habilidade retórica, acredito nos Valores.

Se calhar não há saída para o buraco em que vivemos, se calhar a realidade é a Caverna e as sombras são a única possibilidade que temos de apreender a realidade. Se calhar as correntes que nos ferem os tornozelos são o melhor que os deuses têm para nos oferecer. Mas, se tiver de eleger um herói, eu elejo Ulisses e desafio os deuses. Os deuses que se lixem. Que se lixem os nervos dos mercados e que se lixem os cenhos franzidos dos deuses nórdicos, eu sou ibérico, vivo debaixo do sol, dificilmente aceito uma divindade que se alimente da sombra.


Esta gentinha que nos governa não imagina o que sejam divindades. São uma turba de paloncitos engravatados, inebriados pelo pivete do perfume com que tentam esconder o fedor que lhes envolve as almas. Não tenho pena deles, sei que vão arder nas chamas de infernos de 3ª categoria enquanto os demónios que os tutelam tiverem capacidade para pagar a conta do gás. Quando lhes acabar a verba vão rebentar de frio. Terão sempre aquilo que a sua soberba e a sua ignorância lhes reserva. Nem mais nem menos. 

Apesar de tudo o universo rege-se por uma espécie de justiça um tanto complicada, é certo, mas justiça.

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Ai, Miró!


Há 40 anos era muito pior. Há 40 anos uma percentagem assustadora dos nossos não sabia ler nem escrever embora fosse capaz de fazer contas. Uns contavam pelos dedos outros faziam contas de cabeça. 

Há 40 anos poucos (mas mesmo muito poucos) dos nossos sabiam quem era Miró que ainda por aí andava a fazer coisas daquelas. Há 40 anos o nosso Secretário de Estado da Cultura actual já sabia ler e, decerto, já saberia escrever.

Muitos de nós passavam uma fome de cão e tinham de se meter no comboio para “as franças” de garrafão em punho e chouriço no bolso. 

Há 40 anos éramos um povo de pobres labregos, um país sem estradas nem comércio e, apesar de termos já muitos ladrões de fato e gravata, estávamos longe de atingir os níveis de corrupção de que hoje nos orgulhamos nas reuniões da Internacional Capitalista. 

Há 40 anos Portugal era a preto e branco, hoje já vai havendo uns arco-íris a espreitar detrás da porta do armário. Há 40 anos éramos governados por um bando de velhacos hoje… bom, hoje somos governados por um grupo de senhoras e senhores que me abstenho de classificar.

Há 40 anos foi-nos permitido sonhar que a Educação haveria de pôr muita coisa no lugar que nos parecia devido mas não fomos capazes de imaginar que, 40 anos e 26 ministros mais tarde, a Educação haveria de ser considerada novamente um empecilho.

Hoje, como há 40 anos, poucos dos nossos (mas ainda assim muitos mais do que há 40 anos) têm consciência de quem foi Miró e o que fez enquanto por aí andou. Hoje o Secretário de Estado sabe ler, escrever e assinar despachos (deve ser lixado representar a Cultura num governo como este!). 

O pessoal já emigra de avião, com uma revista científica debaixo do braço. Hoje temos muitas autoestradas e o Presidente da República, embora pouco mais faça que descerrar placas comemorativas, é eleito, efectivamente, por nós. Continuamos a ter muitos tubarões aldrabões mas isso é fado de um país que vive junto ao mar. 

Miró faz-me pensar no resto, no que era realmente importante e ficou por cumprir. As 85 telas do mestre apenas servem para mostrar quão surreal é o mundo em vivemos. O “caso” Miró lembra a quem pode a urgência de uma verdadeira revolução, uma revolução Dadaísta, que faça dos urinóis deste mundo peças de arte nas quais possamos mijar à vontade, aliviando a bexiga à boleia do alívio da alma. 

A sensação com que fico é que, 40 anos depois de termos imaginado um país decente e de alguns de nós, que ainda por aí andam, terem sonhado com isso, falhámos completamente o nosso objectivo. 

Somos um povo que habita um país falhado. Precisamos de recomeçar tudo de novo mas agora os meninos maus ficam de castigo e os mais estúpidos não podem ser chefes de nada.

quinta-feira, dezembro 19, 2013

Doutores aos molhos

Toda a gente sabe que Portugal é um país de doutores. A média é próxima de um doutor por habitante. Ser doutor, em Portugal, é um estado de espírito que dispensa diploma, carimbos e secretarias. Dizem por aí que somos um país de poetas... tretas! Somos é um país de doutores.

Como bons doutores que somos cagamos sentenças e diagnósticos com uma facilidade estonteante. É que o doutoramento mais comum entre os portugueses é o doutoramento em Tudologia. Isto permite a todos e a cada um ter as mais lúcidas e definitivas opiniões sobre o que quer que seja.

Política, ciência, desporto, engenharia, direito, urbanismo são uma pequeníssima amostra de matérias que estão na boca de toda a gente e que toda a gente domina com uma mestria extraordinária. Arte e aeronáutica nem por isso mas estamos a trabalhar para aumentar, também aqui, o número de especialistas.

Por haver tanta gente extraordinária o extraordinário transforma-se em ordinário, perde o "extra". Isso explica porque é que Portugal, um país que os deuses fadaram para os grandes feitos em prol da humanidade, teima em não passar da cepa torta: tanto doutor excelentíssimo transforma o país numa ordinarice.

Precisamos de mais gente simples e boa e dispensamos tanto doutor. Os doutores estão convencidos que o seu estatuto lhes confere direitos especiais (porque são doutores) e o resultado é este: Portugal.