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quinta-feira, agosto 20, 2015

Ruídos

Há uma actividade para entreter criancinhas pequenas no bar da FNAC. Estou  sentado, de costas para a sala, bebendo um café, lendo o jornal, tento abstrair-me um pouco, concentrar-me na leitura, mas...

Há qualquer coisa que incomoda, um ruído constante, é música! Música infantil a ser debitada incessantemente pelas (potentes) colunas de som suspensas do tecto. De vez em quando soa um alarme estridente que fica a ganir por um minuto ou dois. Depois cala-se. Mais adiante volta a gritar.

Olho por sobre o ombro. Os petizes lá estão, a pintar, a desenhar, concentrados nas suas actividades. Os pais vigiam. Alguns adultos conversam, outros, como eu, tentam abstrair-se mas, na verdade, o que esperamos nós de um lugar assim?

Levanto-me e abandono aquele infernozinho. Nos corredores do centro comercial há música ambiente misturada no burburinho provocado pelas centenas (serão milhares?) de pessoas que por ali andam. Vou ao WC e a música é outra e soa mais alto. Nas lojas há mais música, no parque de estacionamento subterrâneo: música. Música, música, música! Não sobra um momento que seja em que não haja som amplificado a perfurar os tímpanos dos que por ali se aventuram.

De que me queixo? Alguém me obrigou a ir ali? Claro que não. Fui porque quis ir. Mas que raio se passa para haver tanta música, tanto ruído ininterrupto? Fico com a sensação de que alguém pretende que me distraia de mim próprio. Talvez seja isso. Não sei.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Babel espacial

Quando li a notícia que relata a incapacidade económica dos américas para enviarem a sonda ExoMars Trace Gas Orbiter para o espaço exterior compreendi tudo! A crise económica faz parte de um implacável plano divino. Ora nem mais!!!

Toda a gente conhece a história da torre de Babel, um projecto megalómano que pretendia aproximar o reles ser humano da magnificência divina. Tal soberba foi severamente punida por Deus, uma espécie de tirano irascível na versão do Antigo Testamento, um gajo intragável e mais belicista que um presidente americano em ano de eleições. A mania de elevar a dita torre até onde parecia humanamente impossível acabou por estar na origem das diferentes línguas com que, por exemplo, os europeus actuais se desentendem.

Foi pior a emenda que o soneto! Deus arranjou-a bonita, ao impedir o entendimento harmonioso entre os seres que inventou, à Sua imagem e semelhança. A confusão que gerou com o Seu gesto despótico está à vista de toda a gente. As dificuldades de comunicação geram miséria, guerras e devastação, coisas que parecem aproveitar muito mais ao Demónio mas, enfim, os desígnios do Senhor são insondáveis.

Volto então ao primeiro parágrafo deste post. Tal como no tempo em que os seres humanos tentaram elevar a torre de Babel, agora pretendiam explorar o espaço entre as estrelas, aproximando-se dos territórios privados de Jeová. Este não está de modas e aplica-nos um correctivo semelhante; no passado castigou-nos com a confusão linguística, no presente enviou-nos a confusão económica e cambial que impedirá o lançamento de mais engenhos para o espaço, durante algumas décadas, talvez mesmo durante muitos séculos!

Resumindo e concluindo: estamos a pagar bem paga a vaidade que desenvolvemos ao confiar cegamente nas nossas capacidades criativas ao serviço de uma curiosidade pecaminosa. Não temos nada que ir meter o nariz para lá das fronteiras que o nosso entendimento nos permite ver (compreender já é outra coisa). Se não tentássemos ir para o espaço decerto que Deus nos deixaria viver em harmonia com as ovelhinhas e com as sardinhas e os periquitos. Assim, enviou-nos uma praga ainda mais farçola que as Sete Pragas do Egipto e a gente que aguente.

Pode ser que, com o recuo do programa espacial norte-americano, as coisas voltem a entrar nos eixos e Jeová se mostre um pouco mais meiguinho. Deus nos perdoe e assim o permita.