Mostrar mensagens com a etiqueta guerra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta guerra. Mostrar todas as mensagens

domingo, abril 15, 2018

Tamborileiros

Soam de novo os tambores da guerra batidos pelos percussionistas do costume: EUA, UK, La France.

Cada um destes beligerantes insistentes tem problemas complexos nos respectivos quintais. A coisa não corre bem lá por casa, põem-se os aviões a voar, largam-se umas quantas bombas sobre um território dominado por um aprendiz de tirano diabólico e... voilá! É remédio santo.

Trump, May e Macron, caricaturas de Bush, Blair, Aznar (e de Barroso, o bobo), já de si personagens grotescas, repetem a História ou, pelo menos, tentam repeti-la. Ontem no Iraque, hoje na vizinha Síria. O monstro viscoso arrasta-se na região. A Paz não tem a mínima oportunidade.

Alguns protagonistas de mais esta versão da velha história tentam encontrar o tom certo para a interpretação da sua personagem. Putin, Erdogan, o Irão (personagem menos nítida) os príncipes sauditas. O mundo acagaça-se perante as poses marciais e a vaidade destes seres vivos que espalham terror e morte com evidentes benefícios.

E nós, temente leitor, que nos resta fazer, que nos resta pensar?


sexta-feira, julho 07, 2017

Reflexão preguiçosa

EUA, Coreias, Arábia Saudita, Qatar, Egipto, Venezuela, Iémen, Sudão, Líbia, Filipinas, a lista é curta, como a minha memória, um esboço deste mundo feito com traço tosco. Leio o jornal e a sensação é a de que o mundo está dentro de uma panela de pressão posta ao lume.
A temperatura sobe.

Por aqui as coisas vão rolando calmas. O festival de Teatro de Almada oferece espectáculos diários. O povo assiste, sereno e divertido, discutem-se qualidades e defeitos de encenações, cenografias, interpretações... visões artísticas do tal mundo, da tal panela de pressão.

Por vezes recordo vagamente os anos 80, a Guerra Fria, o no future, nem sequer me apetece sorrir. A espécie humana é uma ameaça constante para si própria e, no entanto, é também a sua única esperança. Deus não é para aqui chamado embora, numa certa perspectiva, faça muita falta.

sexta-feira, janeiro 22, 2016

Declaração

Quando digo que, aos gajos do estado islâmico, era meter-lhes uma bala no focinho a cada um (para poupar munições), digo-o por mim, digo-o por ti, mas também por Strummer, por Zeca, por Bowie, por Mozart, por Amália, por todos os outros que fizeram música maravilhosa; por Camões, por Shakespeare, por Tolstoi, por Tchekov, por Calvino, por Bolaño, por Cervantes, por todos os que inventaram o mundo das palavras; digo-o por ti, pelos teus, pelos meus e também por Bosch, por Goya, por Giotto, por Bacon, por Basquiat, digo-o por todos os que encontram a liberdade a cada momento.

Digo-o por Cristo, por Maomé, por Buda, por todos os profetas mais ou menos obscuros, por todas as personagens de fábula, de lenda, de mito, pela liberdade de expressão e pelo direito a calar boca.

Quando digo que, aos gajos do estado islâmico, era meter-lhes uma bala no focinho a cada um digo-o por ser incapaz de aceitar que esta cultura de que faço parte possa alguma vez desaparecer subjugada pela força da estupidez e da ignorância.

Isto não se aplica exclusivamente aos assassinos do estado islâmico e a bala pode ser metafórica. O focinho não.

terça-feira, abril 28, 2015

That's economics, stupid!

A imagem de uma horda de maltrapilhos armados até aos dentes com equipamento bélico topo de gama é coisa comum nos meios de comunicação social. Como lhes vão parar às mãos todas aquelas metralhadoras, pentes de balas, rockets e lança-rockets?

Onde conseguem estes gajos abastecer-se de munições e ter sempre disponível a opção de atirar e matar, atirar e matar, atirar e matar?

A comida esgota-se nos campos de refugiados, a água escasseia, o dinheiro nunca chega para satisfazer as necessidades básicas das populações deslocadas. Os países amigos envidam os mais esforçados esforços no sentido de reunir recursos capazes de garantir a sobrevivência de milhares, de milhões de inocentes que fogem da guerra em busca de refúgio.

Quem financia as armas? Quem financia a comida e a água? Haverá dinheiro ganho a vender armas aplicado na compra de mantimentos para os refugiados que sobreviveram aos tiros por elas disparados? E o contrário, será possível o dinheiro da água servir para comprar gás pimenta?

É bem possível, afinal de contas vivemos num mundo global e isto é o capitalismo. Não sejamos estúpidos!

quarta-feira, agosto 20, 2014

Guerra Mundial?

Síria, Gaza, Iraque, Ucrânia, Líbia, Somália, assim de repente, sem puxar muito pela cabeça, nomeio 6 países em guerra; Próximo Oriente, Europa, África.

Isto deixa-me a pensar: o que é necessário para estarmos perante uma guerra mundial? Que as grandes potências estejam directamente envolvidas nos conflitos? Que haja um ditador desvairado com pornográficos sonhos de conquista?

Talvez seja necessário que exista um conflito generalizado com dois blocos em confronto e não vários conflitos espalhados e com motivações diferenciadas. Talvez seja isso.

No entanto, embora não chamemos Guerra Mundial à carnificina que vai evoluindo em diferentes continentes, temos o Mundo em pé de guerra, lá isso temos!

terça-feira, março 04, 2014

A pergunta

Nos últimos dias tenho acordado da forma habitual: pronto para dormir, como diz a canção de Manuel da Cruz. À medida que me vou deslocando de modo automático no regresso a este mundo vem-me à cabeça uma pergunta.

A guerra terá começado?

A situação na Crimeia parece explosiva. Russos de um lado, ucranianos do outro, a comunidade internacional a enviar recados. Os meios de comunicação abordam a questão oscilando entre um tom apocalíptico e outro mais optimista. É uma situação estranha. O conflito parece ser inevitável mas ninguém, deste lado do mundo, quer realmente acreditar nessa possibilidade.

E se a guerra estoirar, de facto? Como vai ser? Irão os ucranianos ser abafados pelo exèrcito russo numa batalha desigual? O que farão os Estados Unidos e a União Europeia? Não foi mais ou menos assim que começaram as duas grandes guerras do século passado?

Faço café e torradas, leio mais umas páginas da Trilogia de Nova Iorque de Paul Auster. Vou tomar banho. Depois tenho de me deslocar ao banco (o meu cartão de débito foi engolido por uma máquina que não mo devolveu) e levar o computador a um feiticeiro informático qualquer (o computador pifou, morreu, foi-se), um feiticeiro que, pelo menos, lhe recupere a memória.

É assim; pouco tempo após ter regressado ao mundo real a realidade vai-se transformando em algo próximo, comezinho, vulgar. O futuro deste mundo discute-se lá longe, na Crimeia, mas, para já, as minhas preocupações são outras.

Terá a guerra começado enquanto escrevi estas palavras?

quinta-feira, agosto 29, 2013

A máquina do mundo

Lendo as notícias que nos informam da iminência de mais uma guerra entre as forças ocidentais e um governante caído em desgraça não posso deixar de lembrar a tristemente célebre Cimeira das Lajes. A guerra rebentou e deu no que se sabe. O “nosso” lado estava tão certo das suas razões, alardeava uma tão grande autoridade moral… não havia dúvidas quanto à necessidade e justiça da invasão que levaria à queda e posterior execução (assassinato?) de Saddam Hussein.

Personagens então emergentes como Durão Barroso e Paulo Portas lá se puseram em bicos de pés e assinaram de cruz todas as pretensões de Bush e Companhia. Durão haveria de tornar-se Presidente da Comissão Europeia e Portas, além de uma condecoração entretanto recebida das mãos do inqualificável Rumsfeld, continua a ser o estadista de opiniões moralmente impolutas e decisões tão irrevogáveis quanto uma dentição de leite.


Em 2003 tínhamos Bush, que queria fazer a guerra, agora temos Obama que não quer fazê-la. Mas, ao que parece, querer e não querer a guerra leva-nos a idêntica conclusão. A guerra do Iraque não nos ensinou nada, talvez não houvesse nada para aprender. Estamos prestes a abrir nova caixa de Pandora. Fica a sensação de que a máquina do mundo serve, principalmente, para produzir guerra, miséria e morte.

quinta-feira, março 21, 2013

Vergonha

Cumpriu-se ontem o 10º aniversário da invasão do Iraque pelas forças ocidentais comandadas pelo exército americano.

Há dez anos atrás o debate foi violento e apaixonado. Estive do lado dos invasores embora discordasse em absoluto com a guerra e tivesse a certeza de que a manipulação da opinião pública fazia de nós pouco mais que simples marionetas.

A afirmação anterior pode parecer contraditória; como pude estar do lado dos agressores discordando das suas aviltantes razões? Mera questão geográfica e civilizacional, creio. Ainda hoje sinto alguma vergonha por isso.

Fiquei absolutamente dividido. Odiei profundamente todos os mentirosos que nos empurraram para essa aventura irresponsável liderada por um louco demente como George W. Bush mas não podia sentir compaixão por um tirano odioso como Saddam Hussein.

No meio de tudo o que se seguiu as vítimas foram, como seria previsível, todos os inocentes que sofreram na pele a violência e a morte. Agora, guerra finda, o Iraque continua a ferro e fogo. A exportação do sistema democrático, imposto à força da bala e da bomba, frutifica do modo que todos conhecemos.

O balanço dessa guerra não podia ser mais negativo.

terça-feira, setembro 25, 2012

A lição da amêijoa

Vejo a publicidade de uma cadeia de supermercados que anuncia, óptimo negócio a preço convidativo, a oferta de um produto exótico: a amêijoa vietnamita. Dá que pensar, a mera existência de semelhante possibilidade de negócio, ao alcance de qualquer cidadão, mesmo daquele que tenha o pé quase descalço.

Trata-se de um produto surpreendentemente barato e vem de tão longe... a amêijoa da Ria Formosa, que vem já dali, que tem de percorrer uns míseros quilómetros em território luso, é tão mais cara! Como pode isto acontecer?

Fenómenos da globalização que qualquer economista de pacotilha ou merceeiro que comercialize bivalves decerto me explicaria com rapidez e eficácia graças a um especialíssimo olho de falcão negociante.

Eu, mero consumidor, ignorante destas maravilhas planetárias, espanto-me, simplesmente, e olho o fenómeno como se observasse uma aparição milagrosa da Virgem Maria no tabuleiro da ponte em hora de ponta.

Ainda há pouquinhas décadas atrás, as amêijoas vietnamitas eram tostadas a fogo de napalm, cuspido dos céus pelos nossos aliados americanos. Naquele tempo os comunistas combatiam os meus irmãos capitalistas com uma ferocidade digna do mais tremendo dos dragões numa das guerras mais sangrentas que a memória do século XX registou a contragosto.

Eram dois mundos de tal forma antagónicos, pareciam tão irremediavelmente apartados e, agora, isto. O Vietname é hoje um dócil destino turístico, o professor Henrique Calisto foi, durante alguns anos, treinador da sua selecção nacional de futebol e andamos a comer amêijoas à Bulhão Pato nadas e criadas em pleno território vietnamita!

Tanta morte, tanto ódio, tanta angústia, tanto desvario animalesco para agora termos na travessa de alumínio a apetitosa amêijoa vietnamita. Os antigos camaradas vietcong também têm o direito a sonhar com um écrã LCD e um carrito que queime gasolina. O capitalismo triunfou, de facto?

Ainda não acabei de escrever a frase anterior e já me sinto tentado a concluir que as guerras só se ganham (ou perdem) depois de muito bem assente a poeira levantada pela última bomba.

segunda-feira, agosto 20, 2012

Ratatatatata... BUM!!!

Vejo imagens dos confrontos na Síria entre uma tropa maltrapilha, os revoltosos, e o exército ao serviço de Assad filho. As armas dos revoltosos chamam a minha atenção. Não percebo nada de armas mas aquelas parecem-me bastante modernas.

De onde vêm as armas? Quem as coloca nas mãos daqueles homens? Não estou a ver onde iriam eles arranjar dinheiro para pagar as armas e as munições. É como um ver um tipo qualquer a pedir esmola na rua exibindo um i-pad. Faz-me confusão.

Talvez tenham adquirido o armamento a crédito, em sistema de leasing, não sei. Haverá um hipermercado de armas para revolucionários com futuro? "Jovem revolucionário, visita as nossas instalações e vê as oportunidades que te oferecemos. Rebenta com os teus inimigos hoje e começa a pagar só no próximo Ramadão!"

Se todas as empresas deste mundo fossem tão generosas como as que produzem e comercializam armamento decerto a crise actual seria rapidamente ultrapassada.

sexta-feira, março 25, 2011

Contas de mercearia

Hoje li um texto sobre a guerra na Líbia que terminava com a frase "A verdade é que o mundo tem pela frente uma guerra que lhe vai sair cara." Reli a dita frase uma e outra vez, tentando imaginar uma guerra que não tenha um preço elevado e dei por mim a fazer contas de cabeça.

Quanto custa uma guerra? Há a perspectiva puramente económica que tem a ver com os gastos em armamento e reconstrução dos espaços derrubados à força dos bombardeamentos. Coisa muito cara, decerto. Mas há uma outra perspectiva, a das pessoas que se vêem no meio do caos guerreiro. Mortos e feridos, estropiados físicamente e os que ficam com o cérebro feito em papa de aveia, os zumbis. Aqui as contas ficam mais difíceis de realizar.

Quanto custa uma vida transformada em coisa automática, um cérebro assaltado constantemente por terrores diurnos e pavorosos pesadelos quando se lhe fecham os olhos?

O preço que o mundo paga pelas guerras em que se vai metendo não é nada comparado com o preço pago pelos indivíduos que a fazem, sejam voluntários ou não na girândola da carnificina. Não façamos contas à guerra. Simplesmente não a façamos.

domingo, março 20, 2011

A guerra é a guerra?

 Índio com verdadeiro Tomahawk


A guerra chegou assim, de mansinho, quase sem se dar por ela. Desta vez é mesmo aqui em baixo, ali, na outra margem do Mar Mediterrâneo. Mais uma vez as forças militares ocidentais avançam sobre um país soberano com o objectivo de defender as populações locais da fúria do tiranete de serviço. Tiranete que ainda ontem era amigo do peito (e muito bem recebido) de alguns dos que agora cerram fileiras contra ele. Lembram-se de Saddam Hussein?

O folclore mitológico dos mísseis Tomahawk volta a ocupar as primeiras páginas dos nossos jornais. Mais uma vez estamos em guerra, na defesa dos ideais democráticos. Por acaso, tal como no Iraque, também a Líbia é um importante país produtor de petróleo. Mas deve ser apenas por acaso. No Sudão, para dar apenas um exemplo, há crimes confirmados contra a humanidade mas ninguém lá vai meter o bedelho. Ao que parece, ali, não vale a pena.

terça-feira, março 08, 2011

Liberdade não é democracia


Segue-se a transcrição de uma parte do trabalho de reportagem de Paulo Moura na Líbia, publicada na edição do jornal Público de Domingo, 6 de Março:


"Não me agrada um regime como o de Khadafi, que tira a liberdade às pessoas", diz Nader. "Por isso vim para cá ajudar os líbios a lutarem pela liberdade. Por um regime verdadeiramente livre, não uma democracia". Para ele, democracia não significa governo do povo, mas sim um regime igual ao dos EUA, de Khadafi ou Mubarak. "Na democracia as pessoas não são livres por causa do crime e da corrupção. Não há justiça quando vivemos sob a lei do Homem. Só a lei de Deus é justa. Num país onde vigora a lei de Deus, se uma pessoa rouba, o Governo manda cortar~lhe a mão. E nunca mais rouba. E também ninguém mais o faz, porque as pessoas não querem ficar sem mãos." E Nader dá exemplos da aplicação da Sharia na sua versão mais estrita. Para ele, isso permitiria viver em liberdade.
"Onde é que há verdadeira democracia? Digam-me."
Como exemplo de regime onde o povo vivia em liberdade, Nader dá o do Mullah Omar, líder dos taliban no Afeganistão. "Mubarak não permitia que o criticassem. E mandava a polícia matar os cidadãos. É isso a democracia? Se não era democracia então porque o apoiavam os americanos? Também eles não são uma democracia?"
Um dos amigos líbios que estão a ouvir o empolgado discurso de Nader interrompe-o. "Não. Nós somos pela democracia." Diz Abdessalam Ali, de 28 anos. "É errado dizer que não queremos a democracia. Somos muçulmanos mas democratas." E o outro, Jomaa Assan, de 20 anos, explica: "Se dizemos que não queremos a democracia, os americanos bombardeiam-nos. Como fizeram no Afeganistão e no Iraque. Nós não queremos a guerra com os americanos. Somos democratas."

Coisas como esta deixam-me a pensar. Sabemos bem que "o mundo de cada um é os olhos que tem" mas dificilmente conseguimos sequer imaginar o que os olhos dos outros vêem, mesmo quando estamos ambos a olhar para a mesma coisa.

domingo, outubro 24, 2010

Olhos que não vêem, coração que não sente


Surpresa e choque! Perante as revelações de que a tortura de civis no Iraque é uma prática corrente à qual os militares ocidentais fecham os olhos ou nela participam, nós ficamos surpresos e chocados. Pessoalmente isto cheira-me a hipocrisia. Chocado? Não sei se fico. Surpreso?  De forma nenhuma.

Estou a beber uma cervejinha de lata, fresquinha, comi agora mesmo um pimento recheado com queijo fresco, mmmhh, picante e suave, um contraste complementar maravilhoso para as minhas papilas gustativas. Vou lendo as notícias sobre os horrores e desventuras dos meus irmãos humanos lá para as bandas do Iraque. Embora me queira convencer do contrário, cá no fundo estou-me a borrifar para esta história. A distância é demasiado grande e o meu coração já está calejado.

No remanso dos nossos lares, confortáveis nas nossas pantufas, indignamo-nos com a violência em terras longínquas. Sabemos que os nossos soldados por lá andam, metidos em guerras, e estamos à espera de quê? Que eles se comportem como cavalheiros? É absurdo imaginar que um tipo saído dos confins dos Estados Unidos da América, borrado de medo num lugarejo perdido em território iraquiano, com uma metralhadora nas mãos, seja capaz de agir de acordo com normas de conduta que consideramos civilizadas. É como pedir a um homem a morrer de sede que espere calmamente pela sua vez de beber um copo de água.

A guerra só pode ser cruel e violenta. Não há outra hipótese. É como um monstro esfomeado à solta num infantário. Uma vez iniciada só podemos fazer tudo o que for possível para encontrar forma de lhe por um fim. Tenho muita pena. Lamento muito. Mas só isso. Tenho o coração calejado e estou protegido pela distância.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Saudade

Há ocasiões em que tudo é posto em causa. Talvez as questões se tornem mais prememntes quando as coisas correm coxas das duas pernas. Talvez seja porque o calor nunca mais desaperta e começa a parecer demasiado, tanto Verão Outono dentro. Mas o que é um facto é que a eterna crise parece cada vez mais eterna e há sinais de que vai ainda ser afiada nos tempos próximos e ameaça doer a cada nova alfinetada.
Putin foi ao Irão fazer das dele. Com palavras venenosas conseguiu baralhar ainda mais as cabeças cá deste lado e, acredito, não menos baralhadas terão ficado as dos ayatolas, do lado de lá desta coisa a que chamamos mundo. Bush já dá sinais de birra eminente e não faz a coisa por menos: vai falando de uma 3ª guerra mundial caso o Irão avance com o fabrico da terrível bomba. Ameaças.
Querem lá ver que ainda vamos assistir ao regresso de uma Guerra Fria! Para ser sincero já vou tendo saudades dela. Sim, porque de Guerra Quente já estou mais que farto. Venha de lá essa velha guerra do diz-que-faz-mas não-faz~que-o-inimigo-ainda-é-pior-que-nós. Ah, que saudade!

terça-feira, setembro 04, 2007

O fim


As tropas inglesas já vão saindo de Bassorá. Vão de fininho, sem grandes ondas, em tom a fazer lembrar fim de festa. A ressaca é grande e, como qualquer adolescente após ter feito asneira da grossa por ter levado os instintos animais para lá de Marraquesh, os soldados de Sua Majestade deixam passar algum ressentimento. Ao que consta, altos responsáveis das tropas britânicas, revelam agora que desde os primeiros encontros com Rumsfeldt tiveram a sensação de que não havia planos consistentes para depois da invasão. Numa exibição de suprema estupidez, os senhores da guerra norte americanos sempre estiveram convictos de que os iraquianos iriam aplaudir as tropas invasoras, sequiosos de Coca-Cola e hamburgueres manhosos, agitando bandeirinhas em intermináveis desfiles celebratórios. Não há memória de tamanho erro de cálculo!
Bush fez a surpresinha de aparecer no Iraque para dar umas palmadas nos costados da soldadesca e garantir que caso os "êxitos actuais" (!!!???) da política americana no Iraque se mantenham serão necessárias menos forças no terreno. Se assistimos ao êxito americano nem quero pensar o que seria do Iraque e dos iraquianos caso as coisas estivessem a dar para o torto.
Com os "bifes" em maré vazante e a guerra civil em cavalgada constante só mesmo Bush consegue estar sorridente e confiante num futuro radioso. O homem ou é verdadeiramente um pobre de espírito, dos mais pobres que a Humanidade jamais teve oportunidade de lamentar, ou então é verdadeiramente aquilo que a criancinha da imagem anuncia com aquele sorrisinho maroto de quem, tal como Bush, não sabe bem o que está a fazer mas até acha piada à coisa.
Seja como for, o fim da aventura assassina no Iraque está para breve, pelo menos para os ocidentais que para os iraquianos a coisa vai manter-se por muitos e duros anos. Será que o maluco de Washington está já a pensar bombardear o Irão? Há indicadores pouco animadores nesse sentido. Deus nos livre.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Never Ending Story

A guerra no Iraque continua sem que se lhe vislumbre qualquer desfecho.
Os grupos rivais batem-se de forma encarniçada. As tropas americanas andam lá no meio sem saberem para que lado se hão-de virar, levando e dando porrada a torto e a direito, elevando diariamente o número de vítimas mortais e os estragos provocados obrigarão a investimentos de recuperação com valores astronómicos mas não tão astronómicos quanto os gastos de manutenção da carnificina. Uma verdadeira confusão.
Estamos perante um dos maiores erros de avaliação da história recente. Quando se lançou na aventura iraquiana, Bush, seguramente um dos homens mais estúpidos ao cimo da Terra, estava convicto da supremacia americana a todos os níveis: militar, político e moral.
Estava de tal modo confiante que não hesitou em inventar desculpas esfarrapadas para justificar a invasão. A vitória esmagadora com que contava serviria para camuflar essas mentiras uma vez que, isso é ciência certa, são os vencedores quem escreve a História. Só que Bush, neste caso, está longe de ser um vencedor, bem antes pelo contrário.
Vai sendo tempo de retirar todo e qualquer apoio a este doido varrido. Aqueles que apoiaram a guerra no seu início, convencidos da justeza da agressão, enganados pelas mentiras de Bush (lembram-se daquele número patético de Colin Powell na ONU, exibindo provas inequívocas da existência de armas de destruição maciça?) deveriam reconhecer o logro em que caíram e voltar atrás nas suas posições belicistas. Antes que a guerra no Iraque se transforme em mais uma Never Ending Story (ler os textos de Rui Tavares em http://ruitavares.weblog.com.pt/).
Em toda esta história de terror há um pormenor que me incomoda e inquieta. Falo da aparente facilidade com que se tomam decisões tão graves, como declarar uma guerra de consequências imprevisíveis, baseadas em informações distorcidas ou erradas fornecidas pelos serviços secretos norte-americanos. A CIA é, supostamente, uma máquina de recolha e tratamento de informação, uma máquina altamente eficaz e bem oleada. O que podemos agora constatar é que se trata, afinal, de um grupo de tótós, capaz de cometer e ampliar erros de avaliação tão grosseiros como aquele que levou a guerra do Afeganistão para o Iraque lançando o Império Americano naquele que será o seu derradeiro estretor.
Quando esta história conhecer o seu epílogo o que restará dos EUA? Qual a credibilidade das futuras administrações americanas em termos de política internacional?
Bem pode o eixo China-Índia começar a preparar os seus planos de dominação à escala planetária. É ali que vão nascer os Senhores que se seguem.

quarta-feira, junho 13, 2007

Irmãos


A Faixa de Gaza é um território impossível de compreender. O mapa acima é de 2005, talvez não corresponda à actual distribuição das forças no terreno, mas dá para ter uma ideia. A zona que aparece a azul clarinho é Israel. No território os palestinianos estão como sardinha em lata. A situação política é explosiva! (ver notícias de última hora em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1296638).
As facções rivais do Hamas e da Fatah envolvem-se em combates terríveis de uma barbaridade difícil de alcançar para quem, como nós, se encontra a milhares de quilómetros de distância. Não há dó nem piedade nesta luta fraticida. O que pode conduzir seres humanos a tão grande desespero e crueldade? Depois destas batalhas o que irá restar de um território já de si exíguo e miserável?
Os actuais combates dão-se numa fase em que se eperava uma trégua para que os alunos dos liceus pudessem fazer os seus exames, tal como os alunos dos nossos liceus os vão fazer, dentro de dias. Aqui é que me ponho a pensar e não passo do ponto de partida. Como será a vida de um "aluno de liceu" em Gaza? E o que estudarão? Como serão as suas escolas, as relações com os colegas, os manuais e o material didáctico? O progresso de um estudante neste ambiente é algo que não consigo imaginar. Estudar com explosões na rua e balas a matraquear a parede do quarto não deve permitir grande concentração. Num território miserável a miséria não pára de aumentar e, imagino, a esperança é substituída pela angústia mais completa.
Decerto haverá "explicações" para a situação. A política é uma arte complexa mas tem as suas regras (para que as entende). Mas, por razoáveis que sejam as explicações, neste caso não vislumbro grandes possibilidades de se vir a encontrar a pedra de toque da resolução dos problemas daquilo a que chamamos Médio Oriente. Se o problema palestiniano é a principal causa de instabilidade na região então a coisa está mesmo preta! Os israelitas observam (apenas?), os americanos não interferem (será?) e a violência espalha-se com uma rapidez assustadora. Não sei o que pensam os países árabes, os irmãos destes irmãos desavindos. Mas, neste contexto, um estado Palestiniano em Gaza parece coisa impossível.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Brincadeira?

criancinhas norte coreanas em brincadeira tradicional

"O Governo da Coreia do Norte afirma que a continuação da pressão por parte dos Estados Unidos será interpretada como uma declaração de guerra, que levará o país a tomar "uma série de contra-medidas" não especificadas. "

Retirado de Público on line

Nem sei se dá para levar a sério uma conversa deste género!
Este mundo está definitivamente entregue a palhaços maus e demasiado perigosos.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Idiotas: úteis e inúteis

Do Público on line:

Também hoje, no Iraque, um grupo de homens armados distribuídos por duas viaturas disparou contra uma barbearia de Bagdad, matando cinco pessoas, enquanto dois polícias morreram num ataque semelhante em Mossul, no norte do país. Em Bagdad as autoridades encontraram ainda dois corpos algemados e baleados na cabeça.

Duas viaturas armadilhadas explodiram com um intervalo de um minuto numa das principais áreas comerciais de Bagdad, na rua Palestina, provocando oito feridos entre civis e dois entre as forças policiais, segundo avançou o tenente da polícia Ahmed Mohammed Ali. O responsável indicou que o alvo deste atentado seria uma patrulha da polícia.

Três soldados norte-americanos morreram ontem na explosão de uma bomba na região de Bagdad, anunciou hoje o Exército dos EUA. Num outro ataque, ontem à noite, em Baaquba, morreram seis soldados iraquianos e um dos atacantes.
A notícia da morte dos três militares norte-americanos surge um dia depois da chegada ao Iraque de um reforço de 3700 soldados com a missão declarada de restabelecer a segurança em Bagdad. Desde a invasão norte-americana do Iraque, em Março de 2003, já morreram 2590 soldados dos EUA, segundo um balanço do Pentágono.


A coisa não abranda, antes acelera em descontrolo absoluto levando tudo na frente. Um desastre completo. Fala-se em guerra civil mas aquilo parece outra coisa só que como não se percebe o que é chama-se-lhe "guerra civil".

Não tenho qualquer prazer especial em confirmar o delírio neoconservador que sonhou com um anedótico "efeito de dominó", que o enxerto de uma democracia de tipo ocidental iria provocar em toda a zona, a partir do Iraque. Não me lembro de um erro de cálculo tão grosseiro e, ao mesmo tempo, tão previsível. Só mesmo saído da cabeça de algum vaqueiro transformado em chefe de estado!

Como seria possível que um povo com um legado como o do passado histórico da Mesopotâmia fosse abrir os braços em gesto de boas vindas a uns estranhos estrangeiros, ainda por cima aparentados com os franj das cruzadas?

Não sei se me impressiona mais a imbecilidade da ideia se a incapacidade de grande parte dos que a defenderam em reconhecerem a dimensão das suas orelhas de burro. O Iraque estará melhor agora do que sob o jugo de Saddam? O que poderá nascer das cinzas desta espécie de guerra civil a que assistimos? Um super-Saddam ou outra monstruosidade do género?

Não sei não. O que sei é que, onde metemos o nariz sem sermos chamados, acabamos por fazer merda da grossa mesmo que tenhamos a melhor das intenções. É que, quando as coisas começam a descambar e a correrem mesmo mal, nem os nossos amigos têm sempre a capacidade para nos perdoar a merda que fizermos. Nem mesmo os nossos amigos...