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sexta-feira, junho 01, 2018

Flashes macabros

O mundo teima em ser um lugar complicado, dá a sensação que tudo faz para se livrar da espécie humana, como um cão imenso que anseia livrar-se de multidões incontáveis de pulgas e carraças.

Não sei se sou pulga se carraça. Penso que sou mais pulga.

"Peixes grandes comem peixes pequenos", diz o ditado (penso que flamengo) magistralmente ilustrado por mestre Bruegel, o Velho. É uma imagem de indolente violência. Um homem agarra uma enorme navalha com que esventra um peixe gigantesco. Barriga e boca abertas deixam escorregar peixes mais pequenos que, das suas bocas, libertam outros num cenário delirante de morte.

A vida é uma guerra constante contra a morte, uma guerra infinita com vencedor anunciado. Um dia esta guerra irá terminar.

terça-feira, maio 22, 2018

Alma e cérebro

Continuar a sonhar apesar de certos pesadelos é obrigação que temos para com a nossa consciência. Estou a falar de sonhar acordado (os pesadelos são coisas más do nosso quotidiano), continuar a querer mudar o mundo. Ou, pelo menos, mudar um bocadinho.

Sonhar acordado provoca frequentes lutas entre o cérebro e a alma. Por vezes, para continuar a sonhar, é necessário tomar medidas burocráticas que ponham o nosso cérebro na ordem.

É possível que, mais logo, releia estas frases e pense: que grande pimpineira!!! É bem possível que isso aconteça, que esta conversa me pareça lamechas, que sinta até uma pontinha de vergonha por ter escrito estas coisas. É quando isso (se) acontecer que terei de mandatar a alma no sentido de ir meter juízo no cérebro.

Ser cerebral pode revelar-se uma valente seca.

segunda-feira, abril 09, 2018

Espelhos quebrados

Comprei Solaris pela 3ª vez na vida. O livro de Stanislaw Lem tem uma nova edição em português que, segundo rezam as crónicas, tem qualidades inovadoras (é traduzida directamente do polaco) e será bem mais interessante que a edição anterior (traduzida a partir da versão inglesa que, por sua vez, havia sido feita a partir de uma versão francesa... se não estou em erro).

Voltamos sempre à mesma questão: pode uma tradução dar uma ideia correcta do original?

O problema é irresolúvel; nunca uma tradução poderá chegar a oferecer mais que um aroma caso o original tenha o cheiro forte de um... um prado ou, melhor, o cheiro forte de uma estrebaria! Uma tradução será um perfuminho que tenta reproduzir um valente pivete.

Vieram-me à memória uma série de gravuras feitas a partir de trabalhos de Brueghel, o Velho. Estas gravuras são frequentemente atribuídas ao mestre quando, na verdade, foram produzidas por gravadores a partir de desenhos de Brueghel com  o objectivo de serem impressas e comercializadas. Negócio do mais puro e mais simples.

O resultado dessas gravuras será vagamente semelhante ao de uma tradução literária, mundos de espelhos e enganos quase, quase inocentes. Assim, cada tradução reproduz uma espécie de eco que vem lá de longe, da caverna craniana de um escritor perdido algures nas escarpas do tempo.

Espelhos quebrados no labirinto de uma biblioteca frequentada por cegos.

domingo, março 18, 2018

Olvido

O tempo passado enfiado num frasquinho de vidro, mergulhado em vinagre (penso que fosse vinagre) ali estava, suspenso, perante o meu olhar mais ou menos espantado.

Eram duas revistas, uma publicada em 1984 e outra em 1991. Papel amarelecido, um leve odorzinho a môfo, coisas esquecidas, daquelas coisas que não existem e, no entanto, estão ali para nos mostrarem como a realidade é muito mais que o presente o que a torna algo cuja existência é absolutamente impossível.

Tentei recordar-me de alguma situação, algum acontecimento, qualquer coisinha que me transportasse de volta a esse passado esquecido (presente impossível). Népias, nadinha de nada. Néribi.

Fico assim mesmo, embasbacado a olhar o frasquinho, a massa informe do que fui misturada na solução translúcida em suspensão que mantém a existência do tempo que lhe corresponde. Confuso, não é?

Quando um gajo fica nostálgico e se põe a tentar recuperar acontecimentos enterrados na lixeira do olvido acaba a imaginar coisas que só fazem sentido dentro da sua cabeça. É isto que aqui escrevo. Exactamente.

quinta-feira, janeiro 18, 2018

Invasão

Ainda Janeiro vai fazendo o seu pedregoso caminho, a chuva não caiu como esperado, mais pessoas morreram queimadas em terríveis incêndios, metáforas tenebrosas do Inferno na Terra. Minuto aqui, minuto ali, seguimos na barrigota de Janeiro como soldados gregos no cavalo de Tróia: preparamos em segredo a invasão do futuro.

Imagino o que sentiria o soldado, anónimo e barbudo, dedos cravados no punho da espada, agachado na escuridão interior da falsa cavalgadura, como se fosse merda a vascolejar-lhe na tripa. Quanta ansiedade, quanta vontade de receber na fronte a luz do Sol, de saltar no vazio, arma em riste, golpeando inimigos com profunda raiva e surpresa sufocante. Ah, imagino que... não imagino nada. Posso lá imaginar-me um soldado grego enfiado no cu de um monstruoso cavalo de madeira!

Do mesmo modo sinto a insegurança do homem que vive cada dia como se não houvesse depois de amanhã (até ao dia de amanhã ainda sou capaz de me projectar um pouco mais ou menos), o homem que invade o futuro a cada passo, como se o futuro não lhe pertencesse até ao momento em que se encontram: homem e momento; vida e destino.

Não consigo largar esta sensação de que vivemos sempre o primeiro e o último instante em simultâneo. Que vamos assim desde o momento em que nascemos até ao da despedida derradeira. "O fio da navalha" não serve para ilustrar esta sensação, terá de ser outra expressão. Alguém que a invente.   

segunda-feira, agosto 07, 2017

Metafórico

- Quando temos uma ideia que não se revela grande coisa, melhor será deixá-la pairar, como se fosse um abutre a voltear lá no alto, namorando o corpo moribundo da nossa imaginação. Mais tarde ou mais cedo o abutre vai agir e alguma coisa haverá de acontecer. Quanto mais não seja, a ideia-abutre levanta vôo outra vez...
- E depois?
- Depois? Depois voa...
- Que metáfora de merda.

segunda-feira, junho 12, 2017

Chateação

O tempo está parado; é espesso como uma malga de sopa morna. Compreendo o que sentiria uma ervilha ou um pedaço de cenoura que tivesse escapado ao passevite, ficando a boiar enquanto não viesse a colher recolher-lhe a alma para a levar à boca de quem come.

O tédio é um bicho gordo e egoísta que se deita sobre os teus pensamentos e ali fica, sem fazer nada, a tapar a vista à imaginação, a peidar-se e a fingir que abana a cauda. Tentas enxotar a bestiola mas... qual quê! Dali não sai, dali ninguém a tira que ela é uma estátua plantada no jardim da tua inutilidade.

Não sinto o vento no rosto. Não sei se por estar um dia sossegado, se por ter as janelas todas fechadas. Não sei. Não me apetece saber.

Nem a leitura me ajuda a completar tanto espaço vazio que me entrou dentro do corpo.

domingo, dezembro 18, 2016

Contradição

Olhando os polícias que esbracejam o trânsito num Cais do Sodré esventrado por obras eternas, percebo perfeitamente que o Caos pode ser ordenado mas não é por isso que deixa de ser o Caos.

(avanço na cidade)

Há dias assim, dias em que gosto sinceramente de estar vivo. São dias que me parecem iguais aos outros, na verdade não percebo porque gosto mais de estar vivo nestes que naqueles. Se calhar gosto de viver, mais nada!

(a cidade brilha sob o sol)

Ele há dias que mais parecem noites e noites que trazem agarrada a fundura negra de um poço com pêndulo. Nem mesmo a luz espanta os monstros dos recantos desses dias, nem a escuridão das negras sombras os conforta. É uma angústia, uma agitação, como se fosse uma morte.

sexta-feira, novembro 04, 2016

Possibilidade de beleza

Acordas todas as manhãs para continuares a viver a tua vida no seguimento do sonho que sonhaste. Continuas dentro do teu corpo, cheiras-te, sentes-te, és tu! O mundo desfila perante os teus olhos, ajeita-se ao teu ser, és humano outra vez. O dia vem aí e tu irás com ele.

Não há nada de extraordinário. São as coisas a serem aquilo que são. Não tens noção, não sabes, não te apercebes. Vives a tua vida e, inevitavelmente, vives também um pouco as vidas de outras pessoas. Tudo se mistura, talvez isto seja belo.


segunda-feira, outubro 17, 2016

E no entanto...

Não sei quantas vezes já escrevi sobre o que vou escrever, decerto não será a primeira vez nem, seguramente, será a última. Ou estarei confuso?

Sinto-me cansado. É verdade que esta noite dormi poucas horas, poderá esse facto contribuir para esta sensação de embrutecimento que me vai inundando o cérebro. É uma inundação lenta, mais como um charco de águas fedorentas que sobe de nível porque alguém lhe vai mijando dentro do que como um tsunami provocado pelo batimento inexorável de duas placas tectónicas.

Os dias passam mas parecem lentos. O mundo vai-se esboroando como um castelo de areia que seca com o passar dos dias, longe da rebentação das ondas, um castelo que é derrotado pelo calor e pela gravidade implacável e vai caindo, aos poucos, para dentro de si próprio.

O mais estranho é que eu penso que vivemos no melhor dos mundos que até hoje este planeta selvagem conheceu. Estou convicto de que, ao longo da História, nunca a riqueza foi tão bem distribuída nem a miséria tão eficazmente combatida pela nossa lamentável espécie. E, no entanto...

segunda-feira, setembro 26, 2016

Almada (Mestre) Almada

Panfleto Social de José de Almada Negreiros

Eh comunistas! Eh fascistas!
Eu sei, eu sei:
«Não há esconderijo senão nas massas»!

Assim mesmo necessitais de inimigos.

Chamais construir: eliminar inimigos.

Volto à leviandade
a essa acrobata mágica
que realiza como a imaginação

volto ao meu poder
à minha colaboração terrena
volto às gaffes

ponho outra vez os meu olhos
inconvenientes como o amor

e tiro aliviado os óculos sociais
graduados de conveniência
e com os aros oficiais.

Desisto do escritor
prefiro o protagonista do livro do autor
fujo de casa e escondo-me na rua
fujo do nome e mais do renome

não há esconderijo senão nas massas.

A Arte só vale quando todos forem artistas
e não só os privilegiados
esses que responderam à chamada.

Morro farto de procurar semelhantes
só vejo chefes e secretários
mestres e discípulos
filhos e pais
secundários e principais
amos e servidores
criados e patrões
todos iguais.

Mais uma geração a cantar construção.
Conto quatro:
um, dois, três, quatro
Todos por bem.

Eu sei, eu sei:

«não há esconderijo senão nas massas!

Os ricos que paguem!

Os pobres que morram!

não seremos pobres nem ricos
todos iguais
iguais como os semelhantes

custa muito todos semelhantes

dá no mesmo todos iguais.»

Achei altas montanhas fora da geografia
longe da perseguição
mas o meu corpo vulnerável não passa
por onde me passa a alma.

in Poemas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001

quarta-feira, setembro 07, 2016

Elegia de sarjeta

Há por aí tanta gente que vive de parecer! Gente que constrói uma falsidade com fortíssimos e visíveis blocos de ilusão, blocos atestados, carimbados, validados, blocos feitos de nuvem autenticada como se fosse cimento. Assim se constroem palácios de reputação duvidosa.

Olhando bem o mundo circundante todo ele é feito desse modo: ilusão autenticada. Quando se confundem a ilusão e a realidade? A partir de que momento estamos nós dispostos a fazer de conta que somos alguém, que a merda que fazemos é filet mignon?

O que me incomoda é o desplante que temos em pretender que o nada é tudo e que tudo pode ser exactamente igual a nada.

Ha, as aparências! Ha, a vacuidade do saber, a inconsistência do ser... acho que vou beber outro copázio. Outro copázio bem cheio e fazer um brinde à mentira.
Ela merece.

segunda-feira, agosto 22, 2016

Regresso

Sinto o tempo a regressar.
Os dias recomeçam ignorando o dia de ontem, imaginando dolorosamente o dia de amanhã.
Dentro do meu peito há coisas que se comprimem, coisas que se encostam umas nas outras, coisas que causam incómodo.
Sinto o tempo a regressar.
Vem montado nos ponteiros de um relógio anacrónico, qual fantasma sussurrando na vertigem de um mostrador digital, o tempo regressa e, com ele, vêm tantas coisas que havia já esquecido!
O meu corpo reconhece-se no espelho que é o regresso do tempo.
O mundo volta a ficar teimoso.

Esta sensação faz de mim eu, outra vez.
Sinto que regresso com o tempo.

sábado, julho 30, 2016

Recuerdos


Saio de casa à hora do lobisomem
Agradeço à lua não estar cheia.
No carro evito o espelho,
apesar de tudo receio lá não estar.

Caixas de cartão como cadáveres de
objectos consumidos, peles de cobra esquecidas
na esquina de uma primavera


quinta-feira, julho 14, 2016

Mistério

Quanto pode uma pessoa apaixonar-se?

(tragam uma balança, tragam uma fita métrica, tragam um doutor e um catedrático)

Quanto tempo pode durar essa paixão?

(tragam um calendário, uma ampulheta com todas as praias de Portugal enfiadas lá dentro, tragam alguém que não saiba do que estamos a falar)

Eu vos digo, compinchas meus, que não há regra nem limite.

A coisa é mais do que incomensurável, é coisa eterna!

Quando nos dizem que as paixões esmorecem e que, no benigno horizonte dos dias que passam, haverá de surgir uma coisa mais ou menos informe à qual muitos matrecos gostam de chamar "amor", eu vos aviso, ó compinchas... é treta!

A paixão dura mais tempo do que o tempo que dura uma vida como esta.

(texto reescrito)

quarta-feira, julho 06, 2016

Pronto

Por vezes sinto vontade de ser uma outra coisa, não me sinto grande pessoa, talvez gostasse de me transformar num objecto. Uma escova de dentes. Um pneu de bicicleta. Um gancho de cabelo.

A dificuldade está na escolha.

Não, outro animal não é desejo que me seduza. Para ser animal estou bem assim, bicho homem.

Gosto de comer. Gosto de beber. Gosto de fumar.

Outro bicho fosse eu, dificilmente fumaria!

Por vezes sinto vontade de me transformar noutra pessoa, sonho com uma vida após esta que vou vivendo. Uma vida que fosse um prolongamento, que me permitisse aproveitar o que tenho aprendido para construir outra personagem, viver uma outra narrativa.

Por vezes escrevo só por escrever. Uma frase leva a outra, uma ideia transforma-se em imagem que gera um jogo de palavras que termina num ponto final.

E pronto.

segunda-feira, junho 27, 2016

Momentos

A avestruz enterrou a cabeça nos meus olhos e ficou a pensar-me os pensamentos.

"Xô, sua puta!" pensei eu, mas ela fez de conta que não ouvia e por ali fez menção de continuar.

Abanei a testa, enfiei um dedo no ouvido e nada. A avestruz parecia ter vindo com intenção muito firme de ficar.

O medo dela a confundir-se com o meu receio de que o mundo pudesse transformar-se de súbito em areia seca, areia do deserto, areia quente, areia a escorrer na ampulheta ferrugenta que pretendia marcar o Tempo que teimava em não passar.

Assim passei o resto do dia, com uma avestruz enorme a enfeitar-me a testa, as suas penas graciosas a marcarem o compasso dos meus passos e as pessoas a fingirem que não viam, as pessoas a fingirem que não se passava nada de extraordinário.

Quando cheguei a casa reparei que havia um elefante no meio da sala. Lá consegui arrancar a avestruz depois de muita luta e atirá-la para o fundo da sanita. Descarreguei o autoclismo e ficou tudo entupido.

O elefante era simpático.

quarta-feira, junho 15, 2016

Rua escura

A música não era boa, o cão cantava um bocado mal.
A chuva caía ao contrário, subia em direcção às nuvens.
Os carros estavam todos estranhamente parados.
As pessoas sorriam, traziam as respectivas caras parvas e iguaizinhas umas às outras.
Eu tinha a tua imagem na carteira mas tu não estavas ali.
Os prédios deslizavam, discretos nas suas fachadas lisas.
Se isto fosse um sonho havia de acordar encharcado e a gritar o teu nome no escuro.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Nuvem

É estranha a sensação de haver nuvens escuras a tapar-te o futuro. A sensação de que o frio morde a tua garganta infectada pela mentira. Baixas a cabeça mas ela teima em olhar para cima, a tua cabeça não te obedece. É estranha esta sensação de que o mundo é como um bicho e que o mundo está agachado, à espera. E, enquanto espera, caga.

É estranha a sensação de que as mulheres são o animal mais belo de toda a Criação e que Deus terá errado em muita coisa mas não quando enterrou as unhas no lombo de Adão para lhe sacar a tal costela.

Desvias o olhar mas os teus olhos rodam sobre as órbitas do Mundo e colam-se a ver o que preferias evitar saber que existe. Abanas a cabeça mas as imagens não sofrem nada, as imagens estão fixas; uma imagem vale mais que mil palavras mas mil palavras raramente valem mais que nada.

É estranha a sensação de haver nuvens tão escuras a sobrevoar-te o espírito. Quase tão estranho quanto essa extraordinária sensação de seres nuvem.

quarta-feira, maio 13, 2015

Goo goo muck

Enfiar os Cramps pelos ouvidos dentro ajuda bastante a fazer o percurso através dos túneis do Metro de Lisboa.

Sinto-me glóbulo vermelho, leucócito. Levado num fluxo, sou sanguíneo ou então serei água a fugir num esgoto. Sinto-me uma merda qualquer. Uma coisa que puxa e que é puxada, coisa que leva tudo à frente, a correr, a correr dentro de um tubo, a correr desvairada. Sinto-me goo goo muck.

Agora tenho um interior luxuoso: aveludadas tripas, alma acetinada e um olhar carmim a deitar sobre o mundo esta estranha luz que banha o túnel onde vou dançando os meus passos. Por momentos viajo no tempo, regresso à adolescência.

Entro no comboio e vou à boleia no ventre de um fantasma, avanço ao ritmo dos seus movimentos peristálticos. Chegado à última estação sou cagado na plataforma. Regresso ao mundo do costume.

Tiro os auscultadores. Já não me sinto tão goo goo muck mas há sempre qualquer coisinha que fica.