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quinta-feira, julho 12, 2018
segunda-feira, maio 15, 2017
Um gajo esquisito
Finalmente Portugal conseguiu um objectivo muito antigo (na época contemporânea 53 anos corresponde à quase totalidade do tempo bíblico) e um cantor luso venceu o célebre Festival da Canção ou da Eurovisão, não tenho bem a certeza da designação actual.
Quando eu era puto o Festival era um acontecimento do caraças. A família reunia-se na expectativa de que alguém pudesse reparar no nosso artista, rezando para que, pelo menos os espanhóis, votassem na nossa cançãozinha. Por favor senhores...
Mas a coisa nunca resultava e o pessoal ficava a matutar nas razões que estariam na base de tanta indiferença para com os nossos artistas da cantoria: que o problema era esta nossa língua (demasiado bela ou demasiado complexa, conforme as opiniões), que o problema era o arranjo musical, demasiado antiquado, que a gente não era nunca capaz de acompanhar o ar dos tempos, mil e uma explicações que seriam esquecidas no ano seguinte durante um bocadinho, o bocadinho que durava a tal esperança de sermos notados.
Fui crescendo e deixei de ver a coisa. Para um jovem amante de boa música o Festival era algo execrável: uma merda! E quem quer enfiar merda pelos ouvidos dentro?
Agora que estou... crescido, por assim dizer, já não temo que me caiam os parentes na lama só por prestar atenção ao dito concurso musical. Em boa hora pois, por uma vez na vida, Portugal, através de Salvador Sobral, conseguiu superar todas as expectativas vencendo a coisa.
O rapaz, que é um anti-herói, tornou-se um herói nacional. Já tudo foi dito e redito sobre tão feliz desenlace mas o que me deu especial prazer foi que o tão ambicionado troféu foi conseguido por alguém que se distinguiu da massa através de uma original estranheza.
Sempre que se tentou copiar as formas consideradas canónicas para parir um objecto musical capaz de ombrear com os "estrangeiros" o resultado foi pouco menos que patético, horripilante na maior parte das ocasiões.
Quando Salvador venceu o Festival cá do burgo houve logo quem gozasse com o aspecto dele, com a forma esquisita como interpretava a canção. Habituados ao fracasso imaginavam mil e uma maneiras de minimizar a personagem que iria representar, mais uma vez, a desgraçada miséria nacional.
Mas, desta vez, não foi assim. Salvador venceu e mostrou que ser um gajo esquisito não é, obrigatoriamente, um factor negativo. Antes pelo contrário.
sexta-feira, novembro 11, 2016
So long Leonard
Esta noite recebi a notícia da morte de Leonard Cohen. Até um dia, Leonard, talvez te veja outra vez. Ou talvez não.
Reparo agora que os meus ídolos musicais estão, cada vez mais, enterrados na mesma cova da minha memória. Strummer, Reed, Bowie, agora Cohen, Morrison já morreu faz muito, muito tempo. Palma, meu amigo, continua bem vivo e dou graças a Deus, pelo menos por isso.
A estante onde vou amontoando os meus CD's cada vez mais se parece com um cemitério. Hoje, quando falei nisso à Ana ela perguntou-me se eu sabia o que poderia significar tal coisa? Eu sei o que ela queria sugerir, que estamos a envelhecer, mas respondi: sim, sei o que significa, significa que toda a gente morre, mesmo os imortais, qualquer coisa assim.
Resposta parva, provocada por uma mistura de desencanto e alguma raiva temperadas por um pouquinho de tristeza e desespero. Já só poderei ouvir o que eles fizeram, já não poderei esperar o que eles vão fazer.
Quando falecem estes seres humanos ficamos um pouco mais sozinhos, um pouco mais abandonados aos nossos sonhos. Já não poderemos ser estimulados pelas suas visões magníficas para vermos o mundo melhor iluminado. Resta-nos a memória, a revisita.
Até um dia Leonard, meu magnífico companheiro.
sexta-feira, outubro 14, 2016
Viva a arte!
Neste caso não vou mostrar a minha.
Escrevo este texto porque a discussão fez-me lembrar uma questão que muito me embaraçou quando era aluno de belas-artes. Um belo dia, mais belo que a minha arte, o professor de desenho disse-me, assim, sem aviso, que aquilo que eu lhe mostrava para avaliação das minhas capacidades não era desenho.
Gelei.
Se não era desenho o que era aquilo afinal? Pior, onde acabava o desenho e começava aquilo ou, pior ainda, onde acabava aquilo e começava o desenho? Jovem que era, fiquei confuso e levei porrada de criar bicho, não tinha argumentos nem sequer era admitida discussão. O professor é que sabia, ponto muito final.
Ainda hoje, várias décadas volvidas, penso naquela situação e continuo sem perceber muito bem quais são os limites do desenho. Onde fica a fronteira que circunda a sabedoria da arte?
Muitos dos que desatinam com o prémio atribuído a Dylan vertem algum fel afirmando que ele não faz literatura e desprezam a Academia Sueca por ter ousado misturar belos alhos com esbodegados bugalhos. Lá terão as suas vaginas. Pessoalmente, confesso, estou-me bem a cagar.
Viva a arte!
Etiquetas:
arte,
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sábado, fevereiro 15, 2014
Viva Dada!
Ontem fui assistir ao concerto dos Mler If Dada no CCB. Passaram mais ou menos 30 anos desde a última vez que os tinha visto actuar ao vivo. De lá para cá tinha ouvido os CD's, principalmente "Coisas que fascinam".
Sinceramente, quando entrei na sala já ia à espera de algo transcendente mas estava longe de imaginar um espectáculo de tal forma magnífico! Sentadinho na confortável cadeira dei por mim a sorrir embasbacado, embevecido, completamente rendido. Terei viajado no tempo? Estou em crer que sim.
Anabela Duarte foi de uma expressividade deslumbrante, Nuno Rebelo mostrou o seu virtuosismo instrumental e genialidade enquanto compositor. A banda foi irrepreensível A sala veio abaixo várias vezes e sempre se reergueu pois havia mais música, mais espectáculo, mais milagres para acontecer.
Quando terminou a função o público ovacionou em pé os extraordinários artistas durante largos minutos. Toda a gente sorria embasbacada, embevecida, toda a gente a sorrir. Cá em baixo e lá em cima, no palco. Uma coisa mais do que bonita, um verdadeiro acontecimento Dada!!!
terça-feira, maio 21, 2013
Memória do futuro
Durante a minha infância vivi em estado semi-selvagem. O máximo de tecnologia a que tive acesso era um velho aparelho de televisão a preto e branco que de vez em quando se recusava a funcionar e a minha avó paterna arranjava com uns valentes murros na caixa.
Quando cheguei à adolescência foi com alguma emoção que recebi (já não sei de onde terá vindo) um leitor de cassetes, daqueles mono, como os que usavam os repórteres dos anos 70 para fazer entrevistas. As cassetes que tocava nesse aparelho primitivo eram todas dos Doors.
Ouvia as cassetes tantas vezes que as fitas se partiam e tinha de as arranjar com pedaços de fita-cola. E voltavam a rodar e a rodar e a fazer-me sonhar já não me lembro com quê. Aquela música hipnotizava-me. Nos dias de hoje tenho vários dos discos dos Doors na minha prateleira e, de vez em quando, regresso a eles mas falta-me a frescura da adolescência para nadar até à lua.
Ontem faleceu Ray Manzarek. Lá se foi mais um pedaço do tempo. É estranho quando recordamos uma destas personagens. Ray tinha 74 anos mas, para mim, será sempre aquele jovem com grandes patilhas, óculos sem aros e longo cabelo escorrido e louro, debruçado sobre o órgão; genial, absolutamente extraordinário.
Um homem assim nunca morre de verdade enquanto não morrer o mundo em que viveu.
Quando cheguei à adolescência foi com alguma emoção que recebi (já não sei de onde terá vindo) um leitor de cassetes, daqueles mono, como os que usavam os repórteres dos anos 70 para fazer entrevistas. As cassetes que tocava nesse aparelho primitivo eram todas dos Doors.
Ouvia as cassetes tantas vezes que as fitas se partiam e tinha de as arranjar com pedaços de fita-cola. E voltavam a rodar e a rodar e a fazer-me sonhar já não me lembro com quê. Aquela música hipnotizava-me. Nos dias de hoje tenho vários dos discos dos Doors na minha prateleira e, de vez em quando, regresso a eles mas falta-me a frescura da adolescência para nadar até à lua.
Ontem faleceu Ray Manzarek. Lá se foi mais um pedaço do tempo. É estranho quando recordamos uma destas personagens. Ray tinha 74 anos mas, para mim, será sempre aquele jovem com grandes patilhas, óculos sem aros e longo cabelo escorrido e louro, debruçado sobre o órgão; genial, absolutamente extraordinário.
Um homem assim nunca morre de verdade enquanto não morrer o mundo em que viveu.
sábado, abril 27, 2013
Brasil-Portugal-Brasil
Uma canção linda que mudou com o correr do tempo. E pensar que fomos todos tão jovens! :-)
domingo, abril 22, 2012
terça-feira, fevereiro 21, 2012
domingo, janeiro 01, 2012
terça-feira, agosto 09, 2011
domingo, julho 24, 2011
Mais um anjinho
Morreu Amy Winehouse (toda a gente sabe, claro). Pois foi, lá se passou a cantora da imagem esquisita, tinha os tais 27 anos. A lista de personagens geniais do mundo da música que faleceram com essa idade fatídica é impressionante. No jornal chamam-lhe o "clube dos 27": Brian Jones, Jim Morrison, Jimmy Hendrix, Janis Joplin e Curt Cobain, uma coincidência dos diabos!
Cá para mim, as almas destas personagens estão algures no Paraíso, são anjos, não restam dúvidas. Deus não cometeria a imprudência de prescindir dos serviços de tão distintos fantasmas. Sem eles o Paraíso seria, definitivamente, o tal lugar aborrecido que muitos imaginam mas que, estou em crer, terá concertos divinais com uma frequência extraordinária como só pode acontecer no Mundo das Nuvens.
Talvez Lucian Freud lhe pinte o retrato.
domingo, julho 17, 2011
Mijo, pó, merda e música ao vivo
Ok, eu não devia meter-me nestas coisas. Na verdade aquilo não é bem para mim e, em última análise, poderia dizer que não fui para ali chamado. Mas, vendo as coisas por um prisma consumista, diria que não é bem assim.
Tudo começou há 4 anos atrás, quando os Arcade Fire fizeram o seu concerto no Super Bock Super Rock que, nesse ano, foi no Parque do Tejo, ou lá como se designa aquele lugar, um sítio razoavelmente decente, com condições de habitabilidade que não envergonhariam o Porquinho Babe. Consultando os arquivos do 100 Cabeças encontro aqui o registo entusiástico que então me mereceu o meu primeiro contacto live com a banda canadiana.
O ano passado já o festival se desenrolou no local onde agora se mantém, algures para os lados de Sesimbra, num local onde aqui há uns 15 anos atrás (mais coisa menos coisa) fazia piqueniques em famíla com amigos e etc. O ano passado fui lá para ver o Prince (registo aqui) e não gostei nadinha das condições do recinto. Saí de lá a jurar baixinho nunca mais meter lá os pés.
Jura vã, está bom de ver. Quem iria adivinhar que, na edição deste ano, o cartaz haveria de ter um dia em que surgiriam no mesmo palco e consecutivamente os Portishead e os Arcade Fire!? A perspectiva de assistir a estes concertos apagou por completo tudo o que de mau me tinha levado a jurar a tal jura. E lá fui.
Resumindo. o Super Bock Super Rock é um festival de lixo! Há merda e mijo em doses industriais se bem que, principalmente a merda, devidamente confinados em sanitários móveis de plástico, ora verdes ora cor-de-laranja, mas igualmente pestilentos. Sim, porque o mijo, a partir de uma certa hora, começa a ser mijado por toda a parte pelos elementos do sexo masculino que foram abençoados com a maravilhosa capacidade de mijar em pé.
Depois há o lixo, os copos de plástico, os invólucros das mais variadas comiditas, papéis, garrafas, maços de tabaco, eu sei lá, é difícil nomear toda a sorte de porcaria que parece brotar do solo arenoso... por falar em solo, temos aqui o protagonista, a verdadeira e autêntica vedeta de toda a função: o pó!
O pó está por todo o lado. É omnipotente e omnipresente, uma divindade daquelas que comandam os destinos do inferno. Levanta-se ao menor movimento, eleva-se e insinua-se, penetra-nos, envolve-nos, domina a nossa existência naquele local.
Finalmente, abreviando, falemos um pouco de música. Saltando sobre todas as outras bandas aterremos no momento em que os Arcade Fire irromperam no palco. Tal como há 4 anos atrás as palavras não servem para descrever o que a seguir aconteceu lá em cima e cá em baixo. A multidão apinhava-se com feijão numa lata e cantava como um bando de piratas após um saque magnífico. Esta multidão de feijões piratas levantava uma poeirada apocalíptica enquanto dançava frenéticamente. O pó, sempre o pó!
Mas as emoções estavam longe de se ter esgotado. Quando o concerto acabou, por volta das 2 da manhã, e toda aquela mole humana se movimentou em simultâneo a coisa tornou-se dantesca. Imagina, leitor amigo, aquela manifestação grandiosa da poeirada absoluta.
Mas o pior ainda estava para vir. Sair dali, no carro, foi outra história épica a que te vou poupar. Cheguei a casa para lá das 4 da manhã, cansado, sujo e não tão feliz quanto seria de esperar. Fica a moral desta história: não encurtes a memória, amigo leitor, se um dia viveste momentos verdadeiramente merdosos não o esqueças. Repetir a experiência pode dar-te a sensação de seres mais burro que um jumento.
Tudo começou há 4 anos atrás, quando os Arcade Fire fizeram o seu concerto no Super Bock Super Rock que, nesse ano, foi no Parque do Tejo, ou lá como se designa aquele lugar, um sítio razoavelmente decente, com condições de habitabilidade que não envergonhariam o Porquinho Babe. Consultando os arquivos do 100 Cabeças encontro aqui o registo entusiástico que então me mereceu o meu primeiro contacto live com a banda canadiana.
O ano passado já o festival se desenrolou no local onde agora se mantém, algures para os lados de Sesimbra, num local onde aqui há uns 15 anos atrás (mais coisa menos coisa) fazia piqueniques em famíla com amigos e etc. O ano passado fui lá para ver o Prince (registo aqui) e não gostei nadinha das condições do recinto. Saí de lá a jurar baixinho nunca mais meter lá os pés.
Jura vã, está bom de ver. Quem iria adivinhar que, na edição deste ano, o cartaz haveria de ter um dia em que surgiriam no mesmo palco e consecutivamente os Portishead e os Arcade Fire!? A perspectiva de assistir a estes concertos apagou por completo tudo o que de mau me tinha levado a jurar a tal jura. E lá fui.
Resumindo. o Super Bock Super Rock é um festival de lixo! Há merda e mijo em doses industriais se bem que, principalmente a merda, devidamente confinados em sanitários móveis de plástico, ora verdes ora cor-de-laranja, mas igualmente pestilentos. Sim, porque o mijo, a partir de uma certa hora, começa a ser mijado por toda a parte pelos elementos do sexo masculino que foram abençoados com a maravilhosa capacidade de mijar em pé.
Depois há o lixo, os copos de plástico, os invólucros das mais variadas comiditas, papéis, garrafas, maços de tabaco, eu sei lá, é difícil nomear toda a sorte de porcaria que parece brotar do solo arenoso... por falar em solo, temos aqui o protagonista, a verdadeira e autêntica vedeta de toda a função: o pó!
O pó está por todo o lado. É omnipotente e omnipresente, uma divindade daquelas que comandam os destinos do inferno. Levanta-se ao menor movimento, eleva-se e insinua-se, penetra-nos, envolve-nos, domina a nossa existência naquele local.
Finalmente, abreviando, falemos um pouco de música. Saltando sobre todas as outras bandas aterremos no momento em que os Arcade Fire irromperam no palco. Tal como há 4 anos atrás as palavras não servem para descrever o que a seguir aconteceu lá em cima e cá em baixo. A multidão apinhava-se com feijão numa lata e cantava como um bando de piratas após um saque magnífico. Esta multidão de feijões piratas levantava uma poeirada apocalíptica enquanto dançava frenéticamente. O pó, sempre o pó!
Mas as emoções estavam longe de se ter esgotado. Quando o concerto acabou, por volta das 2 da manhã, e toda aquela mole humana se movimentou em simultâneo a coisa tornou-se dantesca. Imagina, leitor amigo, aquela manifestação grandiosa da poeirada absoluta.
Mas o pior ainda estava para vir. Sair dali, no carro, foi outra história épica a que te vou poupar. Cheguei a casa para lá das 4 da manhã, cansado, sujo e não tão feliz quanto seria de esperar. Fica a moral desta história: não encurtes a memória, amigo leitor, se um dia viveste momentos verdadeiramente merdosos não o esqueças. Repetir a experiência pode dar-te a sensação de seres mais burro que um jumento.
domingo, junho 12, 2011
Música portuguesa que ouço com prazer (desmedido)-3
Ontem assisti ao concerto do Jorge Palma no Teatro Municipal de Almada. É sempre um prazer.
domingo, maio 01, 2011
Música portuguesa que ouço com prazer (desmedido) -2
Continuando a postar músicas que muito prazer me dão ouvir aqui deixo um vídeo dos Oquestrada, um grupo da minha terra de adopção, a cidade de Almada, aquela cidade que está do lado certo do rio Tejo. Chamo particularmente a atenção para a extraordinária guitarra portuguesa que nas mãos do meu amigo Lima (o maior guitarrista de toda a nação, o gajo mede para aí quase dois metros!), a guitarra portuguesa que nas mãos do Lima, dizia eu, parece um objecto extraterrestre, pelo menos. Uma festa!
segunda-feira, abril 18, 2011
Música portuguesa que eu ouço com prazer (desmedido)-1
Manuel da Cruz num dos temas do seu projecto "Foge, Foge Bandido"
(esta sequência de posts é dedicada a Madoka que me perguntou um dia que música portuguesa eu ouvia:-)
sexta-feira, abril 01, 2011
Vazio (parte 2)
Após o comentário de Madoka ao post anterior fui procurar o Grande Cartola Elton Medeiros nos arquivos do Deus Google, subsecção de memória Youtube. Aqui fica o que encontrei. Subscrevo o que ele canta e sorrio... um bocadinho. Obrigado Madoka.
sábado, setembro 11, 2010
The Man

Noite de 10 de Setembro de 2010, Leonard Cohen actuou ao vivo no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
É um homem com 76 anos que lidera a banda. Um homem com o dom da uma voz dourada, como diz a canção "The Tower of Song".
O som, o concerto, perfeito.
Ele ajoelha-se com frequência para cantar e agradece aos seus músicos e ao público com profundas e sentidas vénias, descobrindo os cabelos brancos. Há uma nova pele para uma cerimónia antiga.
A coisa funciona como uma espécie de banho perfumado em água tépida. É lindo. Foi lindo.
Há coisas que ultrapassam o óbvio.
segunda-feira, julho 19, 2010
Sonhos Pop
Prince eléctrico (foto de Ana Nave) Ontem fui até ao festival Super Bock Super Rock. Sol e pó em doses generosas, cerveja a preço de champanhe francês e uma multidão pouco assustadora.
Como parti de Almada por volta das 3 da tarde não tive dificuldades em chegar ao recinto , coisa que constituiu missão impossível para muitos fãs à beira de um ataque de nervos. Chegar e estacionar foi mais simples do que entrar no recinto. À porta fui revistado com um cuidado extremoso por um jovem polícia que estranhou um objecto que tirei do bolso, por lhe parecer coisa suspeita. Tratava-se de um pequenho escovilhão de limpeza dentária que costumo trazer comigo. Vá lá, tive sorte e o dito objecto não foi confiscado pelo zeloso bófia e sempre pude limpar a dentuça depois de papar um hamburger mal passado.
Os concertos foram bastante interessantes. Gostei de ver os Palma's Gang, apesar das nítidas dificuldades do meu amigo Jorge Palma para acompanhar o som e o ritmo rock'n'roll da sessão, ainda por cima com o calor a apertar e os seus 60 anos de idade a pesarem no palco.
Depois fiz um intervalo para comer qualquer coisa e beber umas cervejolas. Regressei ao palco para assistir a alguns temas de uns Spoon bem entrosados e com um som límpido como um belo copo cheio de água. Seguiu-se The National com um vocalista em estado de graça e em grande estilo que levou a multidão ao rubro. A luz da noite ajuda sempre a compor os palcos e o ambiente destes festivais, com The National a coisa resultou em pleno.
Finalmente a hora mais esperada pela maioria dos presentes (e dos que se apinhavam nos acessos ao local), a entrada em palco de Prince. Ok, eu não sou nem nunca fui grande admirador deste Principezinho, como lhe chamou Jorge Palma, mas tenho de reconhecer que o espectáculo dele é excelente. Excelente o cenário, excelente a banda e excelente a capacidade de comunicação do outrora Victor, ou simplesmente O Artista, agora Prince, de novo, como sublinhou por mais de uma vez ontem à noite. Quando Prince se retirou do palco para dar lugar a uma Ana Moura electrificada, saí dali e vim embora. Nova viagem na paz do Senhor, de regresso a casa por uma estrada que, meia hora depois, voltou a ficar, outra vez, intransitável.
Afinal de contas aquele não era o meu sonho Pop e não me importei de perder uma parte substancial da função do Principezinho só para poder tomar um duche e limpar toda a porcaria que tinha acumulado no corpo ao longo do dia.
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