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quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Animal

     É inquestionável, o presidente dos EUA é um maluco a precisar de medicação urgente e, eventualmente, uma daquelas camisas cujos braços compridíssimos se atam atrás das costas. Um doido varrido!

    Quando era miúdo havia aquelas personagens, os sábios loucos ou os facínoras desalmados que sonhavam dominar o mundo. Eram normalmente representados com um ou outro atributo físico exagerado e uma gargalhada que disparavam ao menor sinal de sucesso nos seus propósitos alucinados. No fim perdiam sempre.

    Trump é uma dessas personagens. Mesmo o seu cabelo, os seus gestos, as danças que executa, a maneira como movimenta os lábios quando fala, fazem dele uma caricatura de um ser humano. É um velhaco. 

    O que surpreende verdadeiramente é a forma como o mundo tende a vergar a mola perante este palhaço mau. A verdade é que tipos como Saddam Hussein ou Kadafi também inspiravam terror e respeito e acabaram de forma triste e miserável. Como será o fim deste animal?

sábado, janeiro 03, 2026

Outra vez veneno

     

foto tirada numa rua de Atenas, próxima da praça de Omonia 

    Tinha várias ideias razoavelmente fofinhas para um ou outro post. Coisas pouco angulosas, visões fugazes, sombras esquecidas, sensações registadas em pleno vôo; cenas mais ou menos assim, em forma de quase nada. Mas eis senão quando, esta manhã, ao ligar o telemóvel para espreitar as "gordas" das notícias, dou de trombas com a invasão da Venezuela pelas tropas do costume.

    Desde essa hora há uma frase que não me sai da cabeça: seja qual for o ângulo sob o qual olho para esta merda, vejo sempre o mesmo cagalhão. Assim mesmo, com toda esta elegância que a situação não merece menos. 

quarta-feira, julho 23, 2025

Vai-se a ver...

     É de ficar arrepiado, pele de galinha desde a nuca ao calcanhar. A coisa não é para menos, deixa uma pessoa indignada. Pessoalmente acho mal. Acho muito mal, mesmo. Não estou disponível para pactuar com semelhante bandalheira! Benza-me Deus, guarde-me Nossa Senhora.

    Sim, porque ontem não foram capazes de me elucidar. Antes pelo contrário! Dei-me ao trabalho de ouvir os gajos e eles falaram, falaram, falaram e no fim, nicles batatóides! Fiquei na mesma como a lesma. Valeu a pena ouvir o debate? Claro que não, foi pura perda de tempo. E tempo é coisa que não devemos desperdiçar pois nunca se sabe quando batemos a caçoleta, indo desta pra melhor. 

    A meu ver estão todos vendidos se bem que uns receberão de um lado e os outros receberão do outro, como é mais ou menos evidente. Não acredito que sejam todos pagos pelo mesmo patrão... ou então... vai na volta... afinal de contas o dinheiro é todo igual. Igualzinho mesmo!

domingo, junho 25, 2023

Era tão fixe que o mundo fosse fixe!

     Era tão fixe que as coisas do mundo se desenrolassem de acordo com aquilo que nos parece ser mais correcto e mais justo. Era tão fixe que existisse, de facto, um Deus capaz de amar a Humanidade e de influenciar os seus caminhos e horizontes temporais. Era tão fixe que fosse assim: que houvesse justiça, que vislumbrássemos uma nesga de esperança, um plano a longo prazo bem delineado, iluminado por uma centelha divina. Era tão fixe.

    Se fosse assim, aquela marcha sobre Moscovo ontem iniciada não se teria diluído à medida que comia a distância e ia assustando o pequeno Putin. Que palhaçada! Oh, como teria sido um momento de justiça poética que o pequeno homem tivesse sido abafado por um mero cozinheiro, um merdas tão merdas quanto ele. Mas, no entanto..

    ... no entanto ninguém sabe o que poderia acontecer logo a seguir. Não temos bem a noção da cáfila sanguinária (eu sei que a imagem é um tanto surreal) que se perfila para tomar a cadeira de Putin. Um camelo apeado, logo substituído por um camelo maior e mais sedento de maldade não é cenário agradável. Daí que seja avisado termos alguma cautela com os pedidos que fazemos ao génio enquanto lhe esfregamos a lâmpada.

    Concluo manifestando uma vez mais a minha perplexidade com a extraordinária ausência de qualidades humanas que normalmente caracterizam os "grandes" deste mundo.

segunda-feira, outubro 17, 2022

Castigos

     Padres pedófilos cometem crime ou pecado? Não sei o que lhes vai na cabeça mas se acreditam verdadeiramente em Iavé devem estar a tremer como varas verdes... ou não? Se o deus do Antigo Testamento for tão violento com os molestadores de criancinhas como é com os inimigos do povo de Israel, é caso para ter os tomates gelados. Mas se, pelo contrário, então está-se bem. "No problemo", citando Bart Simpson, esse filósofo dos tempos modernos.

    Molestar criancinhas é pecado? Há alguma passagem na Bíblia que condene especificamente os que metem as patas onde não devem e pior ainda? Não sei não. Talvez isso possa explicar a atitude laxista dos bispos e outros bosses da igreja católica em relação aos porcalhões que militam nas fileiras das suas tropas evangelizadoras. A coisa fica em casa, lá entre eles, uma família exclusivamente masculina que é como Iavé quer, acho eu. O que têm de meter o bedelho juízes, bófias e pedopsicólogos? 

    Talvez os abusadores de sacristia vão directamente para o inferno. Na volta é o castigo que lhes está reservado e a bispalhada não vê razão para que lhes seja aplicada outra pena, uns anos de prisão, por exemplo. Eles sabem que bater com os ossos na choça não se compara a ter um satanazim a enfiar-lhes uma forquilha na tromba por toda a Eternidade. Nem nada que se pareça.

sexta-feira, julho 01, 2022

Os merdosos

     Não ser esquecido, não ser apagado. Permanecer. Todos nós sofremos um pouco a angústia de nos vermos ultrapassados pela memória, de sermos engolidos e trucidados pela imensidão angustiante de não sermos nada. Tememos o tempo, olhamo-lo como se fosse um demónio.

    O que fazemos nós na tentativa de mantermos acesa uma chamazinha de nós próprios nas memórias alheias, na memória colectiva? Até que ponto estamos dispostos a importunar o mundo?

    Cada um fará aquilo que for capaz. Outros poderão simplesmente deixar-se ir na correnteza dos dias, indiferentes à sua insignificância. Alguns trepam sociedade acima, tentam alcançar o cume, o vértice da pirâmide. Uma vez lá no alto exibem-se de forma a que todos os vejam cagando cá para baixo. Esses consideram a sua merda como coisa admirável.

sábado, junho 25, 2022

Ser como o caranguejo

    "Quem anda pra trás é o caranguejo", diziam-me quando eu era pequeno. Penso que fosse uma forma de incentivar a criançada a pensar no futuro como sendo algo que se procura e não algo a que se regressa. Talvez, não posso afirmá-lo com certeza.

    E tenho vivido a minha vida a imaginar que as coisas são assim, que a construção da sociedade é sempre prá frente que "prá frente é que é o caminho"! Esta sensação de evolução irreversível estaria decerto relacionada com o facto de ter vivido o tempo da Revolução, que aconteceu tinha eu 11 anos de idade. Sair de uma sociedade salazarista, sufocada no seu próprio vómito, para entrar num processo revolucionário que haveria de culminar com a adesão à União Europeia, deu-me a impressão de pertencer a uma sociedade que se deslocava convictamente em direcção a um amanhã cantor. Engano.

    2022 tem sido um annus horribilis para o sonho democrático. Da invasão do Capitólio à invasão da Ucrânia, os sinais de alerta para um maremoto que poderá levar tudo à frente são alarmantes. Para Putin, Trump e Xi Jinping, nomeando apenas os demónios maiores deste inferno, é como se o episódio do Dilúvio fosse mesmo um facto histórico (Bolsonaro nunca duvidou), daqueles que se repetem, a História a andar pra trás, como o tal caranguejo. Os ditadores anseiam por um maremoto que ponha fim a essa coisa que designam por Democracia, lavando o mundo todo, deixando-o virgem para que nele se institua uma Nova Ordem, assente em regimes autocráticos, governados por homens (nunca mulheres!) providenciais, alguns deles cumprindo mesmo uma missão que lhes foi confiada directamente por Deus.

    Temos assistido a um sem número de sinais que nos alertam para a possibilidade de uma angustiante regressão civilizacional. Há, no entanto, milhões de pessoas que apoiam esse passeio ao jeito do caranguejo, em direcção ao precipício do passado. Tal com Hitler ou Mussolini também Putin, Trump e outros monstros, que não têm mais que fazer que não seja o exercício da sua monstruosidade, são levados por ondas de loucura popular até aos cadeirões do poder .

    Vivemos tempos perigosos para as minorias, para as mulheres e para todos os que não vergam a mola perante a brutalidade dos chefes. O povo quer, o povo tem o caranguejo. Haja saúde económica!

    

quarta-feira, maio 25, 2022

Carne para churrasco

     A figura do soldado russo condenado a prisão perpétua por ter morto a tiro um civil ucraniano é uma imagem terrível de frustração e arrependimento. Uma criança a quem deram uma arma e mandaram para frente de guerra. E a criança fez o que era suposto fazer: matou.

    A condenação deste desgraçado parece-me um acto desesperado de castigar não se sabe bem o quê. O tribunal julgou o soldadito russo mas, lá bem no fundo, está a julgar aqueles que nunca sentarão o cu num banco de tribunal, os mandantes, os senhores da guerra, velhos machos brancos com cabelos pintados e as trombas maquilhadas quando fazem os seus números de palhaço mau nas televisões.

    As mortes violentas continuam a ferir a Humanidade todos os santos dias e os senhores dos exércitos não páram. Amanhã enviarão mais mil soldaditos para a frente de guerra. Os soldaditos irão pegar nas suas metralhadoras para se matarem uns aos outros e atirando sobre tudo o que mexe pois tudo o que mexe lhes haverá de meter medo.

    Se o diabo for justo sabemos todos quem deverá arder no churrasco do inferno.

terça-feira, março 08, 2022

Um mundo pior

     Penso que queria falar de outra coisa, não tenho bem a certeza. Não tenho a certeza sobre o que queria falar nem se aquilo que vou dizer é ou não acerca de uma outra coisa, acerca de um assunto diferente. A guerra, a guerra, a guerra, não nos sai da cabeça e aos ucranianos não lhes larga o pêlo. Confuso? Também acho.

    Desde que a guerra na Ucrânia estalou penso de vez em quando no que aconteceria se Trump ainda fosse presidente dos EUA. Ele diz que estivesse ele de cu postado na cadeirona da Casa Branca, Putin não se atreveria a invadir o país vizinho. Tretas.

    Trump vai dizendo as maiores enormidades sem que lhe caia a peruca. Como não conseguiu torcer por completo o mundo em que vivemos, criou a sua própria rede social onde a verdade é  o que ele quiser. Desse lugar imponderável não tenho tido eco, já dos seus discursos "live" tenho lido ou ouvido isto ou aquilo (ver aqui últimas enormidades). É aterrador imaginar que esta besta poderá ser reeleita dentro de alguns anos.

    Peço-te agora, amigo leitor, que faças um pequeno exercício masoquista. Imagina o mundo dentro de 3 anos. Putin e Xi Jinping serão líderes dos seus países (a menos que Deus exista e resolva atirar-lhes uns raios que os partam). Kim Jong-un continuará a reinar na Coreia do Norte. Nas arábias nada mudará. E, cereja no topo do bolo, um Trump reeleito nos EUA.

    Voltando ao início deste post, não sei se imaginar isto tem qualquer tipo de relação com a guerra na Ucrânia. Sei que tem a ver com um mundo pior, um mundo muito pior...


sexta-feira, fevereiro 25, 2022

A matrioska

     E pronto, está feito, Putin deu ordem de invasão da Ucrânia. A guerra regressou à Europa. Incomodam-me aqueles que tentam encontrar uma justificação para este acto tresloucado. Nada justifica que se dê início a uma guerra.

    Putin argumenta com neonazis na Ucrânia, ele que apoia todos os neofascistas que vão emergindo no interior dos países da União Europeia. Se não fosse o cinismo da personagem até poderia ser argumento para uma comédia de mau gosto.

    Talvez a ambição de Putin seja mais complexa do que apenas dominar a Ucrânia. Talvez ele queira criar uma sucessão de pequenas rússias, Europa fora, dominadas pelos seus admiradores fascistas. Uma espécie de matrioska de onde vão saindo putins cada vez mais pequeninos, escondidos dentro do grande Putin, o guardião da ordem e da moral histórica.

    A paz levou uma tremenda bofetada.

terça-feira, setembro 21, 2021

Morte aos feios!

Nos últimos dias tenho matutado sobre as qualidades exigidas (ou não) aos candidatos às eleições autárquicas do próximo Domingo. Sendo esta a disputa eleitoral mais abrangente, a que exige um maior esforço popular de participação em termos de disponibilidade para o exercício de cargos na "coisa pública", era de esperar que surgissem uns quantos cromos. Perfeitamente natural.

Não estava era preparado para a enormidade de certos cromos que vão aparecendo. Alguns são maluquinhos de camisa-de-forças, sem tirar nem pôr.

Para ser professor é-me exigido um certificado de "robustez física e mental". Ok, eu sei como esse documento é lavrado, mas não deixa de ser uma exigência que tenta evitar que as crianças fiquem expostas a algum maluquinho-de-hospício. E para ser presidente da junta? Pode um candidato ser completa e absolutamente lunático? Pelos vistos pode.

Estou para aqui preocupado com meia dúzia de juntas de freguesia e uma ou outra câmara municipal perdidas no portugalzinho profundo, quando os dois maiores exemplos de malucos perigosos eleitos o foram para a presidência da república. Do Brasil e dos Estados Unidos. Nestes casos com a agravante de terem sido eleitos dois sociopatas narcisistas e, ainda por cima, feios pra caralho. 

Caso para proclamar a "morte aos feios"?

sexta-feira, julho 23, 2021

No fim do dia

Os mais ricos de entre os ricos encontraram uma nova forma de exibirem ao mundo a sua riqueza pornográfica, atiram-se para o alto em busca da ausência de gravidade. Há quem diga que estão a conquistar o espaço e mostram-nos aqueles seres vivos no interior de naves com formas estranhas, aos guinchos, divertidos como peixes-palhaço a boiarem num aquário. Mostram-nos aquilo como se fosse algo extraordinário, coisa digna de serviço noticioso. Não me parece que seja assim tão digno de nota.

Mas, justiça seja feita, no mesmo serviço noticioso podem mostrar-nos os mais pobres e miseráveis, sofrendo das mais variadas maneiras, pairando no vácuo da indigência absoluta. O espectáculo está nos extremos: o branco e o preto, o mau e o bom, o podre de rico e o miserável, o adorável e o desprezível. E nós, agarrados ao garfo e à faca, vamos comendo, comendo, comemos tudo, como bons meninos, cidadãos exemplares, satisfeitos porque, pelo menos, não passamos aquela fome de cão que vemos estampada nos olhares perplexos de crianças-esqueleto, espantadas por ser aquilo que Deus lhes reservou à guisa de vida.

A verdade é que, com maior ou menor dificuldade, no fim do dia acabamos todos a cagar aquilo que comemos.

quarta-feira, janeiro 20, 2021

Oh, happy day!

Hoje tenho um espaço mental dedicado à partida de Trump. Abre-se finalmente uma pequena brecha na ascenção da extrema-direita que chegou a ser considerada imparável. Continuam alguns gnomos em lugares importantes: Bolsonaro, Netanyhau, Órban, Putin, a lista de malandros ainda mete medo mas, espero bem, a saída de Trump deixa-os um pouco menos fortes e poderá marcar o início do declínio das políticas de ódio.

20 de Janeiro de 2021, um dia para a História, um dia feliz.


domingo, janeiro 10, 2021

Luta eterna

Por vezes saem-me da cabeça umas frases que, depois de escritas, ficam como frases feitas. Aqui há dias, comentando um texto do Eduardo Lunardelli no Facebook,escrevi: "quem assina pactos com o Diabo acaba ardendo no inferno".

O texto em questão versava o tema do momento, o assalto ao Capitólio, em Washington. Neste caso o Diabo era Trump mas há muitos mais diabos a ter em consideração, logo à partida o Bolsonaro, outro diabrete de segunda categoria.

Já por várias vezes escrevi textos aqui, no 100 Cabeças, sobre estes dois palhaços maus, não me parece necessário voltar a malhar em ferro tão frio. O que importa sublinhar é que, agora, passados alguns anos em que estes animais exerceram o poder nos respectivos países, começa a tornar-se evidente que os receios de que viessem a revelar-se em toda a sua monstruosidade eram, infelizmente, fundados.

Trump, espero bem, já lá vai. Se houver Justiça irá sentar-se no banco dos réus e, sonho com isso, baterá com os ossos na prisão. Mas há muitos mais diabos por esse mundo fora, ateando as chamas dos infernos onde habitam com os respectivos povos. É a luta eterna entre a luz e a treva, o bem e o mal, a justiça e a mentira soez.

Nos contos infantis o bem acaba sempre por prevalecer.

quinta-feira, março 26, 2020

Traidores

Olhando para a TV vejo coisas.
Vejo uma conferência de imprensa de Donald Trump. Ouço as enormidades que ele diz e a forma destemperada como reage perante as perguntas de um jornalista, a forma arrogante e prepotente como ignora essas perguntas e responde ao jornalista com ameaças directas.

A ignorância e a prepotência fazem com que, tão importantes como as questões que se colocam sejam muitas questões que alguns de nós têm de calar.

Antes da pandemia várias vezes declarei aqui a minha estupefacção perante a evidente estupidez de Trump e de Bolsonaro. Mais do que estúpidos, estes dois são arrogantes e orgulhosos da sua óbvia ignorância. Como foi possível terem chegado aos cargos que ocupam?

No actual contexto da pandemia os EUA e o Brasil não podiam ter piores líderes que estes mentecaptos, aliados do vírus graças à sua imensa imbecilidade. Oxalá as suas desastrosas lideranças não provoquem os desastres humanitários que se imaginam.

Mais do que nunca, até mesmo deus merece maior confiança que estas amibas falantes, traidores da Humanidade.

sábado, janeiro 04, 2020

Ejaculação precoce

Apercebo-me agora de que acreditava na capacidade das Democracias para se protegerem dos desvarios de putativos malucos que viessem a ser eleitos. Temo estar enganado.

Um maluco maldoso, narcisista, ignorante, boçal, gordo, falso careca e falso cabeludo, tem tudo para fazer merda. E, sentindo-se apertado, é merda da grossa que faz.

Quando Clinton foi acusado de mentir por não admitir que uma tal de Monica lhe tinha feito umas cenas demasiado íntimas na própria sala oval e se viu enredado num processo de impeachement, catrapunfas, vai de bombardear a Jugoslávia para vergar as maléficas forças sérvias. É um exemplo do chamado "efeito borboleta".

Ontem foi a vez de Trump ejacular sobre o Iraque, matando um general iraniano no aeroporto de Bagdad.Apesar de todas as previsões as consequências são imprevisíveis.

terça-feira, junho 12, 2018

Sangue da cor do mijo

Há uma lufada de ar bafiento a percorrer este mundo onde nos encavalitamos uns nos outros. É um ar dos tempos, um "je ne sais quoi", uma atitude de prepotência descarada que os poderosos adoptam na maior das calmas e com uma naturalidade preocupante.

Nós, o povoléu, elegemos figurões para nos governarem. Uma vez alcandorados ao vértice da pirâmide, os eleitos passam a actuar como se lhes não aplicassem leis nem regras; constituem uma espécie de novíssima realeza, mas com sangue cor de mijo.

Estes governantes tratam-nos frequentemente como se fôssemos estúpidos ou, quando muito, como se fôssemos imbecis ou meros idiotas. Mentem-nos, desprezam-nos, ignoram-nos; nós, o povoléu, somos meros pormenores pitorescos nesta vida de fausto e grandiosidade mediática que é a existência dos príncipes com sangue cor de mijo.

Não há princípios, não há valores, imperam as folhas de cálculo. Os problemas são analisados à luz da economia, as ciências humanas são encaradas como se fossem bruxaria. Não tarda regressam as fogueiras na praça pública para queimar os incréus.

Democracia? Justiça social? Estado? Previdência?

Tem cuidado com o que dizes, cabisbaixo leitor, tem, até, muito cuidado com o que pensas! A realeza do sangue cor de mijo é mesquinha, traiçoeira e compraz-se com questiúnculas de merda desde que sirvam os seus propósitos que, quase sempre, não passam muito para da mera satisfação pessoal. Custe o que custar.

A nossas vidas são coisitas.

domingo, abril 15, 2018

Tamborileiros

Soam de novo os tambores da guerra batidos pelos percussionistas do costume: EUA, UK, La France.

Cada um destes beligerantes insistentes tem problemas complexos nos respectivos quintais. A coisa não corre bem lá por casa, põem-se os aviões a voar, largam-se umas quantas bombas sobre um território dominado por um aprendiz de tirano diabólico e... voilá! É remédio santo.

Trump, May e Macron, caricaturas de Bush, Blair, Aznar (e de Barroso, o bobo), já de si personagens grotescas, repetem a História ou, pelo menos, tentam repeti-la. Ontem no Iraque, hoje na vizinha Síria. O monstro viscoso arrasta-se na região. A Paz não tem a mínima oportunidade.

Alguns protagonistas de mais esta versão da velha história tentam encontrar o tom certo para a interpretação da sua personagem. Putin, Erdogan, o Irão (personagem menos nítida) os príncipes sauditas. O mundo acagaça-se perante as poses marciais e a vaidade destes seres vivos que espalham terror e morte com evidentes benefícios.

E nós, temente leitor, que nos resta fazer, que nos resta pensar?


quarta-feira, janeiro 31, 2018

Caridade cristã


Miguel Relvas, esse político, por assim dizer, advoga a ideia de que, para se evitar a corrupção, os políticos deveriam ser mais bem pagos. Ou seja, mais dinheiro no bolso ao fim do mês diminuiria a tentação de ceder ao canto da sereia. Discordo.

Se um político ganha 5.000 por mês e é corrompido com uma oferta de 500.000, caso ganhasse 10.000 seria corruptível mediante o pagamento de 1.000.000, tão simples quanto isso: aritmética! Pessoalmente, estou convencido de que uma pessoa é honesta ou não é; independentemente das quantias envolvidas, a capacidade de resistir à tentação é intrínseca.

Na sociedade actual reina a convicção de que tudo se resolve com dinheiro. Existe um problema? Faça-se mais investimento e o problema tenderá a ser resolvido. Não me parece assim tão simples. A maior investimento terá de corresponder uma forma adequada de o aplicar. Talvez necessitemos de melhor investimento, um planeamento mais eficaz, uma atitude mais honesta e inteligente. Caso contrário o dinheiro investido poderá perder-se em corredores obscuros e bolsos fundos, como é costume.

Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com os Fundos Comunitários no Portugal cavaquista. Uma parte considerável do dinheiro vertido no nosso quintal através da torneira da CEE acabou por se perder e servir apenas para enriquecer uma "elite" que, pelos vistos, ganhava pouco.

Fossem os ricos muito mais ricos e sobrariam migalhas suficientes para que os pobres não morressem de fome. Pois, a gente sabe como funciona esta espécie de caridade cristã,... está à vista!

terça-feira, dezembro 12, 2017

Ditados populares

Olhar a nossa sociedade com uma lente de aumentar não é nada boa ideia. A menos que tenhamos um cargo importante, que implique análise e decisão da coisa pública, melhor será padecer de uma certa miopia.

Quando a imprensa nos empresta uns óculos graduados e nos põe à frente do nariz certas cenas menos recomendáveis lá temos nós de olhar e ver. Ver é, por vezes, uma coisa extremamente desconfortável.

Quando vemos essas tais cenas horrendas ficamos a pensar no que não vemos, ficamos a pensar na bicharada imunda que se desloca nas sombras húmidas do anonimato.

"Longe da vista, longe do coração", diz o povo.
Longe do coração e longe do cérebro, longe de tudo, direi eu (que também sou povo): "quem não sabe é como quem não vê"... e vice-versa.