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terça-feira, junho 12, 2018

Sangue da cor do mijo

Há uma lufada de ar bafiento a percorrer este mundo onde nos encavalitamos uns nos outros. É um ar dos tempos, um "je ne sais quoi", uma atitude de prepotência descarada que os poderosos adoptam na maior das calmas e com uma naturalidade preocupante.

Nós, o povoléu, elegemos figurões para nos governarem. Uma vez alcandorados ao vértice da pirâmide, os eleitos passam a actuar como se lhes não aplicassem leis nem regras; constituem uma espécie de novíssima realeza, mas com sangue cor de mijo.

Estes governantes tratam-nos frequentemente como se fôssemos estúpidos ou, quando muito, como se fôssemos imbecis ou meros idiotas. Mentem-nos, desprezam-nos, ignoram-nos; nós, o povoléu, somos meros pormenores pitorescos nesta vida de fausto e grandiosidade mediática que é a existência dos príncipes com sangue cor de mijo.

Não há princípios, não há valores, imperam as folhas de cálculo. Os problemas são analisados à luz da economia, as ciências humanas são encaradas como se fossem bruxaria. Não tarda regressam as fogueiras na praça pública para queimar os incréus.

Democracia? Justiça social? Estado? Previdência?

Tem cuidado com o que dizes, cabisbaixo leitor, tem, até, muito cuidado com o que pensas! A realeza do sangue cor de mijo é mesquinha, traiçoeira e compraz-se com questiúnculas de merda desde que sirvam os seus propósitos que, quase sempre, não passam de satisfação pessoal. Custe o que custar.

A nossas vidas são coisitas.

domingo, abril 15, 2018

Tamborileiros

Soam de novo os tambores da guerra batidos pelos percussionistas do costume: EUA, UK, La France.

Cada um destes beligerantes insistentes tem problemas complexos nos respectivos quintais. A coisa não corre bem lá por casa, põem-se os aviões a voar, largam-se umas quantas bombas sobre um território dominado por um aprendiz de tirano diabólico e... voilá! É remédio santo.

Trump, May e Macron, caricaturas de Bush, Blair, Aznar (e de Barroso, o bobo), já de si personagens grotescas, repetem a História ou, pelo menos, tentam repeti-la. Ontem no Iraque, hoje na vizinha Síria. O monstro viscoso arrasta-se na região. A Paz não tem a mínima oportunidade.

Alguns protagonistas de mais esta versão da velha história tentam encontrar o tom certo para a interpretação da sua personagem. Putin, Erdogan, o Irão (personagem menos nítida) os príncipes sauditas. O mundo acagaça-se perante as poses marciais e a vaidade destes seres vivos que espalham terror e morte com evidentes benefícios.

E nós, temente leitor, que nos resta fazer, que nos resta pensar?


quarta-feira, janeiro 31, 2018

Caridade cristã


Miguel Relvas, esse político, por assim dizer, advoga a ideia de que, para se evitar a corrupção, os políticos deveriam ser mais bem pagos. Ou seja, mais dinheiro no bolso ao fim do mês diminuiria a tentação de ceder ao canto da sereia. Discordo.

Se um político ganha 5.000 por mês e é corrompido com uma oferta de 500.000, caso ganhasse 10.000 seria corruptível mediante o pagamento de 1.000.000, tão simples quanto isso: aritmética! Pessoalmente, estou convencido de que uma pessoa é honesta ou não é; independentemente das quantias envolvidas, a capacidade de resistir à tentação é intrínseca.

Na sociedade actual reina a convicção de que tudo se resolve com dinheiro. Existe um problema? Faça-se mais investimento e o problema tenderá a ser resolvido. Não me parece assim tão simples. A maior investimento terá de corresponder uma forma adequada de o aplicar. Talvez necessitemos de melhor investimento, um planeamento mais eficaz, uma atitude mais honesta e inteligente. Caso contrário o dinheiro investido poderá perder-se em corredores obscuros e bolsos fundos, como é costume.

Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com os Fundos Comunitários no Portugal cavaquista. Uma parte considerável do dinheiro vertido no nosso quintal através da torneira da CEE acabou por se perder e servir apenas para enriquecer uma "elite" que, pelos vistos, ganhava pouco.

Fossem os ricos muito mais ricos e sobrariam migalhas suficientes para que os pobres não morressem de fome. Pois, a gente sabe como funciona esta espécie de caridade cristã,... está à vista!

terça-feira, dezembro 12, 2017

Ditados populares

Olhar a nossa sociedade com uma lente de aumentar não é nada boa ideia. A menos que tenhamos um cargo importante, que implique análise e decisão da coisa pública, melhor será padecer de uma certa miopia.

Quando a imprensa nos empresta uns óculos graduados e nos põe à frente do nariz certas cenas menos recomendáveis lá temos nós de olhar e ver. Ver é, por vezes, uma coisa extremamente desconfortável.

Quando vemos essas tais cenas horrendas ficamos a pensar no que não vemos, ficamos a pensar na bicharada imunda que se desloca nas sombras húmidas do anonimato.

"Longe da vista, longe do coração", diz o povo.
Longe do coração e longe do cérebro, longe de tudo, direi eu (que também sou povo): "quem não sabe é como quem não vê"... e vice-versa.

quinta-feira, junho 15, 2017

Metáfora

Cada vez menos sou capaz de acreditar que haja, de facto, uma separação de poderes na forma como interpretamos o sistema democrático no nosso país.

Os responsáveis pela elaboração das leis parecem estar profundamente comprometidos com as forças obscuras do vampirismo que tem a dentuça ferrada na jugular do Estado. É como ter raposas a guardar o galinheiro e um bando de furões como encarregados dos serviços de limpeza da gaiola onde pomos os nossos ovos. Anda a galinhada num virote, a levar dentadas, a perder penas, a sofrer de desorientação e com inveja da vizinha a quem apenas foi levada uma pernoca na última investida das bestas que zelam pelo nosso bem-estar.

Quando olho, por exemplo, para o que se passa no Brasil ou em Angola, não sinto qualquer tipo de alívio por estar enfiado neste galinheiro lusitano. Sinto uma espécie de solidariedade melancólica por perceber que eles têm leões no lugar das raposas e jacarés no lugar dos furões.

Vivemos um tempo em que as máscaras das bestas que nos devoram caem com facilidade. Vemos com nitidez a deformação hedionda dos seus focinhos, aspiramos o hálito fedorento que exalam enquanto cirandam ao redor das nossas vidinhas. E, no entanto, parecemos hipnotizados, imobilizados perante o poder encantatório das ilusões que nos oferecem para nos amolecer as carnes antes de lhes ferrarem o dente.

No meio desta merda toda Portugal não passa de metáfora, coisa pequenina. Mas, para mim, para os que vivem neste galinheiro, é coisa enorme por ser o lugar das nossas vidas.

quarta-feira, abril 06, 2016

Ladrões e bandidos

Os designados Panama Papers puseram de fora o rabo do gato escondido. Todos nós sabemos que a corrupção é uma qualidade indispensável ao exercício do poder. Mas a exposição pública dos negócios duvidosos de tanta gentalha impressiona.

Chefes de estado, personagens públicas de diversas áreas, gente polida e mais ou menos educada, muitos tementes a Deus, outros agnósticos convictos, todos eles com as patas enfiadas na merda, agora sabemos quem são.

As centenas de vigaristas revelados impressiona não tanto por serem imensos mas por conhecermos os dados secretos de apenas uma das milhentas empresas que se dedicam ao negócio de roubar o povão por este mundo fora. Multipliquemos o número de esquemas corruptos promovidos pela Mossack Fonseca agora revelados pelos esquemas semelhantes promovidos por empresas suas concorrentes e teremos a dimensão aproximada das razões que explicam o desvario total em que sobrevive a espécie humana.

A Democracia treme e vacila. Agora que estes ladrões começaram a ser publicamente expostos como irá reagir a besta capitalista? Duvido que se deixe engaiolar, decerto vai começar a destilar um veneno qualquer, vai estrebuchar e retaliar.

Aguardemos.

terça-feira, setembro 01, 2015

O Arco da Governação

Em Portugal existe uma coisa terrível chamada “arco da governação” que é um artefacto transformador de políticos. O “arco da governação” funciona como uma espécie de portal entre o mundo das boas intenções e o universo da política pura e dura. Ao atravessar este arco, pessoas honestas são, quase sempre, transformadas em aleijões morais. Outros (Miguel Relvas ou José Sócrates, por exemplo) não sofrem a mínima alteração.

Quando um político atravessa o “arco da governação” e dá por si naquele instável universo, onde Não Há Alternativas (NHA), faz coisas extraordinárias tal como Kal- El debaixo de um sol amarelo se transforma no Super-Homem. Lembremos quando “Telmo Correia assinou cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o novo executivo, liderado por José Sócrates, foi empossado (…) (Público,3/2/2008). Já refeito deste assomo de actividade frenética, Telmo é hoje um homem ponderado e recuperado para a boa governação. Podemos vê-lo com frequência a perorar sobre os mais variados assuntos num canal de TV noticioso. 

Tal como Bagão Félix que teve um momento de vertigem que levou “(…) Souto Moura [a encarregar o procurador-geral adjunto Azevedo Maia] de esclarecer os contornos do negócio (a adjudicação do Siresp) que os ex-ministros da Administração Interna e das Finanças, Daniel Sanches e Bagão Félix, respectivamente, assinaram três dias após as eleições legislativas de 2005. (Público, 14 /11/2006). 

Quem vê, nos dias que passam, Bagão Félix a emitir as suas pias opiniões no tal canal de TV ou aqui no Público, tem dificuldade em compreender que raio de coisa lhe terá passado pela cabeça naquela época conturbada para ter adjudicado o negócio, em Fevereiro de 2005, por 538 milhões de euros. É certo que por lá andavam metidos Dias Loureiro e Oliveira e Costa, à época “pessoas de bem”, conforme nos assegurava Cavaco e Silva, mas… valeu-nos o então novel ministro da Administração Interna, António Costa, que, recorrendo aos poderes adquiridos ao transpor o “arco da governação”, acabou por adjudicar o “Siresp ao único consórcio candidato, retirando algumas funcionalidades ao sistema, que desta vez custou 485,5 milhões de euros (Público, 14 /11/2006); ah, valente! Ainda assim, o Estado português acabou com um ruinoso negócio em mãos Investindo “(…) cinco vezes mais do que poderia ter gasto se tivesse optado por outro modelo técnico e financeiro.” (Público,2/6/2008) negócio que ainda hoje andamos a pagar com língua de palmo.

Há tantos outros casos que poderíamos recordar (oh, o clássico das 61 mil fotocópias, o aeroporto no deserto “jamais”, a Lusoponte…) mas penso que fica provado que o “arco da governação” é uma armadilha mortal para a honestidade dos animais políticos. 

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

A leveza de não ser

A coisa não anda fácil para os poderosos deste mundo. Quero dizer, difícil também não anda mas dá a impressão que o povo tem de olhos demasiado abertos, o que é embaraçoso para os verdadeiros ricalhaços. Eles são como vampiros, discretos, movem-se noutros patamares de realidade, não pisam o mesmo chão que nós pisamos. Ouvi dizer que há quem só pise alcatifa desde o dia em que nasce até ao dia em que é levado.

Mas a coisa anda agitada, anda sim senhor. Todos os dias há um destes que mostra o rabito, um novo processo que é instaurado, dúvidas que se levantam, reputações que se deitam. Fala-se demasiado sobre formas de enriquecimento, sobre fugas ao fisco, dinheiros sujos, dinheiros lavados, contas em bancos de uma opacidade total (o que não é bom nem para os bancos nem para a opacidade).

O povo anda mais atento e capaz de perseguir estas sombras, estes gajos que se esgueiram entre brechas na realidade ou estão apenas a atirar-nos uns quantos sacrificados para que os devoremos em praça pública, aplacando assim a nossa necessidade de justiça?

O povo anda de dente aguçado. Alguém vai ter que se lixar. Tenho a impressão que serão uns meros badamecos, uns ricaços de terceira categoria, carne para comunicação social. Os verdadeiros bosses, a esses ninguém chega. Nem Deus. Só o Diabo quando, finalmente, batem as botas e regressam ao ponto de partida.

quarta-feira, julho 09, 2014

Da ganância

Um fato, uma gravata e uma cara de pau que até medo. Ou então um sorriso fácil e uma simpatia sem fronteiras; estes são tão perigosos como os outros. São os banqueiros, senhores do dinheiro, guardiões dos nossos sonhos, conhecedores dos nossos desejos, eles regulam o mundo.

Os dias passam, a crise permanece. Compreendemos melhor o significado de insignificância e a rapidez da nossa cavalgada pela vida quando percebemos o tempo de recuperação que uma coisa destas necessita. Dizem-nos que a economia levará 20 anos a recuperar, 30 anos a recuperar, tempo demais, na minha humilde mas particular perspectiva. Quando a crise passar e regressarem os tempos do vinho e das rosas, o mais provável é eu já ter batido as botas.

Antes de mim haverão de patinar os mais velhos destes tais banqueiros que, no entanto, agem como se fossem viver eternamente. A sua ganância é lendária, a sua capacidade de amontoar dinheiro e distribuir miséria parece coisa divina. De todos os bichos, o bicho Homem é o que tem maior capacidade para amealhar aquilo de que não tem necessidade.

Sinceramente não compreendo estes seres vivos, estes banqueiros. Não compreendo para que querem mais dinheiro, mais poder, mais miséria. Isto vai muito para lá da minha capacidade de compreensão. Mas as coisas são assim mesmo. Também não compreendo Deus. A única diferença entre os banqueiros e Deus é que os banqueiros existem de facto, sem margem para dúvidas.

segunda-feira, julho 08, 2013

Rejeição abjeccionista

A bosta mole em que se transformou a vida (!?) política portuguesa nos dias mais recentes é coisa para nausear os estômagos mais calejados. Como sobreviver a tamanha sucessão de vilezas e putices, é algo que vou ter de treinar.

Perdi definitivamente qualquer réstea de respeito que pudesse obrigar-me a inventar em relação aos patetas que nos governam. Sinto a mais profunda abjecção em relação a esta gentalha enfatuada. Estes papa-hóstias, estes sabujos, cães-de-colo perfumados que lambem o cú e os tomates, como qualquer outro cão, como um cão vadio, estes mentirosos compulsivos, falsos, dissimulados, estes imbecis estão a destruir o que resta da frágil imagem da Democracia. Estes seres vivos são a ruína da Democracia, são os sacerdotes da democracia, com "d", a coisa nojenta em que sobrevivem.

A partir de hoje nunca mais irei referir-me a Portas, nem a Passos Coelho, nem ao palhaço-mor (já nem me dou ao trabalho de nomear o palhaço-mor). A partir de hoje estes insectos deixam de merecer o que quer que seja além de uma pisadela que os espalme no soalho e os reduza à sua dimensão rastejante e infecciosa.

Morram todos, morram, pim.

sábado, dezembro 15, 2012

Massacres

Os massacres de inocentes sucedem-se a um ritmo estranho nos EUA (ver aqui lista). Os assassinos, nitidamente loucos varridos, dedicam a sua fúria desconcertante para os mais variados grupos.

Em Agosto um gajo abateu seis cidadãos e feriu outros três, cuja particularidade, inquietante para a sua mente perturbada, era o uso de turbante sikh. Pouco tempo antes, em Julho, um outro maluco assassinara a tiro de metralhadora 12 espectadores de um cinema no Colorado (e feriu mais 59) que se preparavam para assistir à estreia do mais recente filme do Batman.

Os assassinos suicidam-se, são abatidos ou apanhados e condenados, isso não interessa muito para o caso. A questão é: porque acontece isto tão regularmente em território norte americano?  A resposta parece ser óbvia: porque um gajo pode ir, por exemplo, ao barbeiro e, entre um corte de cabelo e uma manicure, comprar uma arma automática com munições sem ter que explicar a ninguém o desejo de possuir tão macabro brinquedo.

É conhecido o poder dos fabricantes de armas nos EUA (se fosse só nos EUA...) e a sua inacreditável capacidade para perpetuar a venda livre de pistolas, metralhadoras e bazucas lá na terra deles. O argumento económico pesa, e de que maneira, para manter esta situação selvagem.

Tudo isto configura uma metáfora poderosa do estado civilizacional a que chegámos. A morte é fácil mas o dinheiro flui... já a vida parece demasiado cara para ser preservada. A morte é, de longe, mais barata e lucrativa do que a vida.

sexta-feira, novembro 16, 2012

Pornografia



Macacos Sábios

Ver os mais altos responsáveis pela governação deste país aplaudir a actuação da polícia nas cenas de porrada a que todos assistimos em directo nos canais de televisão é algo pornográfico. Cavaco e Passos primeiro não tinham visto nada, não se podiam pronunciar sobre os acontecimentos.

Mais tarde, imagino que após terem visionado aquele espectáculo edificante, só puderam aplaudir o ataque indiscriminado das forças policiais sobre as pessoas que se encontravam defronte às escadarias da Assembleia, cada vez mais símbolo da vergonha do nosso regime político.

Tudo aquilo foi estranho.

Foi estranho ver meia dúzia de energúmenos a desfazer a calçada e a atirar pedrada após pedrada, horas a fio, sobre uma fila de polícias de choque em postura cristã, como se oferecessem a outra face. Coitadinhos. 

Foi estranho ver os bandidos a rir, a fazer pontaria, impunemente, alguns de cara bem destapada, sem que houvesse a mínima reacção das forças que, por comodidade, continuamos a chamar de “forças de segurança” mas que, quando se atiram à populaça, se transformam em forças de agressão.

Foi estranho ver os manifestantes que se colocaram em frente aos polícias apedrejados, quais escudos humanos, pondo em risco a sua integridade física (ó Cavaco, ó Passos, e uma palavrinha de apreço para com estes cidadãos?).

Os polícias foram atiçados, quais mastins sem açaimo, sobre os populares. Agrediram muitos que, é evidente para qualquer pessoa que tenha assistido aos desacatos, mesmo que pela televisão, não tinham atirado pedras, nem garrafas, nem petardos. Prenderam uns quantos, acusados de resistência e ofensa à autoridade. 

Há tantas imagens filmadas, tantas fotografias, tantas testemunhas oculares que decerto não será difícil provar se os que agora foram presos participaram, de facto, naquele triste espectáculo.

Tudo isto foi demasiado estranho. 

Habitual foi, apenas, a forma histérica e desproporcionada como os polícias agrediram a torto e a direito quem lhes apareceu pela frente. Os responsáveis pelas calhoadas não só as praticaram como lhes deu na real gana como ainda se pisgaram dali para fora na maior das impunidades.

O que já não foi tão estranho foi que, após um dia de greve geral em vários países da Europa, num dia em que a CGTP apresentou uma série de medidas de combate à crise que até Bagão Félix considerou dignas de atenção nas páginas deste jornal, se tenham focado os holofotes nos pobres polícias, vítimas de um bando de arruaceiros, como se mais nada tivesse acontecido. 

A quem aproveita toda esta ópera bufa? Com governantes deste calibre, assistir ao “espectáculo da democracia” é como ver um filme de “bunga bunga”. Ou pior ainda. 

Carta enviada à Directora do jornal Público (sem as imagens)

quarta-feira, outubro 17, 2012

Negócio lucrativo

 Picasso, Monet, Freud, Gauguin, Meyer de Haan (?), Monet e Matisse

Quem serão os ladrões que surrupiam tão naturalmente obras de arte, como se roubassem pacotes de bolacha Maria nas prateleiras do supermercado? Serão empresários empreendedores que fazem o seu assalto e depois colocam o produto do roubo no mercado? Serão empregados de algum megamilionário apaixonado pelas belas-artes que lhes indica os objectos a colectar e lhes financia a acção? Serão apenas uns malucos quaisquer a quem a coisa até correu bem mas que podiam ter sido apanhados com a boca na botija?

Desta vez foi no Kunsthal Museum de Roterdão que estes anónimos artistas do gamanso fizeram a sua mais recente performance. Quando os alarmes soaram e os atarantados agentes da ordem chegaram ao local, (apenas 5 minutos depois, segundo rezam as crónicas) já os larápios haviam entrado e saído sem que ninguém desse por eles, deixando sete espaços em branco nas respeitáveis paredes do museu. Uma limpeza digna das obras levadas!

A lista de obras desaparecidas tem assinaturas de Picasso, Monet, Freud, Gauguin, Matisse e Meyer de Haan (quem é Meyer de Haan?), um conjunto de nomes capaz de fazer sonhar o mais pintado dos coleccionadores de arte.

Ao que parece o roubo de obras de arte é uma actividade extraordinariamente lucrativa, apenas batida no ranking da vigarice pelo tráfico de armas e de droga. Pode parecer estranho (ou talvez não) mas apenas 15% das obras roubadas são recuperadas e, em alguns casos, só reaparecem à luz do dia décadas depois de terem desaparecido.

Clicando aqui temos acesso a uma interessante lista de grandes roubos de obras de arte com informações sumárias sobre o que lhes aconteceu. Pessoalmente, estava convencido que a coisa não seria grande negócio. Percebo agora que estava muito bem enganado!

quinta-feira, outubro 11, 2012

Os inocentes



Os artigos que têm vindo a ser publicados no jornal Público sobre os negócios da Tecnoforma com protagonismo mais ou menos relevante de dois figurões do actual governo, nada mais nada menos que o 1º ministro e o seu principal sequaz, são paradigmáticos. 

O que incomoda mais, ainda mais do que as toscas manobras à boa maneira do tradicional chico-esperto aproveitador de oportunidades obscuras para deitar a mão a uns trocos que lhe componham o estrato bancário, é a evidente inépcia dos promotores da marosca. 

Miguel Relvas, Passos Coelho e respectivos comparsas de ocasião podem argumentar que agiram dentro da legalidade, mas, tanta falta de visão, tanta incapacidade para prever o desajustamento dos programas que propuseram para aplicar verbas europeias, prefiguram, na melhor das hipóteses, uma inocência que não é admissível em políticos e gestores da coisa pública. 

Poderão até argumentar que estavam a aprender, que é com os erros que se aprende, que agora estão mais aptos a evitar escorregadelas ridículas e mais atentos a desvios perigosos. Pois sim, para aprender há escolas e sapateiros a tocar rabecão ainda vá que não vá, já analfabetos espertalhões a passar por doutores é caso de polícia, é crime que põe em risco a vida de pessoas ou a saúde de uma sociedade inteira, a merecer castigo severo. 

Como podemos dormir descansados quando são estes seres vivos responsáveis pelos destinos de Portugal numa hora como a que atravessamos? Como podemos dormir descansados quando alguém que foi capaz de levantar a “problemática geral dos aeródromos e heliportos municipais” nos termos relatados nos artigos de António Cerejo seja agora responsável pelo negócio de privatização da RTP, só para dar um exemplo inquietante? 

Mais à frente leio outro artigo, “A alternativa responsável”, assinado por António José Seguro e o desânimo é absoluto. É isto que 40 anos de estado democrático tem para nos oferecer? Políticos de pacotilha que aprenderam tudo o que sabem nas reuniões das juventudes partidárias e nos recantos menos iluminados dos corredores da Assembleia da República? 

As historietas da Tecnoforma mais não são que a ponta do rabo do gato escondido. Houvesse mais jornalismo de investigação na decadente imprensa deste país adiado e o espelho a que nos olhamos reflectiria visões simplesmente insuportáveis. 

Já que não há justiça que julgue esta comandita que seja o povo a fazê-lo nos locais onde ainda vai tendo uma palavra a dizer: primeiro na rua, depois nas urnas. Talvez ainda haja tempo para, pelo menos, lavarmos a cara e olhar para o espelho com uma réstia de esperança.


quinta-feira, agosto 16, 2012

Merceeiros e bombistas


Dizem por aí que há menos crianças em Portugal logo é natural que haja menos professores, menos escolas, menos investimento na educação. Há quem queira reduzir o problema a uma questão de números. Regressa o velho espírito merceeiro que caracterizou a política nacional durante o tempo da Outra Senhora.

Quando Salazar governou não consta que houvesse falta de crianças. Nesses tempos, que tantos de nós recordam com um suspiro saudosista, havia muitas crianças. As aldeias do interior pululavam de vida, os portugueses não necessitavam de incentivos governamentais para se reproduzirem. 

Na época dourada do fascismo saloio ter filhos era uma riqueza familiar. Mal pudessem com a sachola, as crianças estavam aptas a entrar na idade adulta, cavando terra, semeando miséria. Não faltavam crianças nem faltavam professores ou escolas. O ditador sabia bem que a ignorância lhe facultava os cidadãos necessários à implementação da sua visão socioeconómica. Vivemos 48 anos de aposta contínua na pobreza, fosse pobreza material ou de espírito. 

Depois da Revolução acreditámos que o conhecimento e a educação seriam factores determinantes para equilibrar uma sociedade que se pretendia democrática. A Escola Pública passou a ser um direito e a qualidade do sistema educativo uma paixão declarada por sucessivos ministros pouco dados a investir nas coisas do amor. Com o passar dos anos começamos a compreender que nem a Escola Pública é encarada como um direito por aqueles que nos governam, nem Portugal conseguiu ultrapassar o estigma salazarista de gerações de crianças a quem sonegaram a infância. 

Ainda hoje a Educação é por muitos considerada mera ferramenta de ascensão social. Não interessa o Saber ou o Conhecimento, interessa, isso sim, o título de Doutor. Valoriza-se o “parecer”, dá-se muito pouca importância ao “ser”. Os nossos governantes parecem inteligentes. Afinal de contas não são, todos eles, doutores?

As medidas educativas que vão sendo largadas sobre a Escola Pública têm o efeito de um bombardeamento da 2ª guerra mundial ordenado por um general meio louco a quem faltasse também o mapa da zona a bombardear. Não se vislumbra um plano, uma estratégia, um objectivo. Quando um dia as bombas se esgotarem não vai haver pedra sobre pedra mas haverá sempre escolas privadas. Podem estar descansados.

segunda-feira, julho 23, 2012

Tolinho

Passou um ano sobre o massacre da ilha de Utoya. Os noruegueses mostraram ao mundo uma comovente capacidade de resistência à desgraça.

Contrariamente ao pretendido por Breivik, o assassino, que afirma ter protegido o país da “invasão muçulmana” e de uma sociedade “multicultural”, "O povo norueguês respondeu abraçando os nossos valores. O assassino falhou, o povo venceu", nas palavras de Stoltenberg, primeiro ministro do país nórdico, em Oslo, durante a cerimónia de homenagem às vítimas dos ataques.

Breivik aguarda o veredicto do tribunal. Ele afirma-se inocente e quer que o seu acto seja considerado como tendo motivações políticas. Por outro lado a acusação defende que Breivik é um refinado tolinho (como pode afirmar-se inocente se não for completamente tótó?) e que deverá ser julgado como tal.

Se for considerado culpado dos crimes a pena máxima é de 21 anos. Caso seja considerado tolinho vai o resto da vida para uma gaveta num hospício.

Oxalá seja fechado num hospício. Por mim fechava-o num quarto vazio com paredes espelhadas para que se visse a si próprio sempre que tivesse os olhos abertos. Talvez assim percebesse que não passa de um refinado tolinho, um demente inútil a quem a única obra que resta é olhar-se nos olhos até ao dia em que se apague e vá ocupar o lugar que lhe compete nas profundezas dos esgotos do inferno.

A prisão é um lugar demasiado confortável para semelhante animal.

Clicar aqui para ver post sobre o mesmo animal publicado a quente em cima das primeiras notícias sobre o massacre.

quarta-feira, julho 04, 2012

Um parlapatão


A meu ver, o curso instantâneo do ministro Relvas em Ciência Política até se justifica (ver aqui) e não percebo o espanto nem a indignação que está a provocar. Basta olhar o seu percurso na vida partidária: dirigente da Jota, jovem deputado, elemento influente na máquina do partido, que mais se pode exigir a alguém que pretende ser cientista político?

Já a mediocridade constante de Relvas enquanto estudante, incapaz de conseguir classificações acima do 11 ou do 12, fosse no secundário ou no ensino superior, a justificação é evidente e só um cego não consegue ver. Como pode um cidadão ser cientista político num partido tão complicado como o PSD e, em simultâneo, conseguir resultados académicos a um nível suficiente? Mesmo o Super-Homem iria ter dificuldades, quanto mais Miguel Relvas, reconhecidamente um cidadão do mais comum que podemos encontrar.

Acho bem que o governo acabe com a mama dos oportunistas que pretendem fazer o ensino básico em apenas um ano à sombra do programa das Novas Oportunidades. Era o que mais faltava! Querem um diploma do 9º ano? Suem, estudem e trabalhem para isso que a coisa não se consegue num ano apenas!

Miguel Relvas tem demonstrado, na prática, que o seu grau académico é mais do que merecido, independentemente da forma como foi obtido. O homem é um portento na manipulação de informação e um governante assustador, qualidades que mais do que justificam o grau de licenciado em ciência política (ver exemplo das suas habilidades aqui). 

Na minha humilde opinião, observando a forma como Relvas tem arrumado com toda a limpeza as situações problemáticas em que se tem visto envolvido (ver aqui e aqui), deveria ser-lhe atribuído um doutoramento, quanto mais não fosse, Honoris Causa. Só assim poderia fazer-se justiça a sua excelência e à sua honra.

sexta-feira, julho 29, 2011

Desprezo

Só sinto desprezo por aquele cabrão filho-da-puta que assassinou dezenas de putos noruegueses após ter feito rebentar uma bomba em Oslo tendo morto, logo aí, uns quantos cidadãos. As coisas que esse animal deixou escritas e as fotos com que se ilustrou enquanto ser vivo mostram apenas uma coisa: vaidade.

Essa besta é tudo o que agora quisermos que seja. O animal é nazi, é terrorista, é fundamentalista católico, é louco, é psicopata, o que quisermos. Será tudo isso, mas tudo isso reflecte uma vaidade imbecil na sua cabeça loira e nos seus olhos claros. Um verme nojento daquele calibre pode apenas merecer desprezo.

Por mim enfiava-lhe uma bala nos cornos e acabava logo ali com uma existência prejudicial à espécie humana. Gajos assim fazem vacilar as minhas convicções em termos de tolerância e respeito pela vida humana. Tenho dificuldade em reconhecer num monstro deste género o mais leve pingo  de humanidade. As bestas raivosas matam-se, para evitar que espalhem a raiva.

Já escrevi mais do que queria escrever sobre esta coisa pestilenta. Os noruegueses deram-lhe um tratamento razoável. Se era exposição pública que o bicho queria, isolaram-no por completo. O problema é que vai ter um julgamento justo. É isso que distingue as vítimas do assassino mas, caraças, ele não merece ser tratado como aquilo que não é, não merece ser tratado como um ser humano.

terça-feira, setembro 04, 2007

O fim


As tropas inglesas já vão saindo de Bassorá. Vão de fininho, sem grandes ondas, em tom a fazer lembrar fim de festa. A ressaca é grande e, como qualquer adolescente após ter feito asneira da grossa por ter levado os instintos animais para lá de Marraquesh, os soldados de Sua Majestade deixam passar algum ressentimento. Ao que consta, altos responsáveis das tropas britânicas, revelam agora que desde os primeiros encontros com Rumsfeldt tiveram a sensação de que não havia planos consistentes para depois da invasão. Numa exibição de suprema estupidez, os senhores da guerra norte americanos sempre estiveram convictos de que os iraquianos iriam aplaudir as tropas invasoras, sequiosos de Coca-Cola e hamburgueres manhosos, agitando bandeirinhas em intermináveis desfiles celebratórios. Não há memória de tamanho erro de cálculo!
Bush fez a surpresinha de aparecer no Iraque para dar umas palmadas nos costados da soldadesca e garantir que caso os "êxitos actuais" (!!!???) da política americana no Iraque se mantenham serão necessárias menos forças no terreno. Se assistimos ao êxito americano nem quero pensar o que seria do Iraque e dos iraquianos caso as coisas estivessem a dar para o torto.
Com os "bifes" em maré vazante e a guerra civil em cavalgada constante só mesmo Bush consegue estar sorridente e confiante num futuro radioso. O homem ou é verdadeiramente um pobre de espírito, dos mais pobres que a Humanidade jamais teve oportunidade de lamentar, ou então é verdadeiramente aquilo que a criancinha da imagem anuncia com aquele sorrisinho maroto de quem, tal como Bush, não sabe bem o que está a fazer mas até acha piada à coisa.
Seja como for, o fim da aventura assassina no Iraque está para breve, pelo menos para os ocidentais que para os iraquianos a coisa vai manter-se por muitos e duros anos. Será que o maluco de Washington está já a pensar bombardear o Irão? Há indicadores pouco animadores nesse sentido. Deus nos livre.

segunda-feira, junho 04, 2007

Aprendizes de feiticeiro

Vladimir Putin anda com cara de poucos amigos. Na verdade, pensando bem, essa é a sua cara habitual se calhar porque tem mesmo poucos amigos. Nos últimos dias retomou um discurso velho que esteve enterrado durante alguns, tenros, anos mas que agora ressuscita com inesperado vigor. Um discurso agressivo e belicista, ameaçador e dirigido aos vizinhos europeus.
É certo que o regime russo pós-soviético nunca se caracterizou por respeitar os direitos humanos ou mesmo o regime democrático, tal como é promovido no espaço da União Europeia. A guerra permanente na Tchetchénia ou as pressões contínuas sobre os países que formaram o antigo império comunista, a violência exercida pelo estado russo sobre os opositores políticos, a forma como a Rússia encara o seu próprio papel no mundo actual, são sinais contínuos que provocam inquietação do "lado de cá".
Quando Putin vem agora ameaçar a Europa com a possibilidade de voltar a apontar mísseis a alvos no espaço da União como resposta à intenção dos Estados Unidos virem a montar o seu célebre escudo anti-míssil em solo "aliado" marca o regresso da velhota Guerra Fria, uma senhora que já estava esquecida e regressa do túmulo, qual múmia animada por artes de magia negra. Ou Putin está a fazer bluff ou a brincar com o fogo, fiando-se na nossa tradicional moleza e incapacidade para tomar decisões militares de força. Do mesmo modo, os americanos que afirmam pretender defender a Europa de possíveis ataques lançados a partir dos "estados párias", Coreia do Sul e Irão que constituem o celebérrimo "Eixo do Mal", ignorando as dores de cabeça que tal intenção provoca no actual Czar, estão também a atirar umas quantas achas prá fogueira. O urso rosna e afia as garras.
Será necessário colocar o discurso a este nível? É de todo inevitável voltar a agitar estes fantasmas sobre as cabeças das democracias capitalistas da União? Não haverá um espaço de debate e diálogo onde as coisas possam passar-se de um modo um pouco mais... civilizado?
Talvez fosse hora de organizar um novo encontro entre Bush e Putin em que vestissem outra vez os fatinhos de feiticeiro e assistissem lado a lado à projecção do filme de Walt Disney, Fantasia. Podiam vê-lo todo, se tivessem tempo e capacidade de concentração suficiente, mas, muito particularmente, deveriam ver com atenção aquela parte em que o Rato Mickey (um dos heróis de Bush, só pode!) se arma em feiticeiro e a coisa acaba a dar para o torto quando as vassouras lhe fogem do controlo e quase destroem o castelo onde ele se encontra. Dramático!
No escurinho do cinema, Putin e Bush, pipocas, coca-cola e vodka e talvez a paz pudesse ganhar alguns pontos ao desvario militarista destes gajos.
Mostrem-lhes uns bons filmes infantis, caraças, é o que lhes está a faltar; uma infância mais ou menos feliz e informada. Talvez ainda vá a tempo.