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sábado, julho 07, 2018

Explosão anunciada

Como chegámos nós a este ponto? Somos reféns do Capitalismo, hoje tal como sempre fomos. Vivemos uns quantos anos na ilusão de que tínhamos afugentado o bicho mas ele está de regresso e com tal pujança que vai destruindo o mundo todo de passagem.

Os episódios de especulação imobiliária que se vêm acumulando nos últimos tempos são uma foto-tipo-passe do rosto do capital selvagem. As pessoas são escorraçadas das suas habitações para que as casas se venham a transformar em locais de passagem.

É a lógica capitalista da livre circulação do dinheiro associada à lógica pós-moderna da movimentação das populações, em trânsito no gozo dos seus tempos de férias.

Nos tempos que correm há muito capital que circula nos bolsos dos turistas (veja-se o peso do turismo na economia portuguesa ou nos países que têm um défice de produção industrial, o turismo é mesmo considerado uma indústria!), logo interessa desenvolver os processos de trânsito das pessoas (as viagens aéreas banalizam-se ao ponto de surgirem as empresas low cost) ao mesmo tempo que se facilita o acesso destas ao capital onde quer que estejam por esse mundo fora (as máquinas de dinheiro nas paredes e em caixotes pululam por esse mundo fora e podemos aceder à nossa conta bancária em segundos estejamos na Ásia ou na América).

Nesta construção vertiginosa os indígenas transformam-se em peças de baixo valor. Ou são empecilhos, e por isso se dão os despejos, ou são mão-de-obra barata para manter esta lógica de resort em que se vem apostando como mais uma forma de fazer fluir o capital.

Este é um exemplo. Muitos outros poderemos convocar quando reflectimos sobre o desvario total que se apoderou da Humanidade e a conduz, inexoravelmente, na direcção do precipício. Um dia tudo isto vai rebentar.

domingo, novembro 19, 2017

Globalização

Esta coisa da globalização é uma teia complexa tecida a fio de merda. Desde o início da coisa (lá para os noventas) que logo se percebeu o logro que nos era enfiado goela abaixo. A globalização era, apenas, a globalização da economia, essa deusa-puta.

Globalizava-se a facilidade de circulação do capital mas nada se fazia em termos sociais ou políticos, por exemplo. Melhor dizendo, as questões sociais e políticas deveriam moldar-se nos altares da deusa-puta e mais nada.

Passadas duas décadas (ou três) o resultado previsto confirma a monstruosidade da coisa: uma percentagem cada vez menor de cabrões detém uma percentagem cada vez maior da riqueza produzida. A desigualdade é cavalgante.

Os ricos não têm nacionalidade ou, melhor dizendo, a riqueza é a sua nacionalidade sejam eles originários de onde forem.

Fomos bem enganados, como patinhos que sabem bem nadar, cabeças para baixo, rabinhos para o ar. Agora assistimos em pânico ao desabar das estruturas sociais e agitamos braços e bandeiras em desespero. Estaremos a tempo de inverter a desgraça?

quarta-feira, julho 09, 2014

Da ganância

Um fato, uma gravata e uma cara de pau que até medo. Ou então um sorriso fácil e uma simpatia sem fronteiras; estes são tão perigosos como os outros. São os banqueiros, senhores do dinheiro, guardiões dos nossos sonhos, conhecedores dos nossos desejos, eles regulam o mundo.

Os dias passam, a crise permanece. Compreendemos melhor o significado de insignificância e a rapidez da nossa cavalgada pela vida quando percebemos o tempo de recuperação que uma coisa destas necessita. Dizem-nos que a economia levará 20 anos a recuperar, 30 anos a recuperar, tempo demais, na minha humilde mas particular perspectiva. Quando a crise passar e regressarem os tempos do vinho e das rosas, o mais provável é eu já ter batido as botas.

Antes de mim haverão de patinar os mais velhos destes tais banqueiros que, no entanto, agem como se fossem viver eternamente. A sua ganância é lendária, a sua capacidade de amontoar dinheiro e distribuir miséria parece coisa divina. De todos os bichos, o bicho Homem é o que tem maior capacidade para amealhar aquilo de que não tem necessidade.

Sinceramente não compreendo estes seres vivos, estes banqueiros. Não compreendo para que querem mais dinheiro, mais poder, mais miséria. Isto vai muito para lá da minha capacidade de compreensão. Mas as coisas são assim mesmo. Também não compreendo Deus. A única diferença entre os banqueiros e Deus é que os banqueiros existem de facto, sem margem para dúvidas.

sexta-feira, novembro 08, 2013

Equilíbrio

Hoje é dia de greve da Função Pública em Portugal. Os trabalhadores protestam, reclamam, esbracejam, esperneiam, mas nem migalhas têm a ilusão de vir a receber.

Neste dia veio a público uma notícia que dá conta do aumento do número de multimilionários no nosso país (ler aqui), apesar da crise... ou será por causa da crise? Não só são mais como estão mais ricos. O equilíbrio acentua-se: os ricos mais ricos, os pobres mais pobres.

Haverá algum dia a mínima possibilidade de inverter esta tendência?

terça-feira, maio 14, 2013

Dúvidas

Ontem comprei uma camisa que, mais tarde, verifiquei ser "made in Bangladesh". A primeira coisa que me veio à cabeça: terá sido fabricada por algum dos que morreram na derrocada daquele prédio que matou mil pessoas?

Não me buliu o coração nem um bocadinho e isso deixou-me um pouco incomodado. Se calhar não sou tão solidário como imaginava, não me preocupo com a espécie humana com o desvelo que se impõe a uma boa alma. Comprei a camisa porque era barata. Fiquei com ela porque o "made in Bangladesh" está escondido na etiqueta e não revela ao mundo essa minha nódoa moral?

Na verdade, o que se passou foi que quando reparei no pormenor da origem da camisa já estava no balcão, a pagar. Já tinha uma factura e digitara os números do meu cartão de débito na maquineta. Não me apeteceu dizer à empregada (que tinha cara de se preocupar mais com revistas cor-de-rosa do que com jornais "sérios") que não queria aquela camisa porque... porquê? Sou mais preguiçoso do que solidário.

Quando saí da loja tive uma iluminação! Talvez aquela camisa tivesse sido fabricada por Reshma, a rapariga que sobreviveu 17 dias sob os escombros do prédio que vitimou outras mil pessoas, entre colegas e nem tanto. Fiquei mais sossegado. Decerto que trazia no saco uma peça saída das mãos da rapariga protegida por Deus. É assim que os fracos se convencem que são mais ou menos fortes?

Leio que o salário médio de um operário no Bangladesh é de 29 euros (ver aqui). A camisa custou 12. Ou seja, quantas camisas daquelas faz um operário por dia já que duas e uns trocos pagam o seu ordenado mensal? É melhor nem pensar nisso, comprei uma coisa daquelas, para onde vai o dinheiro que paguei?

A tragédia fez com que o governo decidisse rever as condições laborais e a tabela salarial destes quase-escravos. As empresas que exploram o trabalho destas pessoas fazem valer o velho ditado "casa roubada, trancas à porta" e anunciam que irão investir nas condições de segurança das fábricas. Pouco perderão, igual a nada.

Se a morte de mil operários teve o condão de por em movimento todas estas acções o que aconteceria se tivessem morrido dois mil? Ou três mil... quantas pessoas precisam de morrer para que se faça justiça social? Quantas pessoas precisam de morrer para que o capitalismo selvagem fique manso, nem que seja por breves momentos?