Mostrar mensagens com a etiqueta imprensa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta imprensa. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, julho 15, 2025

Viver o momento

     Fazer citações é caminho estreito e repleto de pedregulhos, daqueles que não dão para construir castelos. Ou bem que sabemos do que estamos a falar ou melhor seria manter a boquinha trancada a sete-chaves. Mas as coisas não se passam bem assim.

    No mundo ideal, citar alguém implica recolher e acrescentar dados relacionados com a proveniência da coisa o que implica, pelo menos, um "onde" e um "quem", eventualmente um "quando", o que se aconselha vivamente. É, portanto, tarefa que impõe algum rigor e boa-fé da parte de quem cita.

    No mundo real é a confusão que se sabe. As citações chovem como sapos em narrativa bíblica. As vindas sabe-se lá de onde misturadas com as que se sabe bem de onde vêm, tudo vale a mesma coisa, não há problema de maior. A ideia original pode estar já um bocadinho distorcida, por vezes completamente adulterada mas, pronto, não vamos chatear-nos por isso. O que interessa é passar a mensagem.

    Uma citação errada pode substituir a original e correcta sem grande problema nem esforço. Basta que seja repetida as vezes suficientes para se tornar mais verdadeira que a verdade. Alguém se incomoda com isso? Não vale a pena, desde que a mensagem tenha passado estará tudo bem.

    Quem diz uma citação diz um facto. A confirmação é, muitas vezes, puro aborrecimento. Se a coisa for suficientemente sumarenta podemos ficar pela primeira forma, mesmo que não seja propriamente verdade: desfrutar do momento é o grande objectivo dos seres vivos. Seja ele qual for (o facto, o ser vivo, ambos ou vice-versa). 

terça-feira, dezembro 12, 2017

Ditados populares

Olhar a nossa sociedade com uma lente de aumentar não é nada boa ideia. A menos que tenhamos um cargo importante, que implique análise e decisão da coisa pública, melhor será padecer de uma certa miopia.

Quando a imprensa nos empresta uns óculos graduados e nos põe à frente do nariz certas cenas menos recomendáveis lá temos nós de olhar e ver. Ver é, por vezes, uma coisa extremamente desconfortável.

Quando vemos essas tais cenas horrendas ficamos a pensar no que não vemos, ficamos a pensar na bicharada imunda que se desloca nas sombras húmidas do anonimato.

"Longe da vista, longe do coração", diz o povo.
Longe do coração e longe do cérebro, longe de tudo, direi eu (que também sou povo): "quem não sabe é como quem não vê"... e vice-versa.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Stockwell


Esta imagem mostra a entrada da estacao de metro de Stockwell. Foi aqui que a policia inglesa abateu Jean Charles de Menezes por ele levar uma mochila as costas e correr apressado para nao perder o comboio. "Quanto mais depressa mais devagar" diz o ditado, neste caso transformado em humor mais duvidoso que negro. O Cyber cafe onde estou a escrever este post fica exactamente do outro lado da rua. Olhando pela montra posso ver o altar improvisado que esta na imagem. Agora tem um aspecto ligeiramente diferente, tem uma bandeira brasileira, outras imagens... mas o espirito da coisa mantem-se.
Jean Charles foi abatido no meio de uma onda de paranoia anti terrorista, vagamente semelhante a que atravessamos agora. Hoje vou voar de regresso a Lisboa. As coisas parecem normalizadas nos aeroportos. Ja fiz o check-in on line, o voo esta confirmado. Confesso que e com algum alivio que deixo Londres apesar de nao ter sentido nada desta paranoia no meu quotidiano citadino. Apenas os jornais acentuavam o panico em cada edicao, principalmente os vespertinos. Passada a ameaca dos planes de imediato surgiu uma suposta ameaca no tube! estes gajos fazem tudo o que podem para vender jornais. Os nossos diarios nao passam de aprendizes nesta materia.
Stockwell e uma zona com muitos portugueses. Fiquei hospedado em casa de uma velhota algarvia simpatica, daquelas que falam pelos cotovelos. Ainda agora fui tomar um "bica" ao restaurante o Conquistador. Deu ate para comer um pastel de nata! Os portugas parecem criar uma comunidade a parte com os seus cafes, as suas lojas, os seus pequenos mercados. A integracao nao parece ser o principal objectivo desta malta.
Bom, o meu tempo esta a expirar.
Ate mais logo, ja com acentos e num portugues mais escorreito!