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domingo, junho 10, 2012

Depravação animal

É certo e sabido que medir os outros utilizando-nos a nós próprios como exemplo-padrão nem sempre é uma grande ideia.

Chamar selvagem a alguém que anda descalço e come a carne de animais que mata à paulada em vez de usar ténis Adidas e comprar carne de perú embalada numa grande superfície comercial, não só é injusto mas também revela uma insuportável soberba civilizacional.

Se esta atitude já é discutível quando aplicada a outros seres humanos, ela passa a raiar o ridículo quando a avaliação é a de outras espécies animais.

Vem isto a propósito da notícia que revela que "A “depravação sexual” dos pinguins ficou um século no armário" só porque os hábitos de truca-truca destes bichos pareceram aberrantes a um cientista inglês que os observou no início do século XX.

Primeiro que tudo o senhor George Murray Levick andou para ali a meter o nariz onde não era chamado, um autêntico voyuer de pinguins o que, lá estou eu a medir outra pessoa pelos meus padrões comportamentais, revela desde logo uma mente pouco saudável.

Segundo, toda a gente pode imaginar que se pudéssemos entrar na mente de um pinguim ia ser uma confusão do caraças para compreender o que raio está um bicho daqueles a pensar das coisas que o rodeiam!

Enfim, a depravação sexual dos pinguins é um escândalo de trazer por casa, uma coisinha menor (como se pode constatar pela leitura da notícia) e até pouco interessante quando comparada com os hábitos sexuais de certos seres humanos neste início do século XXI (não consigo deixar de moralizar...).

Já dizia Freud "se Paulo me fala de Pedro, fico a saber mais de Paulo que de Pedro" (não sei se eram estes os nomes mas a ideia era esta, disso tenho a certeza).

sexta-feira, dezembro 25, 2009

O Sexo, o Natal e a economia



Hoje é dia de Natal. Em muitos lares por este Portugal adentro a televisão substitui a lareira e é para ela que se dirigem todos os olhares das famílias reunidas em seu torno. Mais logo a TVI irá transmitir o filme O Sexo e a Cidade. Não há Pai Natal naquele filme, nem Reis Magos nem Presépio, nem nada que se relacione com a quadra festiva que aquece os nossos corações. Este (in)significante fait-divers faz pensar nas distantes origens desse canal televisivo, originalmente atribuído à igreja católica, num processo mais milagroso que transparente. Lembram-se? Eram os primórdios dos canais independentes do poder político que prometiam um mundo novo no panorama televisivo. Com 4 canais, afiançavam-nos então, teríamos diversidade, variedade e competição, benesses do mercado livre. Volvidos todos estes anos o que podemos constatar? Que os canais, na sua luta insana para captarem investimento publicitário, se acotovelam com novelas, concursos imbecis e telejornais infindáveis, numa amálgama fedorenta, uma papa indistinta e massificadora. Fomos enganados?

Esta constatação pode alargar-se a outros domínios. O poder político, por exemplo. Também aqui ficamos com a sensação de que entre os chamados “partidos do arco do poder”, o PS e o PSD, há uma sobreposição absoluta de objectivos, comportamentos e discursos. A falência das ideologias tornou-os tão semelhantes que ninguém vê grande diferença entre um e outro quando ascendem ao cadeirão do poder. Uma vez aí sentados, os líderes destes partidos abrem os dossiês da roubalheira e ficam deslumbrados, como miúdos num hipermercado em vésperas de Natal. É a economia, dizem-nos, a economia obriga a fazer isto e a esquecer aquilo, garantem-nos. Estaremos a ser ludibriados?

Afinal de contas em que ficamos? A democracia sobrepõe-se à economia? O poder político pode orientar-se por princípios humanistas ou a frieza dos números tudo justifica? Fica a sensação de que a massificação boçal é o único caminho possível para a nossa sociedade. Sejamos boçais, se não nos resta outra opção. Pode ser que O Sexo e a Cidade não seja tão mau filme quanto isso e sempre constitui uma alternativa ao velho James Stewart franzindo a testa em Do Céu Caiu Uma Estrela.