A derrocada de um edifício de oito andares onde funcionavam cinco fábricas de confecções nos arredores da cidade de Daca dá que pensar. Marcas como a Benetton e El Corte Inglés, entre outras com sede em países europeus, recebem muitas das suas peças vindas daquelas bandas. Vêm limpas, não trazem sangue.
Ali os operários ganham perto de 40 dólares por mês. 40 dólares!? Esse deverá ser o preço médio da maior parte das peças que produzem em condições laborais abaixo de cão.
Comparados com os operários europeus, os do Bangladesh não têm quaisquer direitos. São pouco mais do que escravos mas, como diz o ditado, "longe da vista, longe do coração". As grandes marcas europeias enriquecem à conta da miséria alheia. Será isto colonialismo?
Não. Isto não é colonialismo, isto é globalização. Países como Portugal perderam centenas de unidades de produção têxtil. Os nossos operários eram demasiado caros, apesar dos baixos salários que auferiam segundo os nossos padrões. Ainda por cima tinham direitos laborais! Que descaramento.
O desemprego sobe em flecha na Europa. Países como o Bangladesh vão fazendo pela vida. Isto não é concorrência, é exploração pura e dura.
