

A notícia não pode espantar ninguém. As leiloeiras, que costumam encher páginas de jornais com pontos de exclamação à frente dos preços com que colocam obras de arte no mercado, também sentem a tal crise económica.
"Depois de cerca de cinco anos de expansão do mercado de arte contemporânea, nos últimos quatro dias a Christie's e a Sotheby's obtiveram receitas inferiores às suas previsões."
Cinco anos de expansão, cinco anos a bater recordes, cinco anos a facturar milhões e mais milhões. O que me espanta é que os preços baixos continuem tão elevados. Parece que estou a brincar com as palavras mas não estou.
Uma coisa que sempre me fez confusão foi a ânsia constante de manter a economia em expansão. Os níveis de crescimento económico não pararam de crescer nos últimos anos e parecia que nunca iriam abrandar, como se não houvesse um limite, um ponto máximo para esse crescimento. Na minha cabeça, pouco capaz de compreender este tipo de situações, sempre imaginei que a economia, de tanto crescer, haveria um dia de rebentar, como um balão.
Não sei se rebentou mas tem, pelo menos, um furo e está a esvaziar. Os governos dos países mais ricos tentam tapar o furo com milhões de milhões "injectados" nos bancos que precisam do dinheiro como um drogado precisa de injectar heroína só para poder mexer os braços e as pernas. O mercado da arte haveria de ressentir-se desta situação. E, lá está, "Segunda-feira à noite, a Sotheby’s fez menos de 57 milhões de euros num leilão em que previa conseguir um mínimo de 71 milhões de euros."
Este sintoma vem juntar-se aos restantes que permitem aos especialistas diagnosticar um estado febril e de alguma fraqueza física à economia global. Entre os analistas do fenómeno do comércio de arte há quem tire as suas conclusões, "O "Arts Newspaper" cita alguns observadores que se questionam “se o consumo ostentatório da arte não estará a chegar ao fim”."
Como se diz por aí, nas ruas: "Não há dinheiro, não há palhaço!". No entanto não tenho a certeza se não continuará a haver muitos palhaços com dinheiro e vice-versa...








































