quarta-feira, março 11, 2026

Vacas mornas

     O que espera cada um de nós daqueles que nos representam e governam? Que sejam aquilo que neles projectámos, que sejam exactamente aquilo que imaginámos que iriam ser quando deixámos o papelinho a morrer na urna de voto? 

    Haverá aqueles que tentam corresponder ao que deles se espera (pobres diabos) e outros que, uma vez investidos dos poderes que lhes são conferidos pela Constituição, passam a pôr em prática o plano de usufruto do poder que haviam previamente elaborado. Não poderiam ser atitudes mais antagónicas. Duas faces da mesma moeda nunca cruzam o olhar, o que não é o caso, por isso a expressão aqui não se aplica.

    A meu ver há os políticos honestos (o que não significa que sejam bons políticos ou sequer eficazes) e os desonestos (o que não quer dizer que sejam ineficazes mas talvez queira dizer que não são bons políticos). Não há políticos mais ou menos honestos ou corruptos assim-assim. Nesta actividade a ambiguidade ética não é admissível, outros campos da acção humana admitirão alguma imaterialidade de carácter mas não a política.

    Voltando à vaca antes que arrefeça demasiado: António José Seguro é Presidente da República. O que espera dele cada um de nós? Uns não gostam do senhor por ser demasiado à direita, outros odeiam-no por ser socialista, por ser mosca-morta, por ter uma boca estranha, houve até que o apodasse de Tó-Zero. Mas ele lá está, a ser aquilo que é. Ser honesto não é excitante como me parece ter sido sugerido Cotrim de Figueiredo quando se tornou evidente que Seguro iria ser eleito? 

    Tantas perguntas, tantas perguntas, pareço uma criança a perguntar nas idade dos porquês. Para não me ir embora demasiado depressa aqui deixo mais uma: vivemos um tempo de vacas mornas?

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